Na cidade de São Paulo, o prefeito Prestes Maia, em sua gestão durante os anos de 1938 a 1945, implantou o Plano de Avenidas, surgiu entre as propostas viárias a do Perímetro de Irradiação de João Florence de Ulhôa Cintra (1887 – 1944), entretanto, o prefeito buscou parâmetros internacionais, europeus e norte- americanos (SOMEKH; CAMPOS, 2002).
A história do crescimento territorial urbano da cidade de São Paulo começou no final do século XIX, quando Victor da Silva Freire, diretor de obras municipais, protagonizou as atividades urbanísticas na República Velha em São Paulo. Logo em seguida, em 1912, o francês Joseph Antoine Bouvard apresentou uma proposta de projeto para o Vale do Anhangabaú. E por último, o Plano de Avenidas de Prestes Maia, publicado em 1930, mas não completamente executado. Este é o período que contextualiza essa pesquisa:
“...trata da mudança do paradigma de estrutura viária radio- concêntrica (composto por vias radiais e perimetrais) do Plano de Avenidas de Prestes Maia para a concepção de redes em forma de tramas direcionais ortogonais adaptadas às características territoriais, que fundamenta o Plano Urbanístico Básico de 1968 e seu desdobramento” (CAMPOS, 2002).
O plano voltava ao crescimento viário, onde o percurso era composto por anéis sucessivos e cortado por eixos, viabilizando o poder de ampliação..Esse modelo privilegiava o transporte automobilístico, pois naquela época o tráfego já era intenso (OKANO, 2007). O aludido plano produzia avenidas largas e ruas mais arejadas. “A preocupação com a qualidade do plano de obras é evidente” (FONSECA, 2004). São Paulo estava crescendo territorialmente, juntamente com uma política de estradas (Figuras 9 e 10).
Figura 6 – Perspectiva do Plano de Avenidas. Fonte: Congresso Internacional de Americanistas, 2003.
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Capítulo 1
O Plano de Avenidas foi acompanhado pelo Ato n° 663 e o Decreto-Lei n° 92 de 1941, que passou a permitir a construção de edifícios com 11 andares no alinhamento da calçada.Predominavam as obras edilícias de iniciativa privada, que eram símbolos de espaços dominantes da capital paulista (OKANO, 2007 p.31-2). Assim, “Nesse contexto o papel de diversos planos urbanísticos desenvolvidos até então tendia a ser minimizado em face do peso das realizações individuais”. Conforme Fabio Prado, caracterizava São Paulo como uma “cidade sem sistema”, apenas com pensamentos autônomos, sem preocupação com o conjunto, a cidade como um todo (CAMPOS, 2002 p.509).
A construção do Plano de Avenidas gerou despejos e demolições para a construção de edifícios com maior área e alargamento das avenidas, tudo isso em período de crise da habitação (BONDUKI, 1998). Prestes Maia replicava dizendo que as habitações demolidas foram substituídas por novas e maiores, como os edifícios Copan e Montreal de Oscar Niemeyer e no eixo da nova Avenida Nove de Julho (SAMPAIO, 2002 p.25).
Essas obras foram realizadas pelo apoio administrativo e financeiro de Getúlio Vargas e o Estado Novo, 1937 – 1945. Construíram as avenidas Nove de Julho, Paulista, Pacaembu, São João, Rio Branco, entre outras. Observa-se a não conclusão do Plano de Avenidas (OKANO, 2007 p.32).
Prestes Maia afirma que o auge da crise da habitação ocorreu em 1942 e 1943, junto com a Segunda Guerra Mundial, mas que em 1944 começa a fase de recuperação e, em 1945, já está normalizado (SAMPAIO, 2002 p.25). Na tabela 3 o número de habitações construídas.
Tabela 3 – Número de habitações construídas entre 1939 e 1946
Ano 1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945 1946
Habitações 11.600 12.100 12.600 8.000 7.400 9.400 15.000 19.000 Fonte: SAMPAIO, 2002.p.25.
Segundo Sampaio, Prestes Maia definia “recuperação” como “a aceleração de solução que já vinha sendo utilizada pelos trabalhadores nas décadas anteriores”. Dois elementos cooperaram para a aceleração: a Lei do Inquilinato e a oferta de apartamentos periféricos. Estes eram muitas vezes irregulares, clandestinos ou até por autoconstrução (SAMPAIO, 2002 p.25).
Observa-se, portanto, de um lado a concentração de verticalização no centro e em bairros vizinhos, do outro o aumento da periferização pela autoconstrução, ambas promovidas pela iniciativa privada e anuência do Estado (SAMPAIO, 2002 p.25). A primeira foi limitada com a restrição do coeficiente de aproveitamento em 1957, a segunda havia omissão legislativa.
Prestes Maia sugeria algumas alternativas para combater a crise da habitação: “1) maior incentivo às atividades construtoras por parte do Estado; 2) evitar que as leis do inquilinato desanimem os proprietários; 3) alterações do regime aduaneiro para facilitar a importação de material de construção que fossem caros, imperfeitos ou escassos entre nós (cimento, material metálico, vidros, aparelhos, tintas, canos);
4) incrementar a produção de materiais úteis, instalações de fábricas e usinas para cimento, cal, produtos cerâmicos, extração ou produção de areia e brita, etc.;
5) prosseguir os esforços para a padronização dos materiais como esquadrias, tijolos, etc., em que variedade e as reduções sucessivas das dimensões já acarretam inconvenientes econômicos e construtivos.” (SAMPAIO, 2002 p.26).
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Capítulo 1
Segundo Somekh (1987), essas transformações urbanísticas na área central permitiam o máximo uso da base fundiária, proporcionando o crescimento vertical. Nessa época, o Decreto Lei n° 92/1941, esclarecia o limite máximo de altura através da largura da via.
Esse período de governo coincide com a história do crescimento da cidade de São Paulo, que começou no inicio do século XIX, quando Victor da Silva Freire, diretor de obras municipais, protagonizou as atividades urbanísticas na República Velha em São Paulo. Logo em seguida, em 1912, o francês Joseph Antoine Bouvard apresentou uma proposta de projeto para o Vale do Anhangabaú. E por último, o Plano de Avenidas de Prestes Maia, publicado em 1930, mas não completamente executado (CAMPOS, 2002).
Desde 1930, com o modelo urbano expansionista, concentrador e automobilístico, articulado pelo Plano de Avenidas de Prestes Maia, São Paulo caracterizava como “metrópole moderna” (FURTADO, 1964 p.30). No final da década de 40, foi acentuada a construção de rodovias, tais como: a Anchieta, ligação São Paulo – porto de Santos, em 1947; a Anhanguera, ligação São Paulo – Jundiaí, em 1948; a pavimentação da via Dutra, ligação São Paulo – Rio de Janeiro, em 1951 (LEME, 1990).
Os 400 anos de São Paulo foram marcados pela inauguração do parque do Ibirapuera. Com o apoio do prefeito Pires do Rio e do engenheiro-arquiteto Prestes Maia o parque foi implantado numa área de várzea, com a justificativa de acréscimo de área verde, frente ao rápido processo de urbanização, que se expandia rapidamente. O centro da cidade não suportava árvores de grande porte, pela consolidação da área, pelo traçado e pela composição de vielas estreitas e irregulares. Na década de 1930, quando Prestes Maia desenvolveu o plano de avenidas, utilizou o partido urbanístico no qual as principais avenidas radiais conduziam as áreas verdes. No seu plano já estava prevista a construção do parque,
que fazia parte dos eixos da Avenida Brasil e da atual Vinte e Três de Maio.13 Esta definia um eixo de expansão do parque do Anhangabaú ao Ibirapuera. O primeiro era central, contextualizado para embelezar e sanear importantes áreas da cidade. Já o segundo representava o crescimento, intervenções urbanas, a força paulistana conquistada ao longo desses anos, a grandeza e a modernidade de São Paulo. Novamente, como em 1930, a questão viária é evidente, assim como a valorização do entorno.14 O mapa da proposta de Prestes Maia está na figura 8.
Figura 8 – Proposta de Prestes Maia da ligação dos parques do Anhangabaú e Ibirapuera. Fonte: OLIVEIRA, 2002.
O parque nasceu do ideário das comemorações do IV Centenário, juntamente com a imagem de potência econômica do país, acompanhado pela arquitetura modernista. Foi fundada a comissão do IV Centenário, em 20 de julho de 1951, que estava incumbida de organizar a festa para os dias 9 a 11 de julho de 1954, com o parque do Ibirapuera como centro das comemorações. Este se tornou o destaque pelos aspectos inerentes quanto espaço de lazer e cultura de grande porte na metrópole paulista e pela importância simbólica até hoje. A equipe de Oscar Niemeyer realizou o conjunto arquitetônico como marco da modernidade. Também foram muito lembrados e divulgados os veteranos combatentes de 1932 que
13 WESLEY Macedo; MIRIAM Escobar. A concretização da imagem do IV Centenário da cidade de São
Paulo: o Parque do Ibirapuera. Vitruvius, ano 5, fevereiro. Disponível em:
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/05.057/507. Acesso em: 5.12.10.
14 OLIVEIRA, Fabiano Lemes de. O Parque do Ibirapuera: Projetos, Modernidades e Modernismos.
DOCOMOMO_05. Disponível: http://www.docomomo.org.br/seminario%205%20pdfs/048R.pdf. Acesso em: 6.12.10.
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Capítulo 1
participaram em desfiles e eventos por toda a cidade15. Nesse evento foram vendidos muitos produtos variados: louças, liquidificador, roupas, apartamento, entre outros. Vinculava-se a idéia de progresso e “nova cultura”. Esta se baseava em uma nova forma de construir, comprar, morar, tudo que gerasse uma vida cosmopolita. O processo de modernização da vida social era marcado pelo “American way of life”, referente ao modo de vida americano do século XX, que era o consumo em massa junto à liberdade e felicidade. Esse jeito de viver foi muito difundido na indústria cinematográfica (OKANO, 2007 p.88-90).
Os edifícios privados e modernos estavam atendendo a uma nova classe média em ascensão, que surgiam da expansão industrial em São Paulo. Essas construções associavam as idéias de: modernização, progresso e pólo econômico da capital paulista. A partir da década de 50 surgiu uma tipologia diferente nos apartamentos residenciais, a quitinete16. São apartamentos pequenos, normalmente entre 25 e 40m², com quarto, banheiro e sala com cozinha. Eram destinados a nova classe média em surgimento, que não tinha dinheiro para comprar um maior (SAMPAIO, 2002). Caracterizava a produção em massa. Emergia também a nova visão de edifício moderno multifuncional, isto é, o edifício cidade, que contém habitação, comércio e serviços. Com a legislação propicia a verticalização, as construções tinham um grande aproveitamento do terreno. Dois grandes exemplos são o edifício Copan de Oscar Niemeyer e o Conjunto Nacional17 de David Libeskind.
É importante notar que, na esfera municipal, entre os anos de 1952 e 1957, ocorreu nova revisão do Código Arthur Saboya e a promulgação de um novo Código de Obras, que passou a abordar o coeficiente máximo de aproveitamento e o zoneamento da cidade de São Paulo, iniciando nessa época, a construção de
15 OLIVEIRA. Fabiano Lemes de. O Parque do Ibirapuera: Projetos, Modernidades e Modernismos.
DOCOMOMO_05. Disponível: http://www.docomomo.org.br/seminario%205 %20pdfs/048R.pdf. Acesso em: 6.12.10.
16 Em inglês, kitchenettes.
edifícios como o Copan e o Conjunto Nacional, com incentivo ao adensamento. O déficit habitacional trazia discordâncias entre o papel que deveria ser assumido pelo setor público e o privado. Acreditava-se que o setor público não deveria disponibilizar o tesouro público para esse fim, pois demandaria encargo pesadíssimo acima de suas forças e obrigações. Já que essa situação era devido a desastres históricos (SAMPAIO, 2002 p.17).
Fazendeiros, industriais e pequenos comerciantes aplicavam seus dinheiros no mercado rentista, os quais lucravam e se o Estado interviesse, o teria como inimigo nesta concorrência. As medidas tomadas foram ter prudência perante as ações do poder público e incentivar o mercado privado. Observa-se que a instituição pública não estava preparada para substituir o capital privado, dificultando a ação do Estado nessa questão (SAMPAIO, 2002 p.18).
Conforme relata Rosales (2002), na tese A Habitação Coletiva em São Paulo: 1928-1972, o segundo período, 1942 a 1952, representou a iniciação e consolidação da habitação coletiva em São Paulo, que foi marcado pela Lei do Inquilinato de 1942, na qual se proibiu a produção de edifícios para alugar. Ressalva-se ainda, que a partir de 1936, com a criação dos Institutos de Aposentadorias e Pensões ocorreu à grande força para atender a demanda habitacional.
CAPÍTULO 2
ARQUITETURA MODERNA RESIDENCIAL PRIVADA VERTICAL2.1 A VERTICALIZAÇÃO, OS EDIFÍCIOS RESIDENCIAIS E O MERCADO IMOBILIÁRIO
O edifício residencial moderno surgiu na França no início do século XX. Em 1903, foi construído o Ed. da Rua Franklin, 25, em Paris, de Auguste Perret, precursor da arquitetura residencial multifamiliar, apesar de fortes elementos da Art Nouveau. Através da aplicação da tecnologia de concreto armado, foi já possível desvincular as plantas da fachada. A planta livre estava indubitavelmente presente, dando novos elementos de projeto à primeira geração de arquitetos modernos, como Le Corbusier, que estagiou no escritório de Perret entre 1908 e 190918.
No Brasil, Lucio Costa desenvolveu para Eduardo Guinle um projeto em 1943, os edifícios do Conjunto Residencial Parque Guinle, considerados “os únicos exemplares de edifícios de habitação coletiva moderna, tombado em âmbito federal”19. Apresenta enorme importância como nova tipologia habitacional.
Em São Paulo, o Edifício Esther de 1938, foi o primeiro edifício de porte com uso residencial moderno, objeto de concurso, vencido por Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho, em 1936. O edifício tem base de função comercial, os três primeiros andares comerciais e os pavimentos superiores residenciais. O prédio é complexo e diversificado, com alguns apartamentos duplex.
Por volta de 1910, os poucos prédios que existiam na área central da cidade tinham a altura mínima exigida pela legislação da época, que era de três a quatro pavimentos. O primeiro registro da verticalização na área central de São Paulo, foi a
18 DREBES, Fernanda Jung. 5º Seminário DOCOMOMO Brasil, São Carlos, 2003. Disponível:
www.docomomo.org.br/seminario%205%20pdfs/051R.pdf. Acessado em: 11.12.10.
19 COELHO. Carla Maria Teixeira. Preservação de edifícios residenciais modernos no Rio de Janeiro. Anais do 7° seminário docomomo Brasil. Porto Alegre, 22 a 24 de outubro de 2007.
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Capítulo 2
casa Médici, edifício de escritórios construído em 1912, na esquina da Rua Líbero Badaró com a ladeira Dr. Falcão Filho. Com estrutura de concreto armado foi calculado para suportar vários pavimentos.20
A morfologia urbana do município de São Paulo formou-se na área central a partir do parcelamento dos lotes urbanos coloniais, que geralmente eram de pequenas larguras e enormes comprimentos, e normalmente não apresentavam recuos frontais nem laterais (OKANO, 2007).
Figura 9 – Lotes coloniais da Rua Líbero Badaró. Foto: Larissa Cataldi Cipolla, 8.12.10.
20 Bens culturais arquitetônicos no município e na região metropolitana de São Paulo. (SNM) Secretaria dos
Negócios Metropolitanos, (SEMPLA) Secretaria Municipal de Planejamento, (EMPLASA) Empresa Metropolitana de Planejamento, 1984. São Paulo
Assim, a verticalização na capital paulista passou a ser, “vista como uma geografia dos espaços metropolitanos, materializada na produção de edifícios, constitui-se numa possibilidade inusitada de articulação das múltiplas formas do capital num objeto, o edifício, um mesmo lugar, o urbano, num tempo/circulação extremamente reduzidos, dessa forma, a verticalização se realiza espetacularmente com acumulação e reprodução” (OKANO, 2007 p.10). Segundo Somekh (1987), de 1920 a 1939, 70% dos edifícios estavam no centro, já de 1940 a 1957 apenas 30%.
Os prédios construídos no período entre 1927 e 1957 tinham como característica a fachada frontal, que representava o elemento estético, já que a implantação tinha muita restrição legislativa, já que os terrenos eram estreitos e compridos e tinham o máximo de aproveitamento dos lotes e apenas testada aparente (OKANO, 2007 p.26). As fachadas apresentavam formas modernizadas, porém não era a arquitetura do movimento moderno, que enfrentava os problemas sociais, e que representava a demanda inserida pelo aumento da produtividade no capitalismo. Isso era alcançado retirando os ornamentos das fachadas das antigas arquiteturas ecléticas, simplificando-as, sem gerar novas técnicas para obter novas formas (SOMEKH, 1994). Também outra peculiaridade dos edifícios centrais da cidade de São Paulo da época era a ocupação plena dos terrenos21 (OKANO, 2007 p.26).
Interessante observar a pesquisa realizada por Okano (2007 p.26), sobre a origem da palavra apartamento, que significa apartar ou separar, aludindo a uma casa dividida em várias unidades habitacionais, tornando-se um edifício de casas separadas, apartamentos.
Muitos autores indicam que o primeiro arranha-céu construído em São Paulo foi o edifício Martinelli22, inaugurado em 1929 com 72,5 metros de altura, isto é,
21 Com exceções a confirmar tal regra, o Edifício Guarani, no Parque D. Pedro II, já o elegante bairro de
Higienópolis, respeitava recuos frontais e laterais.
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Capítulo 2
com 25 andares e 45 mil metros de área construída (SOMEKH, 1987). Já Christiano Stockler das Neves alega que é o edifício Sampaio Moreira e também autor deste, mas com certeza o edifício Martinelli foi o primeiro arranha-céu no Brasil.
Nesse cenário, a construção de prédios passou a ter outras características na sua tipologia: quitinetes; apartamentos com áreas comum e duplex, além da utilização dos seus pavimentos, para o comércio e serviços no térreo, e nos primeiros pavimentos. Também se observou a implantação de grandes edifícios, sem recuo frontal para a rua, perfilados lado a lado, com grande número de pavimentos e apartamentos, além da construção de unidades habitacionais Figura 10 – Edifício Sampaio Moreira.
Disponível em: http://www.skysc
rapercity.com/showt hread.php?t=466513. Acessado: 09.11.10.
Figura 11 – Edifício Martinelli. Foto: Larissa Cipolla - 19.02.10.
pequenas, de 25 a 30m², constituindo, provavelmente, expressivos lucros dos incorporadores (SILVA, 1989). Nessa época, o Código de Obras Arthur Saboya normatizava as condições de implantação na área central da cidade, sendo que na sua maioria, os edifícios assumiam a forma do lote, como a legislação incentivava.
No inicio do século XIX São Paulo crescia, embora o centro econômico e político do Brasil fosse a cidade do Rio de Janeiro. Este período inicia-se a aceitação por parte da classe média e alta da cidade de São Paulo para a realidade vertical, desde que reproduzissem as condições da casa isolada, com o conforto dos tipos de palacetes de gente abastada (LEMOS, 1996).
Com a expansão econômica entre os anos de 1940 e 1950, São Paulo passou por novas transformações sociais, econômicas, culturais e urbanísticas, elevando-se como metrópole. Esse fomento na urbanização fez com que surgissem novos hábitos de viver (MEYER, 1991).
Conclui-se, portanto, que a verticalização em São Paulo foi fomentada em dois períodos. O primeiro de 1920 a 1939, a cidade seguia os padrões europeus. E o segundo de 1940 a 1956, nomeada de verticalização americana, que começa com a implantação do registro de elevadores até a restrição do coeficiente de aproveitamento dos terrenos conforme a Lei n° 5.261 de 1957 (MEYER, 1991), ressaltando-se que no segundo período há a predominância de edifícios residenciais e na maioria quitinetes (OKANO, 2007).
Do quadro de urbanização da capital paulista decorreram as contradições e discrepâncias sociais na distribuição da ocupação residencial.
“Com a elevação dos preços internos das manufaturas gerou um surto inflacionário que resultou na valorização dos terrenos e o desencadeamento de uma febre especulativa voltada para os bens imobiliários” (SAMPAIO, 2002). A classe média e a alta burguesia investiram as suas rendas em imóveis, junto com crescimento acelerado da produção nacional do cimento, aço e ferro, nota-se uma elevação das construções verticais (OKANO, 2007 p.61).
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Capítulo 2
Nesta época, o edifício Martinelli já estava cercado por novos arranha-céus, com destaque ao vizinho, o edifício Altino Arantes.23 Os edifícios comerciais dominavam perante os residenciais na área central do município de São Paulo.
A verticalização da região central de São Paulo, a partir de 1920, teve como uns dos fatores importantes a construção de edifícios, em geral de seis a oito pavimentos, com fachadas ricamente ornamentadas, em imagem e semelhança aos palacetes da época.
Nas décadas de 1930 e 1940 os edifícios passaram a ostentar linhas retas e buscavam inspiração na arquitetura moderna. Já nessa época os termos “edifício” ou “prédio” passou a representar toda construção com mais de três pavimentos e de uso residencial, coletivo, comercial ou misto (GAGETTI; RIGHI, 2001).
Assim, os prédios passaram a ser reconhecidos como produto de uma nova tecnologia implantada no Brasil, e que necessitava de dois elementos construtivos básicos: o cimento, para o concreto armado, e o elevador, como equipamento de circulação vertical. Os dois dependiam de perfis importados, mas a sua combinação com a alvenaria tradicional e ao baixo custo da mão de obra, permitia a construção da maioria dos imóveis baixos da cidade. A conjugação dos elementos básicos necessários à construção dos arranha-céus por ter maior custo, foi implantada por iniciativa privada com a disseminação da verticalização pelo poder público.
A modernização da cidade de São Paulo acontecia graças às transformações econômicas, a urbanização, a institucionalização e burocratização (MEYER, 1991 p. 27). O rápido crescimento foi impressionante. No começo do século XX, a cidade compreendia 240.000 habitantes e em 1954 tinha uma população de 2.817.600, que indicava uma superação em relação à atual capital federal e maior cidade da época,
23.O edifício Altino Arantes, mais conhecido como Banespa ou Banespão, é atualmente o terceiro maior da
capital paulista e foi construído em 1939, mas inaugurado em 1947. Nessa época foi considerado o maior, perdendo em 1965 para o edifício Itália no bairro da República.
o Rio de Janeiro (OKANO, 2007 p.78). Em compensação, a densidade da área urbanizada se manteve por volta de 50 hab./ha, porque a expansão da área urbanizada acompanhou o crescimento populacional. A área central já não apresentava mais crescimento demográfico, estava saturada, dando espaço apenas aos outros subdistritos da capital paulistana (MEYER, 1991).
O município de São Paulo cresceu e consolidou-se de forma desarticulada e rarefeita, conseqüência da urbanização rápida e de uma nova população migrante entre o período de 1950 e 1957. Além de o aumento da verticalização ir diminuindo conforme os anos, mas sempre concentrada na área central da cidade. Os edifícios