O corpo diretivo da Escola é nomeado pela entidade mantenedora. Constituído por um diretor, um vice-diretor, um coordenador pedagógico e um secretário, com mandatos letivos renováveis a cada dois anos, de acordo com o Regimento Interno. Desde sua fundação, permanece o mesmo corpo diretivo.
3.5.2 O Corpo Docente
A Educação Infantil é composta por dois professores regentes e dois auxiliares. Desses quatro, uma é possui a Licenciatura em pedagogia e as outras três, se encontram cursando. Das quatro educadoras, duas são do entorno e duas são da cidade.
O Ensino Fundamental – Anos Iniciais tem sua estrutura docente formada por um professor polivalente para cada ano, com exceção do 1º ano, que tem uma professora auxiliar, constituindo um quadro de seis educadores. Todos são graduados em pedagogia. Dos seis, quatro são de comunidades campesinas do entorno e dois, da cidade.
O Ensino Fundamental – Anos Finais, com o ensino disciplinar, possui um professor para cada disciplina, formando um contingente de nove docentes. Dada a exigência de ter profissionais formados nas respectivas áreas de conhecimento e pela carência de encontrá-los no campo, todos são da cidade, embora alguns têm origem na zona rural.
A seleção dos docentes ocorre a partir de uma conversa/entrevista, onde são expostos os ideais da Escola, suas características e seus objetivos, bem como as condições financeiras da instituição, procurando, dessa forma, compatibilizar suas necessidades com os interesses
63 de seus profissionais. Busca-se, como princípio norteador da escolha, um professor que conheça a realidade do aluno e do ambiente onde ele está inserido, para facilitar a operacionalização da proposta pedagógica, fundamento importante numa educação que faça sentido na vida dos seus sujeitos. Para tanto, privilegia-se aqueles que moram no seu entorno. Busca-se valorizar, ainda, o professor que tenha experiência e/ou afinidade com projetos sociais.
Outro ponto importante na escolha desse profissional é sua qualificação, cuja competência técnica irá proporcionar a adequação do conhecimento cientifico à realidade e necessidade do educando.
3.5.3 O Corpo Discente
Com um quadro sempre crescente, a Escola iniciou em 2007 com duas comunidades mais próximas: Monte Carmelo e Chã de Lindolfo e alguns alunos da cidade, filhos dos professores. Em 2008, ampliou seu raio de atuação para alunos da periferia dos conjuntos habitacionais da cidade e outras comunidades rurais (Tabuleiro, Chã de Imbiriba, Cruzeiro de Roma, Jaracatiá, Porteiras e Alagoinhas). Em 2009, somando às comunidades existentes Cumbeba, Gamelas, Santa Teresinha e alguns alunos da cidade circunvizinha de Solânea. Em 2010, mais três comunidades se agregam: Riacho Vermelho, Caraubinhas e Caboclo. Em 2011 funcionou com as mesmas comunidades presentes. Em 2012 juntam-se a essas comunidades o Sítio Santo Antônio e Chã de Almeida. Em 2013, se fazem presentes as comunidades de Chã de Lindolfo, Sítio Monte Carmelo, Bananeiras, Solânea, Tabuleiro, Sítio Cumbeba, Chã de Imbiriba, Sítio Caraubinhas, Sítio Jaracatiá, Sítio Alagoinhas e Porteiras.
A realidade social dos alunos é bastante heterogênea, pois em sua maioria são pessoas que vivem no campo, cujas comunidades em que moram ficam distantes da Escola entre um até oito km, aproximadamente. A prioridade da escolha dos alunos se dá, preferencialmente, para as crianças campesinas, mas são acolhidas aquelas que se encontram em situação de vulnerabilidade social, oriundas da cidade, onde a estrutura familiar é bastante fragmentada, com todas as consequências daí advindas, como conflitos entre pais, irmãos, carências afetivas e até agredidas fisicamente, bem como crianças vítimas de bullying.
64 3.5.4 Os Demais Funcionários
A Escola conta com um apoio de duas merendeiras e duas auxiliares, que também assumem o serviço de limpeza; mais um auxiliar de serviços gerais, que agrega serviços de porteiro, jardineiro e monitor de alunos e de um auxiliar de serviços de informática, que assume a parte de informática e o trabalho no telecentro. São funcionários oriundos das comunidades do entorno e com filhos na Escola.
Conta ainda com uma base de mães e pais voluntários, que ajudam na cozinha, refeitório, limpeza e monitoramento dos pequenos. A participação deles se dá, em média, de dois ou três dias por semana.
3.5.5 Os Conselhos
Sendo a Escola constituída por diversos segmentos, necessário se faz que as vozes se façam presentes em todo seu processo educativo. No querer fazer coletivo, constitui seu conselho escolar e de classe, como princípio de implantação de uma gestão democrática.
3.5.5.1 O Conselho Escolar
O conselho escolar foi constituído desde o primeiro ano da Escola. Formado por um representante de pais e de professor de cada modalidade de ensino, por um representante de funcionários, pelo colegiado estudantil e pelo corpo diretivo. Os membros do conselho são escolhidos na primeira assembleia geral, no início de cada ano letivo. O conselho se reúne nos quartos sábados de cada mês.
É nele que se discute todo o andamento da Escola, seus fatos e acontecimentos e se toma as decisões. Por se tratar de um projeto social, cuja entidade mantenedora assume a parte contábil e financeira, ao conselho escolar, de acordo com o Regimento Interno, compete as decisões de refletir sobre o processo educacional e sua dinâmica de funcionamento, analisando o desenvolvimento do processo educativo e o alcance das metas e propostas educacionais, bem como diagnosticar os fatores que afetam o processo ensino-aprendizagem,
65 o ambiente de trabalho, as relações interpessoais e propor estratégias para resolver os problemas diagnosticados.
É um instrumento de grande importância para a busca de uma construção coletiva, como pode ser percebido pela fala de seus sujeitos. Perguntado ao pessoal da cozinha e serviços gerais sobre como eles viam o conselho escolar, eles responderam:
Acho importante porque é o balanço do que se está conseguindo acertar ou errar. (Rosemery)
De tomar uma decisão. (Janete)
E indagando se sentiam à vontade para falar no conselho, me responderam:
Se sente, eu mesmo da minha parte, quando tem alguma coisa para falar eu falo. (Rosemery)
O objetivo do conselho é esse, é a gente falar, porque se a gente ficar guardando, guardando, faz até mal e com esses conselhos a gente pode participar ativamente. (Janeide)
Para os alunos, também se pode ver sua importância, quando feita a mesma pergunta de como eles viam o conselho escolar:
Pra mim o conselho é o conjunto e não só aluno e professor, mas envolve tudo, funcionários, professores, a direção, os pais, juntamente com os alunos pra gente vê quais os problemas que tem, como resolver, todo mundo junto, e o que não dá pra resolver, se junta todo mundo e corre atrás. (Luana)
Acho importante, porque ali a gente vai ver os problemas da Escola, as necessidades. É bom porque não envolve somente os problemas da sala, mas envolve tudo. (Suzane)
E aí os pais ficam com noção do que tá acontecendo na Escola e podem passar pros outros pais e os alunos também. A gente fala o que decide nas salas ou leva pro colegiado. (Thaís)
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A gente fez a companha pra forrar as salas, porque tem muito pardal no telhado e sujava muito. Aí a gente decidiu como ia ser e passamos nas salas pra orientar os alunos como ia ser a campanha, pra os pais em casa entender e ajudar. (Thaís) Teve uma reunião que bastante pais não vieram, aí a gente decidiu que os pais tinham que vir. (Ruth)
Aí a gente decidiu mandar um comunicado na semana da reunião e os filhos ficaram cobrando em casa a presença dos pais. Aí a gente passou de sala em sala avisando e entregando os comunicados. (Eduardo)
Aproveitando um intervalo entre o conselho de classe e o escolar, fiz a entrevista com os professores presentes nesse dia e quando perguntado sobre o conselho escolar, salientaram sua importância não só como um instrumento que dá voz a todos os sujeitos, mas também como um espaço de interação com a família, onde ela pode expor suas necessidades para serem apreendidas e trabalhadas pela Escola:
[...] já o conselho escolar ele é um pouco mais abrangente pra toda a realidade da Escola e para as famílias, que traz suas necessidades pra Escola. (Luís)
É o momento em que o aluno tem sua vez de falar, o pai tem sua vez, a gente, a Escola. (Rosa)
Mas, também, ressaltam a falta da funcionalidade em sua totalidade de expressão, pelo pouco tempo destinado a ele, bem como pela falta de compreensão dos pais da sua importância e do seu papel dentro do conselho:
[...] Embora o tempo destinado a ele seja curto porque temos o conselho de classe, tudo na mesma tarde e acaba tomando muitas vezes um tempo do conselho escolar. (Luís)
[...] porém a gente percebe que falta o hábito de falar e de propor e ficam quase sempre esperando que a gente tome a decisão, e que colocam a responsabilidade da decisão pra Escola. Só que eles não percebem essa importância, mesmo sabendo que a Escola trabalha esse tempo todo dessa forma, mas eles ainda não se colocaram dentro do processo, como Leila fala. (Rosa)
A gente pode ver isso nas assembleias gerais, onde um cochicha com o outro, mas não tem coragem de falar. (Bárbara)
Ah, mas isso é cultura. (Rosa)
E o conselho escolar é mais uma ponte entre a escola e a família. Só que a família ainda não tá preparada pra fazer parte da escola, pra cumprir o papel que ela deve ter. Falta ser acordada. (Bárbara)
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Parece uma obrigação que ela recebe e não um fazer junto com a gente. (Luís)
Os pais veem o conselho como um instrumento que auxilia nas decisões e ajuda no melhoramento das ações escolares:
O conselho é muito importante, porque, assim, é como se passasse por uma peneira, porque aqui nessa Escola se passa muita coisa, então, ali no conselho é como se passasse por essa peneira, porque é como se selecionasse o que for mais importante, que for melhorar mais os trabalhos. É uma forma de melhorar as ações que vem sendo trabalhada e os acontecimentos que vão surgindo aqui, no dia a dia, porque, às vezes, pra discutir uma coisa numa assembleia com muita gente, fica ruim discutir. Então se tem todos os representantes que participa do conselho ativamente, então é uma coisa positiva, porque não é só você que vai decidir, mas é todo o grupo que faz parte do conselho. (Cilene)
O conselho escolar tem sido um instrumento de grande valor na Escola. Por sua integração com todos os participantes da Escola, pelo momento de interação entre seus sujeitos, pelo sentimento de pertencimento gerado, pela autonomia desenvolvida, bem como pela identidade da Escola delineada.
3.5.5.2 O Conselho de Classe
O conselho de classe, também criado desde o início da escola, é constituído pelos professores e corpo diretivo e se reúnem também nos quartos sábados de cada mês.
É da competência do conselho de classe avaliar o processo ensino-aprendizagem desenvolvido pela Escola e a proposição de ações para a sua melhoria, bem como a análise da prática docente, no que se refere à metodologia, aos conteúdos programáticos e à totalidade das atividades pedagógicas realizadas.
Para os professores, esse instrumento é não somente importante, como é necessário para o bom desempenho da Escola, como pode ser percebido em suas falas na entrevista, quando se discorreu sobre ele:
Eu vejo como um instrumento muito construtivo, porque é nesse momento que nós podemos socializar as experiências, trocar conhecimentos e, podemos também, conhecer os alunos. Eu acho muito importante conhecer o aluno pelo nome, porque ajuda a gente a socializar as dificuldades de cada aluno e a conhecer todos os alunos da Escola, porque eu sou professora do Fundamental I e conheço os alunos do
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fundamental II por esses momentos aqui, de chamar pelo nome, de ver a pessoa, o aluno num todo, não só como mais um educando. (Bárbara)
E nesse momento a gente não só coloca as dificuldades, mas também é um momento que a gente pode sugerir coisas pra melhorar em cima desses pontos negativos, por isso que é importante. (Emiliana)
Também é um momento de estar interagindo o fundamental I e II, porque trabalhamos em turnos diferentes, então esse momento é uma ocasião em que está todo mundo juntos, discutindo, pra dar uma proposta. (Daniela)
Embora visto como um instrumento importante, é também salientada pelos professores a falta de uma funcionalidade maior, na medida em que não trazem suas pautas previamente pensadas para ser discutidas no conselho, fator que contribui para o desvio do foco:
Realmente, embora a gente se pega muitas vezes desviando do foco. Eu falo por mim, que em muitos desses momentos eu venho sem a minha pauta e que é importante a gente ter porque a gente não se desvia. Mas é interessante, justamente por isso, a gente troca experiências, informações e vai aprendendo um com o outro.
Pode-se perceber que no processo de vivência desses instrumentos dentro da Escola, automaticamente, tem se constituído sempre um processo avaliativo dinâmico e sistêmico, no qual se diagnostica seus pontos positivos e de melhoramentos, do conjunto e de seus elementos, individualmente, de forma a melhorar continuamente.