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A Escola Estadual de Santo Isidoro da 46comunidade quilombola de Vila Santo Isidoro é um local que possibilitou a concretização de um pertencimento político, ou seja, os moradores ao conquistarem a escola no território deles passam a receber um aparelho controlado pelo Estado, a escola, que é elementarmente um lugar político. E a partir da criação, a comunidade pode chegar a acessar um novo status, paulatinamente, pois não é comum encontrarmos escola com Educação básica completa em comunidades rurais. Já que ainda vivemos em um tempo de segregação espaço-étnico- racial, conforme aponta Arroyo (2013). Os alunos, em sua maioria, são da comunidade, há outros de comunidades vizinhas. Mesmo com a existência de algumas pessoas do

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Utilizou-se essa contração na/da para se referir a uma escola que está implantada no território da comunidade, e ao mesmo tempo é percebida pelos moradores como elemento da comunidade.

corpo docente que são de fora da comunidade, os moradores acreditam que a escola possui e tenta reproduzir muito das características do local.

Essa aproximação entre escola e comunidade é muito explicita como, por exemplo, em um trabalho que a escola propôs construir juntamente com os alunos. Esse trabalho foi desenvolvido no ano de 2014 no mês de novembro, mês da consciência

negra, e foi intitulado como “Festejo Cultural” (FOTOS 45;46;47;48). Como foi

desenvolvido o trabalho? A escola e os alunos entenderam que seria importante a participação da comunidade no que fossem realizar. Como o objetivo do trabalho era trazer reflexão sobre a consciência negra no Brasil, foi decidido, conjuntamente com os alunos, que seria interessante fazer um cortejo pela comunidade quilombola de Vila Santo Isidoro com blocos que representassem todos os segmentos da comunidade que são: Banda Filarmônica; Conselho religioso-representantes de igreja; pessoas homenageadas ― nossa história, nossa vida, nosso orgulho (foram colocados representantes mirins para representar algumas pessoas que apontam para a história da comunidade); Benzedores; Cortadores de Cana; Congada da Vila e Lagoa; Idosos; Produtores Rurais (Merenda); Servidores públicos; Mais educação; Grupos de Dança; Trabalhadores de diversas áreas; Cantigas de Roda, Crianças com Brinquedos; Pró- Jovem Campo; Alunos sala de apoio; Comerciantes. Dessa maneira, os alunos se dividiram em grupos e cada um ficou responsável em conversar com um determinado segmento da comunidade e organizar o cortejo.

Foto 45: O cortejo – Festejo Cultural Foto 46: O cortejo – Representantes de igreja

Foto 47: O cortejo - Bloco “Nossa história, nossa vida, nosso

orgulho”

Foto 48: O cortejo – Banca Filarmônica

Fonte: Moradores da comunidade. Fonte: Moradores da comunidade.

Essa atividade coordenada pela escola, porém, organizada pela comunidade em geral, apresenta uma associação entre a escola e a comunidade. E demonstra também o esforço da própria escola em se incorporar no território. O cotidiano dos grupos dentro da comunidade, bem como os aspectos referentes à história da formação do agrupamento são percebidos como importantes na configuração da atual comunidade. O desenvolvimento de atividades como essa contribui para o fortalecimento de identidades individuais e coletivas. Pois as mesmas não têm o intuito de destruir, extirpar a memória, as histórias e as culturas do grupo. E sim corroboram para que esses sujeitos reflitam para acerca da sua realidade cotidiana como algo inerente à reprodução do quilombo Vila Santo Isidoro. Segundo Arroyo (2012), há muitas práticas desterritorializadoras que são reproduzidas em nossa sociedade e, na escola, isso acontece também, entretanto, nota-se o respeito e a interação entre escola e comunidade com intuito de estreitar os laços entre território e escola.

Na mesma ocasião da organização do festejo, a escola convidou algumas pessoas mais velhas da comunidade para conversarem com os alunos sobre as atividades que eram realizadas no passado. Além disso, na ocasião foi comemorado o Centenário do Mestre Adão, convidaram os familiares dele e fizeram uma exposição dos objetos do mesmo. Entre os objetos, havia certificados das formações em que o mesmo participou, bem como o certificado de vereador e presidente da câmara de vereadores. De acordo com a neta de Mestre Adão, essa foi mais uma oportunidade para os mais jovens relembrarem da importância desse homem para a comunidade. Como

também para ratificar o orgulho de serem moradores da comunidade e para continuarem engajados na luta por melhores condições das pessoas que dali fazem parte.

A escola desenvolveu outra atividade no ano de 2012, que consistiu em apresentar para a comunidade os livros que foram adquiridos (FOTOS 49;50).

Foto 49: Apresentação de livros à comunidade e alunos

Foto 50: Leitura dos livros adquiridos

Fonte: Moradores da comunidade Fonte: Moradores da comunidade

A escola também se incorpora no território quando procura interagir com os agricultores para a compra de merenda. Ao darem preferência ao agricultor da redondeza, a escola faz dois movimentos, o primeiro que seria o incentivo ao desenvolvimento da economia interna, favorecendo a geração de renda da comunidade local; o segundo movimento seria priorizar a alimentação mais próxima da realidade do educando.

A Escola Estadual de Santo Isidoro, de acordo com as suas ações, procura-se abrir para a comunidade, mesmo porque, pode-se inferir que a escola é a comunidade. É possível notar a relação entre a escola e a comunidade em geral, a partir da fala da ex- diretora da Escola Estadual Santo Isidoro:

A escola é o bem maior da comunidade, por isso que nós temos que trabalhar muito com a comunidade, porque a escola não é nossa, a escola é da comunidade, não só fazemos parte da comunidade, mas a comunidade tem isso aqui como um bem, você vê o Marcelo que estudou aqui, a mãe dele, a Mariete, eles sentem que isso é deles. Xérox que a família precisa, para algum documento, reuniões, também ocorrem aqui, às vezes, a banda de música utiliza o espaço. (Ex-diretora,idade não informada).

Devido à primeira escola ter sido criada pelo Mestre Adão, morador do local, e a partir dele ter sido muito valorizada, essa origem contribui para a compreensão do vínculo com a comunidade. Os filhos e netos do Mestre Adão estudaram nessa escola, que desde a origem, sempre foi muito importante para os membros do grupo.

Esse movimento de aproximação entre escola e comunidade em uma perspectiva de valorizar a realidade do que se vive no local, pode ser o resultado de tomada de

consciência política. Conforme aponta Arroyo (2014), os “Outros Sujeitos” se

organizam em torno da repolitização de suas histórias, exigem reconhecimento e constroem autorreconhecimentos.

Outro elemento que aponta para a estreita relação escola e comunidade é a Banda filarmônica Quilombola Vila Santo Isidoro. Já que os membros da banda são ou foram alunos da Escola Estadual Santo Isidoro e, além disso, o maestro, além de ser da comunidade, leciona música na escola. Ele não tem formação teórica como professor e sim prática, mas devido à importância da banda tanto para a comunidade como para o município, conseguiu-se que ele, ao invés de exercer as atividades de serviços gerais na escola, trabalhasse como professor de música. Considerando-se a relevância da banda para a comunidade, é importante esboçar um pouco mais sobre a mesma.