5. FINDINGS AND ANALYSIS
5.1 Open Innovation Output
5.1.1 The role of EcoCo
Na sociedade hodierna, o trabalho medeia a integração social, sendo fundamental para a construção da subjetividade e, consequentemente, na saúde física e psíquica das pessoas.
O trabalho contribui para o processo de adoecimento dos indivíduos por vários fatores, desde fatores singulares como a exposição a elementos tóxicos, até os mais complexos como os relacionados à organização do trabalho, como a divisão de tarefas, políticas de gestão de pessoas e hierarquia organizacional. Do mesmo modo que as atividades constitutivas do ato de trabalhar podem afetar o corpo de trabalhador, causando lesões anátomo-fisiológicas, as situações de trabalho patogênicas podem desencadear reações psíquicas e processos
237 PARRA, Manuel. Conceptos básicos en salud laboral. Santiago: Oficina Internacional del Trabajo, 2003. 238 Idem. Ibidem.
psicopatológicos, direitamente relacionados às condições de trabalho às quais estão submetidos os trabalhadores.239
O trabalho requer um grande investimento afetivo, além de ter lugar de destaque na vida das pessoas, pois é fonte de subsistência e de posição social. Por isso, a falta de trabalho ou mesmo as ameaças de perda de emprego – insculpidas pela possibilidade de substituição iminente do empregado, na lógica fordista – geram sofrimento psíquico, além de abalar o valor subjetivo que a pessoa se atribui, gerando sentimentos de angústia, insegurança, desânimo e desespero. Isso pode caracterizar quadros depressivos e/ou ansiosos.240
Diante do trabalho, os indivíduos logram ter acesso a uma série de questões favoráveis para a manutenção de um bom estado de saúde. Uma comunidade ou um país melhoram seu nível de saúde a partir do momento em que asseguram que todas as pessoas em condições de trabalhar possam ter acesso a um emprego que satisfaça não apenas suas necessidades econômicas básicas, mas que também preencha outros aspectos positivos do trabalho.241
3.2.1 Trabalho e adoecimento
As condições sociais e materiais em que se realiza o trabalho podem afetar o estado de bem-estar das pessoas de forma negativa. Os danos à saúde mais evidentes e visíveis são os acidentes de trabalho. De igual importância são as doenças profissionais, ainda que se saiba menos sobre elas. Os danos à saúde causados pelo trabalho resultam da combinação de diversos fatores e mecanismos.
Existe um risco intrínseco de materiais, máquinas e ferramentas, que podem ser muito pesadas ou de grande volume. Exemplo disso são as superfícies cortantes e irregulares, a complexidade de máquinas e ferramentas, o que pode tornar muito difícil seu manejo. Também influem as características físico-químicas de máquinas e ferramentas e as formas de energia utilizadas. Os pisos úmidos, escorregadios e/ou em mal estado, locais mal iluminados, ausência de normas de trabalho seguro; falta de elementos de proteção pessoal e de maquinaria segura ou em bom estado, são fatores de risco que geram grande número de
239 Ministério da Saúde do Brasil e Organização Pan-Americana da Saúde. Doenças Relacionadas ao Trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília, 2001.
240 Idem. Ibidem.
acidentes. As características de temperatura, umidade, ventilação, composição do ar ambiental, etc. são fatores que influenciam na gênese de acidentes e doenças.242
Ao conjunto de fatores a que nos referimos aqui, os denominaremos de fatores materiais de risco, porque dependem de características materiais do trabalho e independem das pessoas que utilizam os elementos de trabalho. No entanto, são os seres humanos que aportam um conjunto de fatores que denominamos fatores sociais de risco. Dentre esses fatores, consideramos os aspectos individuais de cada pessoa, como, por exemplo, o quanto aprenderam e quão capazes são de aplicar adequadamente esses conhecimentos para realizar seu trabalho, o que podemos definir como qualificação, idade, sexo, sua atitude em relação ao trabalho, bem como sua atitude frente ao risco.
Outro aspecto que se determina na relação com outras pessoas, o denominamos risco dependente da organização do trabalho e das relaciones laborais.
Fatores da organização do trabalho podem determinar o dano à saúde. Uma jornada extensa ou um ritmo acelerado podem acarretar fadiga ao trabalhador, que se vê, desse modo, exposto a uma maior probabilidade de acidentar-se. Os excessivos níveis de supervisão e vigilância podem terminar por desconcentrar o trabalhador de sua tarefa. Outro fator importante é a clareza das ordens de trabalho e a coerência entre os diferentes níveis hierárquicos.243
Um trabalho intenso demanda maior esforço respiratório que implica maior probabilidade de aspirar substâncias tóxicas. O horário em que se desenvolve a jornada influi também nas capacidades de resposta a eventos imprevistos e de tolerância a agentes nocivos. Nas relaciones de trabalho, um fator determinante pode ser a forma e o nível de salários. O salário por tarefa ou por peça é um fator importante de acidentes de trabalho em muitas oficinas. Os baixos salários produzem insatisfação e pouca adesão ao trabalho, e, além de desmotivar o trabalhador, levando-o a descumprir as normas, induzem o trabalhador a prolongar sua jornada em horas extra que lhe causam fadiga e menor capacidade de resposta a eventualidades. Ademais, limitam seu aceso a bens que mantém ou melhoram sua saúde.244
Como se vê, existem muitas condições pelas quais o trabalho pode afetar negativamente a saúde, não somente produzindo acidentes de trabalho e doenças profissionais. Sem embargo, o balizamento jurídico constituído para proteger a saúde laboral geralmente só considera estas duas formas de dano.
242 PARRA, Manuel. Conceptos básicos en salud laboral. Santiago: Oficina Internacional del Trabajo, 2003. 243 Idem. Ibidem.
O trabalho pode agravar problemas de saúde. O trabalho também pode agravar um problema de saúde previamente existente. Existem muitas doenças causadas por mais de um agente direto.245
As denominadas “doenças comuns” muitas vezes têm uma causa direta no trabalho. A questão que, se analisa com precisão, pode aplicar-se a grande maioria de patologias no adulto, em que reconhecem fatores ambientais. Neste campo da saúde laboral é necessário desenvolver e pesquisas que logrem precisar os mecanismos causais e as relações entre trabalho e saúde física e mental. Outra forma de dano importante é a aparição de mal-estares persistentes que, ainda que não se constituam precisamente numa doença, alteram consideravelmente o estado de bem-estar do sujeito. Por exemplo, dores de cabeça depois de trabalhar em ambientes mal ventilados ou com pouca luminosidade, a vista cansada, a fatiga muscular. Ao longo do tempo, esses mal-estares crônicos vão limitando as capacidades de tolerância, de resposta e até mesmo de trabalho e é provável que o desgaste que trazem consigo implique numa redução das expectativas de vida. O mesmo se pode dizer quanto a possibilidade de contar com uma alimentação adequada ou com tempo para recreação.246