Chapter 2 Literature Review
2.2 Brittle fracture
Administração canteiro de obras
Fundação Estrutura Alvenaria
Prediais Acabamento Resíduos classe A Entulho de alvenaria Entulho de concreto Pedra britada Entulho de argamassa Solo escavado Telhas cerâmicas Resíduos classe B Alumínio / marmitex Aço Alumínio / esquadrias Ferro
Fio de cobre revestido
Tábuas, pontaletes e sarrafos
Chapas de compensado Papel – Embalagens Papel – Documentos Papelão – Embalagens Perfis metálicos Plásticos - Embalagens Tubo de PVC
Tubo de ferro galvanizado
Vidro
Zinco
Resíduos classe C
Papel - Sacos de cimento
Massa de vidro Gesso Poliestireno expandido Lixas Manta asfáltica Estopa Resíduos classe D
Tintas e sobras de material de pintura
Latas e sobras de aditivos
Nível de geração: Baixo Médio Elevado
• Na Alemanha se definiu como política de governo a elevação do número de instalações de reciclagem no país, das 550 existentes em 1992, para 1.000 no ano de 1998 (NORDBERG NEWS apud PINTO, 1999);
• A França definiu para o ano de 2000 a meta de reciclar 50% dos RSCD gerados (LAURITZEN, 1994 apud PINTO, 1999);
• A Suíça traçou, para o final do século passado, o objetivo de quintuplicar o volume de RSCD a ser reciclado, como parte do esforço de redução em 25% do material levado a aterramento (MILANI, 1990 apud PINTO, 1999);
• A Holanda e Dinamarca, no início da década de 90, já reciclavam 60% dos RSCD gerados, abastecendo 10% do mercado de agregados com estes produtos (NORDBERG NEWS apud PINTO, 1999);
• O Reino Unido também abastece 10% do mercado de agregados com produtos reciclados e é política do governo ampliar essa taxa, em função do considerável potencial do mercado (COLLINS, 1998 apud PINTO, 1999);
• Nos Estados Unidos, se estimou a existência de 1.800 instalações de reciclagem em operação, com 1.000 delas processando asfalto, 500 processando madeira e 300 operando com resíduos misturados (YOST, 1998 apud PINTO, 1999).
Apesar de atrasada, em relação a muitos outros países em desenvolvimento e até mesmo desenvolvidos, a construção civil brasileira tem demonstrado interesse em reverter este quadro e atualmente conta com alguns bons exemplos de gestão de RSCD. Desde 1995, vêm sendo implantadas no estado de Minas Gerais políticas de gerenciamento de resíduos, levando a resultados que impressionam o meio técnico, servindo de exemplo para inúmeros outros estados. Outro bom exemplo é o que vem sendo desenvolvido na cidade de Salvador, por meio do programa Entulho Bom. Neste, foi desenvolvida uma série de estudos de quantificação e caracterização do entulho da cidade, o que permitiu definir, com maior precisão, o estágio e situação da atual gestão de RSCD.
Em Brasília, programas como o PEL (Programa Entulho Limpo) e PGM (Programa de Gestão de Materiais) têm se preocupado em adequar as práticas de coleta, transporte e disposição dos RSCD às exigências da resolução nº. 307 do CONAMA. Para tal, são desenvolvidas campanhas de conscientização, principalmente nos canteiros de obras, instruindo os
No Brasil, há atualmente dezesseis usinas de reciclagem de entulho de construção operadas por autarquias municipais (NUNES, 2004), distribuídas nas seguintes cidades:
• Belo Horizonte (MG) – 2 usinas; • Brasília (DF) – 2 usinas; • Goiânia (GO); • Guarulhos (SP); • Londrina (PR); • Macaé (RJ); • Piracicaba (SP); • Ribeirão Pires (SP); • Ribeirão Preto (SP); • Salvador (BA);
• São José do Rio Preto (SP); • São José dos Campos (SP); • São Paulo (SP);
• Vinhedo (SP).
Além das usinas de reciclagem de grande porte, com capacidade de operar em torno de 100 t/dia de material reciclado, existem pequenas unidades de beneficiamento do entulho, que podem ser instaladas nas centrais de produção das empresas construtoras, ou mesmo em seus canteiros de obra. O uso destas teve início na década de 80, por meio da implantação de “moinho-argamasseira” (ver ilustração na Fotografia 2.4). Um modelo muito usual é o da marca ANVI, constituído essencialmente por uma caçamba de piso horizontal e dois rolos moedores e dois misturadores.
Na cidade de Brasília, este tipo de equipamento é pouco usual, e, no conjunto de empresas construtoras selecionadas para a realização do programa experimental deste trabalho, não há nenhum destes equipamentos instalados em seus canteiros de obras. Em uma das empresas construtoras selecionadas, a EC – 42, o moinho-argamasseira ANVI 500 chegou a ser usado em alguns de seus canteiros, mas não proporcionou os resultados esperados, devido
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principalmente às intensas reclamações da vizinhança frente ao barulho produzido durante sua operação e a mudança do comportamento da classe operária, que deixou de se preocupar com a necessidade e cuidado em se evitar geração de entulho.
Fotografia 2.4 – Moinho-argamasseira da marca ANVI (Fonte: catálogo da ANVI). A idéia de implantação de usinas centrais de reciclagem de RSCD parece ser mais adequada e proporcionar resultados mais satisfatórios. Quando se está avaliando a necessidade de implantação de uma usina de reciclagem de entulho em uma dada região, três fatores devem ser observados (MONTEIRO, 2001):
• Densidade populacional: necessidade de uma alta densidade populacional de forma a assegurar um constante suprimento de resíduos que servirão de matéria-prima para a indústria de reciclagem;
• Obtenção de agregados naturais: escassez ou dificuldade de acesso a jazidas naturais favorece a reciclagem de entulho, desde que um alto nível de tecnologia seja empregado. Abundância e fácil acesso a jazidas não inviabilizam a reciclagem do entulho de obra por si só, mas, por razões econômicas, normalmente induzem à aplicação de baixos níveis de tecnologia ao processo;
• Nível de industrialização: afeta diretamente a necessidade e conscientização de uma sociedade em reciclar o entulho. Em áreas densamente povoadas, razões de ordem social e sanitária estimulam a redução do volume de resíduos que devam ser levados aos aterros.
As usinas de reciclagem espalhadas pelo mundo, incluindo as do Brasil, são constituídas por equipamentos similares aos utilizados para produção de agregados naturais, normalmente derivados daqueles empregados na indústria mineradora. Tais usinas podem ser classificadas em função dos critérios e do rigor usados na eliminação dos contaminantes, podendo ser (GEHO apud CARNEIRO, A. P. et al., 2001):
• Usina de 1ª geração – necessita de elementos que possam eliminar metais (mais comuns no Brasil);
• Usina de 2ª geração – similar a anterior, mas contendo sistemas preliminares (mecânicos ou manuais) de eliminação de contaminantes, como a limpeza e classificação do material, por via seca ou úmida;
• Usina de 3ª geração – visa à remoção praticamente integral de todos os materiais secundários, considerados como contaminantes do agregado reciclado.
Além deste critério, as usinas podem ser classificadas, segundo a possibilidade de movimentação, em fixas e móveis, sendo que as primeiras são mais indicadas quando se exige um maior controle do seu impacto ambiental, e as segundas são preferencialmente utilizadas em zonas onde a quantidade de material a reciclar, ainda que constante, não alcança grandes montantes.
Os equipamentos empregados em processos de reciclagem normalmente se constituem de: pá- carregadeira, alimentador vibratório, britador, eletroímã para separação das ferragens, peneiras, mecanismos transportadores e, eventualmente, sistemas para eliminação de contaminantes. Com relação aos equipamentos de trituração, é comum se empregar um dos seguintes tipos: britadores de impacto e britadores de mandíbula, sendo estes mais indicados na produção de agregados para concretos.
Para que se possa ter uma melhor idéia da configuração de uma usina de reciclagem de entulho, identificando seus equipamentos e estruturação, são apresentados alguns equipamentos, conforme ilustrado na Fotografia 2.5.
Os tipos de plantas de reciclagem e equipamentos a serem utilizados devem ser selecionados em função das características iniciais do entulho, do seu grau de processamento e do uso que se pretende dar ao material reciclado. Assim sendo, se a pretensão for de usar o material reciclado na fabricação de concreto estrutural, o processo de reciclagem deverá ser mais rigoroso, para permitir a produção de um agregado com menor quantidade de contaminantes; caso se destine à execução de camadas de pavimentação, não haveria tanta preocupação com o rigor do processo de produção do mesmo.
Fotografia 2.5 – Vista geral da Usina de reciclagem em Pampulha – BH (Fonte: Jornal Ambiente Brasil, Dez/2005).
Outro fator importante e que deve ser lembrado no momento da decisão de implantar uma usina de beneficiamento de RSCD é que, apesar de possuir um potencial de reciclagem de aproximadamente 90% (LAURITZEN, 1994), o entulho pode apresentar quantidade e composição bastante diferenciada em função:
• Do nível de desenvolvimento da construção local;
• Dos tipos de materiais disponíveis ou predominantes na região; • Do desenvolvimento econômico da região;
• Da demanda por novas construções e desenvolvimento de construções especiais (metrô, esgotamento sanitário...).
Em determinadas situações e momentos, a implantação de unidades de beneficiamento de RSCD se deu por outros motivos além dos já mencionados anteriormente. No Japão, e inúmeros outros países da Europa, o reduzido espaço territorial, a escassez ou mesmo inexistência de matérias-primas e as exigências de leis e tratados, condicionaram de forma mais intensa a necessidade de implantação. Uma outra razão, que pode ser tomada inclusive como uma das mais importantes alavancas, foi à ocorrência das históricas grandes guerras mundiais, que condicionaram o acúmulo de milhares de toneladas de entulho, que precisavam ser retiradas das cidades para dar espaço às novas construções. Somando-se a estas, devem ser lembradas as ocorrências e catástrofes naturais, como os terremotos e furacões.
Sob um outro ponto de vista, a implantação de unidades de beneficiamento de RSCD se justifica pelos bons resultados observados até então. No Brasil, em especial, a mudança na gestão de resíduos sólidos adotada em algumas cidades tem revelado que a implantação de usinas de reciclagem possibilitou uma série de vantagens, dentre as quais pode-se citar (MONTEIRO, 2001):
• Redução do volume de extração de matérias-primas; • Conservação de matérias-primas não renováveis;
• Correção de problemas ambientais urbanos gerados pela disposição indiscriminada de resíduos de construção na malha urbana;
• Criação de novos postos de trabalho, principalmente para mão-de-obra de baixa qualificação.
Algo que não pode ser esquecido e que é de fundamental importância, devendo inclusive nortear a implantação de usinas de reciclagem, é o desenvolvimento de um estudo prévio, detalhando a atual gestão de resíduos sólidos, suas implicações sociais e custos, e a estruturação exigida para que a coleta, transporte e beneficiamento do RSU (e em especial, do RSCD) na região se dêem de maneira ambientalmente adequada, eficaz e com benefícios econômicos (adaptado de PINTO, 1999).
2.5 – PRÁTICAS E POLÍTICAS DE GERENCIAMENTO INTEGRADO DE RSCD