... os traços distintivos simbolizam mais claramente a posição diferencial dos agentes que simbolizam na estrutura social – por exemplo, a roupa, a linguagem ou a pronúncia, e sobretudo “as maneiras”, o bom gosto e a cultura – pois aparecem como propriedades essenciais da pessoa, como um ser irredutível ao ter, enfim como uma natureza, mas que é paradoxalmente uma natureza cultivada, uma cultura tornada natureza, uma graça e um dom. (BOURDIEU, p. 16: 2005a)
basta lembrar a oposição entre a lógica da evolução da língua popular, que obedece ao princípio de economia até mesmo em suas invenções aparentes, sempre fundadas na analogia e via de regra ajustadas às leis profundas da língua, e a lógica da evolução da língua erudita que, por
78 ser produzida e reproduzida por e para relações sociais dominadas pela busca da distinção, obedece ao que se poderia designar o princípio do desperdício (ou da gratuidade) e cuja manipulação supõe um conhecimento quase reflexivo, transmitido por uma educação explícita expressa dos esquemas de expressão. (ibidem, p.113)
Entendido o conceito de habitus e sua importância para a sociologia da ação de Bourdieu – como o centro de disposições incorporadas que dotam desigualmente os sujeitos sociais ao seu meio –, vejamos agora a sua versão lingüística que faz parte da concepção wittgensteiniana de investigação legítima da filosofia. Assim, podemos traçar as similitudes que une os dois autores, além de observar que uma boa parte do empreendimento de Bourdieu é como se fosse uma continuação “por meios sociológicos” do que Wittgenstein gostaria de tratar quando reflete sobre os usos da linguagem. Viu-se que o filósofo se interessava por investigar de que forma os usuários da linguagem estavam de acordo com ela e quando aconteciam os problemas de comunicação. Vimos a clara conexão do texto wittgensteiniano com os assuntos da sociologia, levando-nos a supor que as preocupações existentes nas Investigações são muito semelhantes ao que nós temos na sociologia. Então, consoante ao que o austríaco reivindica como tarefa da filosofia, ou seja, crítica da linguagem, vejamos quais são as contribuições que se pode encontrar para a formação de uma teoria sociológica que tenha como seu fundamento a prática não só da linguagem, mas onde ela for identificável. Ou seja, todas atividades humanas que tenham como suporte e móvel as mesmas idéias que discutimos sobre a dependência entre o indivíduo e o meio social de aprendizagem, destacando a produção e reprodução das estruturas, os jogos, as regras etc.
*
Cada encontro social tem sua demanda própria; o caso do uso da linguagem não é diferente. Como alerta Bourdieu, a sua sociologia precisa ser trabalhada adequadamente para cada objeto de investigação sociológica. É permitido dizer que o conceito de habitus pode ser desmembrado e redefinido em partes menores, para fins heurísticos, a fim de precisar a sua característica mais importante, que é a ligação desse conceito à especificidade do caso. Ou seja, cada tema sociológico tem detalhes que lhes são próprios e que predominará na pesquisa e, conseqüentemente, na definição e formulação teórica para o estudo.
Na sua acepção ampla, o habitus é um dos conceitos que pode ser adaptado para as mais variadas espacializações sociais nas quais há ocorrências da dialética entre estruturas objetivas e estruturas que são incorporadas, que acabam estruturando a ação. Para fins desse
79 texto, vejamos a sua especificidade quando pensado para o agente lingüístico e sua a atividade verbal próprias de sua prática.
Através das disposições do habitus, o agente está potencialmente dotado para interagir com maior ou menor desenvoltura nos espaços sociais dos quais ele adquiriu as estruturas cognitivas necessárias para saber explicitamente ou tacitamente, ou melhor, praticamente as ações coerentes e ajustadas a esse meio, bem como as demandas surgidas de lá. O caso do uso da linguagem não é diferente. Apenas, dadas as condições (sociais) que são próprias ao uso de linguagem, seria adequado ver quais são as especificidades do habitus quando o que lhe caracteriza é a sua roupagem no âmbito das formas que assume em termos lingüísticos.
A primeira condição é saber que a linguagem é um bem público; não há, a rigor, donos que possam reivindicar royalities pelo uso que as pessoas dela fazem diariamente. Nisso, os dois autores aqui estudados estão plenamente de acordo. A linguagem é assimilada através de “jogos de linguagem” que são as prescrições de uso em contexto e momentos mais ou menos determinados, embora não se possa prever todas as situações futuras possíveis que se possa fazer com uma determinada palavra, como ensina Wittgenstein, ela ganha sentido no contexto de uso. Isso quer dizer que, por exemplo, sabendo o que significa a palavra “copo”, entendido com um objeto que é conhecido por conter líquidos. Esse uso é regular e não causa maiores perplexidades. Mas, sabendo que é o uso que dota as palavras de sentido imediato, podemos imaginar uma situação que se possa chamar pelo nome “copo” outra idéia que não estava a priori contida na idéia de copo; como se eu batizasse instantaneamente alguma coisa de “copo”, ou encobrisse uma idéia por meio de outra palavra, evitando, assim, causar um constrangimento no local onde se está conversando com alguém. Uso “copo” para me referir a outra coisa que o interlocutor capta no interior da dinâmica. Ou seja, pratico um desvio ou deturpação semântica. O que acontece neste caso? Do aprendizado que recebi da família e da escola estava previsto esse uso alternativo? Não. Como foi possível esse novo significado? Isso é exatamente o que devemos levar em conta quanto Wittgenstein diz que é o contexto de
uso que dá o significado, apesar de sabermos que existe seu uso comum que facilmente seria
captado por um ouvinte que passasse por perto. Assim, a importância do contexto e das intenções dos falantes, que Wittgenstein nos alerta, nos leva às implicações que suas investigações podem inspirar para os estudos que se aventurem a observar a prática lingüística em geral. Vejamos o que um dos continuadores das idéias de Wittgenstein, John Searle, tem a nos dizer sobre isso:
O significado de uma frase é determinado pelos significados das palavras e pela organização sintática das palavras na frase. Mas o que o falante quer dizer com o proferimento da frase, dentro de
80 determinados limites, depende inteiramente de suas intenções. Tenho de dizer “dentro de certos limites” porque não se pode simplesmente dizer qualquer coisa e querer com isso dizer qualquer coisa. Não se pode dizer “Dois mais dois são quatro” e querer dizer que Shakespeare era um poeta bastante bom, além de dramaturgo. Pelo menos não se pode dizer isso sem uma grande quantidade de outras circunstâncias prévias. (SEARLE, p.130: 2000)
Vê-se na citação acima que o uso da linguagem pode mesmo romper com suas prescrições mais consolidadas que seriam inteligíveis para qualquer pessoa que participe do mesmo universo lingüístico. Podemos dar às sentenças os significados que quisermos, mas para que isto não seja apenas uma brincadeira pessoal, podemos também criar uma linguagem de códigos, fazemos os devidos acordos prévios, e assim inventamos novos usos e regras de funcionamento. Quer dizer que numa situação extrema como a citada, o conteúdo proferido dependerá mais dos falantes e do seu universo estabelecido em comum do que propriamente de seu significado literal. A prática desses acordos entre os agentes de um diálogo é o que realmente interessa na comunicação. É, pois, o que Wittgenstein insistia em dizer que mesmo o enunciado mais vago tem sentido; e podemos completar dizendo que aquilo que não parece ter sentido pode, mesmo assim, representar um sentido distante daquele que aparentemente possui para aqueles que não participam do jogo de linguagem.
O agente lingüístico está preso à objetividade das estruturas gramaticais, mas também às estruturas sociais que balizam os usos dessa gramática e seu léxico. O aprendizado de um idioma nunca prevê todas as situações nas quais o que foi aprendido pode ser aplicado. Os casos de usos especiais da linguagem dão indicações mínimas das modalizações que marcam o terreno de funcionamento particularizado. Precisa-se escolher como usar a linguagem, como manejá-la, selecionando o que pode e o que não pode ser dito, bem como o modo de ser dito. Assim, o agente lingüístico não se vale da linguagem aleatoriamente. Nem o domínio da gramática escolar nem do dicionário garante a alguém a competência que é reconhecida e concedida para os que teoricamente “se expressam bem”. Há outros aspectos que balizam o uso da linguagem que não são previstos no ensino mecânico da mesma. Sendo agentes práticos que fazem uso dela para interagir e ter acesso ao mundo da cultura (e suas benesses), é notório que há um cruzamento de relações invisíveis entre o locutor e o interlocutor, que são concretizadas de acordo com os parâmetros que combinam linguagem e prática social. O exercício da linguagem requer do seu agente não apenas que saiba falar uma língua, mas saiba também a quem se fala, como se fala e quando se fala. Isso dependerá e variará em cada caso, em função da formação de um habitus que possua as estruturas cognitivas capazes de responder aos contextos através dos princípios de visão e divisão, que neste caso da
81 linguagem, se relaciona a reconhecer seu público ouvinte e a forma particularizada de reagir a cada um deles.
Públicos diferentes, linguagem (ou jogos de linguagens) diferentes. Cada situação exige um tom definido, um vocabulário próprio que previamente existe nesses contextos (pelos fatores sociais, e, diríamos, na forma de vida contida neles), o que “ritualiza” sua prática, porque, em situações análogas, se reconhece a necessidade de um procedimento lingüístico regular, “consagrado”; um locus social que baliza e que se faz reconhecer pelos seus freqüentadores contumazes que, portanto, possuem as disposições do habitus suficientes para assumir uma postura condizente com esse meio. Quando há o uso de um padrão da linguagem que se espera de determinada pessoa ao estar em determinada posição ou contexto, é lícito dizer que o seu habitus está ajustando às particularidades exteriores, e que isso se reflete quando vemos que sua fala corresponde ou que o meio exige ou requer.
Diríamos que falar é ter o controle da situação, ou ao menos saber o que se passa mesmo que não se esteja em posse e domínio completo do contexto. Bourdieu sabe que o que especifica o agente lingüístico nos contextos em que se integra “osmoticamente” é o seu
timing: “Diziam os sofistas que o importante no aprendizado da linguagem é o aprendizado do
momento oportuno (kairós), do senso do oportuno; que pouco importa o que se diz se não for dito oportunamente” (BOURDIEU. p.52: 2000).
Partindo do senso de proporção que o uso da linguagem exige, Bourdieu indica o seu entendimento da cunhagem do termo “habitus lingüístico” e qual a sua conexão ao mundo social: “Toda essa ciência da relação entre a língua e a situação é logo incorporada ao que chamo de habitus lingüístico, ou seja, esse sistema de disposições que permitem falar oportunamente”. (ibidem, p. 53)
Então, na prática o que importa é o senso de adequação para os contextos. O senso do oportuno é o equivalente para a linguagem o que para acepção ampla do habitus é a confluência entre estruturas objetivas e disposições incorporadas que se “encaixam”. No caso da linguagem, o habitus é aquisição do funcionamento tácito dos fenômenos sociais nos quais uma de suas disposições “cochicha” o que se pode e o que se deve falar, e mesmo se se deve falar. Nascido nos e dos encontros socais, o habitus lingüístico não tem, no entanto, prevalência sobre esses contextos, mas é a expressão destes. Isso quer dizer que esse conceito só é operacionalizável quando nos referirmos às situações nas quais para que a ação de um impetrante possa se realizar, ele precisa recorrer à palavra. Há perfeitamente, por isso, a possibilidade de não haver a necessidade social de se expressar devido ao seu modo de vida, as pessoas que são chamadas de “econômicas com as palavras”. O habitus lingüístico precisa de um pretexto para se manifestar e ser apreendido sociologicamente. Para isso, Bourdieu
82 desenvolve a idéia de “mercado lingüístico”: todas as situações sociais nas quais existe uma relação de ajuste entre o agente do habitus lingüístico e suas diversas interações.
Para Bourdieu, a noção de mercado lingüístico serve para apreender os diferentes contextos sociais que exigem níveis de linguagem (vocabulário, tom de voz, etc.) particulares. O habitus familiarizado ou detectando os traços distintos que caracterizam determinadas situações sociais seleciona o que pode ser dito e de que forma. Ou seja, a capacidade de reconhecimento distintivo do habitus tem a propriedade de se modificar na presença de públicos potencialmente legítimos, sem que o agente se dê conta dessa propensão de alterar os seus produtos lingüísticos. Por isso mesmo, ocorre um conjunto de sanções prévias que são previstas por um habitus que se expressam, ao nível subjetivo, como tensões diante das demandas lingüísticas que podem se manifestar corporalmente com hesitações, pausas, até gagueiras e lapsos. Assim, o mercado lingüístico é a noção para analisar as diferentes dinâmicas conversacionais e a capacidade de ajustes lingüísticos do habitus.
Ao contrário do que supõe uma certa visão ingênua que acha estar na linguagem o poder social, não há, portanto, uma sobredeterminação lingüística às produções sociais, o que faria supor que a linguagem teria em si mesma o poder divino de fabricar e determinar a dominação social; ou criaria mesmo as leis do mundo físico. Por outro lado, a linguagem não é simples reflexo mecânico do mundo social imediato. Ou seja, apesar de haver uma ligação entre linguagem e mundo, essa ligação não é unidimensional, mas obedece a forças sociais variadas que criam um complexo mercado entre seus falantes, que é a principal preocupação do segundo Wittgenstein e de Bourdieu: sua ligação prática do enunciado, mas também aspectos estilísticos e comportamentais.
A respeito dos conteúdos rotinizados que regulam os jogos, Wittgenstein constata a dependência que se tem das instituições sociais para que pensamentos e intenções possam também ser possíveis. Ele se pergunta como nasce as frases no espírito e sobre a intencionalidade incutida nas mesmas. Vejamos este aforismo:
§ 337 Mas não tinha a intenção da forma global da frase, por exemplo, já em seu início? Assim, pois, já estava em meu espírito, então, de modo geral, não estava com outra posição de palavras. Mas aqui fazemos novamente uma imagem enganadora de “ter a intenção de”; quer dizer, o uso dessas palavras. A intenção está inserida na situação, nos hábitos humanos e nas instituições. Se não existisse a técnica de jogar xadrez, eu não poderia ter a intenção de jogar uma partida de xadrez. Desde que tenho antecipadamente a intenção da forma da frase, isto só é possível pelo fato de eu poder falar esta língua. (WITTGENSTEIN, 1979)
83 Com base no que Bourdieu conceitua sobre o habitus lingüístico e no que Wittgenstein percebe sobre a necessidade do “jogo de xadrez” existir para que se possa cogitar falar dele, podemos dizer que o senso do oportuno que está em questão é já previamente estar, em estado latente, presos às estruturas cognitivas, aos esquemas do jogo. Ao se conjecturar sobre um evento social qualquer, ao se cogitar a “forma” que se deve adotar para que se possa se portar adequadamente, existe a necessidade de um conjunto de vivências lingüísticas e práticas acumuladas que se poe em movimento, colocando o agente em sintonia com o que ele terá que enfrentar. O senso do oportuno, a capacidade de falar proporcionalmente ao contexto, mostra que não há uma relação de necessidade entre um habitus e um habitus lingüístico. Por exemplo, pode haver alguém que queira se tornar algum profissional que faz uso da linguagem oral, mas que, comprovadamente, é incompetente ao se expressar em público. O indivíduo pode ter todas as titulações necessárias para exercer tal cargo, mas o seu habitus lingüístico não possui as condições favoráveis para que exerça seu almejado cargo com mestria. Isso quer dizer que não basta ter uma autorização formal se não houver conjuntamente uma autorização real, e, portanto, socialmente mais ampla, uma vez que o público a que se destina sua fala não o concebe como passível de capacidade (embora existam circunstâncias em que profissionais cujo instrumento de trabalho é a voz possam sobreviver anos sendo profissionais medíocres). Desta forma, pode haver uma descontinuidade entre as duas instâncias do habitus.
A formação do habitus lingüístico, que depende da exposição ostensiva aos jogos de linguagem, faz crer que os lances de linguagem estão em estado potencial mesmo antes de haver começado a partida. Os recursos lingüísticos estão “à espera” de evocação como uma energia acumulada pronta para ser dissipada pelo acionamento do interruptor. Nos contextos, há conteúdos cristalizados pela prática e tradição que terão uma expressão individualizada no agente. É fácil perceber isso quando imaginamos o habitus como “segunda natureza”, como instância disponível ao agente capaz de adequar suas ações às demandas práticas.
Se há tanta naturalidade e segurança no manejo da palavra, essa habilidade não pode ser gratuita, mas resultado da ação de imersão ostensiva ao mundo que ininterruptamente fica constituindo e exemplificando as estruturas cognitivas que serão acionadas no momento adequado. Quer dizer que cada habitus, na sua especificidade, produz uma forma própria de construir e adiantar esboços de frases. Esses esboços se realizam quando na eminência de sua enunciação, quando o habitus aplica – infraconscientemente – as disposições adquiridas ao momento e situação oportunos as construções lingüísticas que estão armazenadas nas sinapses cerebrais. Lembremos que o habitus na sua forma genérica é a capacidade de um esportista, um tenista, por exemplo, saber o momento certo de avançar ou recuar na quadra, de dar uma
84 rebatida mais forte ou mais fraca. Só no interior de um jogo concreto saberemos se o seu treinamento foi eficiente. Quando tratamos de habitus, há que se ter em mente que, obviamente, as rebatidas realizadas no jogo não foram previstas pelo tenista, mas o que se poderia “antever” as jogadas em frações de segundo antes de sua execução. Ou seja, o habitus de tenista nos induziria a pensar que ele estava habilitado a rebatê-las. Ao retornarmos ao caso do habitus lingüístico temos situação semelhante. A tendência a produzir frases seria também “anterior” à produção efetiva das mesmas, o que faz supor que o habitus lingüístico “bem formado” tem em si já uma matriz geradora passível de expressar competência nos ambientes em que foi formado. Quando se é realmente reconhecido pelos seus pares e já se goza de uma trajetória dentro do convívio dos usos e maneirismos que se acomoda às mentalidades dos seus, então temos uma condição ótima, o peixe dentro d’água. Um habitus “adaptado” é um
habitus que tem como matriz geradora uma noção geral de como certas idéias tem que ser
produzidas para serem anunciadas e apreciadas. Então, o kairós só se realiza com segurança e certa previsão quando está cônscio de que se age consoante à instituição, às demandas sociais (mais ou menos rigorosa e exigente). Elas estão lingüisticamente organizadas e organizam os seus falantes.
O habitus não tem existência própria, sendo constituído no contato com pessoas de origens e disposições que podem variar muito. É provável que cada habitus seja especializado num tipo de interação, e que sinta mais dificuldade de se entrosar noutros contextos dos quais seus esquemas perceptivos e classificatórios já não conseguem estabelecer uma organização tão razoável quando numa situação de familiaridade duradoura com o mundo, o princípio de visão e divisão que nos avisa Bourdieu. De igual maneira, o habitus lingüístico, mesmo partilhando do “tesouro comum” da linguagem, também se especializa e se molda ao que mais se ancora aos seus interesses mais urgentes, como também aos esquemas perceptivos que selecionam o recorte do mundo, como o fio condutor da ação e reação. “... há por parte do observador uma predisposição a se expor a mensagens que estejam de acordo com o seu hábito, isto é, com interesses e atitudes já manifestos” (BARROS FILHO, p. 81).
Os bens simbólicos estão potencialmente disponíveis para todos (“o sol nasce para