• No results found

Capillary Pressure and Wettability

In document Onset of Spontaneous Imbibition (sider 60-64)

Part III Results and Discussion

16 Capillary Pressure and Wettability

Após a conclusão do curso, Korrodi deslocou-se à Itália em visita de estudo que lhe «(...) despertou o apetite de conhecer a vida dos países meridionaes (...)» (Viterbo, 1904, p. 46). A oportunidade para concretizar aquele desejo surgiu, como já foi referido, com o concurso para professor de desenho aberto pelo governo português na sua representação diplomática em Berna.

Colocado inicialmente na Escola Industrial de Braga (1889) onde permaneceu por cinco anos, período em que realizou uma visita ao seu colega e compatriota José Bielmann146, que lecionava na escola de Leiria tal como Nicola Bigaglia e João Ribeiro Cristino da Silva (diretor)147. Foi com esta visita que nasceu a sua paixão pelo castelo.

Bielmann seria transferido para Lisboa, sendo substituído pelo holandês van Kriecken que também se mudaria para a capital, abrindo a vaga que Korrodi não desperdiçou, de se mudar para Leiria e assim poder dedicar-se ao estudo do monumento.

A Escola Industrial Elementar de Leiria funcionou em diversos edifícios de entre os

146 Informação prestada pela sua neta Susana Bouhon Korrodi. 147 Pai do conhecido arquiteto Luís Cristino da Silva.

quais um solar na Rua de Alcobaça cuja aquisição, em 1903, teve o empenho de Korrodi que ali se tornou diretor interino148 em 1905 e efetivo de 1906 a 1917 (Oliveira, 2004).

A exemplo da maioria dos professores que foram contratados para o ensino de desenho industrial, Ernesto Korrodi estava mais vocacionado para o desenho artístico do que para o desenho técnico149. Esta, porém, era apenas uma das fragilidades do subsistema de ensino profissionalizante: O modelo instituído não se ajustava à realidade do País, pois era dirigido à formação e aperfeiçoamento da classe operária cujo baixo nível de alfabetização não satisfazia a exigida conclusão do ensino primário para nele ingressar (Korrodi, 1909). Na maioria das escolas do interior, lecionava-se quase exclusivamente desenho e modelação em regime noturno.

A situação foi denunciada por Ernesto Korrodi num pronunciamento feito no 2o Congresso Pedagógico promovido pela Liga Nacional de Instrução realizado em 18 de março de 1909 na Sociedade de Geografia de Lisboa, a que compareceu como representante da sucursal leiriense, da qual era vogal150. Após uma nota introdutória, no seu o manifesto «O Ensino Profissional em Portugal em Face do Analfabetismo» propunha ao congresso um conjunto de reformas a submeter aos poderes públicos e que basicamente constava da divisão do ensino industrial em dois segmentos: Um voltado para a formação de mestres industriais e outro, mais disperso e profuso no território, destinado ao aperfeiçoamento dos operários. Previa ainda a criação de cursos noturnos de alfabetização para adultos operários (Korrodi, 1909).

A sua dedicação ao ensino levou-o a aderir com entusiasmo às Missões Estéticas de Férias – MEF criadas pelo Decreto-Lei no 26957 de 28 de agosto de 1936 numa altura em que se procurava aguçar o fervor nacionalista através do culto da história e do património entre os jovens estudantes de artes, prevenindo assim desvios para «vanguardismos estranhos». A iniciativa das MEF não foi alheia à criação da ANBA em 1932, pois, os relatórios elaborados pelas missões contribuiram para o inventário artístico iniciado pela academia. Foram realizadas treze MEF entre 1937 e 1950 com mais de cem estudantes das escolas de belas-

148 Segundo Gonçalves (2014, p. 135), durante algum tempo, também deu aulas de alemão no Liceu Rodrigues Lobo. O anterior diretor, João Ribeiro Cristino da Silva, concorreu e foi admitido como professor do ensino industrial no Brasil.

149 Num artigo publicado no jornal «O Primeiro de Janeiro» de 23 de dezembro de 1962, o ex-aluno Octávio Sérgio, dizia que «Desenhava e aquarelava admiravelmente, e, com dotes naturais de pedagogo, na escola industrial educou e formou várias gerações de artistas e artífices.».

150 A Liga Nacional de Instrução gozava da simpatia e apoio da maçonaria (Henriques, 2015) à qual estavam filiados os seus dois fundadores: José Francisco Trindade Coelho e Manuel Borges Grainha.

-artes, do ensino industrial e artistas já diplomados. A primeira missão foi dirigida por Raul Lino; Ernesto Korrodi dirigiu a 6ª MEF e foi o único diretor a apresentar um programa completo. Crê-se que o convite dirigido a Korrodi se relacionou com a sua posterior indigitação para dirigir o inventário artístico do Concelho de Leiria.

Sempre que uma oportunidade se lhe deparava, apresentava contributos para melhoria do sistema educativo. Assim o fez, em carta datada de primeiro de julho de 1901 e dirigida ao jornal Diário de Notícias, com a sugestão de se constituir museus de arte aplicada como forma de melhorar o ensino profissional artístico, a exemplo do que se passava noutros países. Referia-se a um artigo sobre a criação dum museu municipal em Barcelos (Viterbo, 1904), cujo projeto fora da sua autoria, considerando que «(...) Bem pena é que em Portugal o Governo, criando o ensino profissional artístico, não tivesse sido guiado por esta norma (...)», enaltecendo o valor intrínseco da criação do museu, por nenhuma outra forma ser «(...) Mais proveitosa, mais ao alcance de todas as intelligencias do que a contemplação e estudo dos

productos de actividade e engenho dos nossos antepassados. Assim o comprehenderam os

povos que hoje vão na vanguarda do progresso (...)».

A oficina de cantarias que estabeleceu a poente da sua residência/ateliê de arquitetura, cuja génese será esclarecida adiante, para além da produção para as próprias obras e para satisfação de encomendas, tinha também uma componente pedagógica: Formou artistas, alguns dos quais criaram os seus próprios negócios. O apreço pelo trabalho desenvolvido por Korrodi no ensino da arte da cantaria levou o então Ministro do Fomento António Aurélio da Costa Ferreira a solicitar-lhe uma monografia tendo em vista a criação de um «curso de canteiro» na Escola Domingos Sequeira da qual Korrodi era diretor e conforme desejo deste. Segundo o despacho do ministro151, a incumbência justificava-se pela «(...) competência e dedicação do professor das escolas industriais, director da referida escola de Leiria, professor Ernest [sic] Korrodi (...)»152.

Em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelos professores estrangeiros, de entre os quais Ernesto Korrodi, o Governo Português, através do Decreto no 12072 de quatro de agosto de 1926, concedeu-lhes o direito de aposentação.

151 Publicado no Diário do Governo no 189 de 13 de agosto de 1912.

152 António Aurélio da Costa Ferreira, ocupou aquela pasta de junho de 1912 a janeiro de 1913. O seu percurso profissional e político até então era completamente dissociado do de Korrodi, salvo quanto à convicção republicana e à filiação maçónica de ambos, o que poderá ter ajudado à prontidão (apenas dois meses) com que satisfez a pretensão do docente.

In document Onset of Spontaneous Imbibition (sider 60-64)