5. RESULTS AND DISCUSSION
5.3. C ONTACT A NGLE – R ESULTS AND DISCUSSION
6.3.1 Observação Não Participante
A observação não participante, segundo Becker (1999), ―é aquela em que o pesquisador é inserido nos grupos de observação, fazendo sua presença tão discreta quanto possível‖. Foram observados o local e as pessoas a fim de se verificarem as situações com que se deparam e como se comportam diante delas, o
que possibilita ao pesquisador o acesso a dados não previstos. Essas observações foram registradas em um diário de campo, focalizando:
o campo: fluxo - acesso e rotina;
os sujeitos: atitude dos profissionais;
as crianças: como chegam à Unidade Básica e quem as acompanha.
O primeiro local visitado foi a UBS Jardim Santa Emília, no município do Embu; durante toda a visita, o olhar de gestora não havia abandonado esta pesquisadora. A UBS é muito parecida com as da periferia de São Paulo – lugares mal cuidados, estrutura física envelhecida e sem manutenção. Os/As profissionais circulavam apressado/as e os/as usuário/as não conseguiam informações com eles/as.
Todas as UBS do Embu visitadas eram semelhantes. Notou-se que a estrutura de trabalho estava muito atrasada se comparada às UBS do município de São Paulo. Havia pouquíssimos recursos de informática, telefonia e móveis adequados. Os assentos para os/as usuário/as eram velhos e sujos; os banheiros assustadores e a estrutura física interna era muito mal adaptada, lembrando o velho ―puxadinho‖ das comunidades periféricas.
Apesar desse desconforto para os/as usuário/as, observou-se que eles/as se apresentavam com suas melhores vestimentas, arrumados como se fossem a um passeio, contrastando com a realidade que iriam enfrentar.
Os/As responsáveis pelas crianças agendavam as consultas em pediatria na recepção da UBS, dentro do Programa de Saúde da Criança. Eram agendadas, em média, dezesseis consultas/dia para cada pediatra. As crianças eram atendidas por ordem de chegada; eram geralmente acompanhadas pelas mães e, algumas poucas, pelas avós. Durante todas as visitas realizadas, não havia nenhum homem acompanhando as crianças, e o que chamou a atenção é que a maioria das mães aparentava ser jovem.
6.3.2 As Entrevistas
Segundo Thiollent (1980), questionários e entrevistas são considerados técnicas de observação direta, uma vez que as pessoas investigadas estabelecem um contato efetivo e estão implicadas no problema investigado. Por sua vez, a observação indireta consiste na análise de documentos ou de imagens relativos ao fato.
Por meio de entrevista, que é o procedimento mais usual do trabalho de campo, o pesquisador buscará obter informes contidos na fala dos atores sociais. Segundo Minayo (2004), ela não significa uma conversa despretensiosa e neutra, uma vez que se insere como meio de coleta dos fatos relatados pelos atores enquanto sujeitos-objeto da pesquisa que vivenciam uma determinada realidade que está sendo focalizada. No presente estudo foram realizadas entrevistas abertas, com roteiro semiestruturado, gravadas, com os sujeitos participantes da pesquisa.
As entrevistas tiveram um roteiro semiestruturado (Anexo 1) uma vez que, segundo Thiollent (1980), isso possibilita o aprofundamento qualitativo da investigação, objetivando que os entrevistados ultrapassem o plano das respostas condicionadas à moral dominante, que, neste caso, trata-se da obrigatoriedade da notificação e a implicação subjetiva da escuta da situação de abuso, para chegarem ao plano da autodescrição da situação.
O roteiro foi elaborado a partir de questões norteadoras que a pesquisa pretendeu abordar, as quais contemplem a percepção que os pediatras têm sobre a eficácia da notificação como um meio de cessar o abuso sofrido pela criança.
As questões norteadoras foram:
identificar se conhece a obrigatoriedade de notificação de casos suspeitos;
identificar e compreender como se processa a detecção do abuso sexual;
identificar e compreender a percepção do seu papel profissional na assistência às crianças vítimas de abuso sexual;
identificar as dificuldades no atendimento de crianças abusadas sexualmente;
identificar os casos notificados de abuso sexual.
As questões, como observa Van Velsen (1987),
[...]podem ser entendidas e interpretadas pelos investigados à luz de suas experiências, sendo uma descrição de seu próprio trabalho. É o registro das ações dos indivíduos como indivíduos e personalidades e não somente como ocupantes de status específicos.
Elas oferecem a possibilidade de entender como as pessoas convivem com as normas, se há discrepância entre suas crenças junto à aceitação de certas normas e o seu comportamento.
As entrevistas foram gravadas com gravador de fita cassete e digital modelo MP3. Os/As entrevistados/as foram esclarecidos quanto aos objetivos da pesquisa, receberam uma cópia do roteiro com as perguntas e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Anexo 2).
A reprodução das entrevistas é apresentada no Anexo 3, onde foram omitidas informações que possibilitassem a identificação dos/das entrevistados/as.
6.3.3 Diário de Campo
O diário de campo e o uso do gravador, de acordo com Queiroz (1991), são instrumentos valiosos e indispensáveis para o trabalho com narrativas orais. É possível afirmar que uma das peculiaridades da pesquisa qualitativa, realizada com o suporte da fonte oral, é o uso do gravador para registro da narrativa e sua posterior transcrição.
O registro era feito após o término de cada entrevista, ainda no local, sobre as condições em que essas entrevistas foram feitas, como: o ambiente observado, o aspecto físico, o fluxo do atendimento, os/as usuários, as impressões e sentimentos despertados na pesquisadora. Tentou-se registrar todas as sensações que a pessoa entrevistada causava à pesquisadora e, principalmente, quando solicitavam que não
fossem utilizadas informações que consideravam de caráter sigiloso ou constrangedor.
Na reprodução do diário de campo (Anexo 4), foram omitidas as falas soliicitadas pelos/as entrevistados/as e as informações que possibilitassem a identificação do/as mesmos/as.