4 RESULTS AND DISCUSSION .1 Tønsberg Bioreactor start up
4.4 Biogas production
No presente capítulo, a partir do material apresentado no capítulo anterior, trataremos dos acontecimentos que originaram o bairro Frei Damião como eventos que o inscreveram fisicamente e socialmente na cidade de Juazeiro do Norte. Essa inscrição se dá, inclusive, a partir da repercussão desses acontecimentos na criação da imagística do local, o que será também objeto de nossa compreensão. Assim, nos deteremos nas implicações e consequências que as ações organizadas e desencadeadas pelo Movimento dos Sem Teto originaram para a inscrição do bairro na cidade, no imaginário urbano, e na forma como essas implicações e consequências foram organizadas e negociadas e ainda o são, seja a partir das diferentes nomeações do bairro, seja por meio da relação que os moradores estabelecem com o espaço, segmentando-o em territorialidades e atribuindo nomes distintos a estas.
Essas questões dizem respeito à possível relação interativa entre o acesso à moradia e o acesso à cidade nos termos colocados por Marluci Menezes (2013). Isto é, se for verdadeira a assertiva de que o acesso à moradia dá acesso à cidade, que lugar o bairro Frei Damião, vale dizer, seus habitantes, tem na cidade de Juazeiro do Norte? Que lugar foi criado para o bairro a partir do movimento social que o originou? Logo, nosso problema ecoa na seguinte questão: “[...] como as práticas coletivas originadas de determinados segmentos da sociedade (os favelados) e articuladas basicamente (mas não apenas) em torno da questão fundiária e da apropriação da cidade por seus moradores afetam o padrão de integração social e são por ele afetado?” (SILVA, L., 2002, p. 222). Ao colocarmos dessa forma o problema, alinhamo-nos à abordagem que propõe pensar as práticas dos movimentos sociais não somente em termos internos, mas externos também, ou seja, no que “resultam”, mesmo que de modo não intencional, e como “afeta[m] os padrões de sociabilidade e integração sistêmica” (SILVA, L., 2002, p. 222).
Para tanto, nossa argumentação segue o seguinte encadeamento de ideias e elementos: a constituição da imagem de periferia do bairro Frei Damião, as diferentes nomeações que recebeu e recebe e a segmentação em áreas distintas da região do bairro. 1 A invenção da área de “risco social”
A produção social do bairro Frei Damião está associada à sua própria gênese. Seu espaço na cidade foi inventado na ocupação da área. Podemos retomar aqui o diálogo que estabelecemos, no capítulo I, com a literatura sobre comunidades rurais. Lembremo-nos que
tanto Antonio Candido como Ellen Woortmann recorriam à noção de projeto para pensar na significação da natureza pela cultura no processo de criação de povoados. Ali, temos como relações fundadoras dos bairros rurais os festejos lúdico-religiosos e os trabalhos de ajuda mútua (CANDIDO, 2001) e a descendência e um sistema de parentesco endogâmico e patrilinear (WOORTMANN, 1995).
No caso do bairro em tela, a projeção da cultura sobre a natureza na criação de um povoado se dá a partir de uma ação política organizada. Os participantes são congregados em uma área tipicamente rural ao ensejarem o direito à moradia, sem antes terem formas de sociabilidade estabelecidas. A seguinte fala de Chico Gomes é emblemática desse tipo de projeto humano:
Eu brincava com o povo: “Ó, o Padre Cícero colocou o nome Baixio das Almas [ao local onde hoje é o bairro Frei Damião] porque ele sabia que aqui ia se encher de alma”. Que aqui era deserto, deserto do Saara, só tinha areia, mas, ele sabia que ia se encher de alma, mas almas vivas e que lutam pra viver, entendeu.
Essa “luta”, essa ação política organizada, inscreveu fisicamente o bairro na cidade ao proporcionar a ocupação de uma propriedade privada e, assim, o inscreveu também socialmente ao ser o elemento inicial a partir da qual foram criadas representações sociais ao seu respeito. Cabe aqui compreender que imaginário foi criado em torno do bairro Frei Damião. Nesse ponto, tratamos da relação entre o bairro e a cidade, ou seja, da forma como a Cidade, sua ordem moral, pensa o bairro.
Todo o processo anterior, de ocupação das terras de Nossa Senhora das Dores, teve ampla visibilidade na cidade de Juazeiro do Norte. As passeatas até o prédio da Prefeitura Municipal reuniam muitas pessoas e cruzavam as ruas centrais da cidade. A manifestação desse segmento da população, os “sem teto”, e as formas que elegeram para divulgar e pressionar a administração municipal eram inspiradas nas experiências dos movimentos sociais existentes em cidades como São Paulo. Lá, como aqui também, o perfil dos que se engajavam nas lutas sociais, e que com elas esperavam ser beneficiados, pode ser descrito como “classe popular”51.
Oriundos dos recantos da cidade, morando em condições precárias, pagando aluguel e estando desempregados, esses sujeitos já eram prenunciados pelas condições
51 Pensando com Durham (2004a [1986]), utilizo o termo classes populares com finalidades mais
descritivas do que analíticas e para indicar que, em parte, a análise está interessada no modo de vida das classes trabalhadoras e da população pobre.
econômicas e sociais em que se encontravam imersos, informados como “lupem, desempregadíssimo”, como os caracterizou Nininha.
Com as manifestações que realizavam e com o desfecho do processo da ocupação, os participantes do movimento entraram na “história”. Dona Sebastiana nos diz que lugar ocuparam nessa “história”:
A nossa luta era por um teto, aí então ele [Chico Gomes] botou Mutirão da Vida, que a gente só pode dizer que tem vida, que tem lazer, que tem tudo quando tem uma casa. Aí ele botou. Aí, o povo começaram a achar o nome feio. Aí, mudou para bairro Frei Damião. Lucas: Por que o pessoal achava feio o nome Mutirão da Vida? Sebastiana: Eu não sei, achavam que... assim, eles achavam feio porque quando a gente chegou aqui chamavam os afavelados. O povo dizia... tinha medo do povo daqui. Quando uma pessoa chegava na rua era discriminado, que dizia que morava no Mutirão, aí o povo não queria conversa, num dava apoio não, nem olhava, tinha medo, porque nós somos discriminados, nós ficamos na história como vandalismo, como bandidos, como desocupados. Foi assim a imagem que Carlos Cruz [prefeito municipal à época do movimento] e a família passou pra mídia, pra sociedade. Nós somos discriminados, somos um povo que fomos afastado da sociedade. Nós sofremos aqui, sofremos humilhação, discriminação, nós sofremos muito. Mas quando eu chegava na rua que o povo dizia “onde você mora?”, eu dizia “no Mutirão”, eles olhavam pra baixo, eu dizia “o que foi, teve alguma coisa errada aí?‟ Aí, „Mutirão!‟, eu digo “nem roubo, nunca matei ninguém, nunca roubei e tô aqui, você tá vendo minha luta trabalhando e se existe alguém que você pensa que é desse tipo, foi da sua casa”. Eu falava logo assim. Se alguém existe ruim, nasceu da tua casa, tá morando lá porque tu botasse pra lá. “Aí, num sei o quê”. É assim mesmo meu filho, lá tem pessoa pobre, humilde, que não teve condições de construir sua casa aqui na rua. Então, Deus abriu essa porta e nós estamos lá e cada um está bem assituado, e vamos crescer lá, e vocês que tão discriminando aqui um dia ainda vão morar junto com nós. Já tem muitos aqui, muitos morando aqui dentro, muitos, muitos que vieram ter vida aqui dentro, que hoje tem sua mercearia, hoje tem seu ponto de negócio ali pra cima. Negócio de construção. Tudo tão bem aqui dentro.
“Ficaram na história”, pois ganharam notoriedade a partir do movimento que provocaram na cidade; porque geraram um conflito moral e social ao tomarem para si uma propriedade privada e nela habitaram sem a posse legal, ao rivalizarem com Igreja Católica e sua autoridade, o padre; porque foram motivo de processos jurídicos; porque encamparam um movimento político com forte presença de partido de esquerda e demandas da classe popular. Diz dona Sebastiana:
Aqui foi luta, meu filho, nós lutamos muito. Muitas das vezes eu queria fracassar por causa da pressão. Você não tem nada, porque a gente não comprou, ocupou, quando a gente tem a certeza assim aquele... Eu tinha aquele ressentimento, eu acho que eu não sou dona, porque eu não comprei.
A gente se sente mal, mas por a necessidade eu digo: “eu não comprei, mas também eu não tomei de ninguém”. Eu tomei de um dono que não precisa, então aqui é meu. Aí ficava, aí ia lutando. Mas a gente se sente acuado, chega um ponto que a gente fica num beco sem saída, é preciso ter muita coragem.
A construção dos primeiros barracos na área ocupada já era vista como favela pelos moradores dos bairros vizinhos: “Aí o povo dali não gostava por motivo de dizer que era uma favela, afavelados” (Dona Sebastiana). A propriedade da qual tomam posse também já fora predestinada, pelo Padre Cícero, aos pobres do Nordeste. Como diz Chico Gomes:
O que se salvou mesmo em cima do projeto de vida que o Padre Cícero tinha para Juazeiro, a cidade que seria santa, que seria a nova Jerusalém, aonde corre leite e mel, onde o povo vai ter uma vida em abundância com saúde e com paz e com democracia, o que salvou dessas terras que seriam para os nordestinos, não é nem pro povo de Juazeiro, mas para os nordestinos que aqui chegando não tinha para onde ir, esse era o sonho dele, salvou essa ocupação, são 230 tarefas e o restante da terra o padre Murilo negociou [comenta sobre a negociação].
Se hoje o lugar do bairro Frei Damião na cidade já está consolidado, tal lugar, que não é meramente físico/geográfico, mas também moral, não está desmembrado da sua história. Se estiver, não deixa de ser atualizado pela ideia de pobreza e violência, pelo perfil de classe popular dos seus moradores, localizando-o como espaço exótico, imoral, caracterizado pela carência/ falta, desordem e ilegalismo, violência e perigo, um fantasma no imaginário urbano (ZALUAR; ALVITO, 2006).
Lembro-me que um de seus moradores, ao vagar à noite pelas ruas do bairro Lagoa Seca, situado próximo ao Frei Damião e onde eu, no início de 2013, me estabelecera a princípio em Juazeiro do Norte, foi identificado por uma moradora como “nego do cão”, alguém para quem não se deve abrir o portão de casa. Alguém “que alimenta a mitologia urbana” (ZALUAR; ALVITO, 2006)52. Mais uma vez, a voz dos nossos entrevistados
insurge:
É, tá ali ao lado do bairro mais nobre de Juazeiro, que é o Lagoa Seca. Então enfrentar isso também não é uma coisa bonita, porque “Nossa, como aquilo, perto de nós”. Lagoa Seca já era um bairro consolidado [à época da ocupação] (Nininha).
52 Essa produção social do bairro Frei Damião e, logo, de seu lugar moral na cidade, não está distante
daquela comum indistinção entre bairro, comunidade e favela. Uma produção do lugar não é somente operada pelo outro, o da cidade, mas também pelo próprio sujeito do lugar em questão (Cf. SÁ, 2012a; LEITE, 2001; FREIRE, 2008).
Lucas: A ideia de esconder o bairro era esconder o quê? [Quando foi feita a
remoção das pessoas da área inicialmente ocupada para onde hoje se encontra o bairro].
Nininha: Era esconder o povo mesmo, era esconder aqueles miseráveis, a
ideia era isso. São marginais, não precisam serem visto. Então joga, esconde, mesmo porque lá vai ser uma grande favela. E eles apostaram nisso muito tempo, nem uma ajuda política estruturante pra li, ali é favelados e vai ser uma grande favela e é de bandidos, ainda hoje tem esse estigma. “É de onde? É do Mutirão? Ave Maria, Ave Maria três vezes”. Então assim, o Mutirão, como todos os bairros de Juazeiro e todos os bairros de periferia de nosso país, tem gente do bem e tem gente do mal. Essa dualidade existe e vai existir em qualquer canto, seja na Lagoa Seca, seja no Mutirão (Nininha).
Na época [da ocupação] a imprensa, acho que incentivada pelo município, pela Prefeitura, que não tinha interesse, porque em tudo vai o interesse político, não tinha interesse que o Mutirão da Vida fosse adiante, porque era uma iniciativa que também tinha o dedo do PT, do Partido dos Trabalhadores, e tudo nessa vida vai a danada da política, aí chamavam de, apelidavam de a favela do bispo, a favela da santa, o pantanal. Tinha uma novela O Pantanal, aí chamavam lá de pantanal, que aí era um atoleiro, que aí só tinha gente que não presta. É, o atoleiro era de areia. Mas quando eles usavam a palavra pantanal era pra denegrir mesmo a imagem da comunidade (Chico Gomes)53.
Nos poucos jornais impressos publicados no segundo semestre do ano de 1990 que consegui pesquisar, encontrei apenas uma pequena nota sobre a ocupação das terras de Nossa Senhora das Dores. Com o título “PANTANAL JUAZEIRENSE”, assim dizia o texto:
A novena da invasão das terras da Paróquia de Nossa Senhora das Dores à margem da estrada Juazeiro/Crato ainda vai render muitos capítulos. O Padre Murilo diz que só negociará após a retirada dos invasores, enquanto que estes afirmam não arredar o pé do local. A Justiça deverá mandar expedir mandado de reintegração de posse à Igreja e a corda rebentará do lado do PT (FOLHA DE JUAZEIRO, 1990, p. 5).
Essa é a imagem que a “rua”, a cidade, seu centro, criou acerca do bairro. Retornemos aqui a ideia apresentada anteriormente no capítulo I, de circulação do bairro por meio do ônibus. Essa ideia nos ajudou a pensar na relação entre o bairro e a cidade, logo, entre seus moradores e demais habitantes de Juazeiro do Norte a partir do deslocamento dos primeiros por espaços e situações extrabairro. Essa circulação dos moradores não é tão fluida, lisa, como não o é também a caminhada e o percurso do ônibus. Mas não o é por motivos outros. Morador parece ser uma categoria que materializa no corpo seu pertencimento a determinado lugar, no caso, o lugar de moradia. Quando o corpo circula, circula também o
53 Pantanal foi uma novela transmitida pela TV Manchete em 1990. A trama se passava no Pantanal
bairro. Circulando, interage com outras partes. Essas interações esbarram em julgamentos nem sempre benquistos pelos moradores, tornando a circulação um momento de fricção de percepções, valores e quadros cognitivos, inclusive de mapas e signos morais. Voltemo-nos às pessoas do bairro e suas interações, aos seus relatos de contato com a “rua”, o “lá embaixo”, “lá fora”, enfim, “no centro”:
Lucas: Como você define ser morador do Frei Damião?
Suzana: É uma coisa boa, apesar que quando a pessoa chega em alguns
locais que diz “Eu moro lá no Frei Damião”, “Ah, sim, Mutirão”. Aí eu: “É”. Aí: “Eita, como lá é perigoso”. Mas não, não é isso. Quem mora, quem convive com as pessoas daqui acha uma coisa totalmente diferente e eu gosto de morar aqui. Lucas: Mas já aconteceu com você a situação de chegar e dizer que mora no Mutirão? Suzana: Já. Quando eu costumo ir lá embaixo na casa de meus colegas, de minhas colegas, aí diz: “Ai, tu mora ali, eita como é longe, num sei o que”. Quando eu conheço alguém assim diferente, aí acontece isso. Lucas: Mas você usa qual dos nomes? Suzana: Frei Damião [ênfase]. Lucas: Tu acha que alivia um pouco mais? Suzana: Acho que sim, que Mutirão ficou para trás e tudo.
E lá fora é todo mundo dizendo que aí só tem gente que não presta, que não sei o quê. E eu ando aí pra cima e para baixo só vejo boniteza (Chico Gomes).
Às vezes acontece de quando nós estamos no centro o pessoal gosta de falar do bairro, agora não sei porquê. Eu digo “Minha gente, a pois ele é um bairro, eu acho que ele é um bairro como qualquer um bairro aí”. Só que o pessoal acha que o bairro Mutirão ele é mais, mais que todos os bairros. Eles acham que tem mais vândalos, de gente mau elemento que todos. Eu acho que todo bairro é assim, penso eu que é, não sei não. Agora dizer que tem..., tudo no mundo que acontece aqui é difícil acontecer com um pai de família direito trabalhador, só acontece mais é com os malandros (Dona Helena).
É um dos bairros também mais violentos. Chegou a ser na cidade sinônimo, assim de, de... coisa marginal mesmo. Eu tava uma vez um negócio no hospital e acho que tava com alguém, não sei, e fiquei fora, na recepção, e vi uma pessoa. Chegou, aí disse... e eu sabia que era de lá o cara. „Tu mora onde?‟, ele disse outro canto. Eu saí e disse “tu não tá mais morando lá no Mutirão não?” “Não, Santana, eu tô, é porque eu tenho vergonha de dizer senão o pessoal pensa logo que a gente é bandido” (Santana Neto).
O relato de uma moradora elucida mais elementos nesse universo. Segundo ela, certa vez um entregador de botijão de gás chegou ao bairro para fazer uma entrega. Comentou com ela que quase não chegava ao endereço porque quem solicitou o produto indicou o bairro Lagoa Seca, para onde ele se dirigiu inicialmente, como endereço para entrega enquanto residia no bairro Frei Damião. Esses casos não são exceção, como já mostraram alguns dos nossos entrevistados. Nesse sentido, também considera dona Sebastiana:
Tem gente que pra arrumar emprego lá embaixo, tem gente que nem diz que mora aqui no Frei Damião, que o povo às vezes não quer. Diz que é ladrão. É dois nomes, com a licença da palavra, ladrão e rapariga. É o tratamento que a gente ganha aqui. É essa a palavra, desde o começo, que aqui só mora esses dois tipo de gente. E no final das contas nem é, tem tanta gente boa aqui.
Ao encontrar, nas festas de Santo Expedito, um rapaz com quem eu tinha mantido contato em 2011, o mesmo indagou onde eu estava morando. Como disse: “em Juazeiro mesmo”, ele rapidamente retrucou: “Mas aqui também é Juazeiro” e, irônico, continuou a conversar sobre pessoas que se referem ao bairro como se ele não fosse vinculado à cidade, só porque fica distante do centro, segundo ele.
Segundo dados organizados por Pinheiro, Barbosa e Souza (2013), com base em documentos do Juizado da Infância e Juventude e da Cadeia Pública de Juazeiro do Norte, o bairro Frei Damião é um dos mais violentos, em termos de detenção e homicídios, do município. Em função disso e da relação com a pobreza, o bairro é alvo de ações pautadas no entendimento deste como “área de risco social”. Assim, o CAIC (Centro de Atenção Integral à Criança Dom Antonio Campelo de Aragão), por exemplo, é uma instituição criada pelo governo federal que visa, desde 1991, “[...] desenvolver ações integradas de educação, saúde, assistência e promoção social e dinamizar as políticas sociais básicas de atendimento à criança e ao adolescente” (SOBRINHO; PARENTE, 1995, p. 6). Tais ações objetivam “[...] reduzir os efeitos negativos da pobreza sobre as crianças e adolescentes que habitam as periferias dos maiores aglomerados urbanos do país” (Ibid., p. 6). Há também no bairro Frei Damião o projeto Atleta Cidadão, criado em 2009 pela Secretaria Municipal de Segurança Pública e Cidade e desenvolvido por Guardas Civis Municipais. Trata-se de ações que adotam atividades esportivas (futsal, jiu-jítsu, capoeira) e artísticas (apresentações cômicas, malabarismo, pernas-de-pau), como mecanismos de prevenção à violência entre jovens, sobretudo do gênero masculino. Outra ação da referida secretaria no local é a Base Comunitária Frei Damião, que realiza atividades de patrulhamento.
Além desses serviços, temos alguns equipamentos instalados no bairro, como o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), o prédio construído para sediar a Cozinha Comunitária e, em construção, a Praça da Juventude. No caso da Cozinha Comunitária, que ainda não chegou a funcionar, trata-se de um equipamento público de alimentação e nutrição constituído a partir de financiamento do governo federal em parceria com o município. Esses equipamentos, que integram a Rede Operacional do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), são “destinados ao preparo de refeições
saudáveis, variadas e saborosas, que são distribuídas gratuitamente ou a preços acessíveis à população em situação de vulnerabilidade social, garantindo a esse público o Direito Humano à Alimentação” (BRASIL, 2013a). Já a Praça da Juventude é um projeto do governo federal “[...] destinado a comunidades situadas em espaços urbanos com reduzido ou nenhum acesso a equipamentos públicos de esporte e de lazer que alia saúde, bem-estar e qualidade de vida a atividades socioeducativas diversificadas” [Sic] (BRASIL, 2013b). Construída em uma área de no mínimo 7 mil m², é munida de uma variedade de equipamentos e conta com parceria do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), uma vez dada “[...] uma forte complementaridade entre esses dois programas quanto aos seus objetivos de educar, ressocializar e apoiar jovens em situação de vulnerabilidade social” (BRASIL, 2013b).
Tanto o CAIC como o projeto Atleta Cidadão e a Praça da Juventude, são únicos em Juazeiro do Norte, não havendo experiências em outros bairros da cidade. Ainda há, no bairro, núcleos do projeto Segundo Tempo, do Ministério dos Esportes. Tal projeto objetiva “democratizar o acesso à prática e à cultura do Esporte de forma a promover o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens, como fator de formação da cidadania e melhoria da qualidade de vida, prioritariamente em áreas de vulnerabilidade