5. FINDINGS AND ANALYSIS
5.2 Change and Innovation
5.2.1 Building Innovation Capacity
279 ROUQUAYROL, Maria Zélia. Epidemiologia & Saúde. 4.ed. Rio de Janeiro: Medsi, 1993.
280 Ministério da Saúde do Brasil e Organização Pan-Americana da Saúde. Doenças Relacionadas ao Trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília, 2001.
281 ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. Sensibilizando sobre el acoso psicológico en el trabajo: orientación para los prefesionales de La salud, tomadores de decisiones, gerentes, directores de recursos humanos, comunidad jurídica, sindicatos y trabajadores. Serie Protección de La Salud de los Trabajadores. n. 04. Milano, 2004.
O vocábulo Burnout é uma composição de burn, que significa queimar e out, que significa exterior ou por completo, sugerindo assim que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, significa, então, queimar-se pelo trabalho, ou seja, refere-se aos processos de esgotamento psicológico, vivenciados em relação ao trabalho.282
A Síndrome de Burnout também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional (CID-10: Z73.0), pode ser definida como uma das consequências mais marcantes do estresse profissional, e se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos. É, portanto, uma forma de sofrimento psíquico relacionada ao trabalho e enseja as mesmas alterações fisiopatológicas do estresse283. Sendo uma reação à tensão emocional crônica gerada pelo contato direto, excessivo e estressante com o trabalho, a síndrome leva o indivíduo a perder o interesse pelo trabalho, de modo que qualquer esforço pessoal pareça inútil. Essa síndrome – segundo alguns autores – se refere a um tipo de estresse ocupacional e institucional com predileção para profissionais que mantêm uma relação constante e direta com outras pessoas, principalmente quando esta atividade é considerada de ajuda (médicos, enfermeiros, professores). Entendemos, no entanto, que a síndrome de burnout não está visceralmente ligada a determinadas profissões que têm por sua natureza constitutiva o cuidado com outras pessoas que seus sintomas não são desencadeados pela natureza de pelo contato próximo com os seus usuários. O burnout é determinado pelo modo de gestão do trabalho, caracterizado por pouca ou nenhuma autonomia, sobrecarga de tarefas e insegurança em relação a estas, falta, instabilidade no emprego, sentimento de desmoralização no ambiente de trabalho, sentimento de injustiça, um controle quantitativo e qualitativo do trabalho, a falta de suporte da chefia e dos colegas, somados à predisposição intrínseca do indivíduo.284 Podemos então entender a síndrome como sendo um corolário de uma forma de organização do trabalho.285
A síndrome é caracterizada pela tríade de sintomas descritos por Cristina Maslach:286
282 SANTINI, Joarez. Síndrome do Esgotamento Profissional: Revisão Bibliográfica. In: Movimento. v. 10, n. 01, jan-abr. Porto Alegre, 2004. p. 183-209.
283 VIEIRA, Isabela; RAMOS, Andréia; MARTINS, Dulcéia; BUCASIO, Érika; BENEVIDES-PEREIRA, Ana Maria; FIGUEIRA, Ivan; JARDIM, Sílvia. Burnout na clínica psiquiátrica: relato de um caso. In: Revista de
Psiquiatria Clínica do Rio Grande do Sul. vol. 28 (3), set-dez/ 2006. p. 352-356.
284 Idem. Ibidem.
285 FREIRE, Paula Ariane. Assédio moral, Reestruturação Produtiva e Síndrome de Burnout em Docentes. In:
Revista Eletrônica do Portal dos Psicólogos. Universidade do Porto. Disponível em:
<http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0509.pdf>.
1) exaustão emocional, experimentada de início pelo indivíduo, que desenvolve atitudes e sentimentos negativos em relação aos usuários do serviço;
2) em seguida, sobrevém a despersonalização, que consiste em uma atitude de insensibilidade afetiva e cinismo em relação aos clientes/usuários do serviço;
3) por fim, o paciente manifesta sentimentos de falta de realização pessoal no trabalho, seguramente a principal característica da síndrome, diminuição do envolvimento pessoal no trabalho devido a um sentimento de diminuição de competência e de sucesso no trabalho.
A síndrome de burnout, portanto, é um construto recente em saúde mental. Não se trata ainda de uma síndrome clínica e sim de um diagnóstico de situação laboral, como é classificada pela CID-10. O fator determinante parece ser a incapacidade de o trabalhador atingir um ideal, ou seja de atingir as metas estipuladas pela organização do trabalho.287
É mister a distinção entre burnout e outros tipos de estresse. A síndrome de burnout é uma reação ao estresse laboral crônico que se manifesta por meio de atitudes e condutas negativas em relação aos clientes e usuários dos serviços e também à própria organização do trabalho. É uma síndrome que traz prejuízos emocionais e econômicos ao trabalhador e à empresa. O estresse no trabalho pode ser caracterizado por agentes estressores diversos, como características pessoais do indivíduo (personalidade do indivíduo, modos de reação ao estresse, situação socioeconômica, etc.); sinais e sintomas (físicos, psicológicos, comportamentais, fisiológicos), dentre outros. Rocha et al classifica os sinais e sintomas do estresse em: sentimentos: ansiedade, medo, preocupação, irritabilidade, instabilidade e depressão; pensamentos: diminuição da autoestima, dificuldade de concentração, falhas na memória; comportamentais: dificuldades na fala ou discurso, comportamento impulsivo, choro repentino, aumento ou diminuição do apetite, aumento do consumo de tabaco e drogas em geral, bruxismo (ranger dentes), dificuldade ou incapacidade para relaxar, etc..; fisiológicos: transpiração, taquicardia, tiques, fadiga, poliúria (necessidade frequente de urinar), insônia, diarreia, indigestão, dores de cabeça, diminuição da libido, tonturas, diminuição da imunidade, dores no pescoço e nas costas288. Sendo assim, claro está que o trabalho pode ser fonte de estresse e, portanto, considerável fator de risco para o alcoolismo.
287 VIEIRA, Isabela; RAMOS, Andréia; MARTINS, Dulcéia; BUCASIO, Érika; BENEVIDES-PEREIRA, Ana Maria; FIGUEIRA, Ivan; JARDIM, Sílvia. Burnout na clínica psiquiátrica: relato de um caso. In: Revista de
Psiquiatria Clínica do Rio Grande do Sul. vol. 28 (3), set-dez/ 2006. p. 352-356.
288 ROCHA, Lis Esther; GLIMA, Débora Miriam Raab. Distúrbios Psíquicos Relacionados ao Trabalho. In: FERREIRA JÚNIOR, Mario. Saúde no trabalho: temas básicos para o profissional que cuida da saúde dos trabalhadores. São Paulo: Rocca, 2000. p. 331.