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4. THEORY

4.4 C ONSTRUCTIVISM

Vários estudos foram realizados na Alto Estrutural de Anhembi e em seu entorno. Muitos deles visavam, a princípio, à utilização do arenito asfáltico e, depois, em função de sua potencialidade, a ser um depósito de óleo. Dentre estes estudos, destacam-se o realizado por Soares (1974) e o pelo IPT (1979), que caracterizaram as estruturas de Anhembi e Piapara. IPT (1979) realizou mapeamento geológico, na escala 1:25.000. Desta forma, foi confeccionado o mapa de contorno estrutural da superfície de discordância Teresina - Pirambóia e dois cortes estruturais e geológicos (Figuras 3.16, 3.17 e 3.18). As cotas topográficas na área variam de 437 a 652 metros e os contatos entre as formações Pirambóia e Teresina variam de 465 até 540 metros. Para esta caracterização, IPT (1979, p. 8) usou como premissa as observações regionais de campo que indicaram que o topo da Fm. Teresina, na época da deposição Pirambóia, era uma superfície aplainada.

Esta estrutura foi subdividida em três estruturas menores (IPT, 1979, p. 10):

 Alto de Piapara: associado a um falhamento de gravidade, tendo a direção NW e

rejeito de aproximadamente de 80 metros. Encaixado no plano de falha existe um dique de diabásio descontinuo. O fechamento da estrutura é em torno de 50 metros;

 Alto de Anhembi-Norte: possui a maior área da estrutura. Subdivide-se em duas

feições dômicas ligadas por um baixo estrutural com a forma de sela. Na parte sul localiza-se o bloco baixo da falha que deu origem à estrutura de Anhembi-Sul.

Possui uma área de 3 km2, aproximadamente, tendo o seu menor eixo

aproximadamente 8 km e o de maior próximo a 17 km (direção WNW) com fechamento de 60 metros;

 Alto de Anhembi-Sul: Também está associado com falhamento de gravidade,

direção NW e rejeito de cerca de 30 metros. Apresenta dique de diabásio descontínuo ao longo do plano de falha. O fechamento da estrutura é em torno de 55 metros.

Estas estruturas rúpteis pós-deposicionais, destacando-se as fraturas presentes nos siltitos da Fm. Teresina e as bandas de deformação nos arenitos Pirambóia, foram interpretadas (IPT, 1979, p.9) como estruturas que foram geradas por eventos mesozoicos,

Figura 3.16 - Caracterização do Alto Estrutural de Anhembi. Contorno estrutural da Fm. Teresina, em verde, sobre modelo numérico de terreno sombreado, iluminação de 45º, elevação de 45º. As principais falhas e lineamentos na área de estudo, em vermelho, assim como os altos estruturais, dois perfis geológico, segmentos em preto, ocorrência de cones silicosos, em lilás, poço exploratório 1-AB-1-SP, triângulo invertido em laranja e ocorrência de arenito asfáltico, estrela em amarelo estão identificados (compilado de IPT, 1979; Araújo et al., 2006, p. 55).

Figura 3.17 - Perfil N-S (AB), modificado de IPT (1979).

Araújo et al. (2006) ampliaram o conhecimento da área de estudo confeccionando um novo mapa de contorno estrutural da Fm. Teresina a partir de levantamentos de campo (Figura 3.19). Estes autores interpretaram o arcabouço estrutural através de análise morfoestrutural, modelo digital de terreno, aeromagnetometria e sensoriamento remoto. Confirmaram em campo falhas oblíquas sinistrais N50º- 60ºW, as quais têm características transtensionais, inclusive com algumas intrusões ígneas básicas ao longo da direção principal (Figura 3.20). Entre essas, destaca-se a intrusão de um dique de extensão quilométrica ao longo da Falha Rancho das Bicas-Barreirinho (Figura 3.19 e 3.20), com bloco baixo para nordeste Araujo et

al. (2006). As falhas NE também foram confirmadas como sinistrais em duas direções

preferenciais (N20ºE e N50ºE), por esses autores. Araújo (2003, p. 110) datou amostras de diabásio na parte noroeste da área de estudo, Porto Martins (figura 3.20), determinado a idade de 134 ±2 Ma.

Figura 3.19 – Mapa de Contorno Estrutural da Formação Teresina na região do Alto de Anhembi sobre modelo numérico de terreno sombreado. As linhas contínuas indicam o contorno estrutural com valores em metros acima do nível do mar. A área de afloramento da Fm. Teresina está em rosa e a represa de Barra Bonita em azul. As estrelas vermelhas representam as ocorrências de arenito asfáltico e as linhas tracejadas são as principais falhas e lineamentos utilizados na interpretação do contorno estrutural. (modificado de Araújo et al., 2006, p. 55).

Figura 3.20 – Mapa geológico com lineamentos e falhas interpretados com imagem de satélite Landsat 7. As falhas foram também identificadas através de levantamento de campo. O ponto de amostragem de diabásio, para datação, assinalado com estrela vermelha (modificado de Araújo et al., 2006, p.51).

Com uma abordagem diferente das anteriores, IPT retornou à área de estudo e sugeriu a ambiência geológica como propícia à armazenagem de gás natural (IPT, 2005). Trabalhando de forma mais restrita ao alto estrutural e procurando determinar possíveis armadilhas, rochas reservatórios e selantes, mapeou as estruturas presentes na área (Figura 3.21). Descreve o Alto Estrutural de Anhembi como um alto regional ENE-WSW, de primeira grandeza, cortado por sistemas N30-50W e N20-30E, com padrão escalonado, constituindo-se por quadro altos de segunda ordem: Anhembi Norte, Anhembi Sul, Anhembi Leste e Piapara.

Segundo IPT (2005), os altos de Anhembi Leste e Anhembi Sul compreendem horts com direção N40W e NS a NNW, respectivamente, e eles são limitados pelas falhas do Rancho das Bicas e do Barreirinho em suas margens. O Alto de Piapara é caracterizado por um bloco basculado contra a falha de Piapara. O Alto de Anhembi Norte, descrito pelo IPT

IPT (2005) interpreta o Alto Estrutural de Anhembi como uma megadobra de arrasto, sendo associada a ela uma falha transpressional de direção N50-60E, tendo mergulho para SE. Constituído por sistemas escalonados, tipo dominó, devido à segmentação em altos menores, na direção N30-50W e N20-30E, principalmente, com característica transtrativa e megulho SW.

Figura 3.21 - Mapa geológico do Alto Eestrutural de Anhembi, segundo IPT (1979). Estão também representados lineamentos e falhas interpretadas e identificadas em campo (IPT, 2005, p. 166).

CAPÍTULO 4

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA