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Building on The Foundation

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5. Building on The Foundation

Como atividade de integração, a professora iniciou, neste dia, distribuindo um saco plástico transparente para cada participante. Eles deveriam enchê-lo de ar até ficar num formato arredondado, para melhor manipulação, dando um nó em sua abertura. Os participantes começaram a se deslocar pela sala ao som da música familiarizando-se

com o material, conforme sua solicitação: “O nome da atividade de hoje é quatro comandos. Inicialmente, quero que vocês, depois de encher o saco plástico e fechá-lo, comecem a manipular esse material sentindo sua textura, passando pelas partes do corpo, se deslocando verificando as várias possibilidades de se movimentar com esse material. Não esqueçam que existem os três planos a serem explorados (alto, médio e baixo). Vou colocar uma música( The best of Carpinters -CD-F-2 / Carpinters/ “Please Mr. Postman) quando eu tirá-la, vou dizer um número que corresponderá à execução de um movimento, por exemplo, o comando nº 1- corresponde a realizar um movimento, com alguém, comando nº 2- fazer um movimento no plano baixo, comando nº 3- corresponde a ficar em uma posição de equilíbrio e o comando nº 4- dar um salto. Gravem estes comandos que serão correspondentes ao número que eu dizer. Não esqueçam que todos devem ser realizados com o materiais que vocês têm na mão, tá certo?”. A atividade iniciou e todos realizaram movimentos livres com o material dado, tais como, deslocamentos de frente, de costas, na ponta dos pés e de várias outras formas como de joelhos elevados, dando saltos, caminhando forte, no chão, explorando o material no corpo. A atividade evidenciou claramente o diálogo e as elaborações do corpo vivido e pensante, deparando-se assim com a proposta de atividades desenvolvidas pelo profissional Personal Dance, explanadas por Gariba et al. (2007,p. 146). Os depoimentos colhidos em entrevistas pelos pesquisadores mostraram que o trabalho corporal desenvolvido permitiu a criação de:

[...] um espaço formidável às manifestações do corpo como um todo, com os conteúdos da vida psíquica, das expressões, dos sentimentos da vida ativa. Essa ligação com a vida, essa integração do corpo e da alma permitiu aos colaboradores reconhecer que existe um valioso ser dentro de cada um

Esse diálogo estabeleceu-se a partir do ato de percepção, ou seja, a capacidade de se dar conta de um objeto presente num determinado tempo e espaço e também como a consciência pode captar a realidade. Depois de uns 10 minutos da realização da primeira atividade, a professora disse para todos prestarem atenção que a atividade dos quatro comandos seria iniciada. A música iniciou e todos começaram a dançar no ritmo com seu material, de repente a música parou e a professora deu o comendo, nº3-todos deveriam rapidamente ficar em posição de

equilíbrio, em seguida a música seguiu e novamente todos voltaram ao centro da sala retornaram a caminhar ao ritmo da música. A música parou novamente e a professora “brincou” com os comandos, variando as seqüências, dando intervalos mais longos, fazendo em forma seqüencial, rápida, lenta. Ela fez os participantes pensarem a que movimento correspondia o comando dado. Todos esses elementos descrevem bem o campo do movimento externo, no entanto a riqueza está na dinâmica interna que este provoca. Fazendo uma analogia com o campo organizacional, tem-se que se uma organização busca uma GC coerente, é fundamental promover mudanças internas. Afirma Chiavenato (2002): para que aconteça mudança externa é necessário haver mudança interna, muitas vezes na estrutura, nas redes das relações internas, na estrutura de seus órgãos componentes, na forma como são tocados os processos, e principalmente procurando e localizando os potenciais das pessoas nos locais certos, levando em consideração suas habilidades. Neste processo, o papel da atividade em questão pareceu fundamental quando ofereceu alternativas de práticas corporais na busca de englobar o ser humano na sua totalidade ( corpo e mente). Foi o que se observou nos depoimentos a seguir: “quando os comandos se misturaram de forma rápida tive que raciocinar também de forma rápida, me perdi um pouco”; outro:“é uma boa forma de trabalhar o raciocínio rápido e a visão periférica, porque ao mesmo tempo que a gente tem que pensar que movimento vem, tem que prestar atenção nas outras pessoas para não esbarrar, ou realizar o movimento em duplas e ainda prestar atenção no seu material”. Essa dinâmica de integração coaduna-se com a visão de autores como Patrício; Casagrande e Araújo (1999, p.40) ao considerar que no transcorrer da vida humana, observa- se um movimento intenso pela busca da satisfação pessoal. Para esses autores, esse processo implica uma busca da não fragmentação e mecanização da realidade humana, considerando o ser humano como uma unidade corpo e mente, conforme comentado em depoimento “a atenção me prendeu o tempo todo, mas, sem estresse fiz tudo de forma muito divertida, foi muito bom isso!”.

No segundo momento da aula (duração 30 minutos) foi realizada uma atividade em trios, utilizando-se como material 4 m de plástico- bolha para cada grupo. A atividade obedeceu ao seguinte comando: “agora quero que vocês formem o seguinte, dois grupos de três e um de quatro, certo! Vou distribuir 4m de plástico-bolha para cada grupo e vocês vão criar formas diferenciadas de se descolar utilizando o material, sendo que pelo menos um dos membros do grupo deve ser carregado no ritmo da música. O ritmo da música utilizado foi The best

of Carpinters -CD-F-5/“There’s a Kind oh Rush”. “Depois de todos sentirem a sensação de se deslocar com o material, vocês vão realizar uma coreografia com esse material , utilizando os movimentos que foram realizados desde a primeira parte da nossa atividade de hoje, entenderam?”. A atividade transcorreu normalmente, entretanto foi importante verificar que esta voltou-se ao abandono do poder, já que nela preponderou o compartilhamento de idéias, o diálogo e a ajuda mútua, pois de acordo com Torquato (1992), quanto mais se compartilham idéias maior a possibilidade de se multiplicar. Assim, numa visão voltada à GC, saber não significa poder e sim compartilhamento, isso é o que afirmam Kulkki e Kosonen (2001). O desenvolvimento desses elementos (compartilhamento, diálogo e ajuda mútua), de acordo com Valentim (2006), potencializa o trabalho em equipe, além de anular atitudes e mentalidades voltadas à disputa de poder em relação a gestores que geralmente ainda trazem um perfil centralizador padronizado. O depoimento a seguir mostra isso: “nós gestores muitas vezes precisamos tomar decisões importantes e muitas vezes não exercitamos o compartilhamento disso, por falta de tempo e também muitas vezes por falta de exercitar isso! Então observei que as atividades que estamos realizando durante este trabalho de pesquisa, fazem com que a gente exercite esse compartilhamento, essas decisões a todo o momento, é claro que são situações lúdicas, divertidas ao nosso trabalho do dia a dia, mas que fazem a gente exercitar isso, de uma forma ou de outra”. A utilização de material conhecido (saco plástico e plástico-bolha), contudo utilizado de forma diversificada, permitiu que a criatividade e a ousadia permeassem todo o processo de construção corporal, criando-se espaços para novas sensações, ou seja, um corpo dialogando com outro corpo. Enfatiza-se isso em depoimento: “jamais eu iria imaginar que faria movimentos de dança utilizando um saco plástico, gente nem acredito, viajei durante a atividade e tentei criar um diálogo com o material que tinha na mão”.

Nos 5 minutos finais da atividade, depois das discussões em relação ao que foi realizado, a professora buscando um fechamento, elaborou com a turma a seguinte reflexão:“cada um é responsável por esse processo criativo como formador do coletivo na sua singularidade, se cada um fizer um pouquinho, culminará na transformação desejada, seja na vida pessoal, social e organizacional.Vejam! eu me apropriei de alguns conhecimentos organizacionais, que estão possibilitando uma elaboração não só para mim mas para vocês também, ou seja, no contexto coletivo”. Nessa discussão, refletiu-se sobre a busca constante de superar uma organização tradicional de aulas de dança já prontas e

formatadas, já que os participantes são ‘sujeitos’ desse processo de construção do conhecimento. Desmistificou-se também o papel do professor como detentor do conhecimento. Isso é importante quando se pretende dar um outro significado à dança.

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