2. STATE-BUILDING
2.1. C REAT ING C ENTRAL S TATE C APACITY
As correlações feitas com as amostras anuais se mostraram, em geral, nulas e baixas, com exceção para alguns anos como o de 2005, as quais se mostraram fortes com relação às temperaturas médias, às mínimas médias e às amplitudes térmicas para com as internações (morbidades) por pneumonia em crianças de 1 a 4 anos.
Tabela 1 – Testes de correlação e determinação entre internações por pneumonia (1-4 anos) e temperaturas média, média máxima, média mínima, umidade e amplitude térmica em 2005 2005 Tm x Pnm TmaxxPnm Tmín x Pnm UR x Pnm AT x Pnm
R -0.826 -0.557 -0.913 0.068 0.859
R² 68% 0.310 83% 0.005 74%
Fonte: SIH/DATASUS; Estação Meteorológica do Pici;Organização: Freitas Jr (2017)
As temperaturas médias, temperaturas mínimas médias e a amplitude térmica tiveram significância em 68%, 83% e 74% nas internações por pneumonia. Vale destacar que foi o único ano que apresentou uma correlação forte tanto anual quanto para os dois
𝑏𝑏 =∑ 𝑋𝑋. 𝑌𝑌 − ∑ 𝑋𝑋 ∑ 𝑌𝑌 𝑛𝑛 ∑ 𝑋𝑋2−(∑ 𝑋𝑋)² 𝑛𝑛 (2) 𝑎𝑎 = 𝑌𝑌 − 𝑏𝑏. 𝑋𝑋 (3) m
semestres, das temperaturas mínimas médias, temperaturas médias (exceto o primeiro semestre) e amplitude térmica.
Tabela 2 – Testes de correlação e determinação entre internações por pneumonia (1-4 anos) e temperaturas média, média máxima, média mínima, umidade e amplitude térmica para os dois
semestres de 2005 2005.1 Tm x Pnm Tmax x Pnm Tmín x Pnm UR x Pnm AT x Pnm R -0,721 -0,410 -0,857 0,613 0,903 R² 52% 17% 73% 38% 81% 2005.2 Tm x Pnm Tmax x Pnm Tmín x Pnm UR x Pnm AT x Pnm R -0,924 -0,814 -0,952 0,525 0,826 R² 85% 66% 91% 28% 68%
Fonte: SIH/DATASUS; Estação Meteorológica do Pici. Organização: Freitas Jr (2017)
Para os demais anos, ocorreram algumas correlações fortes, com R² significativo, tendo novamente, destaque para as temperaturas médias mínimas, temperaturas médias e amplitude térmica para com os casos de internações por pneumonia. A tabela abaixo mostra as melhores correlações entre temperaturas mínimas e internações (pneumonia) nas crianças, dentro da série temporal:
Tabela 3 – Testes de correlação e determinação entre internações por pneumonia (1-4 anos) e temperaturas média mínima para Fortaleza-CE para os anos selecionados
1999.1 Tmín x Pnm 2000.2 Tmín x Pnm 2005 Tmín x Pnm 2005.1 Tmín x Pnm 2005.2 Tmín x Pnm R -0.843 R -0.864 R -0.913 R -0.857 R -0.952 R² 71% R² 75% R² 83% R² 73% R² 91% 2006.1 Tmín x Pnm 2008.1 Tmín x Pnm 2009.1 Tmín x Pnm 2013.2 Tmín x Pnm 2014.2 Tmín x Pnm R -0.931 R -0.886 R -0.851 R 0.876 R 0.9 R² 87% R² 78% R² 72% R² 77% R² 81%
Fonte: SIH/DATASUS; Estação Meteorológica do PiciOrganização: Freitas Jr (2017)
O gráfico1 do segundo semestre de 2005 mostra a forte correlação linear de Pearson entre temperatura mínima média e internações/pneumonia. Percebe-se que quanto mais a temperatura mínima sobe, diminui-se o número de internações, e a correlação forte e negativa entre os elementos evidencia isso, bem como a determinação (R²).
Gráfico 1 – dispersão das variáveis temperaturas mínimas médias e internações/pneumonia(1-4 anos) para o segundo semestre de 2005
Fonte: SIH/DATASUS; Estação Meteorológica do Pici. Organização: Freitas Jr (2017)
As amplitudes térmicas correlacionadas com as internações também mostraram forte significância, sobretudo no segundo semestre dos anos abaixo, conforme a tabela mostra. Destaca-se o ano de 2002, na estação seca, com correlação perfeita positiva, mostrando que a amplitude térmica determinou em 98% dos casos de internações por pneumonia nas crianças de 1 a 4 anos.
Tabela 4 – Testes de correlação e determinação entre internações por pneumonia (1-4 anos) e amplitude térmica, para Fortaleza-CE, para anos/semestres selecionados
2000.2 AT x Pnm 2003.2 AT x Pnm 2005 AT x Pnm 2005.1 AT x Pnm 2005.2 AT x Pnm R 0.991 R 0.906 R 0.859 R 0.903 R 0.826 R² 98% R² 82% R² 74% R² 81% R² 68% 2006.1 AT x Pnm 2009.1 AT x Pnm 2013.2 AT x Pnm 2014.2 AT x Pnm R 0.908 R 0.829 R -0.813 R -0.922 R² 82% R² 69% R² 66% R² 85%
Fonte: SIH/DATASUS; Estação Meteorológica do Pici. Organização: Freitas Jr (2017)
No ano 2000, em seu segundo semestre, marcado pela estação seca, a correlação foi muito forte e positiva, mostrando que a amplitude térmica determinou 98% nas internações/pneumonia nas crianças em Fortaleza. Isto é evidenciado no gráfico 2, evidenciando que quanto maior a amplitude térmica, maior o número de internações/pneumonia.
É importante ressaltar que as fortes correlações se mostraram negativas apenas nos segundos semestres dos anos de 2013 e 2014, sendo que nos demais, as correlações fortes foram positivas.
Gráfico 2 – dispersão das amplitudes térmicas e internações/pneumonia(1-4 anos) para o segundo semestre de 2002
.2 x .2 2005 x 05.1 x 05.2 x 1 6 9 03 26 R² R² R² .1 x .1 13.2 x 14.2 x 8 9 0.813 0.922 R² R²
Fonte: SIH/DATASUS; Estação Meteorológica do Pici. Organização: Freitas Jr (2017)
A umidade relativa do ar e a temperatura média também tiveram correlações fortes com as internações. As correlações entre as variáveis se deram mais significativas quando seccionadas por semestre. As tabelas 5 e 6 mostram, respectivamente, as correlações entre umidade x internações e temperaturas médias e internações:
Tabela 5 – Testes de correlação e determinação entre internações por pneumonia (1-4 anos) e umidade relativa do ar em Fortaleza-CE para os anos selecionados
2002.1 UR x Pnm 2006.2 UR x Pnm 2016.1 UR x Pnm
R 0.847 R 0.937 R -0.802
R² 72% R² 88% R² 64%
Fonte: SIH/DATASUS; Estação Meteorológica do Pici. Organização: Freitas Jr (2017)
Tabela 6 – Testes de correlação e determinação entre internações por pneumonia (1-4 anos) e temperatura média em Fortaleza-CE, para os anos selecionados
1999.1 Tm x Pnm 2005 Tm x Pnm 2005.2 Tm x Pnm R -0.815 R -0.826 R -0.924 R² 66% R² 68% R² 85% 2006.1 Tm x Pnm 2013.2 Tm x Pnm 2014.2 Tm x Pnm R -0.876 R 0.887 R 0.813 R² 77% R² 79% R² 66%
Fonte: SIH/DATASUS; Estação Meteorológica do Pici. Organização: Freitas Jr (2017)
As correlações mais fortes foram mais evidentes na primeira década da série, entre as variáveis climáticas (exceto temperatura média máxima) e as variáveis de internações por pneumonia. Já a partir da segunda década (não completa), entre 2008 e 2016, o número de correlações foi menor. Entretanto, em todas, as mais frequentes se destacaram pela influência das temperaturas mínimas médias e amplitude térmica. As temperaturas máximas médias não apresentaram correlações tão expressivas, exceto para o ano de 2005, com R = -0,814 e R² = 66%.
Tendo em vista que este trabalho tem caráter preliminar, estes foram os primeiros resultados de uma pesquisa em andamento. Percebeu-se que os elementos do clima de Fortaleza tiveram de considerável à ótima significância nos números de internações de crianças das faixas etárias de 1 a 4 anos, por meio dos testes estatísticos de Pearson (R) e coeficiente de determinação R², sobretudo com as temperaturas mínimas médias e a amplitude térmica.
As correlações lineares de Pearson se deram de fortes a muito fortes em alguns anos. O ano 2000, por exemplo, apresentou uma correlação perfeita positiva no seu segundo semestre, entre as variáveis amplitude térmica e internações (R = 0,99; R² = 98%).
Vale salientar que não é porque uma correlação deu nula ou fraca (negativa ou positiva) que as variáveis não podem estar associadas. Até porque quando se observa um diagrama de dispersão, percebe-se os valores extremos, que acabam por influenciar na distribuição das variáveis, tornando-se “mascarada” a realidade. Gerardi e Silva (1981, p.102) já diziam que: [...] um coeficiente de correlação zero não indica necessariamente que não há relação entre as duas variáveis. É possível que se trate de um outro tipo de correlação que não seja linear.
Os demais anos apresentaram correlações bem mais significativas quando os dados foram organizados por semestre de cada ano, uma vez que, em suma, as intensidades se davam de nula a fraca.
Esta pesquisa se encontra em andamento, no processo de desenvolvimento de uma dissertação de mestrado, a qual, também, irá tratar com mais detalhes a relação entre os elementos climáticos de Fortaleza-CE e as internações, na tentativa de preencher algumas lacunas com elementos sociais, econômicos e políticos. A espacialização dos casos de pneumonia em Fortaleza, por bairros, também está em andamento, para verificar aqueles bairros e ou locais com mais densidade demográfica, por exemplo, podem acarretar ou não no desenvolvimento da pneumonia.
Os estudos da Geografia da Saúde, envolvendo a Climatologia Geográfica, apesar de estarem crescendo no estado do Ceará, ainda são ínfimos se comparados a outras regiões (Sudeste e Sul). Por isso se faz importante tais estudos para que órgãos competentes e planejadores, não só do espaço urbano, mas da própria medicina e áreas da saúde, criem políticas públicas mais efetivas, a fim de que a população tenha mais conhecimento das patologias e de como o meio pode interferir em sua saúde.
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