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In document Rustibus (sider 22-0)

O tema escolhido para a pesquisa no Portal do Professor a partir dos questionários aplicados com os professores foi Biotecnologia. Muitos professores citaram a temática (como pode ser visto no Quadro 02) e os próprios alunos sentem dificuldade (Quadro 04), devido a sua complexidade e por ser um assunto que é amplamente divulgado atualmente pela sociedade, sendo abordados em filmes (Parque dos Dinossauros, A ilha, GATTACA, etc.), documentários, novelas (O Clone), livros, revistas e jornais. Além de ser um assunto muito abordado em provas (avaliações), como o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).

NÚMERO DE PROFESSORES Portal do Professor

5 Utilizaram alguma vez

3 Nunca utilizaram

A Genética, com enfoque na Biotecnologia, é um dos temas recorrentes na mídia desde o final dos anos 60. O destaque que este tema apresenta pode ser explicado pelo grande apelo social e por sua influência direta na vida das pessoas, como por exemplo, a utilização decélulas-tronco na medicina e a fabricação de alimentos transgênicos na agricultura, tornando- se, dessa forma, um conteúdo de grande importância no contexto escolar (DALBEN et al.

2010).

Para tanto, no ano de 2000, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM), de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sugeriram metodologias educacionais e disseminaram visões atualizadas da Biologia, especificadamente no tocante a Genética, na qual dois dos seis temas trabalhados foram relacionados ao estudo e à aplicabilidade de novas tecnologias associadas a utilização e manipulação do material genético de organismos (PCN, 2000, p.64)

Porém, segundo Corazza-Nunes et al. (2006), apesar das inovações científicas e tecnológicas advindas da Genética fazerem parte dos currículos escolares de Biologia da maioria das escolas de ensino obrigatório do Brasil, grande parte dos alunos não consegue relacionar o ensino de Genética que se tem na escola com a realidade na qual ele está inserido. Segundo Giacóia (2006), isso ocorre em função de que os tópicos de Genética, com destaque aqueles voltados a Biotecnologia, trabalhados na disciplina de Biologia, na educação básica, são muitas vezes considerados pelos estudantes conteúdos difíceis e abstratos que os leva ao desinteresse e consequentemente ao não entendimento do que é abordado em sala de aula. Assim, verifica-se, conforme relatado por Pedrancini et al. (2007), que nem sempre o ensino de Genética promovido no ambiente escolar tem permitido que o estudante se aproprie dos conhecimentos científicos de modo a compreendê-los, questioná-los e utilizá-los como instrumento do pensamento que extrapolam situações de ensino e aprendizagem eminentemente escolares.

Diante disso (os resultados dos questionários dos professores e estas características do assunto), foi realizada uma triagem das aulas sobre Biotecnologia existentes no Portal e foi diagnosticada a presença de 26 aulas, das quais muitas abordam o tema Organismos Geneticamente Modificados (OGM). A partir de um estudo das aulas já existentes no Portal, foi decidido produzir uma aula sobre transgênicos, que está descrita no Produto Educacional. O quadro 7 apresenta o nome das propostas de aulas de cada uma das aulas, o número de acessos (até a data da pesquisa) e o código com o qual a aula é identificada.

Quadro 7 - Aulas de Biotecnologia do Portal do Professor e número de acessos. Nª da

aula Nome da aula

Número de acessos

A1 Biotecnologia contra a dengue 6800

A2 Biotecnologia: próteses biônicas/inteligentes 1689 A3 Conhecendo algumas aplicações da biotecnologia 4521 A4 Vacinas gênicas e terapia genética: saúde,

biotecnologia e sociedade 2841

A5 Biotecnologia e produção de alimentos 12289 A6 Biotecnologia: conhecendo os alimentos

transgênicos por meio do método científico. 3642 A7 Tuberculose: saúde, biotecnologia e sociedade. 1808 A8 Componentes biológicos dos fármacos. 5403 A9 Transgênicos: a produção de alimentos

geneticamente modificados no Brasil 6530

A10 Bioinformática 1355

A11 Microrganismos que salvam vidas 5676

A12 Organismos geneticamente modificados 1991 A13 Terapia com células tronco: uma questão em

debate 5059

A14 Terapia genética: investigando aspectos éticos e

legais 6847

A15 Eva a ancestral - herança extracromossômica 11083 A16 Meiose no papel: Cromossomos e segregação

independente 4707

A17 Fermentação e produção de bebidas 1714

A18 Nutrientes Vegetais 4939

A19 Mão na massa - Leveduras 14607

A20 Herança que veio do céu: contribuições da

astronomia no nosso cotidiano. 5958 A21 Fitoterapia e questões socioambientas 1913

A23 Venenos: importância na biologia e na evolução das

espécies. 4176

A24 Cobaias e avanço científico: uma questão

contemporânea 2271

A25 Armas biológicas 2070

A26 Citologia: conhecendo a célula – Parte 1 1854 Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Portal do Professor

A aula com o maior número de acessos é a A19, pelo fato de ser uma aula que não se trabalha apenas o cognitivo do aluno, mas sua parte psicomotora, onde os alunos põem

realmente a “mão na massa” e praticam o que aprenderam na teoria, isso torna a aula um

momento mais prazeroso e interativo, despertando um interesse de todos que estão envolvidos e o professor conseguindo através desta aula chegar ao objetivo que almejava quando planejou este momento pedagógico.

Após organizar as informações no quadro 7, foi feita a análise de cada aula de acordo com a região, estratégias, recursos, forma de avaliação. Para analisar os objetivos e as posturas destacamos os verbos utilizados visando perceber a ação envolvida. Estas informações foram organizadas no quadro 8.

O quadro acima retrata uma realidade das aulas postadas no Portal do Professor envolvendo “BIOTECNOLOGIA”. Um dos pontos destacados é a concentração das aulas postadas por professores/pesquisados do eixo SUL/SUDESTE.

Na área de estatísticas do Portal do Professor, o site traz informações sobre a quantidade de aulas e a unidade federativa de seus autores. Segundo o site, as regiões Sudeste e Sul estão entre as que mais publicam aulas, seguido da região Nordeste, como as que menos publicam; as regiões Norte e Centro-Oeste não temos nenhuma aula publicada sobre este conteúdo abordado.

A incidência maior de aulas nas regiões Sul e Sudeste nos remete à discussão sobre o quanto estas regiões são os polos de desenvolvimento econômico, industrial e científico do país. Segundo Freitas (2011),

Historicamente, foi nessas regiões que o Ensino Superior no Brasil se instituiu, que as primeiras industrias se instalaram, onde surgiram os primeiros grupos de pesquisa, e enfim, onde os setores da educação e da economia são mais desenvolvimentos, fazendo delas centros de desenvolvimento do país. Desta forma, foram as primeiras regiões a receber infraestrutura tecnológica, acompanhada de uma cultura de utilização destes recursos por estas regiões (FREITAS, 2011, p.109)

Nessa direção, percebemos que o pequeno número de aulas disponibilizadas por algumas regiões pode relacionar-se com a falta de estrutura de serviços das tecnologias da informação e comunicação, e com a falta de cultura de produção de conhecimento e informação para ser colocada na rede, o que significa que as pessoas estão mais acostumadas a buscar do que produzir para ocupar espaços.

De acordo com o relatório de 2009 do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br), os indicadores sobre a posse e utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) no Brasil mostram que as regiões Sudeste e Sul concentram a maior porcentagem de usuários dessas TICs, seguidas pela região Centro- Oeste e, por conseguinte, apresentam as regiões Norte e Nordeste por último nestes dados (FREITAS, 2011, p.110). A partir dos dados apresentados neste relatório, observamos que, de fato, as condições de acessos e posse das TICs demonstram as regiões Norte e Nordeste com desempenho abaixo das outras regiões em relação aos critérios pesquisados.

Outro ponto destacado no quadro de análise das aulas de Biotecnologia do Portal do Professor são os objetivos das aulas, onde são delineados para o processo de ensino e aprendizagem, permeados de intenções do fazer educativo. Assim, é na prática pedagógica que as intencionalidades educativas se concretizam (CASTANHO, 2004; VEIGA, 2008). Ao observar os objetivos propostos nas aulas selecionadas, fomos conduzidos a entendimentos sobre as intencionalidades que se encontram veladas na organização didática da aula.

A partir das considerações pelos autores das aulas selecionamos os verbos que compunham os objetivos dos autores para o processo didático. Os verbos destacados passaram

a estruturar a categoria “Objetivos” da planilha de análise. E enfim, a partir desses dados

recorremos ao sistema de classificação propostos por Bloom, B.S e colaboradores (1983) e na categorização atual da Taxonomia de Bloom (2001) proposta por Anderson, Krathwohl e Airasian.

A Taxonomia de Bloom do Domínio Cognitivo é estruturada em níveis de complexidade crescente – do mais simples ao mais complexo – e isso significa que, para adquirir uma nova habilidade pertencente ao próximo nível, o aluno deve ter dominado e adquirido a habilidade do nível anterior.

Só após conhecer um determinado assunto alguém poderá compreendê-lo e aplicá-lo. Nesse sentido, a taxonomia proposta não é apenas um esquema para classificação, mas uma possibilidade de organização hierárquica dos processos cognitivos de acordo com níveis de complexidade e objetivos do desenvolvimento cognitivo desejado e planejado.

Os processos categorizados pela Taxonomia dos Objetivos Cognitivos de Bloom, além de representarem resultados de aprendizagem esperados, são cumulativos, o que caracteriza uma relação de dependência entre os níveis e são organizados em termos de complexidades dos processos mentais.

Encerrando um modo de utilização bastante prático, uma vez que permite, a partir da utilização de uma tabela Domínio Cognitivo perceber qual o verbo a utilizar / aplicar, em função do comportamento esperado, organizando os objetivos de aprendizagem em seis níveis, os quais são, por ordem crescente de complexidade os seguintes:

Figura 3 – Taxonomia de Bloom, verbos e processos cognitivos

Fonte: Biblioteca no mundo digital, disponível em: http://www.biblioteconomiadigital.com.br/2012/08/a- taxonomia-de-bloom-verbos-e-os.html.

Por conseguinte, e com o objetivo de identificar as categorias da Taxonomia de Bloom em que se enquadram os objetivos propostos nas aulas do componente curricular Biotecnologia, propostas no Portal, classificamos, no quadro a seguir, os verbos observados. Quadro 09: Objetivos, Sentido do Verbo e Categoria segundo a taxonomia de Bloom.

Objetivos Sentido do Verbo Categoria

Compreender

Formando em demonstrar compreensão pela informação, sendo capaz de reproduzir a mesma por ideias e palavras próprias;

Compreensão

Aprender

Formando em recordar, definir, reconhecer ou identificar informação específica, a partir de

situações de aprendizagem anteriores;

Explicar

Formando em demonstrar compreensão pela informação, sendo capaz de reproduzir a mesma por ideias e palavras próprias;

Compreensão

Elaborar

Formando em recordar, definir, reconhecer ou identificar informação específica, a partir de situações de aprendizagem anteriores;

Conhecimento

Dialogar

Formando em estruturar informação, separando as partes das matérias de aprendizagem e estabelecer relações, explicando- as, entre as partes constituintes;

Análise

Interagir

Formando em recolher e relacionar informação de várias fontes, formando um produto novo;

Síntese

Questionar

Formando em demonstrar compreensão pela informação, sendo capaz de reproduzir a mesma por ideias e palavras próprias;

Compreensão

Apresentar

Formando em demonstrar compreensão pela informação, sendo capaz de reproduzir a mesma por ideias e palavras próprias;

Compreensão

Praticar

Formando em recolher e aplicar informação em situações ou problemas concretos;

Fonte: Elaborado pelo autor

Os objetivos educacionais passam a ter ambições tanto em termos da natureza das informações tratadas, dos procedimentos e atitudes envolvidas, como em termos de habilidades, competências e valores desenvolvidos (BRASIL, 2000).

Podemos destacar que a maioria das aulas trabalha os níveis de conhecimento e compreensão, de acordo com a taxonomia de Bloom. Poucas aulas que atingiram o nível de síntese e nenhuma proposta chegou ao nível de avaliação, que seriam aulas onde os alunos iriam produzir materiais e os próprios avaliarem seus produtos, logo a maioria das aulas é o próprio professor que toma a frente da aula o tempo todo, tendo os alunos pouca participação ativa durante as atividades propostas.

Outro ponto de evidência na planilha são as estratégias metodológicas, que já foram abordadas no Referencial Teórico, adotadas pelos professores para alcançarem um aprendizado satisfatório com seus alunos. Podemos destacar: Aula expositiva, Vídeos, Internet, Trabalho em equipe, Seminários, Produção de Charges, Blogs, Catálogo Virtual, Debates e aulas no Laboratório de Ciências. É possível perceber que as propostas metodológicas são bastante diversificadas.

Podemos destacar que das 26 aulas postadas no Portal sobre Biotecnologia várias são as formas de avaliar os alunos, que vão desde: atividades individuais, seminários, debates, criação de blogs, etc. A grande evidência é que em muitos casos os professores utilizam as TICs como meios para a avaliação. Isso mostra como as tecnologias são importantes na educação da atualidade como já foi mencionado nos comentários sobre que metodologias os professores utilizam em suas aulas de genética (QUADRO 5) e muitos citaram as TICs.

O produto educacional foi preparado com base nos resultados obtidos ao longo deste trabalho. Assim, foi elaborada e executada sequência didática com o tema Transgênicos. Os alunos que participaram das atividades responderam um questionário para avalia-la. O processo de elaboração, execução e avaliação da sequência didática será descrito no item que trata do Produto Educacional.

Produzir

Formando em demonstrar compreensão pela informação, sendo capaz de reproduzir a mesma por ideias e palavras próprias;

In document Rustibus (sider 22-0)