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BKK’s strategic options to address disruptive innovations

4. Analysis and Discussion

4.3 BKK’s strategic choices regarding disruptive innovations

4.3.3 BKK’s strategic options to address disruptive innovations

Aquilo a que nós chamamos de personalidade, a nossa individualidade, moldada consequentemente pela nossa experiência, representam duas questões que

apresentam também grande influência na forma como cada um de nós se relaciona como o espaço - individualidade e a(s) experiência(s) vivenciada(s). Ambas

extremamente subjetivas e por isso únicas, de pessoa para pessoa.

Analisaremos primeiro, a questão da individualidade. Embora precisem sempre dos demais para a sua sobrevivência biológica e conforto psicológico, os seres humanos costumam colocar-se a si próprios no centro, e tudo o que acontece é visto apenas sob a sua perspetiva - a isto se chama egocentrismo. Esta realidade resulta da necessidade do Homem “sobreviver” aos desafios da experiência diária e controlar a sua

consciência, justificando ações e reações do quotidiano. O egocentrismo é uma das características mais comuns na espécie humana, que comporta tantos tipos únicos. A diversidade humana é facilmente confirmada de forma objetiva e imediatamente visível, como a cor do cabelo ou a forma do corpo, mas quando falamos em questões internas, a amplitude e a diversidade são incomparavelmente maiores. “Longe de sermos ‘irmãos sob a pele’ somos – em certas medidas orgânicas - quase espécies diferentes.” (Tuan, 1980, p. 52). Mas, além da predisposição genética para certas questões e certos gostos, todo o acumular de vivências é também determinante para moldar cada um de nós, enquanto ser único.

Tal como já anteriormente foi explorado e podemos ir constatando, entendemos, mais uma vez, que a perceção do espaço é extremamente subjetiva pois, todos nós, seres

humanos, cada um à sua maneira, capta diferentes aspetos, de diferentes formas, perante o espaço ou o lugar em que se insere. Essa tem sido a conclusão a que todos os autores, dedicados ao tema, têm chegado, mas existem mais variáveis que

permitem compreender quais os aspetos a referenciar quando queremos estudar a forma como o ser humano se liga e/ou interpreta o espaço.

Um desses fatores subjetivos prende-se precisamente com questões fisiológicas e biológicas. Por termos encéfalos iguais, mas que funcionam com diferentes ritmos e velocidades, o processamento da informação dá-se consequentemente, também, de forma diferente, daí que a informação que se retira de um mesmo local será díspar entre duas pessoas que o observam (Tuan, 1980). Não obstante, o encéfalo é também responsável por ativar e privilegiar algumas funções do corpo. Por essa razão, existem, por exemplo, pessoas que são mais ou menos sensíveis à luminosidade ou ao ruído, com a audição ou a visão mais apurada, mais eficazmente capazes de distinguir cores ou texturas ou, ainda, pessoas que tem sensações térmicas diferentes perante a mesma temperatura ambiente. Estas são questões extremamente determinantes na forma como cada indivíduo percebe e apreende as características de um espaço, seja em termos de aspetos observados, intensidade da captação ou velocidade da mesma (Tuan, 1980).

Mas existem ainda outras variáveis condicionadoras, como a idade. Tal como já foi referido a propósito dos estágios de desenvolvimento de Piaget, o ser humano, ao longo de toda a vida reajusta e altera as suas estruturas mentais de forma a progressivamente entender melhor o Mundo. Como este processo deriva da

experiência de vida e das vivências de cada um, costuma-se ter por regra que, quanto mais velhos, mais e mais diversas experiências foram experienciadas.

Existe ao longo da vida uma realidade que parece variar em relação ao meio, de forma inversa. Por um lado, o envelhecimento provoca o enfraquecimento e a perda de sensibilidade dos sentidos, que implica, por sua vez, uma menor recetividade a

estímulos dados pelo espaço, mas ao mesmo tempo, devido à experiência e à vivência, uma pessoa mais velha sabe melhor como interagir com o meio e aquilo que muitas vezes pode esperar dele. Para analisarmos como uma qualquer pessoa aprende o seu

espaço, “[…] necessitamos examinar a sua herança biológica, criação, educação, trabalho e arredores físicos.” (Tuan, 1980, p. 68).

Quando falamos da característica egocêntrica da espécie humana, que nos faz

observar o Mundo segundo os nossos interesses, gostos e preferências, há explicações que podem ser adicionadas e que permitem entender melhor a situação e a

subjetividade deste tema. Quando uma qualquer pessoa ultrapassa este egocentrismo, evolui tendencialmente para o etnocentrismo, isto é, a forma como vemos o Mundo com base nos padrões culturais próprios, sobrevalorizando a nossa forma de ver e entender aquilo que observamos. Ainda assim, o etnocentrismo é importante para demonstrar que, mesmo pessoas dentro de uma mesma cultura, mesmo que das mais fechadas, que cresceu da mesma forma e com os mesmos valores e aprendizagens, vê o Mundo de uma maneira única e singular, mesmo que a cultura seja dos fatores mais determinantes (Tuan, 1980).

Como já foi dito e deve ser reforçado, cada um de nós foi criado de maneira diferente, com determinadas características inatas, às quais se somam outras, as características adquiridas, que tornam cada um de nós uma pessoa única. Cada pessoa reage e atua perante a conjugação de muitos fatores, que raramente se conjugam na mesma medida. Pelas mesmas razões temos formas de avaliação e análise diversas, para espaços que são também por si mesmo, diversos.

Além de toda esta individualidade que é capaz de justificar muitas das nossas atitudes e sentimentos perante o espaço, também a experiência tem um cunho extremamente pessoal e variável de pessoa para pessoa. A palavra “experiência” é um termo usado para designar as “[…] diferentes maneiras que uma pessoa tem para conhecer e construir a realidade.” (Tuan, 1983, p. 9). Experiência implica coragem para agir sobre determinada coisa, e exige, intrinsecamente, vontade para tal.

Para aprendermos necessitamos exatamente dessa experiência. É preciso agir sobre o meio e sobre o objeto para recebermos o seu conhecimento. É a partir dele que retiramos alguma informação, que não podia ser recebida se não observássemos e

manuseássemos os objetos. É a partir deles que adquirimos sentimento e pensamento. Estes são dois elementos constituintes da experiência (Tuan, 1983).

As experiências vividas são ponto fundamental e decisor do desenvolvimento do indivíduo. A esta aprendizagem foi atribuído o termo “ambiência”, que Rego (2000,

apud Costella, 2008, p. 20) concetualizou como sendo “[…] uma noção de espaço

geográfico como um sistema composto por relações sociais, espaço condicionador na existência humana e que pode, este espaço, ser eleito como objeto catalisador de ações transformadoras.” É esta aliança entre os dois que permite unir informação sobre determinada situação ou coisa. É daí que retiramos o carácter dos objetos e dos lugares e lhes atribuímos determinados sentimentos e conhecimentos.

Uma das provas de toda esta aprendizagem do espaço ocorre quando tentamos transpor o dito espaço para o papel, em forma de desenho, o chamado mapa mental. Toda a informação sobre o espaço é processada e “arquivada” no cérebro humano, e é ela que condiciona as nossas escolhas e o comportamento ao longo de toda a nossa vida. Os mapas mentais são a representação do vivido, do percebido e do capturado. Representamos neles não a realidade no seu total, mas apenas aquilo que foi visto e retido pelo cérebro e que ele definiu como importante. Para o desenho e para o mapa transpomos o saber percebido e apreendido, com as formas captadas e também a carga pessoal de histórias concretas e de simbolismos. A forma de provar o imaginário, como forma de ver o espaço (Simielli, 1999, apud Archela et al., 2010).