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O aluno Antônio foi avaliado nos conselhos de classe em todos os anos do Ensino Fundamental como um exemplo de comportamento, apresentando motivação para aprender

em todas as disciplinas, sendo responsável e organizado, realizando sempre todas as tarefas propostas em sala e para casa, agindo com maturidade e educação. Na maioria das vezes, o aluno foi avaliado com conceito A em todos os conteúdos disciplinares. Em Matemática, especificamente, obteve conceito A no 7º e 9º anos e B no 8º ano.

Antônio participou de todas as atividades propostas na pesquisa, completando os cálculos e registros. Podemos dizer que o aluno tem motivação para aprender qualquer conteúdo, pois valoriza o aprendizado, sendo perseverante na busca do conhecimento, aplicando-se na realização das atividades, independentemente de gostar delas ou não.

Em sua entrevista, ao ser questionado sobre como foi sua relação com a Matemática ao longo da vida escolar, afirma:

“Um pouco difícil. (Rindo). Porque eu não gosto muito de Matemática. Eu tento lidar com ela, mas eu não gosto muito. Eu tento aprender corretamente, consigo entender, mas não é uma é coisa que eu prefiro, a matéria que eu prefiro”.

Sendo um aluno com motivação para aprender, Antônio manteve seu comportamento ou envolvimento nas atividades propostas, independentemente de estímulos externos. Sua conduta revela uma determinação em vencer desafios e aprender tudo o que está ao seu alcance, procurando um significado para a aprendizagem que vai além da afetividade em relação ao objeto de estudo.

A motivação desse aluno para aprender pode ser comprovada pela valorização que ele dá à aprendizagem, buscando ver a contribuição que o conhecimento adquirido pode ter no seu futuro.

“Ah... sempre eu sou assim. Sempre me interesso por tudo, tenho vontade de aprender qualquer coisa. Mesmo que seja uma coisa que eu não goste muito, tento aprender, até de uma coisa que eu não goste muito. No caso a Matemática... já que eu não gosto muito, muito, vou procurar entender a Matemática, do lado bom. Então o projeto ajudou nisso”.

Além da valorização da aprendizagem, que é um fator importante para a motivação, Antônio também apresenta outro componente motivacional, destacado por Weiner (1985 apud, MARTINI e BORUCHOVITCH, 2004): o aluno atribui como causa do seu fracasso ou sucesso o seu próprio empenho.

Segundo o autor, um aluno será mais motivado a vencer desafios e enfrentar situações de fracasso em determinado conteúdo, quando atribui esse resultado ao seu esforço. Na entrevista, ao responder sobre a causa do seu sucesso ou fracasso em relação à Matemática, Antônio afirma:

“O próprio empenho e dedicação. Porque se eu dedicasse um pouco mais, procurasse saber um pouco mais, poderia ter conseguido. É a vontade de estudar mesmo, de seguir, de estudar mesmo. De fazer... a ... os exercícios propostos... a. .. os conteúdos”.

Porque acredita que tem o controle sobre sua aprendizagem, o aluno sente que pode mudar os resultados desfavoráveis, mantendo uma crença de autoeficácia elevada. Nas atividades em grupo, o aluno sempre tomava a liderança, trazendo para si a responsabilidade dos cálculos e registros.

Para Antônio, a manipulação dos materiais e a construção dos objetos nas atividades propostas deram um significado diferente ao conteúdo, tornando as aulas mais dinâmicas, divertidas e interessantes, porém, sua motivação não se deve a isso especificamente: “Eu acho que não teve atividade que mais me motivou, assim. Acho que todas me motivaram, pelo interesse mesmo em aprender, conseguir fazer o que tava proposto pra aquela atividade.

Antônio sempre aparece nas filmagens concentrado na realização das atividades, sem se dispersar com brincadeiras, ajudando os colegas com mais dificuldade, como mostram as figuras a seguir.

No trabalho de monitoria, orientou um grupo de colegas, ensinando-lhes o conteúdo, e foi avaliado no questionário respondido por eles como um monitor que “sente firmeza em suas escolhas e é dedicado” (Dani), “atencioso e bom para ensinar” (Tari), “paciente, porque mesmo nós não entendendo ele explicava de novo” (Nilo).

Para Antônio, “foi uma experiência ótima, poder tomar a frente e ensinar alguma coisa para alguém. É muito gratificante” e que o deixou “animado”, pois “pude demonstrar minha sabedoria no assunto”.

Embora considerando ser mais fácil aprender a calcular área e volume já tendo as fórmulas prontas, afirmou que as atividades realizadas na pesquisa foram melhores para aprender e entender o conteúdo do que somente a resolução de exercícios sem a presença da manipulação.

Segundo ele, “facilitou demais porque na sala de aula você tenta compreender. Lá você conseguiu aprender a fórmula... de uma forma diferente como calcular a área.. é... calcular a área de... e o volume” (entrevista).

A constância desse aluno durante todo o processo e a motivação para aprender apresentada, buscando tirar dúvidas e realizar as atividades de forma completa e correta, refletiu em sua avaliação da aprendizagem, obtendo nota máxima na prova de conhecimento.

O fato de o aluno se empenhar em transmitir o conhecimento adquirido, ensinando os colegas durante o trabalho de monitoria, também pode ser um fator que o ajudou a fixar os conceitos e fórmulas de cálculo trabalhadas, consolidando a aprendizagem do conteúdo.

Figura 55- Antônio ajudando o colega Figura 56 – Aluno Antônio ajudando o durante o jogo colega na atividade 5

Segundo Smole e Diniz (2001), através do diálogo proporcionado na atividade em grupo, os alunos expõem seus conhecimentos, trocam experiências e tomam consciência daquilo que sabem e do que ainda precisam aprender.

Como monitor, o aluno Antônio precisou verbalizar seus conhecimentos para explicar aos colegas como resolver as atividades e procurou a professora algumas vezes para tirar suas dúvidas, confirmando se seu raciocínio estava correto.

Isso confirma o que vários autores têm defendido. Para Smole e Diniz (2001), a comunicação oral, nesse caso proporcionada pelo trabalho de monitoria, favorece a aprendizagem, pois os alunos se sentem mais confiantes, sem medo de expor o que pensam, sem restrições para expressar suas ideias e conhecimentos. Esse processo pode favorecer tanto o aluno monitor, quanto os colegas que foram por ele orientados.