Entende-se por atividade física qualquer movimento corporal, levado a cabo pelos músculos esqueléticos, resultando em gasto de energia. Por vezes, confunde-se com o exercício físico. Este, uma subcategoria da atividade física, integra o fator
“planeamento”, com prática de movimento corporal planeado, estruturado e repetitivo, resultando na manutenção ou melhoria da aptidão física (Caspersen et al, 1985; Dishman et al, 2013).
Weiss et al (2002) defendem que o comportamento assumido ao nível da atividade física é influenciado pelos comportamentos dos pais, assim como pelas perceções relativas a si próprio e às suas capacidades. Já Green et al (2003) salientam também a influência dos pares como determinante das opções em termos de atividade ou exercício praticados.
Os adolescentes efetuam escolhas, assumindo algum tipo de atividade física, na dependência de fatores intrínsecos e de fatores extrínsecos. Nos primeiros, incluem-se a perceção de bem-estar e, nos segundos, a perceção da imagem corporal, por parte dos outros.
Um estudo de Deforche et al, 2006, comparando adolescentes com peso normal, excesso de peso e obesos, demonstrou que a motivação extrínseca (interiorizada a partir de fatores de origem externa) assume uma influência mais efémera do que a motivação intrínseca (inata) no que toca ao exercício físico regular. No que toca aos adolescentes obesos, estes apresentam maior relevância da motivação extrínseca, comparativamente com os restantes, o que não facilita a sustentabilidade relativamente à prática de atividade física.
3.1. DETERMINANTES BIOLÓGICOS E EXPERIÊNCIA DE ATIVIDADE FÍSICA
Vários estudos têm registado algum padrão de distribuição da atividade física com os fatores idade e sexo.
A motivação para a prática de atividade ou exercício físico surge frequentemente associada a faixas etárias específicas. Um estudo finlandês de 1979, com jovens dos 11 aos 19 anos de idade, revelou que os adolescentes do sexo masculino apresentavam maior interesse em alcançar o sucesso em competições e que os mais velhos apresentavam maior motivação pelos elementos de relaxamento e recreação (Silvennoinen et al, 1979). O tipo de atividade física e intensidade do exercício estão especialmente associados ao sexo dos indivíduos. Os rapazes habitualmente praticam mais atividade física e, sobretudo, mais exercício físico (Kristjansdottir et al, 2001; Suris et al, 2005). Em Portugal, tal também se verifica, sendo também os rapazes quem mais pratica fora do horário escolar (Matos et al, 2015). Eles preferem atividades mais vigorosas e de natureza competitiva e elas optam por atividades mais vocacionadas para o lazer e de menor intensidade (Duncan et al, 2002; Hovell et al,
1999). As diferentes influências sociais poderão explicar as diferenças entre os géneros, nomeadamente pelo facto de os rapazes serem alvo de maior encorajamento para este tipo de atividades e se envolverem mais facilmente em experiências de exercício físico, com reforço positivo (Mota et al, 2002). A conceção do corpo associada à prática desportiva revela-se mais concordante com o ideal masculino e menos com os modelos femininos (Seabra, 2008).
A frequência da atividade realizada, assim como o vigor e intensidade da mesma, parece diminuir com o avanço da idade (Seabra, 2008; Kristjansdottir et al, 2001). Em Portugal, os alunos do sexto ano de escolaridade são os que mais praticam atividade física, ao contrário dos alunos do décimo ano de escolaridade. No entanto, estes últimos são os maiores praticantes de exercício físico (Matos et al, 2015). Alguns autores referem a possível existência de um centro de controlo ao nível do sistema nervoso central, capaz de determinar a regularidade deste tipo de atividades (Rowland
et al, 1998). Ingram (2000) refere a menor libertação de dopamina associada à prática
de exercício físico com o envelhecimento, sendo este decréscimo um possível responsável pela diminuição do tempo dedicado ao exercício físico. Os anos correspondentes à escolaridade poderão ter uma influência indireta devido à interação com os outros, especialmente com o professor de Educação Física e com os colegas (Seabra, 2008).
3.2. DETERMINANTES ECONÓMICOS E AMBIENTAIS
Os resultados relativos à possível influência do estatuto socioeconómico sobre as opções ao nível da atividade física revelam-se contraditórios. Existem estudos que apontam uma associação positiva entre estatuto socioeconómico e atividade física, mas também outros revelam associação negativa ou mesmo ausência de associação (Seabra, 2008). No entanto, a maioria dos estudos apresenta os adolescentes com elevado estatuto socioeconómico como tendo maior envolvimento em atividades físicas (Seabra, 2008). No que respeita às atividades realizadas fora do horário ou ambiente escolar, há frequentemente um custo associado que, por si só, determina a impossibilidade de prática por parte de jovens carenciados, limitando o acesso.
Os espaços, o equipamento disponível e a acessibilidade podem condicionar a prática de algumas atividades. Neste contexto, há a referir os recursos existentes nas comunidades como ginásios, espaços verdes e rede de transportes. Um pouco na dependência da área geográfica e contexto sociocultural, também a segurança e o clima podem influenciar a adesão a algumas modalidades. Eventualmente, podem registar-se algumas tendências sazonais para a prática de alguns tipos de atividade
física, como as caminhadas (Handy et al, 2002). Nas zonas urbanas é habitual existir mais oportunidade para prática de atividade física devido a maior diversificação da oferta, maior informação e maior acessibilidade (Mota et al, 2002).
A forma como os adolescentes optam por ocupar o tempo livre pode passar pela atividade física mas também pode colidir com o interesse pelos gadgets, resultado da evolução tecnológica. Assim, os jovens podem optar por formas de ocupação do seu tempo livre, de cariz sedentário, passando muito tempo sentados ao computador, em detrimento de opções mais saudáveis.
Paralelamente, pelo tempo despendido frente à televisão, implementa-se o sedentarismo e potencia-se a obesidade (Ueda et al, 2014).
A escola, neste contexto, assume papel relevante como promotora da atividade física. A escola é transmissora de hábitos, sendo importante o tipo de atividades que promove e a forma como o professor da disciplina exerce o seu papel. A existência de atividades físicas extracurriculares a par das desenvolvidas no currículo poderá influenciar a continuidade dos hábitos pela vida adulta (Mota et al, 2002).
O prazer sentido e promovido pela disciplina de educação física será potenciadora da continuidade dos hábitos (Seabra, 2008).
3.3. DETERMINANTES SOCIOCULTURAIS
3.3.1. Influência dos pares
A influência dos pares é particularmente relevante na adolescência, altura em que o papel dos pais e restante família se desvanece um pouco, para ser parcialmente substituído pelos amigos.
Adolescentes praticantes habituais de atividade física tendem a ter amizades com as mesmas características (Vilhjalmsson et al, 2003; Duncan et al, 2002).
Um dos motivos para a adesão dos adolescentes a uma determinada atividade física é a presença dos amigos como igualmente praticantes (Mota et al, 2002). Da mesma forma, pares sedentários promovem a inatividade.
3.3.2. Influência da família
A maioria dos hábitos são iniciados no seio familiar e, no que respeita aos hábitos de atividade física, os pais e irmãos podem ser de crucial importância (Duncan et al., 2002). Esta influência foi alvo de vários estudos internacionais que não foram concordantes quanto à influência mãe-filho/filha e pai-filho/filha. A realidade dos vários
países não se apresentou coincidente nem os estudos realizados em tempos diferentes, no mesmo país, obtiveram resultados congruentes (Seabra, 2008).
Os pais poderão ser agentes potenciadores ou inibidores da atividade física dos seus filhos quer de uma forma direta, quer de uma forma indireta. Não só constituem agentes moderadores pelo exemplo, como podem condicionar o acesso às atividades proporcionando ou limitando o acesso a equipamentos ou criando ou vedando condições facilitadoras da participação.
Também os irmãos parecem assumir um papel importante, sobretudo no sentido de uma associação positiva com a prática de atividade física. Um estudo de Wold e Andersen (1992), integrando jovens dos 11 aos 15 anos de idade, registou mesmo uma associação bastante significativa neste sentido. Os irmãos mais velhos, enquanto praticantes ativos de atividade física, funcionarão como modelos para aquisição do mesmo tipo de hábitos (Seabra, 2008).
3.4. DETERMINANTES PSICOLÓGICOS
É habitual a prática de atividade e exercício físico originar uma perceção de benefícios na saúde que poderá determinar a continuidade da prática. No entanto, muitas vezes sobrepõem-se a este fator a perceção de divertimento e bem-estar (Mota et al, 2002). O divertimento parece ser crucial para a motivação, sendo relevante para a diminuição do stress e ansiedade.
Alguns estudos apontam para que fatores como o divertimento, o prazer e a sensação de bem-estar se sobreponham a outras razões de carácter extrínseco como o estatuto e a influência de outros significantes (Weinberg et al, 2000).
Os jovens praticantes de atividade física manifestam-se mais frequentemente felizes, mais satisfeitos com o corpo, com melhor relacionamento interpessoal e, de uma forma geral, optam por hábitos e estilos de vida mais saudáveis. (Matos et al, 2016; Bartlewski et al, 1996.)
A perceção de autoeficácia é um dos mais importantes preditores do padrão de atividade física, sendo desenvolvida mais à frente.