3. THEORETICAL FRAMEWORK AND HYPOTHESIS
3.3 C APITAL S TRUCTURE AND C REDIT R ATING
A quest ão que se coloca desde logo é: por que os pr oj et os e as iniciat ivas dir ecionadas ao ar t esanat o “não dão cer t o” em Car aí? O que acont ece lá, dif er ent e de out r os lugar es do Vale? O que concor r e par a que uma ar t e e um ar t esanat o, que gozam de pr oj eção nacional e int er nacional, não gar ant a nem mesmo a sobr evivência dos ar t ist as e seus f amiliar es? Quest ão cent r al que me levou at é lá e que poder ia, cer t ament e, ensej ar r espost as óbvias.
O gr upo est udado encont r a-se “isolado”: a 30 quilômet r os de est r ada de t er r a da cidade; a luz chegou apenas há um ano, sem t er at ingido t odas as casas; quase t oda a população adult a é analf abet a ou não-let r ada; ou ent ão, aquilo que ouvimos de muit as bocas: “eles não t êm capacidade de se unir , de se associar ”. Não apenas os mor ador es do cent r o ur bano, ligados à pr ef eit ur a e aos ór gãos est at ais, que j á t iver am alguma exper iência de t r abalho com os ar t esãos, como t ambém eles pr ópr ios, muit o pr ovavelment e, r epr oduzindo esse discur so, r epet iam esse r ef r ão. Um lavr ador da zona r ur al cont ou-me – de seu pont o de vist a - como f uncionava a associação de ar t esãos, quando est ava em at ividade:
A associação per deu muit as opor t unidades de f inanciament o. Sempr e chegava pr oj et o e eles per diam. Tinha muit a br iga int er na, muit a f of oca e int r iga, algumas pessoas f or mavam gr upinhos e f icavam j ogando uns cont r a os out r os. Teve uma
146
ocasião de um empr ést imo que eles iam dar , er a sem j ur os, par a a pessoa poder começar algum negócio, f azer uma r ef or ma, qualquer coisa assim, eles empr est avam o dinheir o par a ela poder começar . For am lá, explicar am t udo dir eit inho, mas t inha que ser pela associação, não podia ser a pessoa sozinha. Mesmo com t udo explicado e gar ant ido, quase ninguém quis: só duas pessoas. Só que aí a pr esident e, na época, não quis assinar os papéis e ninguém t eve esse empr ést imo. Vár ias pessoas j á vier am aqui e t ent ar am t r abalhar com essa associação. Eu acho muit o dif ícil de dar cer t o, não acr edit o não. Só se f or mesmo com esse pessoal mais novo, aí t em alguma chance, mas mesmo assim, eu não acr edit o.
Ref ere-se às ar t esãs que iniciar am sua pr odução há menos de 10 anos, ou sej a, não chegar am a alcançar o t empo em que a associação er a at iva. Há pelo menos 4 ar t esãs, muit o t alent osas, pr oduzindo r egular ment e, que se encaixam nesse per f il. Esse gr upo novo indica uma cont inuidade e r enovação, par a f alar nos t er mos clássicos do “ar t esanat o t r adicional”.
Muit as r ef lexões em t or no dest e pr oblema e alguns indícios f or am r eunidos por mim e pela equipe do pr oj et o. Aqui, ent r et ant o, int ent o dar out r o dir ecionament o à quest ão: os pr oj et os não dão cer t o; par a quem? Par a os ar t esãos, os pr oj et os “dão cer t o”? Minha hipót ese é que essa pr eocupação é muit o mais dos agent es
int er vent or es do que do público benef iciado : quem quer r esult ados, quem pr ecisa dos r esult ados são os int er vent or es. Fer nando Limoeir o, diret or do Teat r o Univer sit ár io
da Uf mg, há muit os anos at ua no Vale, ensinando t eat r o e desenvolvendo pr oj et os de ext ensão na ár ea. No Seminár io de Cult ur a Popular (mar ço/ 2009), em I t aobim, disse que “um dia vai f alt ar pobr e no Vale! Quem pr ecisa do Vale e de sua pobr eza são as inst it uições. Quem ganha com os pr oj et os são seus f uncionár ios e t écnicos”.
Gonzaga, per sonagem de Millôr Fer nandes, num r ot eir o escr it o “par a, e com a super visão de, Walt er Salles”, e f alando sobr e a r eabilit ação da velhice, cont r a a pr emência de est ar sempr e j ovem que imper a at ualment e, diz que det est a classes: “gr egos, t r oianos, assír ios, ser gipanos, gr ã-f inos, milit ar es, acadêmicos e, mais que
147
t udo, int elect uais. E não f alo de f alsos int elect uais. Falo dos de ver dade. I nt eligent es, f inos, per spicazes, cr iat ivos. Falo dos mais admir áveis – que saco! São os pior es. Quando não t êm dr ama eles ar r anj am, os dr amas ant igos eles conser vam, r elembr am sempr e, os que exist em, ampliam, esmiúçam. A humanidade é muit o mais f eliz do que os int elect uais descr evem. A t r agédia é apenas um ou out r o moment o da hist ór ia, em um ou out r o pedaço da geogr af ia. Num inst ant e menor de uma vida humana. Tem gent e que nasce, vive 70 anos e mor r e sem o gozo e a glór ia de um inst ant e dr amát ico” (Revist a Vej a, p. 28, 14/ 02/ 2009).
Ser á que o dr ama é nosso? Em Car aí, volt ando de uma est adia na zona r ur al, escr evi em meu cader no de campo: “a impr essão de moment o: eles j á t êm t udo, e não pr ecisam de nada. Est a é a r ealidade: ainda que o discur so deles sej a out r o”.
Muit as das obser vações e das af ir mações de pesquisador es e de agent es int er vent or es, esgot ados pelo ár duo e, muit as vezes, inf r ut íf er o t r abalho de t ent ar r eunir e mobilizar pessoas, em t or no da r ealização de r euniões, t ent ando convencer da impor t ância de pr át icas colabor at ivas ou out r as soluções par a a vida deles – par a a
melhor ia da vida -, suger em f or t ement e, são sint omas, do quant o os obj et ivos
per seguidos pelos pr oj et os são obj et ivos nossos. Exasper ava-me a calma dos ar t esãos e sua apar ent e indif er ença. Havia sempr e out r as pr eocupações mais pr ement es: quem vinha pela est r ada; se eu quer ia mais r equeij ão; a galinha a mat ar par a o almoço; se a par t icipação na associação não ir ia t ir ar o dir eit o de receber o bolsa f amília.
Todo um pr ogr ama de r ef lexão se descor t ina aqui, no ent ant o, bem sei que minha hipót ese, aliás como t oda hipót ese que se pr eze, é apenas, como se não f osse j á o bast ant e, indicat iva de t odo um pr ogr ama de r ef lexão. O pont o é: ser á que se t r at a de f at o de um pr oblema ou de mais uma quest ão. Um pr oblema, sobr et udo do pont o de vist a da ót ica moder na, r equer uma solução, uma int er venção, j á uma quest ão solicit a r ef lexão, indagação. Peço ao leit or que r et enha minha hipót ese em ment e, e me acompanhe na indagação: eles pr ecisam, ou não, de int er venções?
148
O Vale do J equit inhonha, como j á enf at izado e r eenf at izado aqui, f icou mar cado e conhecido como o “Vale da Misér ia”; em seguida, pr olif er ar am divulgações de sua r ica ar t e e cult ur a t r adicionais, ent ão t or nou-se o “Vale das mar avilhosas cr iações cult ur ais”; mas o que essas mar avilhas t r ouxer am par a seus cr iador es?
Vej amos o caso de Car aí: um município que f icou conhecido nacional e int er nacionalment e at r avés de seus ar t ist as, pr incipalment e, dois cer amist as: Ulisses Per eir a Chaves, f alecido, e Noemisa Bat ist a dos Sant os. Pouco ou nenhum r econheciment o obt iver am, os dois ar t ist as, de seus cont er r âneos. Quando, em 2009, a Secr et ar ia de Educação planej ava as at ividades dos alunos do 3º ciclo – 6º ao 9º ano do ensino f undament al -, disser am-me que f ar iam uma hist ór ia do município com os alunos. Dent r e as at ividades pr ogr amadas, visit as e ent r evist as aos f amosos ar t esãos e suas f amílias, e at é uma “vivência”: havia a possibilidade de pr omover um moment o de pr át ica, quando os alunos “amassar iam o bar r o” e apr ender iam a modelar . Se, por um lado, o ar t esanat o é r ef er ência, r epr esent ando a cult ur a e f azendo par t e da hi[e]st ór ia do município, solicit ado nest e moment o de const r ução da memór ia da cidade – que hoj e poder íamos chamar de educação pat r imonial - por out r o lado, pr ovidências simples não são t omadas: a dívida da associação, que a pr ef eit ur a gar ant iu que assumir ia, em j unho de 2009, at é j unho de 2010 não havia sido quit ada76. Out r o exemplo f oi uma f est a ocor r ida no f im do ano, na cidade; disser am que haver ia uma bar r aca par a os ar t esãos expor em as cer âmicas, mas soube que “ninguém or ganizou” par a que isso acont ecesse. Clar o que, se houvesse uma mobilização per manent e por par t e dos ar t esãos, pr ovavelment e, ocupar iam esse espaço, mas, de
76 I nser imos aqui a expr essão “educação pat r imonial”, chamando a at enção par a os pr ocessos r ecent es de redef inição dos bens cult ur ais. A noção de pat r imônio imat er ial, t or nada lei em 2000, at r avés do Decr et o 3.551, t or na a oper ação ver ossímil: pr emidas a of er ecer uma “educação pat r imonial”, as secr et ar ias de educação r ecor r em àquelas f or mas r econhecidas localment e como bens cult ur ais, evidenciando a pr imazia do ar t esanat o enquant o r ef er ência da “cult ur a local”.
149
qualquer maneir a, são sinais do descompr omet iment o do poder público local, de seus agent es, e da “sociedade civil”.
É comum ouvir mos, de ar t esãos do Vale, que os cont er r âneos não conhecem ou não valor izam seus t r abalhos. Aclamados nas capit ais, visit ados por pessoas “que vêm de longe”, não encont r am na t er r a nat al o r econheciment o de sua ar t e. Conver t ida em at ividade complement ar de r enda, o ar t esanat o é t ido como uma “salvação” par a est as pessoas. Simbolicament e r econhecido, economicament e r econhecido; mas, qual é o lugar na vida dessas pessoas dessa ar t e? Como me disse Mar gar ida: eles lá pensa que
a gent e vive em mansão, pela f ama de Noemisa.
O caso de Noemisa par ece ser único, ou, quem sabe, emblemát ico, manif est ação de um est ado de coisas mais gener alizado. Vej amos as palavr as do Sr . Maur o Guimar ães W er kema, em Reunião Especial na Assembléia Legislat iva de Minas Ger ais: “Há poucos meses, vimos no Palácio das Ar t es dois f enomenais ar t ist as do vale do J equit inhonha: Noemisa Bat ist a dos Sant os e Ulisses Per eir a Chaves, que segur ament e f ar iam sucesso em qualquer público do mundo, pela especif icidade e pr oximidade da r aiz, da f or ça do vale, ainda pr eser vada no t r abalho desses dois ar t ist as. No ent ant o, não r ecebem apoio. Não há polít ica especial de pr ot eção a esse t ipo de expr essão, que, evident ement e, às vezes, não obedece às leis de mer cado pr ocur adas pelas empr esas no seu "mar ket ing" cult ur al, como visibilidade, r ecipr ocidade e out r os r et or nos” 77.
A not or iedade de Noemisa – e de Ulisses - é inegável enquant o r ef er ência de “pat r imônio vivo” br asileir o, t odavia, não há nenhuma pr ocesso de r egist r o inst aur ado em seu nome78.
77 Font e: At a da 35ª r eunião especial da 2ª sessão legislat iva or dinár ia da 15ª legislat ur a, em 30/ 8/ 2004. Assembléia Legislat iva de Minas Ger ais. Disponível em: < ht t p:/ / www.almg.gov.br / dia/ A_2004/ 09/ L180904.ht m >. Acesso em: 20/ 05/ 2010.
78 Repr oduzo, a seguir , t r echo de t ext o do Minist ér io da Cult ur a, esclar ecendo a “ação Gr iô”, que cit a Noemisa e nos esclar ece um pouco mais sobr e as quest ões do pat r imônio: “Már cio, conhecido como ‘Velho Gr iô’, é um cont ador de hist ór ias, músico e
150
Noemisa r eside em Ribeir ão de Capivar a, onde nasceu e onde viver am, t ambém, seus pais. Sua casa é bast ant e simples; ainda não t em luz elét r ica e não possui água encanada. Hoj e, a f amosa ar t ist a r ecebe duas aposent ador ias: a sua e a de sua ir mã J acint a79. O que Mat t os escr eveu em 1997, quando lá est eve, cont inua valendo, at é cer t o pont o. Cer t ament e Noemisa é, como disse Mat t os, “uma das ar t ist as do bar r o que mais pr oj et ou t ant o nacional quant o int er nacionalment e a ar t e do bar r o”, mas que “apesar de seus t r abalhos exer cerem uma gr ande at r ação no público e de alcançar em um alt o pr eço no mer cado, quem mais lucr a com eles são os int er mediár ios “. Todavia, dizer , como disse Mat t os, que as “condições at uais nas quais vive Noemisa são por
demais pr ecár ias”, j á cont ém um cer t o exager o (2001, p. 123, gr if os meus). Ainda que
poet a, que caminha pelos diver sos vilar ej os do ser t ão da Bahia ‘apr endendo e ensinando cult ur a’. Dona Sever iana, em Tr ucanhém, int er ior de Per nambuco, dá f or ma ao bar r o, cr iando bichos, sant os e f igur as que cont am a sua hist ór ia e a de sua comunidade. Dona Noemiza é a mais conhecida paneleir a do Vale do J equit inhonha e, apesar do r econheciment o ar t íst ico, vive isolada e em condições f inanceir as dif íceis. Mest r e Didi, conhecido como ‘o guar dião dos segr edos da Bahia’, pint a as cor es e a diver sidade de seu povo. São pessoas que por diver sas r azões, cir cunst âncias e habilidades, acumular am conheciment os que per t encem às suas comunidades e que podemos ent ender como ‘pat r imônio cult ur al imat er ial’. São as pr át icas, r epr esent ações, expr essões e t écnicas - j unt o com os inst r ument os, obj et os, ar t ef at os e lugar es que lhes são associados - que as comunidades, os gr upos e, em alguns casos, os indivíduos r econhecem como par t e int egr ant e de seu pat r imônio cult ur al. Est e pat r imônio cult ur al imat er ial é t r ansmit ido de ger ação a ger ação. Apr oximando-se do Pr ogr ama ‘Living Human Tr easur es’, lit er alment e: Tesour os Humanos Vivos, da UNESCO, a ação Gr iô – Mest r es dos Saber es, visa pr eser var esses bens, incent ivando a t r ansmissão desses conheciment os acumulados, das habilidades, do ‘saber f azer ’. Como f or ma de pot encializar essas ações que j á ocor r em, o pr ogr ama buscar á par cer ias com os Minist ér ios do Tr abalho, da Pr evidência Social e da Educação par a dar apoio f inanceir o e mat er ial a esses Mest r es dos Saberes, par a que cont inuem, com menos dif iculdades, a pr eser var e reinvent ar nossa cult ur a”. Disponível em: <ht t p:/ / www.cult ur a.gov.br / cult ur a_viva/ ?page_id=25>. Acesso em: 24/ 03/ 2010.
79 Noemisa most r ou-me sua car t eir a do Sindicat o dos Tr abalhador es Rur ais; os ar t esãos se aposent am como lavr ador es, e não como ar t esãos, pois ainda não exist e, na pr evidência br asileir a, essa possibilidade ou essa f igur a.
151
concor demos com essa expr essão, e com o que ela quer comunicar , per gunt o: pr ecár ias, par a quem?
Na mesma época (1997, dat a da ent r evist a r ef er ida com Noemisa), Dalglish est eve lá e escr eveu que “analisando a sit uação vivida hoj e por Noemisa e consider ando os it ens mor adia, est ilos na cer âmica e f acilidades par a escoament o e venda do seu pr odut o; e compar ando com um dos pr imeir os document os sobr e sua vida e obr a, pr oduzido em 1974 (Soar es, 1984), not a-se que, nos últ imos t r int a anos, não houve nenhuma alt er ação na sua pr odução ar t íst ica, na qualidade de vida e nas t écnicas de escoament o do seu pr odut o. Também não sur giu nenhuma nova cer amist a em sua f amília nem em sua vizinhança. Pode-se af ir mar que a cer âmica não t r ouxe par a Ribeir ão do Capivar a os benef ícios conquist ados pelas out r as comunidades pesquisadas no Vale do J equit inhonha” (2006, p. 161).
Dalglish t eve a mesma per cepção que a equipe do nosso pr oj et o: Car aí não obt eve os mesmos benef ícios que out r as comunidades cer amist as. Ent r et ant o, pude obser var pelo menos uma alt er ação na “qualidade de vida” de Noemisa: sua casa f oi r ebocada e ganhou piso de ciment o. Cont inua sem água encanada, mas há uma caixa d' água, pr óxima ao cór r ego onde ainda hoj e é pr eciso buscar água vár ias vezes ao dia, que ser ve de r eser vat ór io. Noemisa não soube pr ecisar , mas algumas pessoas de f or a f izer am uma t ent at iva de encanar a água par a sua casa, que, por mot ivos obscur os, não chegou a t er mo.
152
Figur a 14: Noemisa em f r ent e a sua casa.
Out r a alt er ação, em r elação à descr ição de Dalglish, é que sur gir am algumas cer amist as na vizinhança. Se a pr ópr ia f amília de Noemisa não se int er essou por est a ar t e/ t r abalho, t alvez sej a por que não t êm necessidade de pr oduzir , uma vez que ela cont inua sendo o est eio de t oda a par ent ela. Dalglish t eme uma r upt ur a na t r adição cer âmica de Car aí, por que as duas sobr inhas de Noemisa não quer em dar cont inuidade à ar t e. Par a a aut or a,“a pobr eza que assola a r egião de Car aí é a pr ovável r esponsável por esse desint eresse (2006, p. 162). Não deixa de ser uma possibilidade; ent r et ant o, nesse caso a pobr eza ser ia, de f or ma ambígua, r esponsável t ant o pelo desint er esse quant o pelo int er esse: vár ias ar t esãs pr óximas a Noemisa, e que em algum moment o apr ender am com ela, r elat ar am que se iniciar am na ar t e do bar r o par a conseguir “um t r ocado”, muit as vezes, par a sat isf azer um desej o de uma r oupa nova, par a “compr ar umas coisinhas pr a gent e”.
Af ir ma, ainda, r ecor r endo a Lauer , que “a t endência nas comunidades ar t esãs é ‘pr oduzir par a mant er ou aument ar as r endas de uma economia onde o dinheir o j á se
153
t or nou indispensável par a sobr eviver’; ist o é evident e no caso de Noemisa, em que a cer âmica, que er a at é r ecent ement e a única f ont e de r enda da r egião, est á esgot ando seus r ecur sos e f azendo que os j ovens per cam o int er esse por est a at ividade, passando a pr ocur ar empr ego nos gr andes cent r os comer ciais” (Dalglish, 2006, p. 162, gr if o meu).
Nest e t r echo, obser vamos que alguns t er mos apr esent am e r ef or çam uma imagem de pobr eza ext rema, à qual é imput ado o desint eresse dos mais j ovens.