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As entrevistas realizadas com os moradores das comunidades não obedeceram a nenhum método de amostragem, pois as mesmas dependiam do número de pessoas encontradas e que permitiram o diálogo, numa tentativa de seleção como descrito no tópico 3.4. O mesmo aconteceu nas entrevistas com os demais atores envolvidos na pesquisa, pois atrelaram-se à sua disponibilidade.

Todas as entrevistas foram transcritas de acordo com os procedimentos propostos por Alberti (2005). Ouviu-se de cada entrevista um trecho da gravação para familiarização com o discurso e a fala do entrevistado. Em seguida, voltou-se à gravação, procurou-se ouvir as construções das frases e iniciou-se, então, a transcrição.

As entrevistas foram transcritas diretamente num computador para evitar o retrabalho e possíveis distorções em função da grafia. Uma vez realizada a primeira etapa da transcrição, iniciou-se o trabalho de conferência. Nessa etapa, ouviu-se novamente a gravação e comparou-se com o texto transcrito, e, quando necessário, foram efetuadas correções de datas, nomes de pessoas e lugares. Dessa forma as transcrições permitiram a análise de seus conteúdos com o intuito de alcançar os objetivos deste trabalho.

3.5.1 – Análise das Entrevistas

A análise dos dados obtidos ocorreu por meio de um processo de organização sistemática de transcrição das entrevistas e de notas de campo, com objetivo de compreendera realidade local.

A análise das entrevistas exige cautela e ética vigilantes em relação à interpretação, pois de acordo com Queiroz e Silva (2004), há uma tendência de o pesquisador se envolver a tal ponto com o material empírico na procura de respostas imediatas, que a entrevista, por vezes, não fala por si. Nesse momento, a atenção precisa estar alerta para as possíveis interferências de nossa subjetividade, tendo consciência e assumindo como parte do processo

de investigação os descaminhos possíveis da relação entre os atores e os pesquisadores implicados nesse processo.

Romanelli (1998) afirma que a subjetividade, elemento constitutivo da alteridade presente na relação entre sujeitos, não pode ser expulsa, nem evitada, mas deve ser admitida e explicitada e, assim, controlada pelos recursos teóricos e metodológicos do pesquisador, vale dizer, da experiência que ele, lentamente, vai adquirindo no trabalho de campo.

No processo de análise das entrevistas deve estar claro que nem tudo que é dito pelo entrevistado deve ser objeto de análise; de que tudo que foi dito é importante só por ter sido dito. As cinquenta e nove (59) entrevistas realizadas produziram um corpo de informações o qual passou por rigorosa seleção sobre a pertinência da informação quando relacionada aos objetivos da pesquisa.

Ao longo da elaboração dessa tese, refletiu-se muito sobre qual caminho metodológico a ser adotado para análise das entrevistas. Para Campos (2004) o universo das pesquisas qualitativas, a escolha de método e técnica para a análise de entrevistas deve obrigatoriamente proporcionar um olhar multifacetado sobre a totalidade dos dados recolhidos no período de coleta (corpus). Tal fato se deve, invariavelmente, à pluralidade de significados atribuídos ao produtor de tais dados, ou seja, seu caráter polissêmico numa abordagem naturalística.

Optou-se neste trabalho pela Análise de Conteúdo (BARDIN, 1979) , a qual configura-se como um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. A Análise de Conteúdo trabalha com o conteúdo, ou seja, com a materialidade linguística através das condições empíricas do texto, estabelecendo categorias para sua interpretação.Apesar da aparente objetividade da Análise de Conteúdo, o método não deve ser vinculado num formalismo excessivo ao texto ou a técnica pois pode prejudicar a criatividade e capacidade intuitiva do pesquisador. Por conseguinte não deve ser subjetivo demais para não impor suas próprias ideias ou valores, no qual o texto passe a funcionar meramente como confirmador dessas. Outro ponto importante é que o conteúdo tende a ser valorizado à medida que é interpretado, levando-se em consideração o contexto social e histórico sob o qual foram produzidos.

Tendo como base as referências teórico/conceituais e a identificação por parte do pesquisador de conteúdos recorrentes nos discursos de seus entrevistados, sobre os conflitos entre comunidades e UC´s foram definidas categorias de análise, que serão apresentadas no

Com a definição das categorias de análise, todas as entrevistas foram fragmentadas, as falas dos entrevistados foram segmentadas e reorganizadas nas categoria de análise por comunidade. Assim, foi inserido o mínimo de texto necessário à compreensão do significado por parte de quem analisa. Criou-se então um mosaico de informações utilizando tabela para organização e ordenação das informações (Apêndices 1, 2 e 3). Foram identificadas atividades extrativistas reconhecidas como tradicionais que refletiam as relações de suas vidas com o espaço e que variaram entre as comunidades entrevistadas e que também serão apresentadas no Capítulo 5.Ao longo do processo de organização e interpretação das informações, os resultados parciais foram:

1 - apresentados aos representantes das comunidades que assumiram o papel de intermediadores entre o pesquisador e os entrevistados. Esse procedimento auxiliou na verificação se o caminho de leitura da realidade se as hipóteses formuladas a partir dela tinham fundamento para aqueles que vivenciam mais diretamente as circunstâncias investigadas;

2 – comparados a trabalhos científicos publicados, apresentados e discutidos em eventos científicos, discutidos com pesquisadores que desenvolvem suas pesquisas no cenário desse trabalho. Isso possibilitou uma visão mais ampla do universo que estava sendo investigado.