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Bjørnar O Isen

In document Nicolay, Nr. 56 (1991) (sider 36-44)

Os símbolos, conforme explanado anteriormente, são centrais ao interacionismo simbólico, principalmente porque, para essa abordagem, os seres humanos empregam “símbolos” e agem em direção a “objetos” em seu cotidiano (HEWITT, 2003). Os símbolos são adquiridos e compartilhados mediante as interações sociais e, como convenções sociais, adquirem significados comuns tanto àqueles que os percebem, quanto àqueles que os fazem ser percebidos (REYNOLDS, 2003a). O consenso sobre o “significado” dos “símbolos” contribui para a intersubjetividade, do qual emergem comunicação, comportamento modelado, ordem social e a própria sociedade (MUSOLF, 2003). Nesse sentido, permitem a própria convivência em grupo e agem como elementos linguísticos mediante o qual indivíduo e sociedade se interpenetram (MEAD, 1934). Para o interacionismo simbólico, os símbolos, como elementos significativos, têm um impacto na atividade humana (REYNOLDS, 2003a).

Contudo, para a abordagem evolucionária, o papel dos símbolos e da simbolização já não é tão evidente. Noble e Davidson (1991) acreditam que a origem do comportamento humano é rastreada até o ponto em que a linguagem surgiu. Para eles, a natureza especial da linguagem, que difere de outros sistemas de comunicação dos animais, gira em torno de seus sinais constituintes, que são utilizados simbolicamente. O ponto de origem da linguagem, portanto, remete ao ponto em que a propriedade simbólica dos sinais foi descoberta e utilizada pelo homem.

Assim, a linguagem, que surgiu durante o curso da evolução humana, é nitidamente um dos atributos que mais distinguem os seres humanos de outros animais. Pressupõem-se que, em algum momento na transformação evolucionária dos hominídeos4, existiram ancestrais que, por

questões de sobrevivência ou de adaptação, passaram a fazer uso da linguagem como forma de comunicação mais sofisticada (NOBLE; DAVIDSON, 1991). Ferreira et al. (2000) afirmam, de forma bastante simplificada, que os primórdios da formação da linguagem encontram-se

associados à vida dos primatas nas árvores. Citam, em um primeiro momento, que a mesma decorreu de adaptações necessárias à vida no ambiente arborícola. A vida nas árvores, segundo os autores, exigiu da natureza soluções revolucionárias para novos problemas, ligados à gravidade e ao espaço tridimensional. As necessidades de adequação às novas questões foram refletidas em medidas adaptativas, que geraram modificações anatômicas consideráveis, que, por sua vez, permitiriam, no futuro, o surgimento da linguagem.

É notável que os animais selvagens comprovadamente se comunicam uns com os outros (SHIPMAN, 2010). O modo de comunicação entre os animais é um dos fenômenos mais primitivos nas espécies, tão importante quanto mecanismos relacionados à defesa ou à reprodução, é fator básico para adaptação e sobrevivência (FERREIRA et al., 2000). Macacos

vervet, por exemplo, emitem diferentes sinais para indicar predadores aéreos ou terrestres

(SHIPMAN, 2010). Pela vertente evolucionária (que prega a ancestralidade comum dos seres humanos e de outros animais, dentro de um processo de mudança contínua e evolução), esse pode ser um indicativo de que em nossa origem, a comunicação surgiu a partir da necessidade de interação coordenada entre os membros de um grupo, de modo a proporcionar maior chance de sobrevivência para todos.

Nesse sentido, de necessidades básicas, as capacidades intelectuais de diferentes espécies de primatas evoluíram como uma adaptação às complexidades da vida social (HUMPHREY, 1976). A linguagem, de forma mais completa, conferiu vantagem adaptativa em espécies sociais, que dependiam de informações (SHIPMAN, 2010). Com a linguagem, papéis sociais puderam ser diferenciados e o sucesso evolucionário – dependente de seu uso em formações sociais mais complexas – pode ser alavancado. Ainda, a linguagem proporcionou outras vantagens ecológicas e sociais na aquisição, controle e transmissão de informações (NOBLE; DAVIDSON, 1991). Henshilwood e Marean (2003) concluíram que o comportamento humano é mediado por padrões de pensamento simbólico socialmente construídos e por ações de comunicação, que permitem o intercâmbio material e de informações, bem como a continuidade cultural entre e através de gerações. Para os autores, o critério fundamental para o comportamento humano contemporâneo não é a capacidade de pensamento simbólico, e sim, o uso do simbolismo para organizar o comportamento.

Quando a expressão simbólica humana é analisada sob a perspectiva evolucionária, fica evidente que o valor da adaptação e da sobrevivência da espécie, por meio da manipulação simbólica, é ressaltado. A geração de formas simbólicas tem óbvias vantagens adaptativas (MEDDIN, 1980). Pressupõe-se que os símbolos, desde a pré-história da humanidade, foram utilizados de forma a comunicar comportamentos adaptativos relacionados à sobrevivência e à satisfação de necessidades.

Pela abordagem interacionista no estudo dos valores, os símbolos remetem aos significados compartilhados em torno dos objetos de atividade (“valores sociais”), que circunscrevem uma coletividade. Já pela abordagem evolucionária, Schwartz (2005) indicou que os indivíduos não podem lidar com os requisitos da existência humana sozinhos e, como consequência, em todos os grupos, as pessoas têm de articular objetivos para lidarem com esses requisitos, que devem ser comunicados, de modo que haja cooperação à consecução dos mesmos. Conforme Schwartz (2006b), para se adaptarem à realidade, dentro de um contexto social, os grupos e indivíduos transformam as necessidades inerentes à existência humana e as expressam na linguagem dos valores específicos, de modo que possam, por conseguinte, se comunicar em relação aos mesmos. Assim, os valores pela lente evolucionária são conceitos socialmente desejados e são, ainda, o vocabulário utilizado para expressar as necessidades na interação social. Por esse ponto de vista, os objetivos e os valores que os expressam possuem significados cruciais à sobrevivência (SCHWARTZ, 2005). Nesse sentido, os “valores básicos” também funcionam como a linguagem de comunicação das necessidades e, como toda linguagem, implicam na utilização de símbolos. Por esse ângulo, os “valores básicos” são motivações compartilhadas mediante o processo de socialização. Para realizar essas motivações, dentro de um contexto social, os indivíduos se apropriam de objetos, que simbolizam os “valores básicos” para a coletividade em que estão inseridos. Mediante os símbolos, é possível conciliar os conceitos de valores de Thomas e Znaniecki e de Schwartz. As pessoas, bem como os grupos, vivenciam os valores (básicos e sociais) e satisfazem suas necessidades de acordo com os símbolos sustentados e compartilhados pela coletividade.

3 PERCURSO METODOLÓGICO

Neste capítulo serão apresentadas as opções metodológicas adotadas na condução da pesquisa. Inclui a natureza do estudo, a estratégia metodológica e os procedimentos utilizados para a construção, análise e interpretação dos dados.

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