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A brief history of the Uses and Gratifications theory

2.2 Uses and Gratifications Theory

2.2.1 A brief history of the Uses and Gratifications theory

A escolha dos sujeitos entrevistados, de maneira geral, se deu através de contatos iniciais com educadores que conheci ao longo de minha trajetória profissional e que, em alguma medida, participaram do processo de construção curricular de Educação Física, ou ainda, aqueles que mesmo não participando diretamente da construção curricular poderiam me auxiliar na pesquisa. Foram entrevistados quatro educadores: duas professoras e um professor de Educação Física, além de um orientador pedagógico da rede municipal de Sorocaba. A seguir descrevo um breve perfil profissional dos educadores entrevistados.

A primeira contribuição à pesquisa foi da professora de Educação Física Milena5, uma das educadoras responsáveis por recepcionar os formadores do Instituto Esporte e Educação (IEE) em Sorocaba, além de controlar a frequência dos professores de Educação Física da rede municipal e estadual em formação, e organizar o local e materiais utilizados na formação continuada que ocorria quinzenalmente, denominada pelo IEE de projeto método. A professora Milena é graduada em Educação Física e trabalha na Secretaria de Esportes e da Educação do município de Sorocaba. A entrevistada me trouxe algumas informações sobre as primeiras discussões da construção curricular, e me indicou para obter informações complementares um professor de Educação Física da rede municipal que estava participando ativamente da construção do novo currículo de Educação Física à época, o professor Roberto. Roberto leciona há aproximadamente 18 anos e atualmente é professor de Educação Física na rede municipal de Sorocaba e na rede estadual paulista de ensino. É pós-graduado

4 Além dos documentos, utilizei como fonte de informação a história, os objetivos, a missão, os valores, os

projetos e as realizações de algumas instituições, entre elas a Secretaria da Educação de Sorocaba; a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Sorocaba; a Prefeitura de Sorocaba; o Instituto Esporte e Educação; o Instituto Paradigma; o Instituto Paulo Freire e Associação Internacional de Cidades Educadoras (AICE).

em Fisiologia do Exercício e em Gestão Escolar. Atua como voluntário no movimento Escoteiro e também é fotógrafo, participa do grupo de fotografia Olho Vivo. Participou do grupo de professores de Educação Física que elaborou o currículo mínimo de Educação Física no ano de 2010, e é um dos professores que se dispuseram a acompanhar o andamento do currículo de Educação Física que estava em processo de finalização em 2012.

Também contribuiu para a pesquisa o orientador pedagógico da rede municipal Francisco. A escolha desse educador se deu pelo fato de conhecê-lo pessoalmente e de lecionarmos na mesma escola na rede pública de ensino estadual, além de sua participação no processo de construção da matriz curricular da Secretaria da Educação de Sorocaba. É licenciado em Ciências Físicas e Biológicas; Matemática e Biologia e Mestre em Educação. Também é militante sindical há mais de 20 anos e diretor executivo da Universidade do Pensamento Pedagógico Alternativo (UNIPEN). Leciona na rede pública estadual paulista desde 1991 e é orientador pedagógico na rede municipal de Sorocaba desde 2008.

Por indicação do orientador pedagógico também contatei a professora de Educação Física Ana. A professora é licenciada em Educação Física e possui pós-graduação em Dança e Consciência Corporal, e leciona na rede municipal desde 2008. Participou das discussões a respeito do currículo de Educação Física concluído em 2012 e está engajada atualmente, juntamente com um grupo de professores/as de Educação Física, na revogação do projeto de lei 110/2004, de autoria do Executivo, que visa estabelecer a obrigatoriedade da apresentação de um termo de compromisso assinado por responsáveis de alunos da rede municipal de ensino para a participação nas aulas de Educação Física.

Para melhor compreender o processo de construção curricular, também busquei o discurso oficial da Secretaria da Educação de Sorocaba, responsável pela elaboração do currículo investigado. Enviei em março de 2012 para a Secretaria da Educação de Sorocaba uma carta de apresentação, explicitando o objetivo da pesquisa e solicitando uma entrevista com a Supervisora responsável pela matriz curricular em elaboração à época. No entanto, não obtive resposta da Secretaria da Educação, mesmo após inúmeras tentativas de contato por e- mail, telefone e pessoalmente.

4 FRAGMENTOS E FLUXOS QUE CONSTITUEM A PAISAGEM

Mas que passos seguir? Há passos a seguir? Como proceder? Que movimentos traçar? Não há, em nenhum dos escritos de Gilles Deleuze e Félix Guattari, uma lista de “procedimentos metodológicos”. Se há uma coisa que eles se negam a dar são receitas-de-como-fazer, seja lá o que for. [...] Uma cartografia se situa de entrada, no meio, no complexo, no jogo das linhas. Não segue nenhum tipo de protocolo normalizado, porque realizá-la depende muito mais da postura com a qual o cartógrafo permite experimentar seu próprio pensamento (OLIVEIRA; PARAÍSO, 2012, p. 168-169).

Apesar da dependência da postura do cartógrafo, fazer uma cartografia de determinadas políticas públicas implementadas pela Secretaria da Educação de Sorocaba constitui uma tarefa complexa, pois pressupõe o mapeamento de determinados acontecimentos, de determinadas condições de possibilidade e experiências que permitiram chegar a outro lugar. A dificuldade consiste em situar acontecimentos muitas vezes dispersos na formação de possíveis especificidades. Aliado a essa dificuldade de situar os acontecimentos, Costa (2007, p. 147-148) nos ensina que “a cartografia total de uma ideia ou problema vem se mostrando impossível. Parece que não existe a possibilidade de mapear todas as alternativas de configuração de um campo”.

Dadas essas dispersões e impossibilidades, destaco ainda, com o apoio de Deleuze e Guattari (2000), que a cartografia não tem a pretensão de compor um conjunto coerente de acontecimentos. Em outras palavras: não se trata de seguir uma “ordem linear fixa”. Entretanto, acredito que trazer à tona alguns fragmentos pode contribuir para a melhor compreensão das ações políticas da Secretaria da Educação.