• No results found

Bygg fullført23. Bygg under

In document [publikasjonen i pdf] (sider 40-50)

ta ebruar ars nuar

24. Bygg fullført23. Bygg under

Iguatemi por meio da atuação do Clube de Mães, mas era necessário ter uma posição política mais determinante na realidade. A ditatura militar não dava sinais de “abertura”, havia riscos de continuar o acirramento repressivo e com a política de manipulação. Até 1973 a ditadura militar colhia o sucesso do milagre econômico e slogan “Brasil: ame-o ou deixe-o” era norte para enfrentar qualquer tipo de oposição. É o momento que a Arquidiocese de São Paulo, coordenada pelo então recente Cardeal Dom Evaristo Arns, assume papel fundamental no tecido social. Além de motivar a criação de movimentos reivindicatórios, era necessário algo mais, uma organização com capacidade mediadora para investir na formação em várias frentes. E, em 1975, foi consolidada a ACPJC como um espaço de Formação Política e Pastoral voltado para esta finalidade. O espaço de formação política e pastoral poderia ser considerado uma afronta ao regime da época, mas era também uma posição, a partir da periferia, de criar uma consciência política de resistência e não de conformismo com a situação. Era necessário deixar evidente a finalidade da organização a partir daquele momento:

A fim de reforçar e consolidar o compromisso assumido na caminhada, aos 19 de outubro de 1975, na Igreja São João Batista, reuniu-se em assembleia geral os membros da Ação Comunitária para aprovar os estatutos da mesma e para eleger e dar posse a nova diretoria, com a missão de: Fortalecimento dos laços familiares através de programas de assistência social e de educação, objetivando desenvolver e aperfeiçoar todas as capacidades humanas. Promover o perfeito entrosamento entre pessoas e outras organizações do local que visam o bem estar social do bairro, bem como a formação de líderes202.

Por tratar-se de um local de “formação política e pastoral”203, a preocupação era subsidiar a população para assumir um papel de resistência ao regime político na época de

202 Ibid., p. 5.

ditadura militar e ao mesmo tempo se fazia os estudos pastorais204 ou ações pastorais com a população.

Este espaço passa ser uma instituição mediadora de várias iniciativas com a função de capacitar e preparar lideranças para atuarem nas bases comunitárias. Tal sujeito político foi extremamente importante para mobilizar e estabelecer a direção para as ações locais. A mobilização das pastorais e criação de frentes de trabalho propiciava às CEBs uma posição estratégica para mobilização e conscientização dos problemas da realidade levando em consideração a conjuntura e a estrutura política local. O espaço de formação política também significou uma posição explícita da Igreja Católica diante da política e a constatação de que o autoritarismo também tinha suas marcas profundas na cultura política da população.

É neste período que consolida as CEBs com toda sua força e conferindo-lhe um papel fundamental de organização das comunidades locais. Neste sentido, a Arquidiocese de São Paulo passa a ter um papel de centralidade e de norte para implementar programas de formação e fortalecer as ações de base comunitária. Surge com mais força também o papel dos assessores, dos agentes pastorais enquanto mobilizadores, animadores e responsáveis pelos programas formativos locais e pela mobilização, considerados também como “agentes mediadores”.

Camargo et alii (1980) acreditavam na época que as CEBs transcendiam a institucionalidade da Igreja Católica, pois não estavam rigidamente vinculadas com a estrutura eclesial. Os autores analisavam que as CEBs buscavam ainda uma forma de expressão, mas sem se agarrar em modelos pré-estabelecidos. Os autores também na época viam este movimento como um espaço novo:

Se o alcance religioso e as consequencias políticas dao desenvolvimento das CEBs ainda dependem das de suas opções no contexto da sociedade brasileira, a realização pedagógica das comunidads já constituem inovadora diemensão da sociedade civil. Na realidade, as CEBs desburocratizam a dominação eclisiástica, enquanto na prática, demistificam, de modo mais ou menos explícito, aspectos alienantes da ideolgia religiosa, cúmplices da instuição institucionalizada. Elas percorrem um caminho de aprendizado que induz à consciência crítica coerente com a descoberta do Evangelho como liberçaão e antecipam uma experiência utópica, prefiguração, insipiraçaõ e sustento de um projeto de transformação histórica205.

204 A Igreja Popular que tinha como fundamento a Teologia da Libertação tinha uma concepção interpretativa da

Bíblia sempre contextualizando com a realidade. Neste sentido, se fazia uma interpretação não doutrinal, mas muito mais voltado para o significado com a realidade atual.

Política e Pastoral era responsável pela capacitação das lideranças comunitárias e tinha uma função de centralidade; 2) Clube de Mães respondia pela capacidade de organização das mulheres; 3) O Movimento pela Saúde, pela Creche pelas reivindicações das necessidades locais; as CEBs como espaço de motivação.

Na Arquidiocese de São Paulo sob a coordenação ainda de Dom Evaristo Arns, no período de 1978 e 1979, foram criadas quatro pastorais que detinham um papel determinante e de mediação entre as necessidades de base e a estrutura da Igreja: Pastoral do Mundo do Trabalho (voltada para classe operária); Pastoral dos Direitos Humanos e Marginalizados (atuava com a transgressão aos Direitos Humanos); Pastoral de Periferia (criava alternativas para atuar com a população mais pobre); e, Pastoral das CEBs (que tinha como objetivo renova as estruturas eclesiais). Estas pastorais foram determinantes para mobilização das comunidades locais, o que contribuiu muito para dar suporte aos centros de formação na periferia da região metropolitana de São Paulo.

A partir de 1975 começa o processo de “liberalização do regime” ditatorial com a suspensão do Ato Institucional n.º5 e a previsão da volta das eleições diretas para governadores dos estados para 1982. Mas tal “liberalização” era um controle para “reduzir o grau de interferência do Estado na economia”206. Havia risco, se não houvesse pressão, de nada mudar na estrutura política.

Outra frente de atuação que também a ACPJC se destacou neste período foi a relação com a Pastoral Operária (PO) de São Paulo, que foi a primeira a ser criada no Brasil e nasceu de ações desenvolvidas por antigos militantes da JOC (Juventude Operária Católica) e da ACO (Ação Católica Operária). Começou com experiências de organização de pequenos grupos de trabalhadores e trabalhadoras católicos/as em algumas comunidades. Aqueles trabalhadores refletiam a vida de trabalho na ótica das exigências evangélicas da justiça e da solidariedade de classe. Simultaneamente, procuravam desenvolver diálogos, seguidos de esforços para a organização de seus companheiros no local do trabalho, enquanto se engajavam no movimento sindical, imediatamente antes e depois do golpe militar de 1964.

As experiências, intercambiadas constantemente com trabalhadores cristãos de outras cidades e regiões do país, animaram a criação de grupos de Pastorais Operárias em outras dioceses e, em 1976 a formação da Pastoral Operária Nacional.

Em 1978 surgiu no Iguatemi o Centro Profissional do Trabalhador - CPT que tinha como objetivo “capacitar a mão de obra adulta e masculina”. Dado ao elevado número de migração era notório o despreparo dos migrantes para obterem trabalho em empresas que exigiam minimamente instrução escolar. Vagas para trabalhos nas montadoras de automóveis existiam na região próxima do ABC, mas muitos migrantes encontravam-se desempregados por não terem uma capacitação específica e qualificada. Metalúrgicos já empregados mobilizaram-se e potencializaram esta iniciativa da Igreja Católica e pela doação de máquinas pelas organizações de Cooperação Internacional e também ligada à Igreja Católica Alemã – Pão para o Mundo – puderam implementar dois cursos técnicos: tornearia e ajustagem.

Como se pode constatar, este período foi muito intenso na história da ACPJC, mas é determinante às várias mediações institucionais que existiam na região e que tenderiam rapidamente desaparecer na década de 1980.

Por fim, importante mecionar também que em 1979 foi realizada a III Conferência do Episcopado Latino-americano (em Puebla - México) com a presença do recente Papa João Paulo II que fez o discurso inaugural. As conclusões seguem as mesmas diretrizes da Conferência anterior realizada em Medellín, mas havia já um sinal com a preocupação com a Evangelização. A Igreja Popular que se consagrava neste período com engajamento político, envolvimento com os problemas sociais, posicionamento político e com uma Teologia da Libertação que fundamentava as ações dos fiéis terá uma mudança também significativa na década seguinte.

In document [publikasjonen i pdf] (sider 40-50)