Títulos - Garota de programa, Garoto de programa, Meretriz, Messalina, Michê, Mulher da vida, Prostituta, Puta, Quenga, Rapariga, Trabalhador do sexo, Transexual (profissionais do sexo), Travesti (profissionais do sexo).
Descrição sumária
Batalham programas sexuais em locais privados, vias públicas e garimpos; atendem e acompanham clientes homens e mulheres, de orientações sexuais diversas; administram orçamentos individuais e familiares; promovem a organização da categoria. Realizam ações educativas no campo da sexualidade; propagandeiam os serviços prestados. As atividades são exercidas seguindo normas e procedimentos que minimizam as vulnerabilidades da profissão.
Formação e experiência
Para o exercício profissional requer-se que os trabalhadores participem de oficinas sobre sexo seguro, oferecidas pelas associações da categoria. Outros cursos complementares de formação profissional, como por exemplo, cursos de beleza, de cuidados pessoais, de planejamento do orçamento, bem como cursos profissionalizantes para rendimentos alternativos também são oferecidos pelas associações, em diversos Estados. O acesso à profissão é livre aos maiores de dezoito anos; a escolaridade média está na faixa de quarta a sétima séries do ensino fundamental. O pleno desempenho das atividades ocorre após dois anos de experiência.
Condições gerais de exercício
Trabalham por conta própria, na rua, em bares, boates, hotéis, porto, rodovias e em garimpos. Atuam em ambientes a céu aberto, fechados e em veículos, em horários irregulares. No exercício de algumas das atividades podem estar expostos à inalação de gases de veículos, a intempéries, a poluição sonora e a discriminação social. Há ainda riscos de contágios de DST, e maus-tratos, violência de rua e morte.
Código internacional CIUO 88:
5149 - Otros trabajadores de servicios personales a particulares, no clasificados bajo otros epígrafes
A - BATALHAR PROGRAMA Agendar a batalha
Produzir-se visualmente
Aguardar no ponto (esperar por quem não ficou de vir) Seduzir com o olhar
Abordar o cliente Encantar com a voz
Seduzir com apelidos carinhosos Conquistar com o tato
Envolver com o perfume
Oferecer especialidades ao cliente Reconhecer o potencial do cliente Dançar para o cliente
Dançar com o cliente Satisfazer o ego do cliente Elogiar o cliente
B - MINIMIZAR AS VULNERABILIDADES Negociar com o cliente o uso do preservativo Usar preservativos
Passar gel lubrificante à base de água Participar de oficinas de sexo seguro
Reconhecer doenças sexualmente transmissíveis (DST) Fazer acompanhamento da saúde integral
Realizar campanhas sobre os riscos de uso de hormônios Realizar campanha sobre os riscos de uso de silicone líquido Denunciar violência física
Denunciar discriminação C - ATENDER CLIENTES
Preparar o kit de trabalho (preservativo, acessórios, maquilagem) Especificar tempo de trabalho
Negociar serviços eróticos Negociar preço
Realizar fantasias eróticas
Cuidar da higiene pessoal do cliente Fazer streap-tease
Fazer carícias
Relaxar o cliente com massagens Representar papéis
Inventar estórias
Manter relações sexuais
Dar conselhos a clientes com carências afetivas Prestar primeiros socorros
Fazer compras para o garimpo (rancho) Lavar roupas dos garimpeiros
Cuidar dos enfermos no garimpo Posar para fotos
D - ACOMPANHAR CLIENTES Fazer companhia ao turista
Fazer companhia a cliente solitário Acompanhar cliente em viagens
Acompanhar cliente em festas e passeios Jantar com o cliente
Pernoitar com o cliente
E - ADMINISTRAR ORÇAMENTOS Anotar receita diária
Listar contas-a-pagar Pagar contas
Contribuir com o INSS
Contribuir com a receita familiar
Aplicar dinheiro em banco
Abrir conta poupança habitacional
Investir em empreendimentos de complementação de renda Investir em pepitas de ouro
F - PROMOVER A ORGANIZAÇÃO DA CATEGORIA Promover valorização profissional da categoria
Ministrar cursos de auto-organização Apoiar a organização das associações Fazer campanha de filiação
Realizar articulações políticas
Combater a prostituição infanto-juvenil Participar de movimentos organizados Treinar multiplicadores de informação Distribuir preservativos
Contribuir para a documentação histórica da prostituição Fomentar a educação geral
Fomentar cursos profissionalizantes Reivindicar fundos para profissionalização
Participar da organização de cursos de primeiros socorros Reivindicar cursos básicos de línguas estrangeiras
Participar da organização de cursos de beleza e massagem
G - REALIZAR AÇÕES EDUCATIVAS NO CAMPO DA SEXUALIDADE Elaborar roteiro de teatro educativo
Produzir espetáculos educativos Encenar espetáculos educativos Conceder entrevistas
Aconselhar meninas de rua
Ministrar palestras na rede de ensino
Ministrar palestras nos cursos de formação e reciclagem de policiais Z - DEMONSTRAR COMPETÊNCIAS PESSOAIS22
Demonstrar capacidade de persuasão
Demonstrar capacidade de expressão gestual
Demonstrar capacidade de realizar fantasias eróticas Agir com honestidade
Demonstrar paciência Planejar o futuro
Prestar solidariedade aos companheiros Ouvir atentamente (saber ouvir)
Demonstrar capacidade lúdica Respeitar o silêncio do cliente
Demonstrar capacidade de comunicação em língua estrangeira Demonstrar ética profissional
Manter sigilo profissional
Respeitar código de não cortejar companheiros de colegas de trabalho Proporcionar prazer
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Pode-se estranhar a utilização da letra “z” nesse item. Todavia, é ela mesma utilizada na definição. A idéia é que ficasse aberto para a inclusão de mais atividades relativas à profissão.
Cuidar da higiene pessoal Conquistar o cliente Demonstrar sensualidade Recursos de Trabalho:
Acessórios; Agenda; Cartões de visita; Celular; Documentos de identificação; Gel lubrificante à base de água; Guarda-roupa de batalha; Maquilagem; Papel higiênico; Preservativo masculino e feminino
Participantes da Descrição: Especialistas
Cassandra Fontoura
Flavio Lenz Cesar (jornalista do Beijo da Rua) Gabriela Silva Leite
Imperalina Piedade da Silva Janete Oliveira da Silva
Maria de Fátima Medeiros Costa Maria de Lourdes Barreto
Marilene de Jesus Silva Rozeli da Silva
Instituições
Associação das Mulheres Profissionais do Sexo da Bahia (Asproba) Davida - Prostituição, Direitos Civis, Saúde (Rio de Janeiro)
Grupo de Apoio à Prevenção da Aids (Gapa-MG)
Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará (Gempac)
Igualdade - Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul Núcleo de Estudos da Prostituição de Porto Alegre
Instituição conveniada responsável
DDC - DDC - Deisi Deffune Consultoria S/C Ltda
Nota-se, na observação da agenciação entre as prostitutas e das demandas da sociedade, que também faz parte das atividades necessárias à profissão o cuidado com a vida financeira, com a organização da categoria e com iniciativas educacionais no campo da sexualidade.
Outrossim, é importante salientar a conexão que se faz com o código internacional nesta atividade profissional. Uma demonstração de que em outros países já há uma organização social que satisfaça as demandas com relação a esse tipo de trabalho.
Um ponto a salientar é a nomenclatura que se dá à profissão. No título do trabalho, pode-se julgar que há muitos termos. Todavia, em diversas organizações de prostitutas pelo país, discutiu-se (e ainda é tema de debates) que título se poderia atribuir à
categoria. Como prova disso, o Beijo da rua, na sua edição de março de 200723, traz vários nomes dados às mulheres que trabalham com o sexo, a saber:
abre-abre, acreana, andorinha, argentina, bagaxa, bagaceira, balalaica, baranga, baronesa, batalhadora, biraia, biriba, bisca, biscaia, biscate, bruaca, brega, bregueira, broa, caborge, caçarola, cadela, camélia, canganha, canguicha, cantoneira, carapanã, carcaia, caridosa, catenga, caterina, catraia, chandoca, china, chobrega, chuteira, cupuína, cocote, concubina, coquinho, cortesã, cotruvia, couro de tambor, créa, cróia, crota, cuia, dadeira, dama, doidivana, égua, ervoeira, esquinista, fadista, fardeira, fátima, findinga, frega, frete, frincha, fuampa, fubana, fuleira, fúnfia, fusa, gabirula, gado, galdéria, galinácea, galinha, galinha-polaca, galiquenta, galvinhão, ganapa, gansa, garota de programa, gata, geobra, girafa, gira-bolsinha, guampa, guerreira, jereba, jerianta, jupira, juruveva, lascada, léia, leona, libélula, livre, loba, lolita, loureira, madalena, madama, mãe, solteira, malote, mangue, maquininha, marmita, meretriz, messalina, michê, micheteira, michela, mija-homem, militriz, minestra, minólia, minota, miraia, moça, moça-dama, moça-do- faxo, morubixaba, mosca, mulher, mulher alegre, mulher á-toa, mulher cabreira, mulher-dama, mulher da rua, mulher da vida, mulher de vida fácil, mulher da zona, mulher de amor, mulher de bará, mulher de janela, mulher de má-nota, mulher de ninguém, mulher de ponta de rua, mulher de porta aberta, mulher de porta de quartel, mulher-de-soldado, mulher- do-facho, mulher do fandango, mulher do mundo, mulher errada, mulher perdida, mulher pública, mulher vadia, mundana, murixaba, muruxaba, ostra, paloma, pataqueira, pécora, penga, perdida, perua, piguancha, pinica, piniqueira, piranha, piranhuda, pirara, piriguete, piroqueira, pu, puara, puriba, puta, puta rampeira, putana, putanesca, putanete, putinha, putona, quenga, rabaceira, rameira, rampeira, rampideira, rapariga, retuína, reboque, respeitosa, roda-bolsinha, rota, rodó, surrubango, taioba, tamanqueira, tampa, tia, tolerada, torta, trabalhadeira, transviada, traviata, trepadeira, tronga, uru, vaca, vadia, vaqueta, várzea, vansuclho (?), ventena, vênus de rua, vigara, vigarista, vileira, vulgívara, xandra, xerete, zabaneura, zoina
Percebe-se que há muitos termos pejorativos, alguns fazendo alusão ao próprio trabalho e como ou onde ele se desenvolve, além de muitas expressões de regiões específicas.
Sobre as impressões da profissão, sua vida, posição da família, as dificuldades da infância e também o que sentem como impressão da sociedade com relação à sua ocupação, Anna Marina Bárbara, lançou um livro com entrevistas com nove mulheres que trabalham como prostitutas em vários locais(Bárbara, 2007). São mulheres que trabalham desde as ruas de Copacabana, encontrando-se com clientes de várias partes do mundo, até as ruas próximas à Central do Brasil.
23Beijo da rua,
No livro, as entrevistas de Anna Maria mostram que a afirmação de que a prostituta é mulher de vida fácil está longe de ser verdadeira. Pode-se ver, pelos próprios testemunhos das profissionais do sexo que, em grande parte das histórias, a prostituição é uma saída para a situação difícil que vem desde a infância. Uma forma de deixar a necessidade e até mesmo a fome.