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Breivoll – Smalvoll (kommunedelplanen delområde 7)

4 Kunnskapssammenstillingen og mulighetsstudien for Alna med sidebekker

4.7 Breivoll – Smalvoll (kommunedelplanen delområde 7)

Na análise dos sites oficiais dos quatro principais clubes do Estado de São Paulo, monitorados durante o período de janeiro de 2005 a abril de 2006, pudemos observar que, pelo potencial de crescimento da Internet e do e-commerce no Brasil, a rede mundial de computadores – se comparada com as principais agremiações esportivas do planeta –, ainda é muito mal utilizada pelos clubes paulistas para a divulgação de suas marcas e acesso às diferentes comunidades que transitam ao redor desse veículo de informação da organização.

Para justificar tal afirmação, basta mencionar, como já destacamos neste trabalho, que a Sociedade Esportiva Palmeiras e o Sport Club Corinthians Paulista, dois dos clubes mais populares do país, apenas recentemente reativaram suas páginas oficiais na Internet. Acreditamos que tal fato esteja relacionado, ainda, ao grau de amadorismo que persiste na administração dos principais clubes de futebol do país: pela ótica desses dirigentes, o marketing esportivo é algo desnecessário e de alto custo.

Porém, como pudemos verificar em nossa pesquisa, quando entrevistamos 57 pessoas (vide ANEXO I), entre jornalistas, sociológos, profissionais de comunicação dos clubes, web designers de sites não-oficiais e de torcidas organizadas, a grande maioria encara o futebol, hoje, muito mais como um negócio do que como uma paixão. Deve o esporte, porém, ainda na opinião de nossos entrevistados, em seu processo de gestão, explorar a paixão do torcedor; mas nunca, em sua administração, trabalhar o gerenciamento do futebol profissional de forma emocional, como muitas vezes ainda acontece com as principais agremiações do Estado.

Apesar disso, podemos notar que os principais clubes do Estado de São Paulo acreditam no potencial da Internet para divulgação de suas marcas e fornecimento de informações para suas mais diversas comunidades de atração (jornalistas, sócios, torcedores, etc.). Pouco a pouco, as pessoas que dirigem essas agremiações vão se dando conta da importância de políticas comerciais de longo prazo para o sucesso futuro de suas equipes.

Programas de Sócio-Torcedor, como os existentes nas páginas do Santos e do São Paulo Futebol Clube, e escolinhas de futebol, como a Meninos da Vila, a SPFCenter e a

Corinthians Training, apresentam como objetivo o aumento de receitas do clube e a formação de atletas, a baixo custo, para serem utilizados pela agremiação; lojas virtuais, como a Santos Mania, a São Paulo Mania, o “Shopping Virtual” anunciado pela Sociedade Esportiva Palmeiras e a Loja On-line prometida pelo Sport Club Corinthians Paulista, são, hoje, mais uma fonte para incremento do faturamento dos clubes; serviços de telefonia celular, com mensagens em SMS, como os prometidos pelo site oficial da Sociedade Esportiva Palmeiras, também funcionam como meca do consumo dos torcedores de alta renda dessas agremiações. O site oficial passa a funcionar, assim, como o espaço onde o clube pode concentrar várias fontes potenciais de obtenção de receitas a baixo custo, com alta visibilidade e retorno praticamente imediato das ações executadas.

Apesar dessa crescente preocupação, os quatro grandes clubes de São Paulo ainda não exploram todos os recursos existentes no ciberespaço. Longe de utilizar a infinidade de serviços e disponibilizar a riqueza de informações existentes nos sites oficiais das principais agremiações européias, como o Manchester United, por exemplo, o futebol brasileiro na Web vai evoluindo. Fora do eixo Rio-São Paulo, por exemplo, o Figueirense Futebol Clube, de Florianopólis, Santa Catarina, equipe da Série A do Campeonato Brasileiro, apresenta uma página que podemos colocar como modelo – ao lado dos sites oficiais do Santos e do São Paulo – para os grandes clubes do país. A agremiação catarinense é a única do Brasil, até abril de 2006, a vender ingressos para suas partidas em seu site oficial, fato comum em todos as páginas dos principais clubes da Europa.

Leonardo Mosimann Estrela, gerente de marketing do Figueirense Futebol Clube, resume a filosofia da equipe catarinense na gestão do seu site oficial:

(...) os principais objetivos da página do clube são manter informados (a imprensa e os torcedores/clientes/internautas)

quanto as ações das diversas áreas da agremiação, oferecer serviços aos navegantes, difundir a marca Figueirense e entreter os torcedores. Nosso site é o único do Brasil que vende ingressos e entrega na casa do comprador.

Para Estrela, “o Figueirense vê a implantação da excelência em serviços como algo conjugado ao fator preço: melhor serviço, melhor preço”. No entender do gerente de marketing da equipe catarinense, “o futebol deve ser gerenciado como negócio e dentro do

negócio deve entender e saber lidar com a paixão, característica principal do cliente”.

Figura 16 – Serviço de venda de ingressos do site oficial do Figueirense Futebol Clube.

Fonte: http://www.figueirense.com.br/fale/comprar.php.

Como já identificamos na análise dos sites oficiais das quatro principais equipes paulistas e nas declarações do executivo do Figueirense, as páginas dos clubes de futebol do Estado de São Paulo, na Internet, procuram atender a dois tipos de comunidades: de um lado, a dos jornalistas, ávidos por informações sobre os clubes para o seu trabalho do dia-a- dia; de outro, seus torcedores, associados e simpatizantes, muito mais identificados pelas agremiações, hoje, como consumidores ou clientes.

Do ponto de vista dos jornalistas, ou da qualidade das informações divulgada pelos

sites oficiais, a grande maioria não cumpre o papel que deveria, fornecendo notícias desatualizadas e superficiais. Russio, analista de um site especializado em comunicação, o

Comunique-se, faz uma comparação entre as páginas oficiais dos clubes brasileiros e seus similares da Europa:

(...) hoje em dia, poucos clubes brasileiros possuem sites oficiais funcionais e eficientes no trabalho de informar a imprensa e torcida sobre as atividades e os acontecimentos dos clubes de futebol. Os profissionais de imprensa, em geral, não confiam nas informações dos sites de clubes, ou as acham insuficientes. Normalmente, os sites são mantidos pelos próprios assessores de imprensa, que possuem dificuldades cavalares para trabalhar e, portanto, não dispõem de tempo para atualizar de forma mais correta esse meio de informação. (...) No exterior, ao contrário, os sites são extremamente informativos, atualizados e completos. Fornecem entrevistas, dados estatísticos, comunicados oficiais e notícias em geral sobre o clube e seus jogadores. Isso sem contar que fotos e autógrafos são disponibilizados online, para download não só da torcida como da imprensa, que os utiliza em suas matérias. Em última análise, esse material ajuda na divulgação do próprio clube. Vale, portanto, investir na sua distribuição para os meios de comunicação (RUSSIO, 2005).

Aldo Neto, assessor de imprensa do Santos Futebol Clube, culpa a falta de investimento das agremiações em suas equipes de comunicação pela desatualização e pela superficialidade das informações fornecidas nos sites oficiais das principais agremiações paulistas:

(...) os torcedores preferem acessar as páginas dos portais de notícias quando querem saber o resultado de um jogo do Santos que acabou de terminar. Isso ocorre porque o clube não fornece, em tempo real, essa informação, que só entra no site muito tempo depois do jogo encerrado. A agremiação perde, então, a oportunidade de fornecer a sua visão da partida.

Para a totalidade dos 18 profissionais de imprensa entrevistados para a realização deste trabalho, as páginas oficiais dos clubes de futebol do Estado de São Paulo não fornecem informações novas ou desconhecidas dos principais veículos de comunicação do país. Assim, nenhum jornalista admitiu utilizar as home pages das agremiações para o seu trabalho diário na mídia esportiva.

Por seu caráter institucional, os sites oficiais só podem divulgar uma informação quando ela efetivamente aconteceu, evitando, com isso, o “furo” jornalístico. Por outro lado, os principais portais de notícias do país podem trabalhar com especulações ou fatos

que ainda estão em via de se concretizar. Para exemplificar, uma agremiação só pode noticiar a contratação de algum atleta em seu site oficial quando o contrato foi efetivamente assinado entre o jogador e o clube. Os portais especializados em notícias, por outro lado, podem levar o fato ao ar quando a negociação ainda está acontecendo e não, apenas, quando tudo foi concretizado.

A falta de estrutura dos departamentos de comunicação ou assessorias de imprensas dos clubes esportivos paulistas também não permite uma maior agilidade na atualização das informações que compõem o noticiário dos clubes. Por outro lado, os grandes veículos de comunicação do país têm condições de disponibilizar um jornalista para cobrir o dia-a- dia de cada uma das agremiações da cidade onde estão localizados. São os chamados “setoristas”, que vivem a rotina do clube, tendo sempre acesso, em primeira mão, aos fatos novos e desconhecidos do público, para divulgá-los.

Todos esses elementos fazem com que a totalidade dos jornalistas esportivos entrevistados não tenha o hábito de navegar nos sites oficiais dos principais clubes do Estado para obter as informações que utiliza, no dia-a-dia, para sua atividade profissional.

Do ponto de vista da comunidade de torcedores e associados que se formam em torno dos sites oficiais das agremiações, percebemos uma tendência cada vez maior dos clubes em identificar esse público como cliente ou consumidor, personificada nas lojas virtuais, programas de Sócio-Torcedor, serviços de informações pagos, informações de perfil mercadológico para cadastro e muitas outras ações de natureza comercial.

Analisando todas essas iniciativas, podemos perceber, como aponta Toledo (2002, p.244), que

(...) todo movimento em promover os torcedores a consumidores (...) parte da crença de que uma maior intervenção institucionalizante nas estruturas do futebol arrefecerá ou domesticará o interesse destes pelo esporte, alterando-lhes os contornos mais passionais e incontroláveis, vistos muitas vezes como causadores da violência esportiva extracampo.

O antropólogo paulista, especialista no estudo do comportamento das torcidas organizadas, conclui seu raciocínio defendendo a idéia de que

(...) é nesse processo material e simbólico de tentativas de reestruturação do profissionalismo ampliado que está sendo gestada timidamente essa nova modalidade do torcer, a de sócios-torcedores, que contempla os requisitos necessários à transição da condição genérica do torcedor para a de ‘consumidor esportivo (IDEM).

Os projetos de Sócios-Torcedores, iniciados pelo São Paulo Futebol Clube, em 1999, contemplam uma relação entre as agremiações esportivas e esses novos torcedores, associados aos clubes pela lógica do consumo, na qual se desenham “direitos” e “deveres” com relação a esse agrupamento de aficcionados das insituições futebolísticas mais populares do Estado (cf. TOLEDO, 2002).

Os “deveres” são constituídos por uma contribuição mensal paga pelos torcedores às agremiações.

Os ‘direitos’ formam a contrapartida do clube nessa parceria popular com os torcedores, explicitada pelo departamento de divulgação da campanha por Internet: ‘participar de sorteios especiais com ampla divulgação pela mídia; descontos especiais na compra de produtos oficiais do clube; tratamento especial que poderá levar ao recebimento de brindes; entrada e espaço separados em jogos predeterminados realizados no estádio da agremiação; ingressos e preços privilegiados nesses jogos predeterminados; carteirinha com foto (IDEM).

Os programas de Sócios-Torcedores permitem, também, para além da parceria comercial, o cadastramento dos indivíduos que se associaram a essa iniciativa, numa clara manifestação da “sociedade de controle” de Deleuze (2000), que apresentamos no início deste capítulo. Com informações detalhadas de seus torcedores, inclusive com dados a respeito dos seus hábitos de consumo relacionados ao futebol, o clube pode customizar suas ações, fazendo com que seu torcedor se sinta único e exclusivo no meio da massa. O torcedor abandona a massa e, com ela, a “sociedade disciplinar”, para ser único e individual, ingressando na “sociedade de controle”.

Uma das primeiras iniciativas de cadastramento dos torcedores com finalidades comerciais aconteceu em 1993, com o lançamento dos cartões de crédito de afinidade18 dos principais clubes do futebol brasileiro. Lançados pela Bradesco-Visa, os primeiros a surgir no país foram o do Clube de Regatas Flamengo, o do Clube de Regatas Vasco da Gama, o do Fluminense Football Club e o do Sport Club Corinthians Paulista. Depois vieram muitos outros. “O conceito utilizado – ‘este é o único cartão que a torcida aprova’– foi o mote de toda a campanha” (MELO NETO, 1995, p.200).

18 Cartão de afinidade “é um cartão de crédito que se torna disponível para um público específico de uma

entidade, seja empresa, clube esportivo ou instituição de qualquer natureza, através de um contrato de parceria entre esta entidade e uma empresa administradora de cartões de crédito. Trata-se de um produto de expressão social, porque está diretamente vinculado a uma associação, clube, entidade social ou sindicato. O lugar de destaque no plástico do cartão é ocupado pelo grupo de afinidade, e não pelo banco” (MELO NETO, 1995, p.199-200).

De grande sucesso e aceitação nos anos de 1993-9419,

(...) os cartões (vinham) com as marcas do clube, do Bradesco e da Visa, e com selo holográfico de segurança. E (utilizava) as cores e o escudo do clube. A venda (era) feita através de mala direta cedida pelo próprio clube. (...) A mensagem (era) clara: ‘Na hora de pagar suas despesas, todo mundo vai saber qual é o time do seu coração (IDEM).

Em outubro de 1996, o Sport Club Corinthians Paulista anunciava “uma tímida campanha de cadastramento de seus torcedores nas ruas, anunciando subsídios para os jogos ao preço de uma mensalidade de 25 reais” (TOLEDO, 2002, p.245). O objetivo da campanha era “monitorar os torcedores”. Os resultados obtidos foram de pouca repercussão, segundo Toledo, em razão do “prestígio da maior torcida organizada do país, a Gaviões da Fiel, que acaba mobilizando a maior parte dos torcedores que aspiram a uma participação mais coletivizada e assídua” (IDEM).

Os programas de Sócios-Torcedores, muito embora tenham obtido relativo sucesso, ainda não se firmaram como instrumento de constituição coletiva de uma identidade clubística; talvez porque, para muitos torcedores, o futebol ainda seja algo muito maior do que um simples produto de consumo. Porém, é impossível negar o papel que esse tipo de iniciativa ocupa na ainda precária e amadora estrutura administrativa e financeira dos clubes de futebol profissional do Estado.

Além do aspecto comercial, o cadastramento dos Sócios-Torcedores serve para que a Polícia Militar possa ter um controle maior sobre os torcedores que freqüentam os espaços reservados aos Sócios-Torcedores, contudo essa delimitação territorial será melhor analisada quando estudarmos alguns sites não-oficiais dos quatro grandes clubes paulistas. Neste momento o que podemos é interpretar esses “espaços preferenciais” reservados aos Sócios-Torcedores como uma resposta, nos últimos anos, das classes média e alta à violência e à opressão levada a cabo, nos estádios de futebol, pelas torcidas organizadas.

Através do consumo, o Sócio-Torcedor, aquele que tem condições de consumir o programa de fidelidade de seu “clube do coração”; pode, em seu espaço reservado, torcer como quer, do jeito que quer, emitindo suas opiniões sobre o jogo como bem deseja, sem risco ou ameaça de agressão física e palavras de intimidação por parte dos torcedores organizados. Passa a não ser mais obrigado, através do consumo, a respeitar os códigos e os ritos dos torcedores organizados nas arquibancadas paulistas. Ser Sócio-Torcedor é, na

cultura do futebol brasileiro, adquirir o direito de liberdade de expressão nos principais estádios do país.

Deleuze, em seu texto Post-Scriptum sobre as Sociedades de Controle, identifica de forma clara o papel da CMC (Comunicação Mediada por Computador) e as modificações por ela exercida no capitalismo:

É fácil corresponder a cada sociedade certos tipos de máquina, não porque as máquinas sejam determinantes, mas porque elas exprimem as formas sociais capazes de lhes darem nascimento e utilizá-las. As antigas sociedades de soberania manejavam máquinas simples, alavancas, roldanas, relógios; mas as sociedades disciplinares recentes tinham por equipamento máquinas energéticas (...); as sociedades de controle operam por máquinas de uma terceira espécie, máquinas de informática e computadores (...). Não é uma evolução tecnológica sem ser, mais profundamente, uma mutação do capitalismo. (...) Mas atualmente o capitalismo não é mais dirigido para a produção (...). O que ele quer vender são serviços, e o que quer comprar são ações (DELEUZE, 2000, p.223).

Assim, os sites oficiais dos clubes de futebol acabam por se converter no local onde o torcedor pode encontrar, de uma só vez, em um único lugar, diversos serviços ligados ao seu time “do coração” para consumir. Em troca, os empresários da Internet (CASTELLS, 2003) correm atrás da valorização de suas marcas e empresas na rede mundial de computadores.

Lipovetsky (2003, p.21), em sua obra Metamorfoses da Cultura Liberal, aponta “a dificuldade de viver, a insegurança, o medo ligado não somente ao terrorismo, mas a qualquer coisa: alimentação, relações, idade, trabalho, aposentadoria” como os principais motivos para o individualismo de nossos tempos.

Medo que, nos estádios de futebol do Brasil, se manifesta na violência das atitudes das torcidas organizadas e faz com que o consumo passe a funcionar, para as classes sociais mais abastadas, “como doping ou como estímulo para a existência, às vezes, como paliativo, despiste em relação a tudo que não vai bem em nossa vida” (IDEM).

O ciberespaço disponibiliza, assim, para a cultura do torcedor de futebol brasileiro, uma sensação de segurança raramente vivenciada nas praças esportivas do país. Além disso, os sites oficiais dos clubes oferecem, no imaginário desse mesmo torcedor, a sensação de pertencimento à comunidade da agremiação. Pertencimento este que se materializa nas realizações de consumo – na filiação ao programa de Sócio-Torcedor, no contato com o clube via e-mail e na obtenção da resposta, no recebimento de uma

newsletter eletrônica, na aquisição de um produto licenciado pelo time em sua loja on-line e de várias outras formas permitidas por este espaço digital.

Porém este pertencimento não leva o internauta, necessariamente, a uma sensação de saber, de conhecimento. Isso ocorre porque, através dos sites oficiais, o torcedor navega no espaço que Lévy (1998) denominou, em seu livro A Inteligência Coletiva, como espaço da mercadoria20 não atingido nesta esfera o espaço do saber, fato que irá ocorrer, como veremos mais adiante, nas comunidades que se formam ao redor dos sites não-oficiais dos clubes de futebol do Brasil.

Compartilhando a visão de Lévy, Dizard Jr., associado sênior do programa de políticas de comunicações do Center for Strategic & International Studies em Washington, apresenta, de uma forma que consideramos mais prática, o atual cenário da comunicação global.

Os recursos de mídia estão sendo reorganizados num novo padrão, composto por três partes principais. A primeira consiste da mídia de massa tradicional, que continuará sendo, por muito tempo, o elemento mais importante do padrão em termos do seu alcance e influência. A segunda consiste de mídia de massa eletrônica de última geração, operando basicamente com a nova estrutura de informação e competindo cada vez mais com os serviços de mídia tradicional. Finalmente, temos o aparecimento de formas mais modernas de mídia eletrônica pessoal, compostas de agrupamento de pessoas de mentalidade semelhante para satisfazer suas próprias necessidades profissionais ou individuais de informação. As salas de bate-papo da Internet e as páginas personalizadas na Web são exemplos cada vez mais comuns desses desenvolvimentos (DIZARD JR., 2000, p.256-257).

Na cibercultura do futebol, podemos encontrar os dois últimos padrões apresentados pelo pesquisador americano. Inegável a importância que as mídias tradicionais, em especial o jornal, o rádio e a televisão, têm para o esporte mais popular do planeta. Através da cultura do futebol podemos exemplificar o que afirmou Dizard Jr. (2000), ao colocar a mídia tradicional com a de maior alcance e influência no mundo global das comunicações. O futebol não existe sem esse padrão de recurso midiático.

Porém, e naquilo que interessa ao nosso trabalho, podemos identificar, de forma clara, os outros dois padrões apresentados pelo pesquisador. A mídia de massa eletrônica de última geração, a que opera com a nova estrutura da informação, busca, cada vez mais,

20 Lévy (1998) divide a constituição da identidade em quatro espaços: A Terra - o primeiro espaço ocupado

pela humanidade; O Território - a cidade, o estado, o espaço físico onde a vida social se realiza; O Espaço das mercadorias - um mundo novo marcado pela circulação cada vez mais intensa e rápida do dinheiro; e O Espaço do saber - uma utopia, o não-lugar e que, por não existir, só se realiza no virtual, na expectativa de nascer.

competir com os serviços de mídia tradicional. A utilização de recursos de som e imagem,