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SIACHEN OG INDIA

6.4 FRYKTEN FOR EN DOMINOREFFEKT

6.5.3 BJPs suksess - overlever den sekulære stat?

Não existe socialização perfeitamente bem-sucedida, onde tudo o que está objetivado pela sociedade se torna subjetivo para um indivíduo. Entra em cena a identidade, que é um elemento-chave da realidade subjetiva e encontra-se em relação dialética com a sociedade. Sendo assim, a identidade, uma vez cristalizada, é mantida, modificada ou mesmo remodelada pelas relações sociais, como também formada por processos sociais, que, implicados na formação e conservação da identidade, são determinados pela estrutura social. Para Berger e Luckmann (1985), a identidade se configura como a chave da subjetividade e da sociedade, formando-se e sendo reformulada através dos processos e relações sociais produzidas a partir de interações do individuo. ―A identidade é um fenômeno que deriva da dialética entre um individuo e a sociedade‖ (BERGER; LUCKMANN, 1985, p. 230).

Tornar-se um ser social implica interiorizar e subjetivar/exteriorizar e objetivar os conteúdos da cultura. A identidade começa a nascer devido à localização que a pessoa tem em determinado grupo (sou um pai, sou um filho) e em determinado estado social (sou menino, sou menina). Os processos de formação da identidade e do acervo social do conhecimento acontecem simultaneamente na sociedade. Segundo Berger e Luckmann (1985), a identidade individual, como antes afirmado, é o elemento-chave da realidade subjetiva, e é formada por processos sociais, que se constituem e se remodelam. Por sua vez, a formação da identidade social acontece a partir das representações sociais. Representação social é uma forma de conhecimento particular que tem como função a comunicação entre indivíduos e a elaboração de comportamentos (MOSCOVI, 1978).

A identidade é igualmente considerada por Goffman (1988) como um produto social com atributos ocasionais e se configura nas relações em grupo, na interação social cotidiana, onde cada um desempenha um dado papel. Para ele, o termo identidade pessoal refere-se a duas idéias ligadas à noção de unicidade (pessoa única). A primeira idéia é a de marca positiva ou apoio de identidade, que pode estar relacionada à imagem fotográfica do individuo na mente dos outros ou o conhecimento de seu lugar específico em determinada rede de parentesco. A segunda idéia refere-se aos vários fatos particulares da vida de uma pessoa que são também verdadeiros para outros. Mas o conjunto inteiro de acontecimentos conhecidos sobre uma pessoa íntima não se encontram combinados em nenhuma outra pessoa, sendo este um recurso adicional para distingui-la positivamente de qualquer outra pessoa, informações que podem estar vinculadas tanto ao nome como ao corpo (padrões de conduta da pessoa).

Portanto, para Goffman (1988), o termo identidade pessoal refere-se as ―marcas de apoio à identidade‖ e com a combinação única de artefatos da história de vida que são incorporados à pessoa, auxiliando na formação da sua identidade. Assim, a identidade pessoal está relacionada a um pressuposto de que a pessoa pode distinguir-se de todas as outras e que, por meio das diferenciações, podem cunhar uma história contínua e única de fatos sociais. ―Podem-se apegar e entrelaçar, como açúcar cristalizado, criando uma história contínua e única de fatos sociais que se torna, então, a substância pegajosa à qual vem-se agregar outros fatos biográficos‖ (GOFFMAN, 1988, p. 67).

A sociedade atua nesse desenvolvimento, e o sujeito se constitui na relação com o outro, no contexto social. Ao estudar as interações das pessoas nos grupos, Goffman (1988) estudou a identidade pessoal e foi definindo possibilidades de reações, fachadas, representações, artifícios que estão presentes nas relações da nossa vida cotidiana, vida em sociedade.

As interações sociais são estabelecidas a partir de um jogo de representações de papéis e, como uma peça teatral, elas podem ser interação face a face ou mediadas pelos meios de comunicação. Para Goffman (1985), o que interessa são as interações face a face, pois ele parte do pressuposto que a vida é um cenário (palco) onde há atores e público. O autor apresenta um ―eu‖ para definir uma situação, de maneira que o permita ganhar algum controle sobre as impressões dos demais. Há diferentes formas de representação que variam de acordo com o contexto social e cultural em que o individuo se encontra. Nesse processo de interação, Goffman (1985) considera a representação um ato socializado, pois a mesma é adaptada para atender a expectativa da sociedade da qual faz parte. Ao utilizar uma linguagem teatral, o autor demonstra que o homem, ao interagir socialmente, mostra-se extremamente preocupado com a sua imagem, na tentativa de obter sucesso nas interações.

Falar de consciência é falar como o homem se constrói a partir da base social, é falar de consciência em sociedade (VIGOTSKI, 1996). Ao falar como o homem se constrói ele aponta para a construção de identidade, que só é possível nas relações sociais. É na linguagem que se encontra a fonte do comportamento social e da consciência. Portanto, essa idéia indica que o mecanismo do comportamento social e a consciência são o mesmo, como também o mecanismo do conhecimento de si mesmo e o do outro é o mesmo. Assim, ―conhecemos os outros na medida em que conhecemos a nós mesmos‖ (VIGOTSKI, 1996, p. 82).

Nas considerações de Molon (1999) só existe reconhecimento do eu no reconhecimento do outro; logo, o outro determina o eu e ambos são mediados socialmente. A dualidade da consciência se confirma na relação eu e outro na própria consciência. Vigotski (1996) conceitua, assim, o comportamento do homem em três dimensões: experiência social, experiência histórica e experiência duplicada, dando origem à vertente biológica e social que caracterizou a abordagem histórico-cultural dos processos psicológicos superiores. O que distingue o ser humano dos animais são as funções psicológicas superiores especificamente humanas (pensamento, memória voluntária, atenção voluntária, percepção mediada, consciência, a vontade, a fala, a linguagem escrita, sentimentos, etc.) desenvolvidas nas relações com os outros.

As funções psicológicas superiores tem por finalidade organizar adequadamente a vida social de uma pessoa em seu meio. São funções de origem sociocultural e que apresentam uma natureza histórica, originada das relações entre indivíduos humanos. Elas são especificamente humanas, sociais e culturais, nascem e desenvolvem-se pela utilização e mediação dos instrumentos e signos, e originam-se das relações entre indivíduos humanos, segundo lei geral de desenvolvimento: ―Toda forma superior de comportamento aparece em

cena duas vezes durante seu desenvolvimento: primeiro, como forma coletiva do mesmo, interpsicológica, um procedimento externo do comportamento. [...]. O exemplo mais claro é a linguagem‖ (VIGOTSKI, 1996, p. 112).

A relação entre funções psicológicas superiores e funções psicológicas elementares acontece por meio de uma superação. As funções psicológicas inferiores são incluídas, transformadas e conservadas nas funções psicológicas superiores, onde o nível elementar não acaba ou deixa de existir com o novo, mas é superado por este, é negado dialeticamente pelo novo e passa a existir no novo (MOLON, 1999). Tais funções são consideradas inter- relacionadas, pois as funções psicológicas superiores não resultam das funções psicológicas elementares e caracterizam-se por serem operações indiretas, sendo a linguagem o signo mediador principal.

Ao desenvolver-se, a consciência sofre modificações na estrutura geral e no vínculo entre seus elementos, que mantêm entre si uma relação dialética obtida com a inserção dos indivíduos nas atividades sociais (TOASSA, 2006). Ao se integrarem às atividades sociais, as pessoas tomam posse das funções psicológicas superiores que as medeiam e que são fundamentais para compreender o processo de formação da identidade do sujeito.

Para compreender este processo de conversão em Vigotski (1996), deve-se considerar o movimento de transformação numa relação dialética que os diferencia e aproxima. Nesse sentido, Molon (2003) afirma:

A relação dialética das dimensões interpsicologica em intrapsicologica, compreendida no posicionamento de que o intrapsicologico – interno – foi antes interpsicologico – externo -, isto é, o social constitui o sujeito ao mesmo tempo em que é constituído por ele, ambos sendo constituídos pelas mediações dos signos (p.100).

A noção de conversão pressupõe um processo de superação e mediação, de tornar-se diferente do que era sem deixar de ser o que foi, não considerando a internalização de algo de fora para dentro, mas nascido no contexto social e se constituindo, nessa esfera, pelo sujeito. A conversão é o processo de constituição do sujeito no campo da intersubjetividade, através da internalização.

O processo de internalização dos significados culturais, para Vigotski (1996), acontece por intermédio dos signos, ou seja, o processo de constituição do sujeito ocorre fundamentalmente pelo processo de mediação semiótica, no qual as significações partilhadas pelo componente de uma dada cultura são transformadas em significações pessoais para o

individuo. Nessa dinâmica, a linguagem tem lugar central na construção dos sujeitos. Na medida em que os signos são reconhecidos e manuseados, os processos psicológicos superiores se desenvolvem e os significados culturais transformam-se em significados subjetivos para o individuo, segundo Daniel JR. (2007).

A passagem do locus objetivo, externo ao subjetivo, interno ao sujeito, apresenta cunho dialético e, conforme Berger e Luckmann (1985, p. 173), a sociedade é ―uma realidade ao mesmo tempo objetiva e subjetiva‖ e, para compreendê-la, devem-se envolver ambos os aspectos. A sociedade é objetiva, pois é composta por objetos cuja existência é anterior ao sujeito. É subjetiva, pois é o corpo, o aqui e agora do sujeito que vive esta realidade que é o mundo do sujeito por excelência. A realidade do dia-a-dia é sentida como uma realidade ordenada, que torna sistemático o aqui do corpo e o agora do presente. O processo de interiorização dos indivíduos está ligado à socialização na realidade objetiva da sociedade, processo pelo qual as estruturas do mundo social objetivo convertem-se também em estruturas subjetivas da consciência. A interiorização consiste na apreensão ou interpretação imediata de um acontecimento objetivo, como dotado de sentido, isto é, como divulgação de processos subjetivos de outro, que, desse modo, torna-se subjetivamente significativo para mim. Berger e Luckmann (1985) alegam que a interiorização constitui a base, primeiramente, da compreensão dos semelhantes e, em segundo lugar, da apreensão do mundo como realidade social dotada de sentido. É por intermédio da socialização e da interiorização que acontece a constituição do sujeito, sempre a partir dos padrões objetivos da sociedade. Estes autores dividem o processo de socialização em socialização primária e socialização secundária.

A socialização primária é a primeira socialização do individuo, vivenciada na infância e que o faz tornar-se elemento da sociedade. Berger e Luckmann (1985, p. 178) afirmam que, ―ela cria na consciência da criança uma abstração progressiva dos papéis e atitudes dos outros particulares para os papéis e atitudes em geral‖. O processo de interação inicia-se com pessoas significativas da família. A socialização primária ocorre em circunstâncias carregadas de alto grau de emoção:

Sem esta ligação emocional com os outros significativos, o processo de aprendizado seria difícil, quando não de todo impossível. A criança identifica-se com os outros significativos por uma multiplicidade de modos emocionais. Qualquer que sejam, a interiorização só os realiza quando há identificação. A criança absorve os papéis e as atitudes dos outros significativos, isto é, interioriza-os, tornando-os seus. Por meio desta identificação com os outros significativos, a criança torna-se capaz de si identificar a si mesma, de adquirir uma identidade subjetivamente coerente e plausível (BERGER; LUCKMANN, 1985, p. 176-177).

A socialização primária seria a base da construção da identidade do indivíduo. Os indivíduos interpretam a realidade por critérios pré-existentes e característicos da cultura e, assim, eles movimentam, influenciam, transformam suas ações, pois, na dialética entre a natureza e o mundo socialmente constituído, o organismo humano se transforma, produzindo realidade e produzindo a si mesmo. O individuo desenvolve sua identidade nessa dinâmica, primeiramente com sua família, depois escola, amigos, trabalho, em que todos têm um papel importante nessa constituição, pois, ao estar em contato com os outros nas relações estabelecidas que vão se tornando significativas, eles materializam variados papéis e constroem sua identidade e sua consciência, mediada pela linguagem.

A socialização secundária é um processo de continuação que pressupõe a socialização primária, como se fosse a internalização de outros mundos, pois introduz o sujeito já socializado pela socialização primária em novos setores do mundo objetivo de sua sociedade: o mundo social. Ele agora começa a interiorizar conceitos inerentes às instituições em que ele tem que viver ou trabalhar, ou se divertir. Os processos formais da socialização secundária são determinados pela suposição de um processo precedente de socialização primária, no qual o indivíduo já teria a personalidade formada e um mundo já interiorizado. Seja qual for o conteúdo que deva ser interiorizado, é preciso, de certo modo, sobrepor-se a esta realidade já presente. Nas duas socializações, as limitações biológicas tornam-se cada vez menos importantes nas seqüências de aprendizagem. A linguagem é o primeiro e mais importante mecanismo da socialização primária e também secundária (BERGER; LUCKMANN, 1985).

A chave da compreensão da natureza da consciência humana é o pensamento e a linguagem. Para Vigotski (2001), a palavra desempenha, na consciência, uma função central, de destaque, sendo expressão direta da natureza histórica da consciência humana. É o signo em forma de linguagem que estabelece a relação linguagem/consciência. Vigotski (2001) continua:

A consciência se reflete na palavra como o sol em uma gota de água. A palavra está para a consciência como o pequeno mundo está para o grande mundo, como a célula viva está para o organismo, como o átomo para o cosmo. Ela é o pequeno mundo da consciência. A palavra consciente é o microcosmo da consciência humana (p.286).

A relação linguagem e consciência reafirma a característica da consciência ser semióticamente mediada e de origem social, na qual a palavra é determinada tanto pelo fato de que é recebida de alguém, como pelo fato de ser enviada para alguém. Ela é a expressão de

um em relação ao outro, possibilitando, por meio da palavra, definir a relação com o outro e em relação à coletividade (ZANELLA, 2005).

Conforme já mencionado, para Berger e Luckmann (1985), a linguagem é o meio mais importante de transmissão das sedimentações objetivas da tradição da coletividade. A sedimentação será um conceito relevante na constituição de identidades. Trata-se de uma pequena parte das experiências humanas que ficam arquivadas na consciência e é sedimentada, ou seja, consolidada como algo apto de ser lembrado e, com esta sedimentação, o individuo dá sentido à sua biografia. Esta sedimentação intersubjetiva também acontece no coletivo de uma biografia comum a todos. Cabe enfatizar que toda a transmissão de significado implica procedimentos de controle e legitimação. E, assim, surgem os papéis sociais tais como as profissões.

Essa relação com o outro e com a coletividade ocorre na situação de estar face a face com o outro na interação social. Essas relações são flexíveis devido aos modelos que são modificados e ao intercâmbio variado de significados subjetivos. Esses modelos comuns são estabelecidos na própria realidade cotidiana, que consente na interação entre os indivíduos a partir de referênciais comuns estabelecidos. Compreender a linguagem é essencial para entender a realidade da vida cotidiana, pois essa realidade é acima de tudo vida com linguagem. Portanto, a linguagem tem origem na situação face a face e torna mais real a subjetividade da pessoa não somente para seu interlocutor, mas também para ela própria. E ainda, a linguagem tem a capacidade de cristalizar e estabilizar a própria subjetividade da pessoa (BERGER; LUCKMANN, 1985).

Na perspectiva vigotskiana, o pensamento e a linguagem se unem, formando o pensamento verbal através do significado da palavra. O significado da palavra é um conceito, é uma generalização. O significado é o elo entre pensamento e palavra, dá vida aos dois por meio de um processo de transformação em que um depende do outro, ou seja, o significado é o caminho do pensamento para a palavra. Esta é uma relação desenvolvida pelas mediações semióticas, entre os sujeitos em intersubjeitvidade e constituídos histórica e socialmente. Nesse sentido, a significação atravessa o pensar, o falar, o sentir, o criar, o desejar, o agir..., e de forma historicamente dotada (MOLON, 2003; SIMÕES, 2007). Ao refletir a realidade e ao dar sustentação ao pensamento generalizante, a palavra tem seu significado modificado de acordo com o modo de realização da realidade social (MOLON, 2003).

O significado apresenta-se como sendo próprio do signo e o sentido é o que faz parte do significado, é o seu resultado e produto, mas, no entanto, não foi fixado pelo signo. ―O sentido é mais amplo que o significado‖ (VIGOTSKI, 1996, p. 186). O sentido prevalece

sobre o significado. Dessa forma, o significado de uma palavra é o que está fixo no dicionário, já o sentido de uma palavra pode ser modificado, dependendo do contexto em que ela aparece com pessoas e situações. Assim, diferentes contextos geram diferentes sentidos.

Significado e sentido são importantes para a constituição de identidades, pois o movimento interno que ocorre entre eles pode ajudar a entender o que acontece com o sujeito na sua constituição. A presença do significado e do sentido impulsiona novas conexões e novas atividades da consciência, porque o significado pertence à consciência. Ao se apropriarem de sistemas de significações historicamente desenvolvidos, as pessoas conseguem generalizar as experiências nas palavras (TOASSA, 2006).

A interiorização somente se realiza quando há identificação e, segundo Berger e Luckmann (1985), por meio desta identificação com os outros significativos, a criança torna- se capaz de identificar-se a si mesma, de admitir uma identidade subjetivamente aceitável. Este processo implica uma dialética entre a identificação pelos outros e a auto-identificação. Para os autores em foco, a ―identidade é objetivamente definida como localização em um certo mundo e só pode ser subjetivamente apropriada juntamente com este mundo‖ (p. 177). Quando o outro generalizado é representado na consciência, estabelece-se uma relação simétrica entre a realidade objetiva e a subjetiva, e o individuo apreende a si próprio como um ser ao mesmo tempo interior e exterior à sociedade - processo pelo qual se constitui a identidade.

As experiências e o conhecimento são sistematizados por meio de institucionalização que os organiza e ordena desde a realidade objetiva. Este processo surge como determinado conforto para as pessoas, colocando padrões de conduta para manter o controle social. Pela institucionalização, o conhecimento estabelecido é transferido para a geração seguinte, aprendido por ela como verdade objetiva, interiorizando-o como realidade subjetiva. A institucionalização ocorre sempre que há uma tipificação recíproca de ações habituais por tipos de atores, nas muitas interações. A institucionalização organiza o conhecimento e ordena em objetos os que serão apreendidos como realidades cotidianas que existem objetivamente, independentemente das pessoas. Em seguida, eles serão interiorizados como verdade objetivamente válida no curso da socialização. E, ainda, as instituições aplicam a historicidade e o controle, ou seja, controlam a conduta humana estabelecendo padrões de conduta, pois são construídas ao longo de uma história compartilhada. Nesse sentido, tem-se que compreender o processo histórico em que foi produzida. Desse modo, ―a biografia do individuo é aprendida como um episódio localizado na história objetiva da sociedade‖ (BERGER; LUCKMANN, 1985, p.86).

Os papéis têm a função primordial de controlar a institucionalização. São necessários, pois representam a instituição e sua conduta, representam a integração de todas as instituições em um mundo dotado de sentido. São estes papéis que ajudam a manter a integração na consciência e na conduta da sociedade. Os indivíduos, ao praticar um papel, compartilham de um mundo social, interiorizam este papel e o próprio mundo torna-se agora subjetivamente real para eles (BERGER; LUCKMANN, 1985).

Uma relação pressupõe a existência de um outro social e é no fluxo de relações estabelecidas que o sujeito experimenta o mundo e a si mesmo (VIGOTSKI, 1996). Nessas relações sociais que assumimos múltiplas funções (papéis), de filho, pai, professor, médico. ―O estabelecimento de relações com os outros reside no ato de assumirmos papéis diante de alguém, enquanto este alguém vai assumindo papéis diante de nós‖ (FABRI, 2008, p. 172). Esses papéis sociais muitas vezes se misturam e sobrepõem-se ainda com muitos outros em uma mesma pessoa concreta. ―Nunca poderão estar totalmente dissociados nem plenamente conciliados, de modo que as diferentes funções assumidas nestes papéis, numa direção ou outra, acabam solicitando opções conflitantes, subordinando algumas vozes a outras‖ (idem, 2008, p. 174).

Goffman (1985) visualizou os detalhes da vida social nas interações e percebeu, a partir de suas proposições, a forma como cada individuo contribui para constituição do outro e ao mesmo tempo se constitui. Ao definir interação, o autor expõe a ligação com uma determinada situação social, que envolve um ou mais movimentos, considerando o papel social que o ator está representando e o público envolvido, pois todos representam papéis e às vezes finge-se aceitar algo ou falar frases estudadas de acordo com a necessidade e momento. Para o indivíduo desempenhar um papel, ele necessita de um cenário que irá arrumar e dar força ao desempenho na atuação dramática. Durante a representação, esses elementos servirão para formar a fachada. ―Quando um indivíduo se apresenta diante de outros, consciente ou inconscientemente projeta uma definição da situação, da qual uma parte importante é o conceito de si mesmo‖ (GOFFMAN, 1985, p. 223).