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Bottom melting due to Atlantic Water influence

5.3 Influence of Atlantic Water on the sea ice cover

5.3.4 Bottom melting due to Atlantic Water influence

A história do jornalismo impresso brasileiro é marcada por dificuldades enfrentadas, especialmente nos períodos sob regime político de exceção, em particular as fases mais repressivas da era Vargas, entre 1930 e 1945, e os governos militares, entre 1964 e 1984. Consoante a Associação Nacional dos Jornais (ANJ)15, a imprensa brasileira teve um nascimento tardio, assim como foram tardios o ensino superior (que, aliás, contribuiria para a formação do público leitor), as manufaturas, a independência política e a abolição da escravatura.

O lançamento, em Londres, do Correio Braziliense, em 1º de junho, e a criação da Gazeta do Rio de Janeiro, em 10 de setembro, ambos de 1808, são os marcos fundadores da imprensa brasileira. A partir de então e até o final da década de 80 do século XIX, o Brasil manteve-se como uma sociedade essencialmente rural, com a produção baseada na mão de obra escrava. Nessa conjuntura:

Mesmo ao final do Império, mais de 90% da população viviam na área rural e 85% eram analfabetos, inclusive grande parte dos proprietários de terras. Esse quadro impunha barreiras intransponíveis ao desenvolvimento da imprensa brasileira que, entretanto, supera a fase dos efêmeros pasquins panfletários, dando origem a jornais mais estáveis e estruturados (ANJ, 2013).

Registra-se que na ocasião, do ponto de vista ideológico, a segmentação teria se sucedido em torno de duas clivagens: entre monarquistas e republicanos e entre

15 Dados e informações históricas a respeito da imprensa brasileira que se inserem neste estudo tópico foram, em

significativa parte, extraídas do site da Associação Nacional de Jornais (http://www.anj.org.br/), em especial apoiadas no texto “Imprensa brasileira – dois séculos de história” e no Relatório de Atividades da ANJ publicado em 16 de outubro de 2015.

abolicionistas e partidários da ordem escravocrata. “Em defesa dessas causas, as principais lideranças políticas e intelectuais debateram pelos jornais até que, num intervalo de 18 meses, a monarquia escravista desse lugar à república de homens livres”.

A maioria dos diários fundada no século XIX deixou de circular, permanecendo ainda em circulação os cariocas Jornal do Brasil (Rio de Janeiro) e O Fluminense (Niterói), os paulistas A Província de S. Paulo (atual O Estado de S. Paulo – São Paulo) e A Tribuna (Santos), e o gaúcho Correio do Povo (Porto Alegre).

A imprensa sofreu medidas de repressão à liberdade de expressão, como volta aos tempos de cerceamento de liberdade e dos atos de violência, com a chamada República Velha (1889-1930), marcada por revoltas militares e civis, prolongados períodos de sítio e repressão a movimentos operários. Apesar disso, logrou desenvolver-se em dois novos segmentos: o da imprensa operária (as publicações operárias cresceram com a industrialização) e o da voltada para as comunidades imigrantes (somente em São Paulo, à época, havia 30 periódicos em sete idiomas diferentes).

Naquela conjectura, as condições materiais para viabilizar o funcionamento da imprensa brasileira estavam se consolidando e se aperfeiçoando, a burguesia crescia e começava a surgir um grande número de jornais, nos quais as principais características eram a aproximação com a literatura na estrutura textual (o noticiário era redigido por literatos que não poupavam a linguagem sofisticada e pomposa nas matérias) e o transparente posicionamento político nos conflitos da época. A passagem do século marca a transformação da pequena imprensa para a grande imprensa e os jornais passam a ser administrados como empresas capitalistas (BENATTI; ROCHA, s/d).

Com uma postura capitalista e burguesa, a política é a tônica da matéria jornalística. Comumente, os proprietários dos veículos midiáticos expressavam suas insatisfações e suas posições enfaticamente contra ou a favor do governo, ao menos enquanto tinham definidas suas linhas ideológicas e as expressavam livremente.

Da Revolução de 1930 até 1945, o quadro político no país oscilou entre a instabilidade do Governo Provisório, a Revolução de 1932, o breve interlúdio democrático que resultou a Constituição de 1934 e o estabelecimento do Estado Novo em 1937. A imprensa foi presente nessas transmutações políticas até o golpe de Estado de 1937. A partir de então, o espaço para o exercício da liberdade de expressão virtualmente desapareceu e as diferenças políticas foram sufocadas. “O peso do Estado fez-se crescente sobre os jornais com base numa Carta Constitucional outorgada no mesmo ano, que tornava a imprensa um serviço público e como tal sujeita ao controle estatal”. O Departamento de Imprensa e Propaganda

(DIP), criado pelo governo em 1939, censurou toda produção jornalística, cultural e de entretenimento, que não fosse em prol da propaganda estatal, e controlou, inclusive, o abastecimento de papel. Na ocasião, os veículos eram pressionados por meio de verbas publicitárias, financiamentos e subsídios ou obstáculos ao fornecimento de insumos, quase todos importados.

Vários eventos contribuíram para tornar o jornalismo político o tema central da imprensa brasileira: a deposição de Getúlio Vargas em 1945, encerrando um ciclo de autoritarismo e inaugurando o início de uma experiência democrática republicana; o suicídio de Vargas em 1954, quatro anos após ter sido eleito, em meio a uma crise política desencadeada pelo atentado contra o jornalista Carlos Lacerda; a renúncia de Jânio Quadros à presidência, em 1961; a adoção do regime parlamentarista quando João Goulart assumiu após a renúncia de Jânio. Além disso, ocorriam mudanças estruturais que faziam parte de um processo mais amplo de transformação do país: de agrário em urbano e de uma economia agrário-exportadora em industrializada. Nesse interregno, o mandato de Juscelino Kubitscheck (1956-1961) se fez sob um clima de vigência das liberdades e de modernização tecnológica, embora ainda modesta comparada com a revolução tecnológica que ocorreria no final do século XX:

[...] foi um tempo de transição do Brasil e de sua imprensa. Havia absoluta liberdade, mas as relações entre o governo e os jornais e entre o governo e os jornalistas mantinham algumas práticas do passado, que começaram a perder terreno frente a uma crescente participação da publicidade privada no faturamento das empresas jornalísticas, decorrente da modernização econômica. É nessa época que, para um número crescente de jornais, a receita publicitária suplanta a obtida com assinaturas e com venda avulsa. (ANJ, 2013)

A deposição de João Goulart da presidência, em 1964, deu início ao ciclo de governos militares que duraria até 1985. Esse movimento político-militar foi apoiado por amplas parcelas da população, pela maioria dos detentores de cargos eletivos e, primordialmente, teve também respaldo editorial da quase totalidade dos jornais brasileiros. Contudo, durante os anos seguintes, os jornais foram gradualmente assumindo uma postura crítica ao regime militar, que a cada dia se tornava politicamente mais autoritário, economicamente menos eficaz e moralmente mais frágil. Naquele momento político, a imprensa perdeu força como espaço de discussão dos grandes temas nacionais não por conta de repressão, apesar de ter havido perseguição àquelas identificadas com o antigo governo, mas muito mais pelo afastamento da cena pública dos principais membros das correntes opositoras, que se dava por meio de exílio, prisão ou ostracismo forçado. Com a edição do

Ato Institucional n. 5 (AI-5), no dia 13 de dezembro de 1968, houve o endurecimento do regime militar, com a reintrodução da censura direta e indireta em níveis que só seriam comparáveis ao período mais duro do Estado Novo. Ato contínuo, eclodiu-se um período sombrio para o exercício da liberdade de imprensa.

Sob os governos militares, simultaneamente à imprensa estabelecida sobre bases tradicionais, o país viu surgir uma imprensa “alternativa”, composta por veículos independentes em relação às empresas jornalísticas e ao mercado publicitário, cujo conteúdo se caracterizava pelo tom crítico em relação à situação econômica e política vivenciada. A maioria teve vida efêmera devido à censura ou à falta de sustentação financeira, mas muitos sobreviveram ao regime militar.

Com o início da redemocratização, a partir da posse de José Sarney como o primeiro presidente civil após o regime militar, em 1985, a liberdade de imprensa foi se consolidando paulatinamente, tornando-se efetiva com a promulgação da Constituição Federal de 1988, que deu status de princípio fundamental à liberdade de expressão como nenhuma outra carta magna anterior.

O estágio mais recente da história da imprensa jornalística brasileira marca, certamente, o maior período da Era Republicana em que houve plena vigência das instituições democráticas. A concorrência pela preferência do cidadão na escolha de suas fontes de informação intensificou-se com o surgimento de novas mídias, como a TV por assinatura e a internet. Com efeito, com os desdobramentos dessas novas mídias repercutindo profundamente na indústria jornalística, especialmente com a redução da circulação impressa e o crescimento da audiência digital, a ANJ passou a recomendar que os veículos da mídia tradicional adotassem a comercialização de assinaturas digitais. A fim, pois, de se adaptarem a esse novo cenário, os jornais brasileiros buscaram maior eficiência técnica e gerencial e fizeram do jornalismo online uma revolução nas relações profissionais e nas rotinas produtivas de tal forma que marcou a história da mídia.

Em se tratando de dados, segundo investigações do Instituto Verificador de Comunicação (IVC), realizadas no ano de 2014 a partir da “Pesquisa Brasileira de Mídia”, empreendida pela Secretaria de Comunicação Social (SECOM) da Presidência da República, o percentual de brasileiros que leem jornais ao menos uma vez por semana teria permanecido estável entre as duas rodadas da pesquisa: 21%. Dentre os 18 mil entrevistados, a escolaridade e a renda são os fatores que mais aumentam a exposição aos jornais: 15% dos leitores com ensino superior e renda acima de cinco salários mínimos leem jornal todos os dias. Entre os leitores com até a 4ª série e renda menor que um salário mínimo, os números são 4% e 3%. O

uso de plataformas digitais de leitura de jornais ainda é baixo: 79% dos leitores afirmam fazê- lo mais na versão impressa, e 10%, em versões digitais. Piauí, Ceará e Paraná seriam os estados com maior adesão às versões online dos periódicos, respectivamente, 39%, 25% e 22%. Amapá, Amazonas e Rio Grande do Sul são, conforme a pesquisa, os estados com menor adesão, respectivamente, 2%, 3% e 3%. Ainda segundo a pesquisa, a indústria jornalística brasileira seria a mídia de maior credibilidade junto aos brasileiros: 58% teriam afirmado confiar muito ou sempre no meio Jornal. Em contrapartida, com relação às novas mídias, respectivamente, 71%, 69% e 67% dos entrevistados teriam dito confiar pouco ou nada nas notícias veiculadas nas redes sociais, blogs e sites.

Estudos anteriores, divulgados no 7º Congresso Brasileiro de Jornais realizado em 2008, informaram que a penetração de jornais na população brasileira era de 49% entre as mulheres e 51% entre os homens. Os números referentes à penetração nas classes A, B, C, D e E se davam, respectivamente, em 78%, 65%, 46%, 28% e 18%.

Atualmente, nas cinco primeiras posições do ranking dos maiores jornais do Brasil, considerando-se a circulação paga (impresso e digital), conforme última pesquisa divulgada no site da ANJ, referente ao ano de 2014, estão os seguintes veículos: 1º) Folha de S. Paulo (SP), com circulação de 351.745; 2º) O Globo (RJ), com circulação de 333.860; 3º) Super Notícia (MG), com circulação de 318.067; 4º) O Estado de S. Paulo (SP), com circulação de 237.901; e 5º) Zero Hora (RS), com circulação de 210.661.

Os jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, conforme já relatado, foram os veículos eleitos para a análise das escritas sobre o trabalho doméstico na mídia brasileira a partir da década de 40 do século XX até a contemporaneidade. A escolha se deu por serem tidos como jornais que se situam no segmento do jornalismo tradicional de massiva circulação e como fortes formadores de opinião, tanto que estão incluídos no ranking de maiores jornais do país. Cabe então, na sequência, apresentar os perfis e particularidades de cada um.

Dos veículos investigados, o jornal O Estado de S. Paulo é o único fundado no século XIX que ainda circula. Em sua origem, o Jornal era retratado como A Província de São Paulo, tendo sido fundado, em 4 de janeiro de 1875, por um grupo de republicanos liderados por Manoel Ferraz de Campos Salles e Américo Brasiliense, que teriam decidido criar um diário de notícias para, segundo diz o próprio veículo em sua página na internet, combater a monarquia e a escravidão. A premissa “fazer da sua independência o apanágio de sua força” foi estabelecida, segundo o Jornal, como sua “linha mestra”.

O combate à monarquia e à escravidão e a exaltação à independência são ações e atributos que o veículo, como ente discursivo, constrói sobre sua existência por meio da

linguagem16. E, nesse caso, o que se apreende é que o Jornal apresenta um discurso pretensamente periférico que pretenderia romper centros hegemônicos com atitudes como apoiar a abolição da escravatura, a monarquia, fazendo-a através de uma imagem de independência política.

Esse discurso de independência, a propósito, é inferido em um outro, o do não ser corruptível assim como o seriam os seus concorrentes, quando o veículo afirma que se negou a vender páginas para publicidade governamental. Com efeito, consta em seu site que durante o Estado Novo, que consolidou a ditadura de Getúlio Vargas em 1937, houve tentativa de censura prévia ao Jornal que, por sua vez, teria se negado a vender páginas para propaganda getulista, que seria farta em outros veículos de imprensa. Essa negativa também teria dado ensejo à intervenção estatal durante a ditadura, que afastou os dirigentes de O Estado de S. Paulo para que fosse gerido pelos interventores de Vargas de 1940 a 1945.

Essas observações são importantes para a análise que se propõe porque permitem confrontar o que o veículo diz sobre sua história e sua ideologia com aquilo que publica ou que permite publicar. É igualmente importante para se apreender se esse discurso de apoio às causas sociais no passado, vindo do que se tornou uma mídia de grande alcance, é apto a afastar, na contemporaneidade, o discurso segundo o qual os meios de comunicação de massa representam interesses consolidados de grupos de elite.

Em 2012, houve o lançamento do portal Acervo Estadão, no qual o Grupo coloca na internet a íntegra de seu acervo de 2,4 milhões de páginas publicadas desde 1875. Essa ferramenta, cujo acesso de todo conteúdo é permitido somente aos assinantes, facilitou o trabalho de levantamento do corpus de análise da presente pesquisa. O critério de busca envolve várias articulações de palavras-chave e requer a aplicação de vários filtros de pesquisa. A página oferece três formas de se fazer as buscas desejadas: em todo o acervo; somente capa; e somente material censurado. O resultado também é informado de maneira segmentada: acervo; notícias; fotos; podcasts; e TV Estadão. O interesse da presente pesquisa restringe-se aos resultados listados a partir do Acervo. A título de exemplo, reproduz-se abaixo a imagem de uma busca pelas matérias nas quais consta a terminologia empregada doméstica, feita em todo o acervo do jornal:

16 Parte-se da premissa de que o ser humano, um ser discursivo, constrói sua própria existência por meio da

linguagem e, portanto, os sujeitos e objetos são construídos discursivamente sobre o que se fala sobre eles. Portanto, apesar de se discorrer sobre dados e informações a partir de uma fonte que é protagonista, prima-se por uma leitura discursiva, com aportes teóricos e metodológicos da arqueologia, para entender esses elementos como monumentos com o fim de, na ocasião das análises dos textos midiáticos, buscar apreender como são constituídos os sujeitos nos discursos e como se organizam as regras de formação das modalidades enunciativas.

Fonte: Acervo O Estado de S. Paulo. Pesquisado em 3 de março de 2016.

As barras no gráfico exibem, ao posicionar o mouse sobre elas, a quantidade de ocorrência do termo procurado em cada período. No exemplo dado, a menor ocorrência se deu na década de 80 do século XIX, com quatro eventos, e a maior quantidade se deu na primeira década do século XXI, com 3.811 eventos. Devido à abrangência do termo pesquisado, os resultados também são amplos, apresentando tanto eventos que retratam aquilo que se pretende analisar, quanto vários outros que informam notícias nas quais o sintagma empregada doméstica é citado, seja por conta de ocorrências policiais, seja porque há apresentação de imóveis com quarto de empregada, seja porque aparecem nos classificados de procura e oferta de emprego, enfim, esses são apenas exemplos das mais variadas situações. Ressalta-se, também, que a associação de dois termos apresenta, não raro, resultados totalmente distantes do significado da expressão, como é o caso, vg, de matérias que mencionam algo do tipo [...] utilidades domésticas empregadas para [...].

Partindo-se, porém, de buscas mais restritas, como é o caso de se buscar pelo número da legislação, os registros são significativos na medida em que fazem parte da materialidade dos discursos sobre o trabalho doméstico no Brasil e sobre o sujeito que se ativa nessa ocupação, pois mostram quando esses sujeitos e o trabalho que desenvolvem são mais falados na mídia, ou melhor dizendo, em que períodos são mais midiatizados no universo dessa grande mídia brasileira.

No que se refere ao jornal O Globo, consta que foi lançado em 1925 por Irineu Marinho, após uma viagem do jornalista à Europa para a criação de um veículo identificado com o Rio de Janeiro. No mesmo ano, faleceu o seu fundador e o vespertino passou a ser comandado por Eurycles de Matos. Com a morte deste último em 1931, assumiu o primogênito de Irineu Marinho, Roberto Marinho, aos 26 anos, ficando no comando do Jornal

até sua morte, em 2003. Roberto Marinho criou um gigantesco conglomerado que constitui o Grupo Globo: além do jornal O Globo, o Extra e o Diário de S. Paulo, iniciativas mais recentes, a Rede Globo de Televisão, o Sistema Globo de Rádio, a Editora Globo, a Globosat e a Globo.com.

De orientação política conservadora, é um dos jornais mais influentes do país, ao lado de O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. Em 1964, houve apoio de O Globo ao golpe militar, conforme foi publicado na edição de 7 de outubro de 1984. Segundo Roberto Marinho:

Participamos da Revolução de 1964, identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada. Quando a nossa redação foi invadida por tropas antirrevolucionárias, mantivemo-nos firmes em nossa posição. Prosseguimos apoiando o movimento vitorioso desde os primeiros momentos de correção de rumos até o atual processo de abertura, que se deverá consolidar com a posse do novo presidente.

Em sua edição de 31 de agosto de 2013, contudo, após as manifestações populares de junho daquele ano17, o Grupo reconhece ter sido um erro o apoio aos governos militares. Segundo o Jornal, “as Organizações Globo concluíram que, à luz da História, o apoio se constituiu um equívoco”.

Quando o jornal O Globo passou a ser publicado na internet, aumentou consideravelmente a participação do leitor, até então limitado a se interagir com o veículo através de cartas e e-mails. Essa maior interação possibilitada pelo ciberespaço teria levado o leitor para a construção do jornal e o aproximado mais da notícia e do jornalista. Nessa linha, o veículo instila que, através de ferramentas e editoriais específicos, constituiu o webjornalismo participativo, como desdobramento do jornalismo online, e ampliou a participação de seus leitores de forma inovadora. Assim, mais que consumir conteúdos, os leitores passam a produzir e a publicar seus próprios conteúdos no interior do Jornal, transformando a maneira de ser do jornalismo tradicional.

Essas transformações, certamente, não decorrem exclusivamente das ações empreendedoras de O Globo, mas as mudanças de suas práticas jornalísticas após o advento

17 Também conhecidas como Manifestações dos 20 centavos, as manifestações populares no Brasil em junho de

2013 surgiram, inicialmente, para contestar os aumentos nas tarifas do transporte público. Os atos ganharam maciço apoio popular e forte repressão policial contra os manifestantes. A repressão aumentou a repercussão do movimento em âmbito nacional e internacional e milhões de brasileiros foram às ruas protestar não apenas pela redução das tarifas e pela violência policial, mas também por conta da corrupção política, dos gastos públicos, da má qualidade dos serviços públicos etc. Durante as manifestações, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. Em resposta, o jornal O Globo pronunciou: “De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura”.

da internet, com a adoção de plataformas de interatividade, deram-lhe visibilidade e contribuíram para o aumento da circulação de sua produção impressa e digital, permitindo-lhe ocupar, a partir de 2014, o segundo lugar no ranking dos maiores veículos midiáticos brasileiros.

Em 2013 foi disponibilizado o Acervo Digital, um acervo histórico completo