3. Resultater
3.3 Resultater fra dybdeintervjuene
3.3.1 Bruk av naturmidler og kosttilskudd
O processo de resistência em Conceição do Mato Dentro iniciou-se com os primeiros anúncios do empreendimento. Avalia Becker (2009, p. 340) que começou desde outubro de 2006, quando se veiculou nos jornais de grande circulação no estado de Minas Gerais a notícia do retorno da mineração na região de CMD. Esta passou a ser o foco das discussões públicas na cidade.
Becker (2009, p. 342) comenta sobre a primeira reação de um pequeno grupo de conceicionenses ligado à produção artística e cultural da cidade, com a produção e distribuição de um adesivo com o slogan “Eu sou Conceição sem mineração”.
A Entrevistada G, atingida, moradora da comunidade Água Quente Passa Sete, falando sobre o início do movimento de resistência, o qual avalia que foi muito maior do que é hoje, também relembra que:
[...] eu me lembro de um adesivo, que várias pessoas bairristas de Conceição, todo mundo pregou no carro, que era "Conceição sem mineração" ou "Quero Conceição sem mineração"... Era um slogan que circulou com muita adesão. Muita gente comprou esse adesivo e colou no carro. Isso antes de tudo. Mas muitas pessoas só colocaram isso no carro, e aí em determinado momento do processo, assim que elas tiveram suas casas alugadas, elas tiraram aquilo do carro. Mas no primeiro momento houve uma resistência muito maior do que há atualmente... (ENTREVISTADA G, informação verbal)
Ante a falta de informações precisas e de conhecimento sobre o tema da mineração, Becker (2009) menciona ainda o processo de criação, em dezembro de 2006, do Fórum Municipal de Desenvolvimento Sustentável de Conceição do Mato Dentro (FórumCMD), formado por cidadãos, ONGs, poder público municipal, entre outros, “com o objetivo de mobilizar a comunidade para conhecer os empreendimentos que chegavam à região e opinar sobre o novo uso que se estava propondo para a capital mineira do ecoturismo” (BECKER, 2009, p. 340-341). Tal espaço era articulado tanto de forma presencial como virtual.
O início do processo de resistência foi marcado ainda pela presença de alguns protagonistas do movimento ambientalista ampliado de CMD, envolvidos no processo de criação da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, como destaca Becker (2009, p. 342).
Segundo avalia a autora, o grupo tinha o objetivo de sensibilizar as autoridades e a comunidade mineira quanto aos impactos socioambientais que um empreendimento daquela natureza causaria ao processo de preservação ambiental empreendido nos últimos quinze anos pelos vários atores envolvidos, com a participação do Estado. Nesse sentido, trabalhou no documentário “Águas do Espinhaço — Riquezas da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço” produzido pela France
Libertés com o apoio da PUC Minas, do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da
Serra do Espinhaço, da SAT e da Federação das Indústrias de Minas Gerais.96
Em 2007, houve a realização de um seminário sobre desenvolvimento sustentável local e regional, no qual os temas mineração e turismo foram o foco das reflexões. O seminário foi realizado por integrantes do FórumCMD, nos dias 7 e 8 de junho de 2007, com participação de acadêmicos, membros do poder público e
96
Segundo a autora, o documentário foi exibido no dia 27 de março de 2007 na sede da FIEMG, com o apoio do Sistema Estadual de Meio Ambiente (SISEMA).
profissionais da área de mineração.
Becker (2009, p. 343-344) destaca que, embora fizesse parte do FórumCMD, não participou do referido seminário o Secretário Municipal de Meio Ambiente e Turismo que, a convite do Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (SINDIEXTRA), viajou para conhecer uma região da Alemanha que apresentava “as mesmas características da região foco do projeto Minas-Rio”.
A autora comenta ainda que, com sua volta da Alemanha, o Secretário anunciou seu desejo de acabar com o FórumCMD e criar um outro grupo para trabalhar objetivamente as propostas de compensação ambiental, uma vez que, para ele, o projeto Minas-Rio seria licenciado. Nesse momento, criou-se, em 17 de novembro de 2007, o Comitê Conceição Sustentável e iniciou-se a clara tensão entre os dois grupos (BECKER, 2009, p. 350-351).
O FórumCMD seguiu na função de produzir documentos, vídeos97, promover debates, requerer audiências públicas. Inclusive o referido Fórum em conjunto com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Prefeitura Municipal de Conceição do Mato Dentro e o Sindicato de Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais – SINDIEXTRA foram responsáveis por requerer a realização das audiências públicas para a discussão do empreendimento antes da concessão das licenças (SISEMA, 2008, p.15).
As audiências públicas realizadas entre os dias 3 e 5 de março de 2008, em Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas e Dom Joaquim, contaram com a participação de mais de 2.000 pessoas (SISEMA, 2008, p.15).
Nessa ocasião, como já mencionado anteriormente, a Prefeitura e Câmara de Vereadores encaminharam propostas de medidas compensatórias, segundo as fases do empreendimento, ao passo que o FórumCMD encaminhou vários questionamentos relativos a dúvidas acerca do empreendimento. As respostas aos questionamentos das audiências públicas, segundo o SISEMA (2008, p.16), foram apresentadas ao órgão ambiental no final de agosto de 2008, sendo suas cópias devidamente encaminhadas aos requerentes e outros interessados.
Ressalta-se que as audiências públicas, mesmo com a presença de parcela expressiva de pessoas, não tiveram o condão de decidir sobre a continuidade ou não do
97
Cita-se, como exemplo, o vídeo “Conceição guarde nos olhos” lançado em meados de julho de 2008, com as primeiras denúncias de moradores das populações e comunidades tradicionais sobre os impactos do empreendimento, como por exemplo, o impacto na água e a movimentação de pessoas estranhas pela zona rural. Disponível em : < https://www.youtube.com/watch?v=kLxQjBsvQdo>.
empreendimento. Os espaços serviram sim, mas para registrar criticas e inquietações dos participantes com relação ao grande empreendimento que estava por vir.
Respostas concedidas, satisfatoriamente ou não, aos questionamentos apresentados em audiência pública, fato é que a LP da mina foi autorizada no final desse mesmo ano, isto é, dezembro de 2008. Após esse momento, o FórumCMD ficou desarticulado, haja vista que não logrou êxito em seu objetivo principal: impedir que a mineração avançasse no município em detrimento de seguir com seu potencial para o turismo.
Diante da desarticulação do FórumCMD e após a concessão da LP, era preciso que, principalmente, aqueles afetados diretamente pelo empreendimento criassem um outro espaço de articulação, até mesmo por questões de sobrevivência. Nesse momento, verificou-se então maior envolvimento dos moradores da zona rural que já estavam sendo afetados pelas obras do mineroduto, ainda em fase de instalação.