A experiência do governo federal brasileiro não evidencia a eficiência do planejamento regional como recurso para o desenvolvimento das regiões. Entretanto, outros países, de acordo com GOMES (1997), como a China, e até mesmo a União Européia, foram bastante felizes na execução de planos regionais de desenvolvimento.
3.1.3.1 O Planejamento Regional na China
O processo da abertura econômica administrada na China após 1979 acentuou os graves problemas de infra-estrutura que o país possuía. Como solução, o governo chinês estimulou investimentos privados em locais que tinham grande potencial de crescimento, via ganhos de produtividade ou com o comércio internacional.
O governo chinês criou as chamadas Zonas Econômicas Especiais (ZEE), com a finalidade de atrair investimento externo e, com isso, estimular o surgimento de empresas chinesas para abastecer as empresas multinacionais que viessem a se instalar nessas zonas. O desenvolvimento tecnológico mundial influenciou diretamente na política regional chinesa, que passou a tratar as Zonas Econômicas Especiais como Zonas de Desenvolvimento Tecnológico (ZDT), uma vez que as empresas ali instaladas deveriam desenvolver e absorver a tecnologia local.
Em 2006, existiam 54 zonas em todo o território chinês, estando enquadradas em: Zonas de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico (ETDZ), ou de Desenvolvimento Industrial de Alta-Tecnologia (HITZ), ou de Processamento de Exportação (ZPE), ou de Cooperação Econômica Fronteiriças (BECZ), ou de Livre Comércio (FTZ), além de Pólos Turísticos (THR) e Zonas de Investimento Taiwanês (TIZ).
A china foi dividida de acordo com as vantagens comparativas de cada região, segundo estudo realizado pela CEDEPLAR (2001, pág. 4) :
A região costeira seria responsável pela industrialização, pelo investimento estrangeiro e pelo comércio internacional; a região central seria responsável pela produção agrícola e energética e; a região oeste pela pecuária e mineração. (CEDEPLAR, 2001, pág. 4)
Mesmo contemplando todas as regiões no seu processo de planejamento regional, a China vem enfrentando problemas com as disparidades regionais, que estão sendo contornadas com uma maior facilidade para entrada de capital estrangeiro nas regiões mais atrasadas, além da redução de impostos e investimento estatal, que estão resultando na criação de novos pólos e desenvolvimento da infra-estrutura.
O caso Chinês nos mostra que as estratégias de desenvolvimento regional precisam estar conectadas a estratégia de desenvolvimento nacional, além da importância de desenvolver instituições locais, com a intenção de articular um modelo para o desenvolvimento.
3.1.3.2 O Planejamento Regional na União Européia
A ampla experiência em planejamento Regional da Europa, em especial Itália e França, forneceu subsídios suficientes para a criação de um Fundo Multilateral para o desenvolvimento das regiões atrasadas de paises pertencentes ao que conhecemos hoje por
União Européia (UE). Em 1975 foi criado o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), com a missão de fomentar as políticas de desenvolvimento regional.
A principal meta desse fundo é amenizar os impactos da adoção de uma mesma política macroeconômica no bloco, visto a diversidade das economias que compõem a UE.
Os principais problemas das regiões em atraso da União Européia, são:
1. A ausência de infra-estrutura apropriada ao desenvolvimento; 2. O baixo nível de capital humano, seja o educacional ou o técnico;
3. A forte dependência de atividades de baixo valor agregado, ou de setores da industria que se encontram decadentes;
4. A falta de uma cultura empresarial, que acarreta em poucas pequenas e médias empresas e da interação, das existentes, com as grandes empresas;
5. A baixa capacidade de inovação;
6. A baixa capacidade do setor público em apresentar soluções para o desenvolvimento regional.
A política de desenvolvimento regional da UE passou a se estruturar da seguinte forma: 1) política de coesão socioeconômica, por meio da transferência de recursos para regiões mais pobres; 2) Programas e ações de estímulo à iniciativa local; 3) Política tecnológica voltada à inovação; 4) Investimento em infra-estrutura, com destaque para a logística, em decorrência da integração continental.
O FEDER não contemplava todos os objetivos da política de desenvolvimento regional, ocasionando a criação de novos fundos, além da sua própria readequação. Os fundos são:
1. FEDER: Apoiando os investimentos em produção, infra-estrutura e criação de pequenas e médias empresas;
2. FEOGAP (Fundo Europeu de Orientação e Garantia da Agricultura e Pecuária): Com a missão de reestruturar o setor agrícola e promover o desenvolvimento rural.
3. FSE (Fundo Social Europeu): Com vistas à promoção de empregos;
4. Fundo de Coesão: Destinado à construção de infra-estrutura em países atrasados 5. Instrumento Financeiro de Orientação das Pescas: Fundo semelhante ao FEOGAP,
Com isso, a União Européia vem tendo sucesso na sua política de planejamento regional, pois a forte descentralização administrativa está promovendo o desenvolvimento das regiões economicamente atrasadas, reestruturando as regiões onde a atividade econômica era decadente, combatendo o desemprego e qualificando a mão de obra. Além de mecanizar e modernizar a atividade agrícola e pesqueira sem causar êxodo, em razão do estimulo a criação de pequenas e médias empresas nas áreas onde, antes, a atividade agrícola era predominante. Segundo SILVA (2000, pág. 143):
Uma política de desenvolvimento regional [...] deve buscar o estabelecimento de igualdade de condições entre as regiões na concorrência por investimentos. Dessa forma, seu foco deve estar na criação de vantagens competitivas regionais sustentáveis, através de investimento em infra-estrutura, capital humano e capacitações empresariais e tecnológicas, devendo coibir instrumentos de concorrência desleal entre as regiões, que, além de não gerarem vantagens sustentáveis, ainda comprometem a eficiência de uma política estrutural na medida em que apenas estimulam a migração de investimentos produtivos de uma região para outra. (SILVA, 2000, pág. 143)
Conseguindo resolver os problemas estruturais das regiões e induzindo a criação de pequenas e médias empresas com a meta de criar uma dinâmica econômica, a política de planejamento regional da UE volta-se para a promoção de programas voltados a educação, treinamento e emprego, além de contemplar localidades, ou alguns focos, que ainda não convergiram com o desenvolvimento da UE.