• No results found

Kapittel 2. Teoretiske tilnærminger

3.2. Min diskursanalyse

3.2.3. Om valg av data

A Organização Mundial de Saúde (2001) e (2004) descreve alguns indicadores utilizados para avaliar o impacto da poluição do ar na saúde humana. Seguem:

 mortalidade diária (causa respiratória);

 internações hospitalares (causa respiratória e cardiovasculares);  uso de medicamentos para doenças respiratórias e cardiovasculares;  dias de atividade restrita;

 dias de ausência no trabalho;  dias de ausência escolar;

 complicações na gravidez (incluindo morte fetal);  parto pré-maturo;

 parto de bebês com baixo peso.

A gravidade dos efeitos da poluição atmosférica na saúde humana tem relação com a proporção da população afetada. Essa relação vai desde os efeitos clínicos sutis, uso de medicação, comparecimento aos atendimentos hospitalares de emergência, internações, até as mortes prematuras (Ilustração 12).

Ilustração 12 - Poluição do ar - pirâmide de efeitos na saúde humana Fonte: American thoratic society- ATS (2000)

Braga et al. (2010) e a Cetesb (2008) mostram que as partículas inaladas por uma pessoa serão depositadas em regiões diferentes do trato respiratório, conforme o tamanho do particulado. As partículas maiores ficam retidas na narina, cujo posteriormente são eliminadas pelo espirro. As partículas menores, as inaláveis (MP10), são depositadas ao longo do sistema

respiratório – traquéia, brônquios principais. O aparelho mucocilar, a tosse e a fagocitose são os mecanismos responsáveis pela remoção dessas partículas. As partículas mais finas, menores que 2,5µc, atingem os alvéolos pulmonares e a corrente sanguínea.

A Cetesb (2008) e Gouveia et al. (2003) mostram que as partículas, quando atingem o trato respiratório, provocam o processo de estresse oxidativo, que quando não controlado, causa lesão grave nos cílios e espessamento do muco. Esse processo pode ocorrer em um período curto, médio ou longo prazo.

Assim, para especificamente o MP10, Hester e Harrison (1998) mostram o processo de

influência, desse poluente, no organismo humano (Ilustração 13). Observa-se, que as consequências do MP10 na saúde humana, estão relacionadas com as doenças do sistema

respiratório e do sistema circulatório.

Ilustração 13– Diagrama de influência do PM10 no organismo humano

Salloway et al. (2004) alertam que pode haver subestimação nos números divulgados de pessoas que são afetadas pela poluição atmosférica. Pois, episódios como gripe, crise de asma e bronquite, não são, sempre, relatados nas unidades de saúde. O tratamento caseiro substitui em muitos casos a consulta médica. Mesmo assim, Barrett et al. (2010) e Cohen et al. (2005) concluem que em torno de 1,8 milhões de mortes por ano são causadas por conseqüências da poluição do ar.

Contudo, os efeitos da poluição atmosférica à saúde humana estão relacionados com os índices de morbidade e mortalidade. Amaral e Piubeli (2003) mostram que o índice de mortalidade é ligado à saúde, pois o indivíduo que chegou à óbito por causas respiratórias, teve antes, que passar por um quadro de doenças. Metodologias estatísticas que utilizam séries temporais são adotadas comumente para relacionar a poluição do ar com a saúde humana (BRAGA et al., 2010).

Em síntese, de acordo com Braga et al. (2010), pode-se dizer que a poluição atmosférica provoca efeitos negativos à saúde humana, tais como:

 afecções agudas e crônicas no trato respiratório;

 a exposição prolongada aos níveis elevados de poluição causa alterações inflamatórias das vias aéreas em animais de experimentação e seres humanos, com prejuízos dos mecanismos de defesa dos pulmões contra microorganismos;

 índices de mortalidade, por doenças respiratórias, podem ser associados à poluição atmosférica;

 o poluente que mais se relaciona com os danos à saúde humana é o material particulado (inferior a 10 µm). Frequentemente são associados com casos de mortalidade e morbidade;

 os índices de mortalidade e morbidade por doenças cardiovasculares também possuem relação com a poluição atmosférica. Brook et al. (2010) realizaram um trabalho de revisão que confirma a hipótese dessa relação.

Nesse sentido, Braga et al. (1999), Braga et al. (2001) e Lin (1999) concluem que as crianças são um grupo etário mais vulnerável às consequências da poluição atmosférica. Essa vulnerabilidade também está caracterizada à faixa etária dos idosos (ATKINSON et al, 2001; MARTINS et al.,2002 e SCHWARTZ e DOCKERY, 1992).

A Organização Mundial de Saúde (2006) e (2005) consolida os efeitos dos poluentes atmosféricos associando o poluente e suas fontes principais (Tabela 5).

Tabela 5– Efeitos dos poluentes atmosféricos na saúde humana

POLUENTES FONTES PRINCIPAIS EFEITOS

Monóxido de carbono Veículos (gases de escapamento)

Interferência na capacidade do sangue de oxigenar os tecidos. Danos à percepção, à acuidade visual, à atividade mental e aos

reflexos

Óxidos de nitrogênio Processo de combustão em geral

Aumentam a suscetibilidade à contaminação por vírus e bactérias, podem provocar

desconforto respiratório e alterações celulares. Atinge as

porções mais periféricas do pulmão devido à sua baixa solubilidade. Seu efeito tóxico está relacionado ao fato de ser

um agente oxidante Óxidos de enxofre Indústrias, termoelétrica e veículos movidos a diesel Irritação nas vias respiratórias, nos olhos e danos à pele

Material particulado

Veículos movidos a diesel, indústrias e desgaste dos pneus

e freios dos veículos em geral

Irritação nas vias respiratórias facilitando a propagação de infecções virais e bacterianas.

Poeiras inaláveis chegam aos pulmões, agravando casos de doenças respiratórias ou do

coração Hidrocarbonetos

Queima incompleta e evaporação dos combustíveis e

outros produtos voláteis

Mal-estar, dor-de-cabeça e sonolência. Responsável pelo

aumento de incidência de câncer de pulmão. Provoca irritação nos olhos, nariz e pele

Ozônio

Ação da luz solar sobre os hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio, resultantes do processo de queima de combustíveis, principalmente por veículos Envelhecimento precoce, diminuição da capacidade do organismo de resistir à infecções respiratórias, atinge as porções mais distais das vias

aéreas e provoca lesão das células (é um potente oxidante)

Fonte: Organização Mundial de Saúde (2006)

Ressalta-se da Tabela 5 os efeitos causados pelo material particulado, parâmetro de estudo do presente trabalho. O efeito está direcionado principalmente para o sistema respiratório e circulatório do corpo humano, como já discutido.

Desde a década de 1960, os cientistas começaram pesquisar e divulgar resultados da relação da poluição atmosférica com a saúde humana. Wilson et al. (2004) revisou algumas dessas pesquisas com objetivo de extrair as seguintes informações: o método utilizado, o local de estudo, o período que os dados foram coletados e o delineamento da doença (Tabela 6).

Tabela 6– Revisão de alguns estudos sobre poluição atmosférica e saúde humana

AUTOR8 LOCAL DE ESTUDO METODOLOGIA

PERÍODO DO ESTUDO

DELINEAMENTO DA DOENÇA Fauroux (2000) Paris, França Regressão de Poisson 1998 Asma

Lewis et al. (2000)

Derbyshire,

Reino Unido Regressão log-linear 1993-1996 Asma Tenias et al.

(2002)

Valencia,

Espanha Regressão de Poisson 1993-1995 Asma Castellsague et

al. (1995)

Barcelona,

Espanha Regressão de Poisson 1985-1989 Asma Bibi et al. (2002) Ashkelon, Israel Modelo artificial de rede neural 1992-1995 Doenças do sistema respiratório

Nutman et al. (1998)

Tel Aviv, Israel

Modelo artificial de

rede neural 1993 Asma

Petroeschevsky et al. (2001)

Brisbance,

Austrália Regressão de Poisson 1987-1994 Asma Burnett et al.

(2001)

Toronto,

Canadá Aditivo generalizado 1980-1994

Doenças do sistema respiratório Weisel et al. (1995) New Jersey, Estados Unidos Regressão múltipla linear 1986-1990 Asma

Fonte: Wilson et al. (2004)

Wilson et al. (2004) mostra na Tabela 6 queo delineamento da doença mais utilizado pelos pesquisadores foi a Asma, doença do sistema respiratório. E a metodologia mais utilizada foi a de regressão, principalmente a de Poisson.

Nesse sentido, outros estudos, alguns mais recentes, foram pesquisados para acrescentar à presente pesquisa.

Fernandez et al. (2010) afirmam que quanto maior for a convivência do ser humano com a poluição atmosférica, maior será o aumento do número de doenças respiratórias. Os autores mostraram um número crescente de doenças respiratórias vinculado aos poluentes atmosféricos na cidade Rio Grande, localizada no estado do Rio Grande do Sul.

Azevedo et al. (1999) estudaram a influencia dos poluentes atmosféricos (MP, NO2,

CO, SO2) na saúde das crianças de uma região da cidade de São Paulo. Foram utilizadas

variáveis climáticas (umidade e temperatura) para acrescentar aos modelos de correlação. A série temporal adotada foi de janeiro a julho de 1998. Os dados de saúde foram coletados de uma emergência de um centro de saúde (crianças atendidas por motivo de doenças respiratórias) e os de poluentes atmosféricos, do órgão ambiental - Cetesb. Usando a metodologia da correlação de Pearson, foi possível concluir que:

 há sazonalidade na correlação dos números de atendimentos de crianças para cada mês. Houve um aumento no número de atendimento de crianças nos meses de maio e junho. Esse fato ocorreu porque no inverno, pois a dispersão dos poluentes na atmosfera é comprometida. Assim, houve correlação inversa entre a temperatura e o número de atendimentos (quanto maior a temperatura, menor o número de atendimentos);

 a umidade não correlacionou com a concentração de CO;  houve correlação positiva do SO2 e material particulado.

Martins (2002) estudou a relação da poluição atmosférica com a morbidade (gripe e pneumonia), de idosos, em São Paulo, no período de 1996 a 1998. Foram pesquisados os dados sobre: atendimentos hospitalares diários de idosos; concentração de CO, O3, SO2, NO2,

MP10; temperatura e umidade. Utilizando a metodologia estatística de Poison e de Pearson, foi

possível encontrar correlação positiva entre o atendimento de idosos e as concentrações de CO, SO2 e MP10.

Correia (2001) desenvolveu um estudo com objetivo de associar os impactos causados pela poluição atmosférica na cidade de São Paulo. Em laboratório, expondo ratos e camundongos, o autor simulou a característica do ar de São Paulo. Por outro lado, ratos e camundongos ficaram expostos à simulação do ar de uma zona rural. Após um ano de experimento, Correia (2001) pode concluir que:

 os ratos e camundongos expostos ao ar de São Paulo desenvolveram hiper reatividade brônquica e disfunção no aparelho mucociliar (mais suscetibilidade para desenvolvimento de doenças respiratórias);

 a mortalidade intra uterina está associada ao aumento de SO2 e CO.

Pereira e Saldiva (1995) também utilizaram ratos para estudar os efeitos do combustível diesel à longo prazo. Os ratos foram mantidos por três meses em um local reservado no centro de São Paulo (lugar característico de altas concentrações de poluentes oriundos da queima do diesel). Após o período de experiência, a saúde desses ratos foi comparada com os ratos que foram mantidos em Atibaia (uma região relativamente limpa, comparada a São Paulo). A conclusão da pesquisa foi que os ratos mantidos em São Paulo desenvolveram o efeito da hiperatividade das vias aéreas, do sistema respiratório. E quando

transferidos para Atibaia, e ficando por mais três meses, esse efeito desapareceu. Nesse sentido, Braga et al. (2010) afirmam que a poluição do ar em São Paulo induz à danos do DNA (mutações) com favorecimento do surgimento de tumores pulmonares em humanos e animais.

O sistema de transporte de uma cidade está intrinsecamente ligado à saúde das pessoas. A queima dos combustíveis, que movem os veículos automotores, é responsável por uma parcela significativa da emissão dos poluentes atmosféricos. Uma série de estudos epidemiológicos no mundo tem divulgado resultados que demonstram a relação de doenças respiratórias com o sistema de transporte (JANSSEN et al., 2003 e NICOLAI et al., 2003). Miraglia (1997) utilizou a distribuição de Poisson para mostrar a associação existente entre o transporte da cidade de São Paulo e a saúde da população. Estudou-se a associação na mortalidade de idosos, por doenças respiratórias, encontrando resultados de correlações positivas. No mesmo sentido, Diaz et al. (2003) mostraram que quem reside perto de estradas com tráfego intenso tem uma probabilidade significativa de adquirir asma e rinite.

Bakonyi et al. (2004) identificaram, em Curitiba, que os poluentes atmosféricos material particulado, fumaça, NO2 e O3 apresentam efeitos sobre as doenças respiratórias de

crianças. Os resultados divulgados relataram que um aumento de 40,4 µg/m3 esteve associado a um aumento de 4,5% nas consultas por doenças respiratórias de crianças. Contudo, concluíram-se que mesmo quando os níveis dos poluentes estão aquém do que determina a legislação, a poluição atmosférica ocasiona efeitos adversos para saúde das crianças.

Santos (2002) estudou os efeitos do material particulado na saúde dos controladores de tráfego (trânsito urbano) na cidade de São Paulo. Foi identificado em uma amostra de 50 controladores de tráfego, um aumento de 31% na responsividade brônquica das vias aéreas, um declínio da função pulmonar e um aumento na variabilidade da frequência cardíaca.

Cançado (2003) relacionou a poluição atmosférica, oriunda da queima da cana-de- açúcar, e sua relação com a saúde humana. Foram utilizadas duas metodologias estatísticas no estudo: correlação de Pearson e modelos de regressão de Poisson. O estudo comprovou que o aumento no número de internações hospitalares na região canavieira da cidade de Piracicaba, por doenças respiratórias de crianças e idosos, está correlacionada com a queima da cana-de- açúcar.

Cohen et al. (2005) apresentam resultados que associam a carga de poluição atmosférica com as doenças respiratórias, a nível global. Foi utilizado dados de 304 cidades do mundo, com população superior a 100.000 habitantes. Cohen et al. (2005) concluíram que o ônus da doença devido à poluição atmosférica urbana ocorre predominantemente nos países

em desenvolvimento. Nos países em desenvolvimento do continente asiático concentram dois terços (em escala global) dos índices de morbidade associado à poluição atmosférica.

Woodruff et al. (1997) encontraram uma associação significativa da concentração de MP10 com as mortes infantis nos Estados Unidos. Identificaram-se também, que as crianças

estavam crescendo com pulmão reduzido, quando expostas ao ar poluído. Na República Checa, Bobak e Leon (1992) encontraram uma associação entre as taxas de mortalidade infantil e a concentração de partículas de SO2. Sunyer et al. (2003) e Wong et al. (2004)

encontraram resultados positivos de correlação do SO2 com as internações hospitalares, por

asma. Shima e Adachi (2000) e Hajat et al. (1999) realizaram estudos no Japão e em Londres, respectivamente, associando o aumento de NO2 com os riscos de sintomas do tato

respiratório. Quanto ao material particulado, Landrigan et al. (2004) e Berkowitz et al. (2003) descrevem os impactos causados na população humana, oriundos do desastre do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. O evento gerou o lançamento de materiais particulado na atmosfera de Nova York, cujo permaneceu no ar até o mês dezembro (três meses depois). Os pesquisadores identificaram que as mulheres grávidas dessa região estavam com bebês pequenos para a idade gestacional. O número de bebês que nasceram com peso e comprimento reduzidos, no primeiro semestre do ano de 2002, dobrou.

Estudos enfocando parâmetros de morbidade de crianças à longo prazo foram publicados por Gauderman et al. (2000) e (2002). O autor identificou que no sul da Califórnia as crianças apresentavam redução da função pulmonar. Também, Bernstein (2004) identificou uma associação da concentração de ozônio na atmosfera com o desenvolvimento de asma nas crianças da Califórnia.

Bernstein et al. (2004) pesquisaram e divulgaram a relação do aumento da concentração do MP2,5 com alguns quadros clínicos da saúde humana. Destacaram-se o

aumento dos casos de crises asmáticas, sintomas de coriza, rinite, sinusite, asma, pneumonia e bronquite. Na mesma linha das pesquisas sobre o MP2,5, Zanobetti e Schwartz (2009)

utilizaram a metodologia da regressão de Poisson para estudar a influência desse poluente nas mortes associadas às doenças respiratórias e cardiovasculares em 112 cidades dos Estados Unidos.

Bem et al. (2003) realizaram pesquisas em Lodz, na Polônia, e em Milão, na Itália. Foi realizada uma associação entre a influência direta da queima do carvão e de combustíveis, com o aumento da concentração de particulado atmosférico. Sobretudo, encontraram correlação positiva do aumento de particulado no ar com o aumento de doenças respiratórias.

Trasande e Thurston (2005) obtiveram resultados da correlação positiva entre a poluição atmosférica e a morbidade pediátrica, principalmente por asma. A conclusão do estudo foi que a exposição à poluição atmosférica altera o processo normal do desenvolvimento pulmonar das crianças. A maior vulnerabilidade das crianças são por razões anatômicas. As vias aéreas periféricas das crianças são mais susceptíveis ao estreitamento inflamatório que as dos adultos.