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Breendevinssamlag og andre til brændevinssalg berettigede

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Dei Statistiske Centralbureau

I. Breendevinssamlag og andre til brændevinssalg berettigede

No dia 14 do corrente fugirão a Manoel Marinho Leite, dois pretos, um por nome Manoel, corpolento, retinto, e cerrado de barba, e outro também Manoel, alto, magro, cara redonda, e sem barba, cor fula, de idade de 20 annos, andavão com

318 Spix e Martius afirmam que eram “não menos de 40” os produtos exportados, entre os quais: açúcar,

cachaça, melado, café, cacau, baunilha, algodão, bálsamo de copaíba, estopa, alcatrão, copal, pau-amarelo (tatajuba, guriúba), mui finas madeiras de marcenaria (como muirapinima, jacarandá, pau-violeta ou pau-da- rainha, pau cetim) , madeiras de construção, fumo, piaçaba, salsaparrila, tapioca, arroz, goma (tanto da raiz da mandioca, quanto de outros tubérculos), borracha ( da seringueira), (....)”. SPIX, Johann Baptist Von e MARTIUS, Karl Friedrich Philip von. Viagem pelo Brasil: 1817-1820. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1981. P. 32.

Sobre a questão da dependência aos mercados metropolitanos, como também aas questões econômicas e político-administrativas que marcaram o relacionamento entre o Grão-Pará e Portugal, é interessante ver COELHO, Geraldo Mártires. Anarquistas, demagogos e dissidentes: a imprensa liberal no Pará de 1822. Belém: CEJUP, 1993. Pp. 92 a 148.

319 Ver MATOS, Maria Izilda Santos de. Cotidiano e Cultura: história, cidade e trabalho. Bauru, SP: EDUSC, 2002. (apresentação) Elaboradora da categoria “porta adentro” para referir-se ao universo doméstico, Maria Izilda adverte que “na organização de tempo e espaço do universo ‘porta adentro’, (...) ao contrário das

cavallos vendendo água: quem os entregar ao seu Snr. Nesta Cidade será gratificado, e protesta contra os acoutar.320

Naquela quarta-feira de fevereiro, os leitores do “Treze de Maio” se depararam com a notícia acima, publicada na secção de “avisos”. Certamente aquela não era a única advertência de fuga de escravos a aparecer em um jornal da capital do Grão Pará, na verdade eram vários os avisos daquela ordem. Aparentemente, Manoel Marinho estava bem informado acerca das atividades de seus escravos homônimos: ambos vendiam água, provavelmente em barris ou pipas, ou mesmo potes de barro, atrelados aos cavalos referidos no texto do aviso. Realmente, os dois escravos escolheram uma atividade que os expunha pelas ruas, travessas, largos da cidade, talvez por já haverem desempenhado aquele trabalho anteriormente, ou por estarem familiarizados com os ganhos de jornais, advindos através do comércio nas ruas.

Possivelmente os dois “Manoéis” coletaram a água a ser vendida nos poços ou cacimbas do Paul d’Água. Aqueles eram locais freqüentados pelos aguadeiros de Belém durante grande parte do século XIX, conforme expus no capítulo anterior, e conforme a leitura do engenheiro Theodosio Constantino de Chermont, constam no traçado do “Plano Geral da Cidade do Pará”, cujo detalhe apresento a seguir.

Quando de sua estada em Belém ao final dos anos trinta dos oitocentos, Kidder também registrou a presença de aguadeiros pelas ruas, os quais, para “conveniência das

famílias” que não dispunham de número (supostamente) razoável de criados, transportavam “sobre o dorso de animais pequenos barris de água potável”. Segundo o relato do viajante, a água utilizada nos “serviços domésticos” era obtida no rio e em alguns “poços feitos nos

arrabaldes”. Não era raro, escreveu Kidder, encontrar, nas madrugadas úmidas de Belém,

“negros e índios com potes de barro à cabeça, a caminho das fontes”.321

320 Fundação Cultural do Pará “Tancredo Neves”/CENTUR. Biblioteca Pública do Estado do Pará “Arthur Vianna”, sessão de microfilmagem. Jornal: “Treze de Maio”, 24º trimestre, nº 583, de 25/02/1846. P. 04. Sobre usos dos poços em Belém ver CRUZ, Ernesto. A água de Belém – sistemas de abastecimento usados na

Capital desde os tempos coloniais aos dias hodiernos. Belém: Oficinas Gráficas da Revista de Veterinária, 1944. ARAÚJO, Renata Malcher. As cidades da Amazónia no século XVIII. Belém, Macapá e Mazagão. Porto: FAUP, 1998. BELTRÃO, Jane Felipe. Cólera, o flagelo da Belém do Grão-Pará. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi; Universidade Federal do Pará, 2004. SILVA, Ivo Pereira da. Terra das Águas: uma história social das

águas em Belém, século XIX. Belém: UFPA/IFCH/PPHIST, 2008. Dissertação (mestrado).

321 KIDDER, Daniel Parish. Reminiscências de viagens e permanências nas províncias do Norte do Brasil:

compreendendo notícias históricas e geográficas do Império e das diversas províncias. São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1980. P. 204.

Detalhe, Figura 12 “ Plano Geral da Cidade do Pará” – destaque (meu): poços do Paul d’Água.322

Em fala dirigida à Assembleia Legislativa Provincial, em 15 de agosto de 1853, o presidente da Província José – Joaquim da Cunha declarou:

procedeo-se ao aterro e empedramento na largura de 30 palmos da estrada do Arsenal. Esta obra que principia no encrusamento dessa estrada com as da Mongubeiras foi de fácil execução nos largos da Trindade e da Polvora até a embocadura da estrada de Nasareth, mas não dahi em diante, onde o terreno se deprime; com tudo a despesa não excedeu a 8$300 réis por braça quadrada. Tendo- se esgotado a quota, autorisei o dispêndio de mais 2:000$000 réis, mais vendo que a parte mais arruinada da estrada de Nasareth se achava prompta mandei parar o seo calçamento para acudir á Rua de Paul d’agua á vista do seu miserável estado pelas aguas, que do largo da Polvora por ella se despenhaõ com ímpeto, e que d’ora em diante seraõ recebidas em um cano de alvenaria. A Camara Municipal ficará livre da despesa naõ pequena, que annualmente fazia com essa Rua sempre arruinada pelas agoas, e pelo continuo movimento dos pesados carros com pipas, que ali vaõ receber agua para distrubui-la pela Cidade. Esta obra que pretendo levar ao fim é dispendiosa, mas indispensavel.(grifos meus)323

322 Tirado por Ordem do Ill.mo e Ex.mo Senhor D. Francisco de Souza Coutinho Governador e Capitão General do Estado do Graõ Pará, e Rio Negro. Documento original, sob a guarda do Ministério da Defesa/Exército Brasileiro/ Arquivo Histórico do Exército (AHEx/RJ)/Divisão de História – Mapoteca II. Série: norte. Sub-série: Pará. Há uma reprodução em REIS FILHO, N. Goulart. CD-ROM, Imagens das Vilas e Cidades do Brasil

Colonial, 1999. O plano original consta na obra “Viagem Filosófica” de Alexandre Rodrigues Ferreira.

323 “Falla que o Dr. José Joaquim da Cunha, presidente desta Província dirigio a Assembléia legislativa Provincial, na abertura da mesma Assembléia no dia 15 de agosto de 1853”. Depositado em http://www.crl.edu/pt-br/brazil/provincial/pará. Acesso em 25 fev. 2005.

O relato de Kidder e a manifestação do dirigente remetem, cada um ao seu modo, para a distribuição da água através de aguadeiros com vistas a suprir com água, os diversos lugares da Cidade do Pará. A observação de Kidder, no entanto, remete também para a questão do uso familiar da água, ou seja, o serviço prestado pelos aguadeiros era importante para as famílias que não dispunham de uma criadagem suficientemente numerosa para realizar a coleta do líquido. Ou seja, de conformidade com a visão do viajante, na Belém daqueles tempos, a coleta e a venda de água era um trabalho realizado pela criadagem ou por aguadeiros.

Em outras palavras, eram os trabalhadores domésticos, ou de rua, ou ainda aqueles que desenvolviam os serviços de dentro e de fora da casa, escravizados ou não, os que procediam a coleta da água e que percorriam as ruas, portando os vasilhames nos quais a água deveria ser acondicionada. Andavam pela cidade desde as primeiras horas da manhã, possivelmente para

prover as moradias com a água (ou pelo menos parte dela) a ser usada ao longo do dia.324

Através daqueles trabalhadores foram possíveis conexões entre os exteriores e os interiores das moradias. Ou seja, concorreram diretamente para o processo de domesticação da água, a qual uma vez retirada dos poços, de rios e/ou igarapés, fluía pelas estradas, travessas, ruas e largos da cidade, para finalmente adentrar os cômodos das residências.

Uma vez coletadas, as águas eram remanejadas para os barris, ou para as grandes pipas - semelhantes a que é apresentada por Ernesto Cruz e que exponho a seguir - ou ainda para os potes de barro. Mais tarde podiam ser recepcionadas em outras vasilhas, algumas consideradas mais apropriadas aos interiores das moradas, para serem finalmente usadas nas diversas atividades desenvolvidas no interior do domicílio: a lavagem dos corpos, de objetos em geral, a preparação dos alimentos, enfim.

As estradas do Arsenal e das Mongubeiras, na verdade uma só via sendo uma o prolongamento da outra, foram mais tarde denominadas avenida Almirante Tamandaré. A estrada de Nazareth, passou a ser chamada avenida Nazaré. A estrada do Paul d’Água, foi posteriormente denominada estrada de São Jerônimo e depois avenida Governador José Malcher. In: CRUZ, Ernesto. Ruas de Belém: significado histórico de suas denominações. Belém; CEJUP, 1992. Pp.79-80.

Sobre os aguadeiros é importante ver os estudos já referidos de CRUZ, Ernesto. A água de Belém – sistemas de

abastecimento usados na Capital desde os tempos coloniais aos dias hodiernos. E também BELTRÃO, Jane. Felipe. Cólera, o flagelo da Belém do Grão-Pará. E ainda FONTES, Edilza. “Preferem-se Português (as)”:

trabalho, cultura e movimento social em Belém do Pará (1885-1914). Campinas: UNICAMP, 2002. (Tese Doutorado). E SILVA, Ivo Pereira da. Terra das Águas: uma história social das águas em Belém, século XIX . Belém: UFPA/IFCH/PPHIST, 2008. Dissertação (mestrado).

324 Sobre essa questão ver BELTRÃO, Jane. Felipe. Op. Cit. P. 222. A autora afirma que “eram as gentes de

cores que buscavam água nos pontos d’água localizados nos arredores da cidade”. Sobre a expressão “gentes

de cores”, a autora esclarece que “a expressão as gentes é associada à diversidade cultural que aponta a desigualdade social, sobretudo no caso de negros escravos ou libertos, índios escravos ou livres e caboclos de todos os matizes. As gentes remete à exclusão social existente na província. A expressão é utilizada nos documentos de época e pela literatura coeva para indicar pessoas de cores, pobres, portanto gente de carne e osso com rostos, costumes, tradições, falares e procedimentos específicos (...)”. Pp. 23-4.

Uma vez usadas, as águas eram descartadas pelos moradores nos quintais, ou mesmo nas ruas, causando, algumas vezes, os empoçamentos tão condenados pelos higienistas de plantão no período dezenoveano, conforme discuto no capítulo anterior, sobre os esgotamentos das águas servidas.325

Segundo Ernesto Cruz, nos anos noventa, os aguadeiros vendiam o pote d’água ao valor de 200 réis. O pote era “feito de folha no sistema das vasilhas que os atuais leiteiros

usam para distribuição do leite, sendo, então, de tamanho maior, iguais às talhas de barro, porém sem a tampa.”326

Considero importante ressaltar também que aquela era uma atividade sobretudo masculina e que não localizei, mulheres realizando a venda da água, embora fosse possível o envolvimento de mulheres menos abastadas no processo de obtenção da água, principalmente em poços, e posteriormente em torneiras, localizados nas proximidades de seus lugares de residência e/ou trabalho. Havia, por exemplo, aquelas que coletavam água como parte de seus serviços domésticos. Assim viviam Guilhermina e Francisca, ambas “menores”, somando entre doze e treze anos de idade, que iam regularmente à torneira pública situada na Estrada

325 A imagem acima consta da obra de Ernesto Cruz. Segundo o autor, em Belém eram numerosos os aguadeiros – “como eram chamados os indivíduos que se dedicavam à venda da água pela cidade” – e grande parte deles era constituída de portugueses. Devido ao elevado número de carroças/carros de condução, o trânsito e as obras municipais sofriam prejuízos, inclusive as obras realizadas no Paul d’Água. In: CRUZ, Ernesto. A Água de

Belém: sistemas de abastecimento usados na Capital desde os tempos coloniais aos dias hodiernos. Belém: Oficinas Gráficas da Revista de Veterinária, 1944. P. 27-9.

326 CRUZ, Ernesto. A Água de Belém: sistemas de abastecimento usados na Capital desde os tempos coloniais

aos dias hodiernos. Belém: Oficinas Gráficas da Revista de Veterinária, 1944. P. 66. Figura 24 “sistema de pipas usadas pelos aguadeiros no século XIX”.

de São João, inclusive por volta de nove horas da noite, segundo relatou o comerciante Antonio Teixeira da Silva, em depoimento prestado a 01 de junho de 1899.327

Guilhermina Guedes dos Santos morava com Dona Josephina Barboza Peleja há cinco anos e teria sido deflorada por João Paulo Alves do Nascimento. Em defesa deste, o advogado Themistocles A. Figueiredo registrou que Guilhermina convivia na casa de Josephina

sem o menor recato, empregada no serviço de encher água na torneira publica, distante da casa de sua moradia um quarteirão e comprando em tabernas, lugares estes em que ouvia diterios pouco decentes e aos empuchões com magarefes e garapeiros. (grifos meus)

É importante avaliar que muitas mulheres dificilmente disporiam de recursos fosse para custear a compra da água diretamente de um aguadeiro, fosse para pagar pelo serviço de um trabalhador que se dispusesse a fazê-lo. O processo não deixa claro se esta seria a condição de Josephina, de todo modo, ela mantinha Francisca e Guilhermina em sua casa, empregando-as inclusive e/ou principalmente para os serviços de fora da moradia. O leitor há de recordar a discussão acerca de serviços considerados inferiores, reservados aos criados em várias cidades do Brasil. Comprar em tabernas e buscar água eram entendidos assim.

Com relação ao comércio da água, contudo, outra possibilidade não deve ser descartada, a de que houvesse proprietárias de carros com pipas d’água, que recorressem ao trabalho direto de homens para proceder a venda da água nas ruas de Belém.

De qualquer modo, não são raros os textos escritos (de jornais e de dirigentes provinciais) que fazem referência à importância do trabalho dos aguadeiros na Belém do século XIX. Ou seja, o trabalho desenvolvido por aqueles homens mostrava-se importante por ser necessário aos moradores de uma cidade, na qual inúmeras casas de morada e prédios em geral não dispunham de poço próprio – e nesse ponto, considero importante referir que entre 240 documentos relacionados, entre testamentos e inventários “post mortem” principalmente, constam 22 poços ao longo do século XIX, sendo 11 deles construídos antes dos anos oitenta do citado período -, uma cidade na qual o processo de canalização da água somente se deu a partir dos anos oitenta do século XIX e ainda assim de forma incipiente considerando que apenas uma reduzida parcela da população da cidade teria acesso a água encanada.

Na Belém do Pará daqueles tempos, parecia haver um consenso entre os moradores com relação a que habitantes caberia a atribuição do trabalho de coleta e/ou venda d’água, ou seja, a coleta da água, o transporte da mesma através dos caminhos da cidade e a venda do

327 CMA/UFPA. Fundo: Tribunal de Justiça do Estado/PA/PA. Ano de 1899. Juizo Municipal. “Autos crimes de defloramento de Guilhermina Guedes dos Santos, em que é réo João Paulo Alves do Nascimento.

líquido eram atividades historicamente atribuídas à determinada porção de moradores, constituída basicamente por homens, os quais, mesmo apresentando diferenças entre si, foram denominados de um modo geral como “aguadeiros” e que, conduzindo seus carros pipas, percorriam ruas, estradas, travessas da cidade, conforme registrou o fotógrafo Felipe Augusto Fidanza, na imagem fotográfica da “Travessa de São Matheus, também conhecida como

Estrada das Mangubas, atual Rua Pe. Eutíquio”, que exponho a seguir.328

Figura 25 Fidanza, F. A. “Travessa de São Matheus, também conhecida como Estrada das Mangubas, atual Rua Pe. Eutíquio.”329

328 Sobre a obra de Fidanza ver PEREIRA, Rosa Cláudia Cerqueira. Paisagens urbanas: fotografias e

modernidades na cidade de Belém (1846-1908). Dissertação (mestrado). UFPA/IFCH/PPHIST. Belém, 2006. FBN/RJ. Coleção “Iconografia”. Os originais da fotografia da travessa de São Mateus, apresentada nesta tese, encontram-se sob a guarda dessa Instituição. De conformidade com os registros da FBN, a travessa de São Mateus era conhecida como estrada das Mangubas, depois denominada Rua Padre Eutiquio. Todavia, Ernesto Cruz registra que havia em Belém uma estrada das Mongubeiras, depois denominada avenida Almirante Tamandaré. Já a estrada de São Mateus, foi depois denominada Rua Padre Eutiquio. Ver CRUZ, Ernesto. Ruas

de Belém: significado histórico de suas denominações. Belém; CEJUP, 1992. Pp. 79 e 63, respectivamente. Bates também deixou registrados, comentários a respeito da estrada das Mongubeiras. Ver BATES, Henry Walter. Um naturalista no rio Amazonas. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1979. P. 14.

329 Manguba, monguba e munguba são denominações vulgares da Pachira aquática (Bombacaceae). De acordo com os estudos que refiro a seguir ela é uma planta “nativa do sul do México até o norte da América do Sul. Na

região amazônica, ocorre predominantemente em terrenos sujeitos a inundações periódicas, especialmente às margens de rios e córregos. É uma espécie muito cultivada como ornamental, especialmente para a arborização

de praças e jardins. Sua introdução em arborização urbana foi feita pelo botânico e paisagista francês A.F.M.Glaziou, quando de sua estada no Brasil na segunda metade do século XIX.” (grifos meus). In:

A necessidade dos moradores também vem à tona através da fala de José Joaquim Cunha quando este afirma que “o movimento dos pesados

carros com pipas era contínuo”, ao ponto de, em conjunto com o fluxo violento das águas das chuvas, tornar “miserável” o estado da rua do Paul d’Água, o que sugere uma mobilização freqüente e regular naquele local, inclusive porque aquela era uma área em que havia diversas cacimbas o que possibilitava o abastecimento de várias pipas ao mesmo tempo.330

Penso que a fala do dirigente provincial também denota uma certa demora do poder público em intervir no espaço do Paul d’Água. A manifestação de Joaquim Cunha data dos anos cinquenta dos oitocentos, foi quando ele anunciou a inserção de um cano de alvenaria para receber as águas impetuosas que se precipitavam sobre o Paul d’Água.

Não é, portanto, difícil imaginar que durante muitas décadas, os aguadeiros precisaram recorrer á força física e/ou à habilidade e à solidariedade entre eles para manobrar seus pesados carros numa área cujo chão estaria exposto às precariedades que o tornariam quase sempre quebradiço, lamacento e, portanto, irregular.

Nesse sentido até mesmo o comportamento dos animais de tração precisava ser adequado às agruras do ofício. Em outras palavras, a docilidade dos bois era importante, pois do contrário tornaria ainda difíceis as manobras dos carros.

PEIXOTO, Ariane Luna e ESCUDEIRO, Alexandra. Pachira aquática (Bombacaceae) na obra “Historia dos Animais e Árvores do Maranhão” de Frei Cristóvão de Lisboa. Rodriguésia. 53 (82): 123-130. Disponivel em http://rodriguesia.jbrj.gov.br/Rodrig53_82/7-PEIX~1.PDF. Acesso em 07 mar. 2010. E OLIVEIRA, Luciene Zagalo de, CESARINO, Fabiano, MORO, Fabiola Vitti, PANTOJA, Tammya de Figueiredo, e SILVA, Breno Marques da Silva e. Morfologia do fruto, da semente, germinação e plântula de Pachira aquática Aubl. (Bombacaceae). Disponivel em http://www6.ufrgs.br/seerbio/ojs/index.php/rbb/article/viewFile/889/732. Acesso em 07 mar. 2010.

330 Várias cacimbas do Paul d’água constam do “Plano Geral da Cidade do Pará”, já exposto nesta tese em páginas anteriores. Sobre a importancia do Paul d’Água há os trabalhos já citados de CRUZ, Ernesto. A água de

Belém – sistemas de abastecimento usados na Capital desde os tempos coloniais aos dias hodiernos. Belém: Oficinas Gráficas da Revista de Veterinária, 1944. BELTRÃO, Jane. Felipe. Cólera, o flagelo da Belém do

Grão-Pará. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi; Universidade Federal do Pará, 2004. E SILVA, Ivo Pereira da. Terra das Águas: uma história social das águas em Belém, século XIX . Dissertação (mestrado). Belém: UFPA/IFCH/PPHIST, 2008.

Sobre essa questão, no “Diario do Gram-Pará”, de setembro de 1861 foi publicado o seguinte anúncio: “Vende-se 3 bois muito mansos próprios para carros d’água, quem os

pretender falle na rua da Boa Vista n. 16 cc, na loja de Manoel Baptista de Miranda.” E no jornal “A Provincia do Para”, de maio de 1876, foi anunciado que “O agente Lamarão Junior

vendera em leilão 4 bois mansos, proprios para carros no Paul d’Agoa. A’s 4 horas”. Ao que

parece, os problemas com relação ao estado da rua do Paul persistiram ao longo dos anos.331

Em relação às tensões entre aguadeiros e poder público em Belém, Ernesto Cruz transcreve um reclamação datada de 19/04/1864, do Diretor de Obras Públicas, José Coelho

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