2. THEORETICAL PERSPECTIVES
2.4 Bringing political ecology “home”
A área de contabilidade e controladoria das empresas detém o conjunto dos dados que vão compor as demonstrações contábeis, as quais devem ser apresentadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), aos órgãos governamentais para tributação (FISCO) e aos demais destinatários. O incremento dos conceitos de comunicação, especialmente de Relações Públicas, ao conhecimento técnico do negócio é o traço mais marcante da área de Relações com Investidores.
O Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), assim como a revista RI (Relações com Investidores) n.o 66, de agosto de 2003, fornecem a seguinte definição para a expressão “relações com investidores”:
É o conjunto de atividades, métodos, técnicas e práticas que, direta ou indiretamente, propicie a interação das áreas de Contabilidade, Planejamento, Comunicação, Marketing e Finanças, com o propósito de estabelecer uma ligação entre a administração da empresa, os acionistas (e seus representantes) e os demais agentes que atuam no mercado de capitais e que integram a comunidade financeira nacional ou internacional.
São os executivos e analistas de Relações com Investidores que elaboram e executam os processos de comunicação e mediação institucional de informações contábil-financeiras para o público, em sua maioria, profissionais do mercado de capitais, os quais representam os investidores.
O fornecimento de relatórios contábeis de uma empresa, acompanhado de explicações com forte embasamento técnico, tem reflexo no risco que aquele investimento representa, uma vez que tende a esclarecer pontos de dúvidas sobre o que se pode prever a partir dos números relatados. Guerreiro (1989) afirma que há um aumento de valor da informação relacionado à melhoria de sua utilização por quem a recebe. O mesmo autor considera como inferências básicas:
A informação é um recurso da organização, que tem um valor e um custo.
A informação tem valor porque reduz a incerteza a respeito das condições ambientais onde a empresa atua.
A redução de incerteza permite a tomada de melhores decisões. (GUERREIRO, 1989, p.137)
Portanto, as atribuições da área de Relações com Investidores estão associadas, em última instância, às decisões dos investidores em comprar ou não títulos da empresa e a qual preço.
Um importante objetivo do executivo de RI é criar o mais alto nível de conhecimento sobre sua empresa no mercado. Conhecimento vem da informação. Assim, um mercado bem informado atribui a uma ação o preço que representa o valor justo da empresa. A falta da informação causa incerteza sobre a empresa e sobre seu futuro desempenho. Essa incerteza cria medo entre os investidores, o que os leva a não comprar ações. A falta do interesse de compra impede que a ação suba. (RI - Teoria & prática. n°.3, p.7, maio, 1998.)
A finalidade da área de Relações com Investidores compreende "ajudar a empresa a alcançar o seu justo valor. Isso ocorre quando as melhores informações disponíveis estão sendo refletidas no preço das ações." (MAHONEY, 1997, p.5). Significa dizer que, quando a empresa fornece informação satisfatória, o preço de suas ações alcança o valor correto. Em outro capítulo, o mesmo autor argumenta que os profissionais da área acreditam ser a contribuição essencial de relações com investidores "ajudar a preencher a lacuna da informação no processo que os investidores utilizam para fixar o valor dos títulos das empresas." (MAHONEY, 1997, p. 16). Esse objetivo se alinha à definição de informação, presente na Teoria da Informação, que diz:
a informação é uma redução de incerteza, oferecida quando se obtém resposta a uma pergunta (SHANNON, 1975, p.53). A incerteza refere-se à quantidade de respostas possíveis que conhecemos, apesar de não sabermos qual delas é a verdadeira.
Para definirmos a informação no sentido da Teoria da Informação é necessário conhecer-se o tamanho da ignorância, isto é, a dimensão da classe das respostas possíveis.(EPSTEIN, 1988, p.35)
Para dimensionar o grau de conhecimento dos usuários, é pratica comum a adoção da técnica de Relações Públicas denominada de “auditoria de opinião”.
A auditoria de opinião destina-se ao levantamento do perfil real da organização pública ou privada, do nível de conhecimento e aceitação de seus produtos e serviços, do grau de satisfação de seus públicos e ao levantamento de desempenho de gestões administrativas. Também tem por objetivo o levantamento de conceitos e preconceitos emitidos pelas lideranças dos diversos públicos que possam influenciar direta ou indiretamente, uma organização, um produto, um projeto ou uma decisão. (MESTIERI, 2001, p.21).
Esse setor, dentro das empresas, concentra esforços para ampliar o conhecimento dos usuários de seus serviços informacionais. Especialmente com o emprego de tecnologia, os usuários possuem cadastro, passando a fazer parte de um banco de dados da empresa. Dessa forma o setor de Relações com investidores tem a possibilidade de estruturar os usuários em grupos de acordo com seu nível de linguagem, ou melhor, seu nível de conhecimento técnico. Este é o principal recorte, porém, são selecionados usuários por outros aspectos, como o tempo que o investidor tem ações da empresa, sua faixa etária, o volume de ações adquirido etc., de forma que podem ser organizados eventos específicos para aproximação com cada segmento.
Além dos levantamentos feitos pelas empresas, envolvendo os usuários, existem também pesquisas realizadas por entidades do setor. Em 2002, a empresa americana Erdos & Morgan promoveu uma pesquisa, publicada na revista IR Magazine, sobre empresas da América Latina. Esta pesquisa identificou, em questão aberta, alguns fatores essenciais para um programa de Relações com Investidores, apresentados a seguir, por ordem de importância:
1. Acesso e comunicação com pessoas chaves na empresa 2. Pontualidade e demonstração de interesse no atendimento 3. Honestidade e integridade
4. Consistência e confiabilidade dos dados 5. Disclosure claro e completo
Pesquisas desse tipo também norteiam a criação e o desenvolvimento de produtos de mediação direcionados aos investidores, pois representam um retorno avaliativo da intermediação e dos produtos de comunicação gerados pelas empresas.