No presente ponto deste estudo são apresentados os resultados tendo em conta o nível de escolaridade detido pelos inquiridos, anterior à frequência do curso de educação e formação de adultos no qual se encontravam.
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Tipos de Motivos que Conduzem a População à Frequência de Formação, consoante o seu Nível de Escolaridade anterior à
Frequência da Formação
Gráfico 18 – Tipos de motivos que conduzem a população à frequência de formação, consoante o seu nível de
escolaridade anterior à frequência da formação.
O Gráfico 18 evidencia que existe um perfil semelhante de motivações relativamente aos três conjuntos de sujeitos considerados, a saber, detentores do 9.º, 10.º e 11.º anos de escolaridade. Os perfis, para cada um destes conjuntos, são muito semelhantes, o que leva a concluir que existe congruência ao nível das motivações que orientam a procura da formação, independentemente da formação inicialmente obtida.
Para os indivíduos com o 9.º ano de escolaridade (linha azul do Gráfico 18), a análise ao gráfico apresentado demonstra que, quanto ao motivo para a frequência de formação, a tendência motivacional é muito harmónica. Os Motivos Epistémico e Sócio-Afectivo apresentam valores médios de resposta semelhantes (média de 2,96 e de 3,02, respectivamente). Verifica-se, depois, uma ligeira descida no Motivo Hedónico (média de 2,91), seguida de uma, também ligeira, subida no Motivo Económico (média de 3,03). Posteriormente, constata-se uma acentuada descida no Motivo Prescrito (média de 2,31), sendo este o motivo que regista o valor médio de respostas mais baixo, ou seja, aquele que foi apontado pelos sujeitos com o 9º ano de escolaridade como o menos importante para a frequência de formação. Depois, as médias observadas registam uma forte subida nos Motivos Derivativo (média de 2,66) e Operacional Profissional (média de 3,23). Após esta subida, no
Motivo Operacional Pessoal observa-se um ligeiro decréscimo no índice de motivação, (média de 3,01), sendo que, posteriormente, a linha do gráfico mantém uma orientação constante, no Motivo Identitário (média de 3,01). Por fim, observa-se, novamente, um aumento no nível de motivação no Motivo Vocacional (média de 3,31), sendo que este motivo registou a média mais elevada nas respostas dadas por deste grupo.
Por sua vez, no que se refere aos sujeitos que anteriormente à formação detinham o 10.º ano de escolaridade (linha verde no Gráfico 18), constatam-se os seguintes valores médios nas respostas dadas: Motivo Epistémico, média de 2,85, Motivo Sócio-Afectivo, média de 2,56; Motivo Hedónico, média de 2,85. Verifica-se, depois, uma acentuada descida, nos Motivos Económico (média de 2,42) e Prescrito (média de 2,27), tendo este último registado o valor médio de respostas mais baixo neste grupo de sujeitos, o que significa que é aquele que menos influi na sua motivação para a frequência de formação. Os Motivos Derivativo (média de 2,58) e Operacional Profissional (média de 2,86), mostram-se mais importantes do que anteriores, registando-se novamente uma descida na média observada no Motivo Operacional Pessoal (média de 2,67). O Motivo Identitário, com uma média de 3,08, constitui-se como o mais importante para a frequência de formação para os sujeitos que detinham o 10.º ano de escolaridade. Por fim, o perfil motivacional para este conjunto de sujeitos decresce no Motivo Vocacional, revelando um valor médio de respostas de 2,63.
Passamos à apresentação do grupo que integra os sujeitos da amostra detentores do 11.º ano de escolaridade (linha laranja do Gráfico 18). Apresenta como motivação mais elevada motivos de natureza Epistémico (média de 3,32); o Motivo Sócio-Afectivo apresenta uma média de 2,97, seguida de uma pequena subida no Motivo Hedónico (média de 3,02) e, posteriormente, de uma acentuada descida, nos Motivos Económico (média de 2,54) e Prescrito (média de 2,41). Este último motivo foi aquele que registou o valor médio de respostas mais baixo, o que leva a crer tratar-se do motivo que menos influência a frequência de formação pelos sujeitos com o nível de escolaridade mais elevado. Posteriormente, constata-se uma acentuada subida no Motivo Derivativo (média de 2,85), seguida de uma orientação constante, em que as médias pouco diferem, para os Motivos Operacional Profissional e Operacional Pessoal (médias de 2,94 e 2,91). Os Motivos Identitário (média de 3,04) e Vocacional (média de 3,13), voltam a surgir como motivações que influenciam fortemente a opção para formação deste conjunto de sujeitos.
A análise do Gráfico 19, que discrimina, item a item, as médias de respostas dadas por estes grupos de sujeitos, é similar ao que já havia acontecido anteriormente nas análises dos Gráficos 12 e 17, verificando-se, contudo, algumas diferenças interessantes em relação aos motivos referidos no QMF, considerando o nível de escolaridade detido anteriormente à frequência da formação pelos indivíduos participantes no estudo.
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Formação, consoante o seu Nível de Escolaridade anterior à Frequência da Formação
Gráfico 19 – Itens de motivação que conduzem a população adulta à formação, consoante o seu nível de
escolaridade anterior à frequência da formação.
Mediante a análise ao Gráfico 19 é possível verificar que as linhas de distribuição das respostas dadas pelos sujeitos registam uma organização semelhante, embora a análise motivo a motivo permita concluir que o grupo de sujeitos com o 10.º ano de escolaridade apresenta um perfil com valores médios de resposta globalmente mais baixos.
O Gráfico 19 revela, ainda, quais os itens considerados mais importantes pelos sujeitos do estudo, considerando cada um dos conjuntos de respondentes que neste ponto estamos a apresentar.
O grupo com o 9.º ano de escolaridade (linha verde do Gráfico 19) referiu como mais importantes para a frequência de formação o item 4, “Enriquecer o meu curriculum vitae”, com uma média de 3,61, o item 5, “Melhorar o desempenho no meu trabalho”, que regista
apontados, também, itens que, embora com valores médios de resposta superiores a 2,00, influenciam pouco a frequência de formação. É o caso do item 33, “Obter ganhos materiais ao longo do desenvolvimento e da formação”, com uma média de 2,29, do item 20, “Acatar as regras da organização”, média de 2,41, e item 10, “Esquecer-me de situações desagradáveis da minha vida pessoal”, que regista uma média de 2,20. Por outro lado, para este grupo, o motivo que menos pesa para a frequência de formação, e onde se regista um valor médio de resposta inferior a 2, é o item 12, “Corresponder à sugestão de um familiar”, onde se observa uma média de 1,85.
Para os sujeitos com o 10.º ano de escolaridade (linha roxa do Gráfico 19), à semelhança do havia acontecido nas respostas dos inquiridos com o 9.º ano de escolaridade, os itens mais importantes para a frequência de formação, são o item 4, média de 3,58, o item 5, média de 3,25, e o item 28, média de 3,25. Este grupo de sujeitos, tal como o anterior, refere, também, a existência de itens que influenciam pouco a frequência de formação. Existem, desde logo, médias de respostas que se situam abaixo do limiar mínimo de concordância, ou seja, que registam valores inferiores a 2,00, nomeadamente nos itens 12 (média de 1,85), 24 (“Seguir os conselhos dos meus familiares”, média de 1,88), e 10 (média de 1,58). Os sujeitos deste grupo referem, ainda, outros motivos que, embora tenham um valor médio de respostas igual ou superior a 2,00, exercem pouca influência na frequência de formação. São eles os itens 2 (“Ter o prazer de utilizar equipamentos diferentes do habitual”, média de 2,17), 19 (“Fugir à rotina diária”, média de 2,00), e 34 (“Sair do contexto habitual de trabalho”, média de 2,08).
Por sua vez, os inquiridos com o 11.º ano de escolaridade (linha laranja do Gráfico 19) referiram como importantes para a frequência de formação os itens 4 (média de 3,88), 5 (média de 3,50), 32 (“Aprender pelo prazer de aprender”) e 38 (“Ter o prazer de aprender coisas novas”), ambos com média de 3,50. Por outro lado, estes sujeitos mencionam a existência de motivações que influenciam pouco a sua frequência de formação, nomeadamente as que são referidas nos itens 12 (média de 2,25), 24 (média de 2,00) e 10 (média de 2,00).
As maiores discrepâncias que o Gráfico 19 evidencia são as que passamos a enumerar. No Motivo Epistémico, regista-se um elevado valor pelo grupo do 11.º ano de escolaridade face aos outros dois grupos (itens 32, com uma diferença de 0,74 relativamente ao grupo do 9.º ano e uma diferença de 0,67 face ao grupo do 10.º ano; e item 38, com uma diferença de 0,33 em relação ao grupo do 9.º ano e uma diferença de 0,58 quanto ao grupo do 10.º ano); no
Motivo Sócio-Afectivo, observa-se uma média muito baixa no grupo do 10.º ano de escolaridade, em comparação com os outros dois grupos (item 40, com uma diferença de 0,54 em relação ao grupo do 9.º ano e uma diferença de 0,67 relativamente ao grupo do 11.º ano); no Motivo Hedónico, consta-se um valor muito baixo no grupo do 10.º ano de escolaridade, em comparação com os outros dois grupos (item 2, com uma diferença de 0,68 face ao grupo do 9.º ano e uma diferença de 0,58 relativamente ao grupo do 11.º ano); no Motivo Económico, o grupo do 11.º ano de escolaridade apresenta uma média muito baixa face aos outros dois grupos (item 15, com uma diferença de 0,39 em relação ao grupo do 9.º ano e uma diferença de 0,45 relativamente ao grupo do 10.º ano); no Motivo Vocacional regista-se um valor elevado no grupo do 9.º ano de escolaridade em relação aos outros dois grupos (item 17, com uma diferença de 0,57 em relação ao grupo do 10.º ano e uma diferença de 0,24 relativamente ao grupo do 11.º ano).