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Biomass supply: both domestic and trade

4. Measures for achieving the targets

4.6. Specific measures for the promotion of the use of energy from biomass

4.6.1. Biomass supply: both domestic and trade

De acordo com Lohan e Faulkner (2009) a tecnologia revela-se extremamente significativa nas negociações de género em relação à ocupação, símbolos e identidades de género, o que se reflecte numa influência extremamente significativa na formação, concepção e utilização da tecnologia.

De acordo com Faulkner (2001) é útil distinguir entre género em tecnologia e género da tecnologia. Reportando-se o género em tecnologia às relações de género reforçadas e incorporadas pelas mútuas relações entre género e tecnologia. Enquanto o género de tecnologia se refere à sexualização dos artigos.

Na prática são várias as formas de sexualização da tecnologia que podem ser identificadas. Estas associações não são simplesmente feitas pelo utilizador, embora determinados artefactos sejam estereotipados para homens, a maioria é sexualizada mais através da associação aos estereótipos de género do que de forma material e explícita, e na realidade muitos não são de todo sexualizados.

Situação visível desta sexualização de tecnologia, surge na divisão entre tecnologia branca e negra. Enquanto a branca é retratada como útil e simples, a negra é designada como tecnologia inteligente e complexa que requer aptidões de manipulação. As contrastantes cores significam uma construção de género dos produtores, as de domínio doméstico para o feminino em oposição aos que servem para entretenimento e lazer, o masculino. O posicionamento da mulher no que refere ao espaço doméstico estabelece assim, construções particulares das tecnologias para o trabalho doméstico.

No estudo realizado por Cockburn (1997) é visível esta dicotomia, o micro-ondas inicialmente desenhado como tecnologia negra direccionado para homens solteiros de forma a aliciar homens que demonstravam mais interesse em tecnologia de entretenimento do que em cozinha. Foi no entanto, posteriormente transformado em tecnologia branca para facilitar o cozinhar, passando a ser a mulher a principal utilizadora.

Como referem Lohan & Faulkner (2009) os estudos feministas no campo da tecnologia enfatizam o facto de como o género pode moldar a tecnologia, mas também como o design e o uso estabelecido para as tecnologias podem construir identidades de género. O marketing apresenta um papel relevante neste papel ao transmitir ideologias e imagens estereotipadas, permitindo definir, construir e controlar o cliente.

Partindo do caso da indústria dos jogos electrónicos, nota-se uma ligação ao elemento masculino, não só no que refere aos próprios conteúdos dos referidos jogos, como à publicitação dos mesmos. Nomeadamente através das características das personagens, maioritariamente masculinas e inclusivamente através da denominação claramente estereotipada do popular brinquedo Game Boy.

Os estereótipos de género encontram-se ainda demasiado incutidos na sociedade, sendo claramente assumidos no consumo e na publicidade, como reprodutora das realidades sociais e das ideologias dominantes. Assim, o marketing, a venda e o consumo todos contribuem para a manutenção dos estereótipos de género.

A tecnologia é moldada através de um complexo processo social, no qual diferentes grupos seleccionam e definem determinadas características para um determinado artigo. Características de um determinado dispositivo podem fornecer um meio conveniente de estabelecer padrões de poder. Acredita-se que uma das limitações para o impacto provável das mulheres enquanto consumidoras de tecnologia assenta no facto de se encontrarem distante do processo de produção e design (Cockburn, 1997).

Como refere Cockburn (1997) no estudo realizado sobre produção e desenvolvimento de equipamentos domésticos, nomeadamente o micro-ondas, reconhece-se que as questões de género não começam nem acabam com o design e a produção.

Enquanto a tecnologia é transformada num objecto físico durante a produção, o significado simbólico anexado a ele é continuadamente negociado. Como refere Bray (2007) as tecnologias estimulam processos e renogiações do que é considerado feminino ou masculino. A tecnologia doméstica é associada ao género feminino durante as estratégias de promoção e de apropriação dos utilizadores.

As tecnologias domésticas estão inscritas em ideologias específicas que reflectem a divisão sexual do trabalho doméstico e as diferentes relações femininas e masculinas com as máquinas. O micro-ondas associado à tecnologia branca por se associar ao uso feminino, e por se considerar uma tecnologia de fácil uso, botões acessíveis e directos, apresentava-se acompanhado por dois livros de instruções. Um manual com informações técnicas como a voltagem e a instalação em linguagem directa e claramente direccionado para o homem, considerando marido ou engenheiro. E o outro, um livro de receitas com dicas para cozinhar no micro-ondas, apresentado numa linguagem mais leve e coloquial. Mesmo que actualmente a mulher acredite que o trabalho doméstico deve ser dividido, os designers e os engenheiros não acreditam que isso aconteça (Cockburn, 1997).

A projecção da casa do futuro considera o controlo do calor e da luz, da segurança, da informação, do entretenimento e do ambiente (Mackenzie & Wajcman, 1999). O objectivo central de automatizar a casa inteligente é o da integração, isto é, o controlo centralizado e a regulação de todas as funções através de uma rede local. Não é considerado neste projecto qualquer sistema de limpeza. Os homens que produzem os protótipos ignoram que uma casa é também um local de trabalho doméstico. O consumidor alvo é implicitamente o homem com um interesse tecnológico, alguém à imagem de que quem a construiu. É uma visão profunda masculina de uma casa. A negligência do conhecimento, experiência e habilidades das mulheres enquanto recurso de inovação é uma prova da sexualização do processo de inovação.

A análise da tecnologia permite uma maior compreensão de um campo cada vez mais presente nas sociedades modernas, bem como a consciencialização de que se a tecnologia é socialmente construída é também igualmente potencialmente reconstruida. Como Lohan & Faulkner (2009) sustentam, os estudos feministas têm demonstrado como os estereótipos de género podem ser perpetuados pela tecnologia e como esta pode ser reinterpretada de forma a adquirir novos usos e significados.

No entanto, Faulkner (2001) teme que a ênfase construtivista na reinterpretação da tecnologia possa ser demasiado optimista, ou mesmo idealista, uma vez que as mudanças nas relações sociais de género são muito difíceis de alterar, por se encontrarem ainda demasiado incutidas na sociedade.

No entanto, a sexualização simbólica da tecnologia vai além do artefacto, podendo afectar carreiras de homens e mulheres. Podemos constatar que o significado do sexo ou género e o significado dos artigos tecnológicos são fenómenos entrelaçados, qualquer alteração de um elemento causa alterações no outro. Isto envolve não só a reavaliação de habilidades, tarefas e qualificações e assim, a análise das divisões de género no trabalho.

3.2 A Socialização de Género: Condicionante na Escolha dos