Alavancagem tem seu conceito preliminar derivado da Física, que conforme explica Dantas et al. (2005, p. 2), refere-se “à indicação da obtenção de um resultado final em uma relação mais do que proporcional ao esforço empregado”. Do ponto de vista econômico- financeiro destacam-se três tipos de alavancagem: a operacional, a financeira e a total.
2.7.1.1 Alavancagem operacional
A alavancagem operacional é medida pela proporção dos custos fixos em relação aos custos variáveis [...] podemos concluir que para os produtos que têm uma alta alavancagem operacional, caracterizada por altos custos fixos e baixos custos variáveis, pequenas alterações no volume de vendas irão resultar em grandes mudanças nos lucros. Já para os produtos que têm uma baixa alavancagem operacional, caracterizada por baixos custos fixos e altos custos variáveis , as mudanças no volume de vendas não resultarão em grandes mudanças nos lucros. (LEONE E LEONE, 2002, p. 42)
Neste sentido, Warren et al. (2001, p. 110) dizem que alavancagem operacional mede a composição relativa dos custos fixos e variáveis, através do seguinte cálculo:
Margem de contribuição Alavancagem operacional =
Para estes autores, a empresa que possui custo fixo elevado, em geral, possui uma alavancagem operacional elevada; enquanto que a alavancagem operacional baixa, em geral, ocorre em empresas cuja mão-de-obra é um custo bastante significativo na sua atividade. Elevada alavancagem operacional aponta que um pequeno acréscimo nas vendas acarretará em um aumento maior no lucro operacional, enquanto que alavancagem operacional baixa aponta que para ocorrer um significativo aumento do lucro operacional se faz necessário um grande acréscimo nas vendas.
Dantas et al. (2005, p. 2) enfatizaram que “a alavancagem operacional é uma referência utilizada para o gerenciamento dos gastos fixos, cuja otimização é obtida através do volume”.
A este respeito Moyer, McGuigan e Kretlow (1981 apudDANTAS et al., 2005, p. 2), afirmam
[...] quando uma empresa incorre em custos operacionais fixos, uma ampliação das receitas de vendas resulta em uma mudança relativamente maior no lucro operacional. O que se busca, nessas condições, é a maximização do uso da capacidade instalada (estrutura fixa) da entidade, representada pelos custos e despesas fixas. Assim, se duas empresa possuem o mesmo total de receitas e despesas, mas têm estruturas de custos diferentes, aquela que apresentar maior proporção de custos fixos terá maior alavancagem operacional.
Figura 7: Alavancagem Operacional Elevada e Baixa Fonte: Warren (2001, p. 111)
Como define Giltman (2001, p. 418)
A alavancagem é o uso de ativos ou recursos com um custo fixo, a fim de aumentar os retornos dos proprietários da empresa [...]. A alavancagem operacional é determinada pela relação entre as receitas de vendas da empresa e seu lucro antes dos juros e impostos de renda, ou LAJIR (LAJIR é a denominação de lucros operacionais). ALAVANCAGEM OPERACIONAL ELEVADA % de aumento no lucro operacional % de aumento nas vendas
Custos fixos com grande % dos custos totais
ALAVANCAGEM OPERACIONAL BAIXA
% de aumento
no lucro operacional % de aumento nas vendas
Custos fixos com pequena % dos custos totais ALAVANCAGEM OPERACIONAL ELEVADA % de aumento no lucro operacional % de aumento nas vendas
Custos fixos com grande % dos custos totais
ALAVANCAGEM OPERACIONAL ELEVADA % de aumento no lucro operacional % de aumento nas vendas
Custos fixos com grande % dos custos totais
ALAVANCAGEM OPERACIONAL BAIXA
% de aumento
no lucro operacional % de aumento nas vendas
Custos fixos com pequena % dos custos totais ALAVANCAGEM
OPERACIONAL BAIXA
% de aumento
no lucro operacional % de aumento nas vendas
Custos fixos com pequena % dos custos totais
Figura 8: Análise do ponto de equilíbrio, custos e alavancagem Fonte: Gitman (2002, p. 419)
Mais adiante, o mesmo autor afirma
Variações nos custos operacionais fixos afetam significativamente a alavancagem operacional. Às vezes as empresas podem incorrer em custos operacionais fixos ao invés de custos operacionais variáveis e, outras podem ser capazes de substituir um tipo de custo por outro. (GITMAN, 2002, p. 425)
2.7.1.2 Alavancagem financeira
Conforme apresentado anteriormente, as empresas estão expostas a diversos riscos, alguns de natureza endógena, outros de natureza exógena. Para enfrentar os riscos, as empresas utilizam-se de alguns mecanismos dentre eles a alavancagem financeira. Assaf Neto (2002 apud COSER et al., 2005, p. 1) define alavancagem financeira como sendo “a capacidade que os recursos de terceiros apresentam de elevar os resultados líquidos dos proprietários”.
Ross et al. (2000, p. 340) comentam que “alavancagem financeira é a intensidade com a qual a empresa está endividada”. Tais autores dizem também que a alavancagem financeira é diretamente proporcional ao financiamento por meio de capital de terceiros.
No conceito de Gitman (2002, p. 426) “alavancagem financeira é a capacidade da empresa para usar encargos financeiros fixos a fim de maximizar os efeitos de variações no lucro antes dos juros e impostos (LAJIR) sobre os lucros por ação (LPA) da empresa”.
O mesmo autor ainda comenta que, caso haja um acréscimo do LAJIR da organização, haverá um acréscimo mais do que proporcional no LPA, ocorrendo também uma diminuição mais do que proporcional no LPA, caso haja uma diminuição do LAJIR (GITMAN, 2002).
LAJIR Lucro antes dos juros e impostos de renda
- (v X Q) Menos: Custos operacionais variáveis
- F Menos: Custos operacionais fixos
(p X Q) Receita de vendas Alavancagem operacional Representação algébrica Item LAJIR Lucro antes dos juros e impostos de renda
- (v X Q) Menos: Custos operacionais variáveis
- F Menos: Custos operacionais fixos
(p X Q) Receita de vendas Alavancagem operacional Representação algébrica Item
2.7.1.1 Alavancagem total
Gitman (2002) conceitua alavancagem total como sendo o efeito total dos custos fixos na estrutura operacional e financeira da organização.
O mesmo autor acrescenta que “efeito combinado, ou alavancagem total, pode ser definido como o uso potencial de custos fixos, tanto operacionais como financeiros, para aumentar o efeito de variações nas vendas sobre o lucro por ação” (GITMAN, 2002, p. 425).
Figura 9: Formato geral de demonstração do resultado e tipos de alavancagem Fonte: Gitman (2002, p. 418)
O capítulo expôs o referencial teórico sobre o assunto a ser investigado, propondo uma visão geral dos temas apresentados.
Menos: Juros
Lucro líquido antes dos impostos Menos: Impostos
Lucro líquido depois dos impostos Menos: Dividendos de ações preferenciais Lucros disponíveis para acionistas comuns Lucros por ação (LPA)
Alavancagem financeira
Alavancagem total Receita de vendas
Menos: Custo das mercadorias vendidas Lucro bruto
Menos: Despesas operacionais
Lucros antes dos juros e impostos de renda (LAJIR) Alavancagem
operacional
FORMATO GERAL DE DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO E TIPOS DE ALAVANCAGEM
Menos: Juros
Lucro líquido antes dos impostos Menos: Impostos
Lucro líquido depois dos impostos Menos: Dividendos de ações preferenciais Lucros disponíveis para acionistas comuns Lucros por ação (LPA)
Alavancagem financeira
Alavancagem total Receita de vendas
Menos: Custo das mercadorias vendidas Lucro bruto
Menos: Despesas operacionais
Lucros antes dos juros e impostos de renda (LAJIR) Alavancagem
operacional
3 METODOLOGIA
Este capítulo é destinado à descrição da pesquisa a ser realizada, apresentando sua classificação, universo e amostra, como ocorrerá a coleta e o tratamento dos dados e, ainda, as limitações do método a ser utilizado.
3.1 Pergunta de pesquisa
Como a alavancagem pode ser utilizada como instrumento de estratégia operacional?
3.2 Delineamento da pesquisa
Esta pesquisa é um estudo de caso que, de acordo com Gil (1999), tem como característica principal o estudo profundo e detalhado da empresa/obra selecionada, permitindo um conhecimento amplo no que se refere ao assunto em estudo.
Segundo Vergara (2004, p. 49) “estudo de caso é o circunscrito a uma ou poucas unidades, entendidas essas como pessoa, família, produto, empresa, órgão público, comunidade ou mesmo país. Tem caráter de profundidade e detalhamento”.
Quanto às vantagens da utilização do estudo de caso Gil (1991 apud MORITZ, 2001, p. 12) apresenta “o estímulo a novas descobertas, a ênfase na totalidade e a simplicidade dos procedimentos”.
A unidade, neste caso, a ser estudada é a obra da nova sede da assembléia legislativa do estado do Maranhão, que está sendo construída pela empresa Petra Construções Ltda, empresa de construção civil cuja principal obra atualmente é a que será estudada.
A coleta de dados será realizada através de pesquisa bibliográfica em livros, dissertações, artigos, revistas; também por meio de pesquisa documental nos arquivos da empresa Petra Construções Ltda relacionados à obra em questão; e ainda através de pesquisa de campo que se utilizará da observação simples, que segundo Vergara (2004, p. 54) é aquela em que “você mantém certo distanciamento do grupo ou da situação que tenciona estudar”.
Toda pesquisa, seja ela de natureza quantitativa ou qualitativa, apresenta limitações que devem ser esclarecidas para o leitor, que é o que se pretende fazer a seguir.
O estudo de caso apresenta algumas limitações intrínsecas a este tipo de pesquisa, sendo elas (GIL, 1999):
- Dificuldade de generalização: a análise de um único ou mesmo de múltiplos casos fornece uma base frágil para a generalização;
- Tempo destinado à pesquisa: os estudos de caso demandam muito tempo para serem realizados.
Na pesquisa bibliográfica não será possível abranger todos os assuntos relacionados ao tema, assim se buscará uma linha teórica relacionada ao objetivo final proposto.
Um fator limitador refere-se à pesquisa documental, visto que é pretendido levantar dados em documentos internos da empresa da amostra, o que poderá enfrentar algum tipo de dificuldade de acesso.
Neste capítulo foi identificada a metodologia adotada para o alcance dos objetivos da pesquisa. Foram apresentadas as classificações da pesquisa, os critérios para seleção do universo e amostra. Demonstrou-se de que maneira proceder-se-á a coleta de dados e de que maneira será realizado seu tratamento. Foram expostas as restrições intrínsecas ao método, buscando-se antever tais restrições.
3.3 Delimitação do estudo
Este estudo foi realizado no período de julho de 2005 a março de 2006. São abordados nesta pesquisa os temas relacionados à alavancagem como instrumento de estratégia operacional, tendo como foco o estudo da utilização de horas extras dos funcionário da obra de construção da nova sede da Assembléia Legislativa do Estado do Maranhão como recurso para aumentar o retorno dos proprietários da empresa, sendo portanto uma alavancagem operacional. A pesquisa de campo ocorreu nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2006 e foi realizada para aferir as horas improdutivas das equipes de produção dos serviços mais relevantes da obra, sendo eles: assentamento de granito, colocação de seixo como piso, assentamento de porcelanato, colocação de rodapé cerâmico e assentamento e revestimento cerâmico em paredes, tais serviços foram selecionados por serem os serviços mais representativos, visto que no momento da coleta de dados a obra iniciara sua fase de
acabamento. Assim, também foram mensuradas as horas extras realizadas por cada equipe, bem como suas produtividades. Portanto, faz parte desta pesquisa o estudo de como as horas extras podem ser utilizadas como instrumento de alavancagem.
Omite-se deste estudo o motivo pelo qual as equipes se tornaram improdutivas por determinado período de tempo, condições que interfiram na produtividade, tais como incentivos, de qualquer natureza, ou ainda falta de material ou condições climáticas. Este estudo se restringe aos funcionários que trabalham diretamente na obra, ou seja, não abrange os funcionários dos setores administrativos da empresa. Também não fazem parte deste estudo de caso qualquer outro tipo de alavancagem realizada na obra em questão ou mesmo na empresa Petra Construções Ltda, que não a utilização de horas extras como instrumento de alavancagem e controle.
3.4 Tipo de pesquisa
Recorrendo aos critérios de classificação propostos por Vergara (2004), a pesquisa realizada é:
Quanto aos fins:
a) Descritiva: pois descreve como são utilizadas as horas extras para aumento de retorno e ainda outras informações importantes para a pesquisa;
b) Aplicada: motivada pela necessidade de resolver problemas concretos na prática.
Quanto aos meios:
a) Bibliográfica: busca conhecer e analisar as contribuições científicas existentes sobre o assunto a ser pesquisado, permitindo também a contraposição de visões divergentes entre autores, ampliando a compreensão do problema;
b) Documental: foram consultados documentos da empresa tais como cartão de ponto, planilhas de controle de alimentação e vale transporte, planilha de salários, entre outros;
c) Pesquisa de Campo: por se tratar de um estudo de caso, os dados foram coletados no escritório da empresa responsável pela obra e na própria obra objeto da pesquisa.