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In document Blockhashing as a forensic method (sider 22-25)

Por volta de 1900, as questões que dizem respeito ao futuro e à imaginação do mesmo já faziam parte da consciência pública. Eventos como a Grande Exposição de Londres, de 1851, e as outras que se seguiram em vários países europeus com o nome de Exposições Mundiais, ao se tornarem spots de celebração das novas invenções, que envolviam tecnologia e ciência, terminavam por influenciar vários outros aspectos da sociedade, que incluíam a arte e o design, a educação, o comércio e as relações internacionais.

A Exposição Mundial de Paris de 1889-1900 teve cerca de 50,8 milhões de visitantes e celebrava o início do século XX. Considerada um marco, foi responsável por criar grande impacto nas visões de futuro e otimismo para o século que se iniciava. A Torre Eiffel foi especialmente construída para exaltar as maravilhas da engenharia da época e entre as principais atrações estavam os novos meios de transporte. Uma esteira rolante, denominada “Rua do Futuro” estava entre as novas invenções, mas o público já podia experimentar a primeira linha do metrô de Paris. Também nessa ocasião foi apresentado o uso da eletricidade para iluminar ambientes externos, assim como ocorreu a primeira projeção dos filmes dos Irmãos Lumière.

A literatura de futurismo com sensibilidade vitoriana de Verne teve transição com Herbert George Wells (1866-1846) para visões influenciadas pela “Era da Máquina”. Considerado o pai da moderna ficção científica, Wells publicou uma vasta obra de ficção e não ficção (nas áreas de filosofia e sociologia) focada no futuro. Seus romances e novelas com considerações e visões sobre o porvir tornaram-se bastante populares. Do final do século XIX aos primeiros anos do século XX temos suas obras mais populares, entre elas A Máquina do Tempo (1895), A Ilha do Dr. Moreau (1896), O Homem Invisível (1897), A Guerra dos Mundos (1898), O Primeiro Homem na Lua (1901), O Alimento dos Deuses (1904), A Moderna Utopia (1905), The War in the Air (1908) e The World Set Free (1914). Seu texto não ficcional Antecipations of the Reaction of Mechanical and Scientific Progress upon Human Life, de 1901, publicado na revista inglesa The Fortnightly Review, de acordo com Bell, é considerado um dos primeiros exemplos do que mais tarde seria entendido como “Futurologia ou Estudos do Futuro” (BELL, 2005).

De acordo com Lombardo, Wells via o futuro de forma complexa e multifacetada, através de um pensamento que integrava o social, o histórico e o filosófico com ideias científicas e tecnológicas. Wells não apenas queria especular sobre o porvir, mas também estava preocupado em influenciar o futuro da humanidade com propostas para melhorar a sociedade. Apesar de ver o tempo como determinista, ele acreditava que o futuro poderia ser maleável, que as escolhas humanas poderiam exercer influência na construção do futuro (LOMBARDO, 2006b).

Wells trafegou entre visões utópicas e distópicas. Perigos relacionados com a biotecnologia, o imperialismo, as invasões alienígenas, o progresso para humanidade ou sua extinção fizeram parte dos questionamentos do autor. Entre as previsões desenhadas pela imaginação de Wells, algumas foram bastante acuradas, as quais Lombardo cita:

Ele previu a bomba atômica e o uso da energia nuclear, dos tanques blindados, dos armamentos aéreos, da transmissão global da televisão e da pornografia cinematográfica. Anteviu os mísseis balísticos intercontinentais e a ascensão de uma sociedade global gerida pelas corporações multinacionais. Antecipou a criação de grandes fazendas agrícolas mecanizadas, da engenharia genética e das megacidades superpopuladas. Profetizou as duas guerras mundiais muito antes de elas acontecerem. Wells anteviu a emergência do “World Brain and Encyclopedia”, que de certa forma antecipou o recente desenvolvimento da internet (LOMBARDO, 2006b, p. 20).16

A constatação de que Wells através de seus romances visionários, mesmo sem usar técnicas atuais de projeção de futuro, nos faz concordar com Lombardo de que a ficção científica tem a capacidade, em alguns casos, de predizer o futuro ou também de o influenciar, já que estimula múltiplas dimensões do pensamento e do exercício crítico envolvendo vários cenários para tecnologias, ecologia, geologia, sociedade, governos, habitações, psicologia, éticas e valores (LOMBARDO, 2006b).

Segundo Bell, ainda no começo do século XX, com a emergência da Primeira Guerra Mundial, grupos de líderes militares ou civis já estavam envolvidos em planejamento complexo em larga escala, que envolviam aspectos da economia e do social. Muito além das estratégias para movimento de exércitos e das marinhas, estes cada vez mais dependiam de planejamento para produção industrial de materiais, suprimentos, transporte e comunicação. Bell assinala, “Assim, as mobilizações trazidas pela primeira guerra mundial aumentaram a capacidade organizacional de estabelecer pensamentos futuros nas estruturas institucionais das sociedades modernas e criaram uma disposição social favorável para tal” (BELL, 2005, p. 11).17 A partir desse momento, desenvolve-se, com mais vigor, um Estado que pretendia planejamento integral com ações que atingiam o cotidiano de cada indivíduo com maiores níveis de regulação e controle direto.

16He predicted the atomic bomb and the use of nuclear energy, armored tanks, aerial warfare, worldwide

television broadcasting and cinemathic pornography. He foresaw intecontinental ballistic misseles and the rise of a global society run by multinacional corporations. He envisioned large mechanized agricultural farms, genetic engineering, and highly overpopulated mega-cities. He foresaw both World Wars long before either begin. Wells envisioned the emergence of a World Brain and Encyclopedia that in some ways antecipates the

recent development of the Internet (LOMBARDO, 2006b, p. 20).

17Thus, the mobilizations brought on by World War I enlarged the organizational capabilities for establishing

futures thinking in the institutional structures of modern societies and created a favorable social psychological disposition for doing so (BELL, 2005, p. 11).

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