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C OMPARISON BETWEEN CALCULATED AND MEASURED SOLIDS VELOCITY

A abordagem de Lewis propõe que a eliminação das possibilidades deve ser evidencial. Para Lewis não é o conteúdo proposicional de p que elimina as possibilidades Ws (onde W representa o conjunto de todas as possibilidades em que não-p), mas é a própria evidência E quem realiza esta eliminação. Lewis nos lembra que o conteúdo proposicional de p pode ser falso no final das contas. O filósofo é enfático ao afirmar que:

[...] é a existência da experiência [E] que conflita com W: W é uma possibilidade em que o sujeito não tem a experiência E. [...] Deixe E ter o conteúdo proposicional p. Suponhamos ainda [...] que E seja completamente caracterizado por p. Então eu digo que E elimina W se e somente se W é uma possibilidade em que a experiência e memória do sujeito tem conteúdo diferente de p. (1999, p. 224)

Como pudemos observar na citação acima, Lewis concebe eliminação pela evidência de modo que o percepto gerado pelo estado de coisas P* caracterizado por E, ele mesmo, já elimine as possibilidades W. Isto equivale dizer que se W então ~E. Mas, há certas possibilidades que não são eliminadas pela evidência de S. Afirma Lewis acerca disto, “uma possibilidade W não é eliminada se e somente se a experiência perceptual e memória do sujeito em W corresponder exatamente à experiência e memória dele na realidade” (1999, p. 224). Ou seja, em casos de engano sensório massivo, e também em casos de tipo Gettier, W é indistinguível evidencialmente de p. Em termos goldmanianos a evidência não elimina possibilidades geradas por perceptos equivalentes75. A evidência perceptual de S

que gera a crença p “há um celeiro ‘real’ diante de mim” (para utilizarmos o exemplo de Goldman) equivale perceptualmente à evidência de S se ele estivesse diante de um falso celeiro construído engenhosamente para se parecer com um celeiro ‘real’76.

Neste caso para Lewis, bem como para Goldman, a evidência E de S não elimina W. A proposta infalibilista de Lewis afirma que para que S saiba que p, a evidência de S deve eliminar ‘todas’ as possibilidades W. Mas, vimos que certas possibilidades não são eliminadas pela evidência de S. Então, devemos nos atentar para o que Lewis tem a dizer acerca do quantificador ‘todos’ presente em sua

75 Para um tratamento completo da equivalência perceptual ver Goldman (1987 p. 274-275).

76 Não estamos nos comprometendo aqui com a tese falsa de que a percepção do falso celeiro é

proposta de análise do conhecimento, posto que aqui ele apresenta sua tese contextualista.

Para Lewis “um idioma de quantificação como ‘todos’ normalmente é restrito a algum domínio limitado” (1999, p. 225). Quando utilizamos o termo ‘todos’ estamos, geralmente, indexando tal termo a algum contexto determinado. Nosso filósofo ilustra o que pretende com um exemplo.

Se digo [que] todos os copos estão vazios, então está na hora de outra rodada. Sem dúvidas eu e meus ouvintes estamos ignorando muitos de todos os copos que existem em todas as partes do mundo durante todo o tempo. Eles estão fora do domínio. Eles são irrelevantes para a verdade do que foi dito. (Lewis 1999, p. 225).

Ao afirmar que ‘todos’ os copos estão vazios, Lewis pretende que este quantificador esteja circunscrito a um domínio muito restrito, a saber, os copos que estão sobre a mesa. É a este domínio que devemos nos atentar. Esta manobra permite a Lewis restringir o contexto de significado do quantificador ‘todos’. É nesta observação acerca da restrição semântica do quantificador ‘todos’ que reside a marca peculiar do contextualismo deste filósofo. O quantificador delimita contextualmente as alternativas relevantes que configuram o domínio em que o proferimento é realizado.

De acordo com Lewis, o quantificador universal presente de modo tácito em atribuições de conhecimento compartilha a mesma característica de restrição contextual. Dito de outro modo, Lewis traça uma analogia entre a variação semântica do quantificador ‘todos’ com a semântica do termo “saber/conhecer”. Do mesmo modo que ao dizermos em um bar que ‘todos’ os copos estão vazios estamos ignorando, de modo apropriado, muitos copos que existem, parece adequado a Lewis sugerir que em casos de atribuição de conhecimento é legítimo, ou apropriado, ignorar muitas das possibilidades não eliminadas pela evidência de S. As possibilidades não eliminadas que estejam fora do domínio em que tal quantificador foi atribuído “são irrelevantes para a verdade do que foi dito”77 (Lewis, 1999, p. 225). Isto implica que S pode saber que p mesmo nos casos em que a evidência dele não exclui todo o conjunto W, desde que S esteja ignorando de modo

77 Aqui já temos elementos teóricos para afirmar que para Lewis o elemento sensível ao contexto na

atribuição de conhecimento não é a justificação, como já dissemos anteriormente, mas o próprio termo ‘saber/conhecer’ que, assim como o quantificador ‘todos’, projeta um domínio restrito de alternativas relevantes.

apropriado alguns subconjuntos de W (os subconjuntos das alternativas irrelevantes). Esta nova exigência, a de ignorar as alternativas relevantes, faz com que Lewis lance mão de uma cláusula a qual denominou sotto voce (voz baixa). Adicionando esta cláusula, a definição de conhecimento fica deste modo: “S sabe que p se, e somente se, a evidência de S elimina qualquer possibilidade na qual não-p – Psst!78 – exceto aquelas possibilidades que são corretamente/propriamente ignoradas”. (Lewis 1999, p. 225).

Com esta nova definição Lewis traz para si algumas complicações filosóficas. Por exemplo, se ele não desenvolver de modo satisfatório a noção do que venha a ser ‘ignorar de modo correto/apropriado’ sua teoria se tornará epistemologicamente pouco atraente. Com isso em vista, Lewis se propõe a fazer o que nos parece haver de mais interessante em seu ensaio, determinar regras que nos digam o que podemos ou não ignorar corretamente. Isto é, Lewis nos dirá quais alternativas nós podemos propriamente ignorar, ou seja, quais alternativas são irrelevantes.