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Sobre quais problemas e dificuldades encontrou, quais foram os encaminhamentos realizados e quais necessidades ainda tem, os sujeitos narram:

• Percebe que a cada ano, com todas essas possibilidades de formação, amadurece mais na profissão de educador, ao mesmo tempo em que percebe que ainda precisa aprender muito, pois cada turma é distinta e novos desafios emergem semestralmente. Uma das dificuldades que possuía era a da integração ensino, pesquisa e extensão e esse ano mediou uma oficina de Interação Cultural e Humanística (ICH), que foi realizada junto à comunidade. Ou seja, uma atividade de ensino, que ao mesmo tempo também era de extensão, pois conduzia à concepção de empoderamento da comunidade na perspectiva de diálogo constante com as demandas locais. Havia estudantes dos Cursos de Saúde Coletiva, Informática e Cidadania, Licenciatura em Artes e em Ciências. Foi uma experiência riquíssima, pois tratava-se de uma comunidade afetada pelos desastres climáticos de março de 2011, ocorrida no litoral, fazendo com que muitas pessoas ainda se encontrem em abrigos temporários. Sente dificuldades na relação professor-estudante, pois alguns estudantes consideram que um Projeto Pedagógico, no qual não há rigidez nas avaliações, nem disciplinas estanques, como algo simplista; nesse

sentido, alguns agem com muita irresponsabilidade chegando atrasados ou não realizando as pesquisas necessárias. Houve muitos progressos, mas, às vezes, é muito desgastante passar da etapa inicial até que os estudantes saibam exercer o protagonismo necessário a um projeto como esse (S1). • Essas etapas agregam mais conhecimento do que palestras, seminários ou

cursos de curta duração. O tempo é uma dificuldade para tais processos. Foram feitos vários encaminhamentos que se relatados aqui, tornaria o texto muito extenso; mas, como, exemplo, está a elaboração e aprovação do PPC da Câmara de Informática e Cidadania em todas as instâncias, uma das mais importantes ações (S2).

• As etapas auxiliam na formação de um olhar crítico sobre a educação atual, preparam para a atuação em sala de aula, promovendo novas ferramentas pedagógicas; igualmente, auxiliam na opção de dialogar com o histórico cultural de cada educando na perspectiva da prática dialógica. Confrontam a educação vigente com a realidade de cada espaço regional. Orientam no planejamento de cada aula a ser ministrada, trazendo discussões que integram a realidade local, a história de vida e o interesse pessoal do educando, para uma construção de conhecimento coletiva e autoconstrução de conhecimento individual. Os maiores problemas encontrados estão na falta de comprometimento dos atores envolvidos em todos os processos pedagógicos, o medo da incerteza na construção de um conhecimento com novas práticas pedagógicas e o despreparo de todos os envolvidos na construção de conhecimento para a autonomia do sujeito; todos esperam algo, mas não buscam a sua construção. Sobre as dificuldades descritas nos espaços de aprendizagem, os grupos responsáveis pelos três eixos discutiram diretamente com os educandos novas metodologias ou propostas que possam integrar toda a comunidade acadêmica, de forma comprometida e abrangendo o interesse de cada um, dentro da grade do PPP da universidade. Por se tratar de um processo em construção, sempre haverá encaminhamentos e planejamentos a serem propostos; conforme surjam as demandas, devem-se direcionar as metodologias para atendê-las (S3).

• As etapas são auxiliadas pelas discussões, mas, principalmente, pelas experiências do fazer, realizar, agir. Os problemas e as dificuldades são a resistência por parte dos docentes que não entendem a lógica da educação,

voltada à aprendizagem; falta de apoio técnico-administrativo e falta de espírito de solidariedade. Os colegas técnicos-administrativos estão mais seguros porque foram contratados mais servidores de apoio acadêmico. Com relação ao problema da ausência de solidariedade, um problema cultural, difícil de resolver apenas com estratégias e táticas. Ainda há muitas necessidades (S4).

• Considera que todo ato educativo, no dia a dia, na rotina docente, é uma oportunidade, em potencial e, em muitos momentos, para a formação continuada no Setor Litoral. Ao considerar os princípios do PPP e, buscar sua concretização e operacionalização na realidade prática, com coerência e qualidade, é impossível não estar permanentemente atento e aprendendo com o grupo, com o coletivo, tanto nos momentos de convergência e, principalmente, nas divergências. Não há espaço para “a minha disciplina”, para “o meu projeto de extensão”, para “a minha questão de pesquisa” enquanto objetos de trabalho, apartados do contexto coletivo da proposta pedagógica (S5).

• Cada ação que realiza é mais uma etapa na trajetória contínua de formação. Tem sentido algumas dificuldades em relação à efetivação do Projeto, por deixarem, muitas vezes, de conversar sobre ele, de aprofundar os estudos, de coletivizar as ações, dificuldades e aprendizagens. Não raras vezes sente que não dedicam muita atenção à formação docente. Estão num projeto inovador de educação, no qual docentes e discentes assumem novos papéis (S6). • Pensa que todo o processo, desde 2005, tem sido um grande aprendizado,

que não desfrutaria em nenhum outro local, seja por meio de cursos regulares ou experiências profissionais. Por isso, valoriza muito este “privilégio” que está vivenciando. Logicamente que os desafios são muitos. Muitas vezes, necessitam aprofundar mais na teoria, então busca recorrer aos livros sobre avaliação, estratégias pedagógicas, didática; outras vezes, se cansa, e se sente desmotivado, pois aqui é tudo muito intenso. Percebe que “sair” e tomar “outros ares”, dialogar com outros atores, ajuda muito (exemplo, participar de eventos, fazer um curso fora, etc., para capacitar-se, ver o que está acontecendo “fora”, e trazer “para cá”.). Acha que um ponto positivo é o fato de ser mais jovem, o que o coloca na posição de aprendiz; assim fica aberto às novas experiências. Ainda sente necessidade de formação em muitos

temas, tais como lidar com pessoas com deficiências em sala de aula, por exemplo. Sente falta de mais momentos de formação docente (com todo coletivo de professores da UFPR Litoral), que ocorreram a princípio, mas que estão mais escassos agora. Precisam de um olhar externo e de acompanhamento contínuo, enfim, de espaços para reflexões sobre as ações (S7).

• As etapas foram extremamente instigadoras e provocaram uma vontade enorme de prosseguir pelo caminho da docência, o que a faz buscar mais e mais pelo aprendizado. Qualificar-se cada vez mais, auxiliar aos que a auxiliam, buscar interação com os estudantes, no sentido de avaliar a si mesma e ao seu papel docente. Reconhecer-se no processo, enquanto ser em construção e dividir seus anseios de forma que possa ser compreendida e auxiliada nas suas falhas conscientes e, principalmente, nos erros desapercebidos (S8).

• Tem buscado auxílio por conta própria, lendo bastante a bibliografia da área da psicanálise; acha que já houve grande progresso; está melhorando os relacionamentos com alunos e com os demais colegas; na área da educação, tem lido muitos bons livros, o que tem ajudado; o curso de formação de educadores também foi essencial (S9).

• o PPP e seus eixos curriculares lhe permite um trabalho denso, criativo, diagnóstico, propositivo, interdisciplinar, intersetorial, vivo, processual e coletivamente gestado, avaliado, vivido. A questão é que tanto o envolvimento nas materialidades das populações vulneráveis e a gestão destas nas diferentes instâncias pedagógicas da formação acadêmica dos estudantes envolvidos, com as comunidades locais, trazem uma demanda de tempo físico imensa. A pesquisa, a produção e sistematização teórica lhe fazem falta, mas as urgências do cotidiano das comunidades também são imensas e prementes (S10).

Em SÍNTESE, com relação às ações concretas de formação docente, ocorrida nos momentos que compõem um Projeto, destacaram-se entre os professores participantes do estudo da UFPR Litoral:

1) Seleção dos professores: para participar do processo seletivo, é preciso

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