6. Sykefraværsprosenten for sykepleiere i 2017
6.2. Bidragene fra de observerte kjennetegnene
A análise, inspirada na metodologia proposta por Santaella (2008), contou com a seguinte estruturação:
1 – Ponto de vista qualitativo-icônico
Pergunta pelas sensações e analisa as qualidades sensíveis do signo: as cores, a matéria de que é feita a imagem, a composição, as formas, a luminosidade, a textura, etc. Trata-se daquilo que vem com a “impressão que brota da primeira olhada” (Santaella, 2008, p. 70), que resiste a identificar os elementos e objetos.
Como o signo icônico é um quali-signo e seu fundamento é apenas qualidade, ele pode apenas sugerir outras qualidades, que são abstratas, possíveis e hipotéticas. Pode sugerir, por exemplo, leveza, dor, alegria, elegância, densidade, grandiosidade, calma, extensão, calor, etc. Além disso, as operações de comparação por semelhança são “responsáveis ainda pelas associações de ideias que a primeira impressão desperta” (Santaella, 2008, p. 70). Como o objeto imediato do signo é uma qualidade, o objeto dinâmico vem a ser uma outra qualidade que pode pertencer a qualquer outro signo. A semelhança da qualidade associa os objetos. Daí uma cor azul lembrar o céu, e o vermelho lembrar o sangue. As qualidades podem, ainda, por meio de uma convenção estabelecida, entrar numa associação de ideias, tanto abstratas quanto concretas, que, apesar de pouco carregadas de semelhança, vinculam-se umas às outras por hábito: a cor rosa, por exemplo, tem potencial para fazer lembrar menina, pele de bebê, homossexualidade masculina, além
de poder remeter à fragilidade pejorativa ou à infantilidade feminina. Outro exemplo que pode evidenciar o papel da convenção é a cor vermelha. Numa certa cultura, é a cor do amor e do perigo, mas também pode ser da luta política.
Com relação às formas, aquilo que é contorcido e tortuoso pode provocar medo, desconforto, assim como fazer lembrar dor, força e movimento. Já o que é retilíneo e pontudo lembra agulha e pode dar a sensação de delicadeza, de fragilidade e de agilidade.
Como bem adverte Santaella, apesar de podermos tecer hipóteses sobre os efeitos dos quali-signos, “[n]ão se trata evidentemente de uma previsão precisa, pois qualidades não têm limites muito definidos, de modo que seus efeitos não são, por isso mesmo, passíveis de definição” (Santaella, 2008, p. 70). Nesse sentido, este nível da análise dá conta apenas de levantar hipóteses. Entretanto, ele está apto a fornecer elementos para pensarmos o interpretante dinâmico emocional, ou seja, os efeitos de sensação que o intérprete pode ter ao se deparar com a imagem. Independente da qualidade de que se utiliza, o ícone convida à contemplação, à passividade, pois o intérprete deve evitar fazer identificações e julgamentos, a fim de deixar a percepção no estrato da sensibilidade. Se ele convida a associações, elas são todas muito fluidas e efêmeras, embora intensas.
2 – Ponto de vista singular-indicativo
Embora nossa análise quanto a este nível não seja exaustiva, ou pelo menos não seja dela que retiramos os principais argumentos sobre a estética da pulsão de morte, ele certamente é complementar à análise anterior, pois se o nível icônico abre infinitas possibilidades, o nível indicial restringe um tanto esse campo, auxiliando-nos a discutir sobre a mensagem das imagens e os interpretantes que ela gera. Além disso, o índice é composto pelo ícone, ou seja, as qualidades dão corpo ao índice, de maneira que podemos apreender o signo como icônico-indical ou indicial-icônico. O retrato que o índice constrói é, nesse sentido, embebido de qualidades icônicas. Daí algumas sensações que emanam do nível icônico serem reescalonadas ao nível indicial: uma foto de uma mancha de sangue, por exemplo, indica sangue não apenas por retratar o sangue, mas também porque suas características icônicas lembram o vermelho escuro e viscoso semelhante ao sangue.
O nível indicial, ou melhor, uma perspectiva que toma a imagem como signo indicial, pretende analisar aquilo que a imagem retrata. Se o signo é uma fotografia, trata-se do objeto fotografado. Por semelhança, o signo (objeto imediato) aponta para a existência de um outro signo (objeto dinâmico). Neste nível, portanto, perguntamo-nos pelos índices da imagem, por aquilo que ela oferece de “traços de identidade” (Santaella, 2008, p. 71). O
índice convida, pois, ao que pode ser percebido no contexto do signo naquilo que ele fala sobre a sua singularidade, sobre o seu modo particular de existência. Assim, uma fotografia de uma floresta pode indicar para a Floresta Amazônica, o desenho de uma pessoa pode indicar essa mesma pessoa. O interpretante dinâmico de um índice é energético, pois demanda do intérprete uma construção de identidade. O intérprete deve estar apto a executar uma percepção que delimite objetos, identificando-os com algo existente.
3 – Ponto de vista convencional-simbólico
Para completar o caráter triádico dos signos (e das coisas), é necessário inseri-lo no contexto em que é produzido e lido. As imagens que selecionamos são, é claro, produzidas por pessoas que habitam uma época específica, um espaço definido, uma determinada cultura, e são observadas por pessoas com os mesmos tipos de determinantes. Neste nível, os signos são lidos em respeito a tais convenções que constrangem seus significados. As cores verde e amarelo têm, no Brasil, um objeto dinâmico convencional: o próprio país. E se antes passavam pelo ouro e pelas matas, agora encarnam, em grande medida, a referência ao futebol brasileiro.
Embora este nível, tanto quanto o anterior, não seja o principal da nossa análise, em que investimos com vagar e de onde retiramos nossas conclusões, ele também colabora com a análise. No contexto da produção das imagens que analisamos, o simbólico fala sobretudo da questão ambiental. Afinal, o contexto de uma época que põe para si o desafio da ecologia e da preservação do planeta não pode deixar de marcar as imagens enquanto legi-signos. Em contextos variados, fotografias de rios secos podem, por exemplo, falar da problemática da seca no Nordeste ou do aquecimento global. Como nossa análise trabalha com um corpus muito generalizado e nossos objetivos estão longe de atingir conclusões mais fechadas e específicas sobre um emissor, o contexto que consideramos é muito abrangente e, por isso, dotado de características genéricas: é a questão ambiental em geral que tomamos em conta.
4.1.1 Imagem 1
1. Ponto de vista qualitativo-icônico
A imagem acima poderia ser descrita em seu nível qualitativo-icônico da seguinte maneira: sua cor é predominantemente marrom, com tonalidades que vão do marrom-claro ao marrom-escuro. Lembram barro seco, não só pela cor, mas também pela textura: um craquelado cobre grande parte da imagem. Uma luminosidade está presente em quase toda a superfície, salvo em uma pequena região escura na parte superior e em outras ainda menores. Dois “V’s” sobrepostos podem ser tomados como as formas mais aparentes na imagem, embora o craquelado seja fruto de repetidas linhas finas, escuras e curvas. A imagem sugere, no nível icônico, qualidades abstratas que pertencem ao campo da serenidade, da homogeneidade, do inerte. Apesar de lembrar chão e resistência, tem uma beleza que lembra a pureza (não no sentido da limpeza) da terra. A imagem assemelha-se a barro, a terra e, possivelmente, também a troncos de árvores. Por isso, a imagem pode produzir associações com ideias abstratas relacionadas à natureza e ao natural.
Dentro desse campo do natural, talvez apareça uma tensão entre uma cadeia associativa com coisas orgânicas e outra com elementos inorgânicos. Nesse sentido, a
Figura 1 – imagem 1. A imagem é a capa da edição 41 (maio de 2010) da revista Página 22, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da EAESP-FGV e pode ser encontrada no site:
imagem seria capaz de promover uma tensão entre vida e morte. Isso pode ficar mais claro se pensarmos que a imagem, apesar de lembrar o natural, pode remeter à ideia de mumificação ou petrificação, assim como de desidratação intensa. Além disso, confluem para a imagem o “Belo e Terrível”, de que fala Burke (1993), já que a identificação é momentaneamente suspensa e a imaginação pode, por isso, ficar em dúvida entre o que é esteticamente belo e o que é ameaçador porque desconhecido: isso pode levar à sensação do sublime.
2. Ponto de vista singular-indicativo
A imagem é uma fotografia de dois corpos que se abraçam e têm a pele coberta por um revestimento que parece barro seco. O abraço traduz a ideia de afeição ou erotismo, enquanto o barro, como já foi dito, remete sobretudo ao natural. O fato de os corpos que se abraçam, portanto lembram Eros, estarem revestidos dessa segunda pele – que tanto remete à natureza e à vida quanto ao que está morto, desidratado ou é inorgânico – reescalona a tensão a que nos referimos no nível icônico entre vida e morte. Eros se manifesta no abraço e Thanatos aparece na morte dos corpos, que tanto podem ter virado pedra como barro seco. Talvez a imagem ainda possa remeter a outras imagens já consagradas, como as das múmias do Vesúvio, por exemplo, cujos corpos carbonizados chegam a manter a expressão dos rostos.
Os escritos em branco flutuam sobre a imagem, que cobre toda a página da revista, dando a sensação de que se sobrepõem, sem contudo tocar a imagem atrás deles. Nesse sentido, interagem pouco com a fotografia.
3. Conclusão
Poderíamos ainda acrescentar algo quanto à análise semiótica a respeito do nível simbólico dessa imagem. A relação do homem com o natural é materializada nos corpos, que são feitos de terra, elemento-símbolo por excelência da natureza. O homem passa a ser feito de terra. Tudo se passa como se a imagem estivesse buscando transmitir a mensagem de que os seres humanos pertencem à natureza porque são feitos da mesma matéria que ela. Entretanto, como vimos na análise icônico-indicial, há uma plasticidade que remete ao natural, mas àquilo que é a dimensão natural da morte, do inorgânico, do inerte. Nesse sentido, na imagem estão presentes as categorias do admirável e do terrível: admirável mundo natural – que recobre tudo, inclusive o homem, conferindo unidade à dimensão do absoluto – mas terrível mundo natural – porque a ele também pertence a morte.
4.1.2 Imagem 2
1. Ponto de vista qualitativo-icônico
Esta imagem, presente na reportagem da revista cuja capa é a imagem anterior, traz, por um lado, alguns traços em comum com aquela, e, por outro, alguns elementos que as distinguem. A primeira diferença é o fato de haver um contraste muito marcante entre o lado direito e o esquerdo da imagem: há cores e formas de um lado e uma grande região em preto do outro lado, além dos escritos que aparecem sobre a região em preto. Por conta desse contraste, a imersão no nível icônico é um pouco diferente. O fundo preto lembra o vazio e o nada, enquanto as cores e texturas dos rostos, agora não apenas em marrom, mas também com tons de amarelo, suavizam a ideia de morte. Entretanto, ela ainda está presente, pois a secura da textura que recobre partes da pele mantém alguma referência ao desidratado, ressecado (inorgânico), e o preto remete ao obscuro, à escuridão, a trevas. O amarelo pode produzir um efeito de calor que, como aponta a mensagem escrita, remete à emoção, sentimento e afeição. Com isso suaviza-se novamente a impressão de tristeza que a imagem anterior poderia despertar. Entretanto, ainda pode estar presente certa dimensão do “belo terrível”, não só pela textura craquelada do rosto – que força o observador a percorrer a
Figura 2 – imagem 2. A imagem está presente na reportagem principal da revista Página 22, edição 41, de maio de 2010. A revista é do Centro de Estudos em Sustentabilidade da EAESP-FGV e pode ser acessada por meio do site:
imagem até que o estranhamento inicial ceda para a identificação dos rostos –, mas também pelo negro da escuridão que os envolve.
2. Ponto de vista singular-indicativo
A fotografia apresenta os rostos em perfil de um homem e de uma mulher recobertos por um material marrom-amarelado que dá nova textura à pele, semelhante ao barro. O homem está em primeiro plano e a mulher, atrás, com apenas parte do rosto e do pescoço à mostra. A expressão dos rostos aproxima-se da plenitude e da paz. Embora não sejam propriamente rostos felizes, também não demonstram dor. Talvez pudéssemos sugerir que Eros aparece do lado de Thanatos, pois a sensualidade da imagem é muito mais da ordem da plenitude do que da excitação.
Muito embora a indexicalidade sobre o humano esteja clara, o trabalho plástico sobre a pele pode tensionar a figura do humano, remetendo-a à figura do animal. Não se faz referência a um bicho específico, mas se animaliza a animalidade própria do homem. O objeto imediato (os rostos retratados com barro) tem um caráter icônico que tensiona o índice, fazendo-o basculante entre o homem e o homem-animalizado como objeto dinâmico. 3. Conclusão
Em comparação com a imagem anterior, a dimensão tanatofílica é aqui suavizada, embora também possa ser encontrada. Afinal, há ainda uma dimensão da plenitude e da paz que remete ao universo da morte, mesmo que seja por meio do sublime e da beleza da imagem. Dessa maneira, embora o discurso manifesto da imagem (e da reportagem) queira transmitir a ideia de que a emoção é relevante para o engajamento e para a transformação dos comportamentos, a dimensão tanatofílica (icônica e indicial) da imagem tem o potencial de comover o domínio das emoções e dos afetos na direção da contemplação e da resignação.
4.1.3 Imagem 3
1. Ponto de vista qualitativo-icônico
Nesta imagem, três elementos do nível icônico destacam-se: a luminosidade, a coloração e as linhas. A luminosidade corta, em branco intenso, o horizonte da imagem, mas se espalha um pouco por sua totalidade. A coloração é principalmente branca e cinza, com exceção de uma mancha escura no centro, composta pelas inúmeras linhas retorcidas dos galhos das árvores. Com a ajuda da homogeneidade da cor cinza, a imagem passa uma impressão de grande esterilidade, tristeza e inércia, além de uma sensação de frieza. Os galhos retorcidos, que compõem uma figura de infinitos tracinhos escuros relativamente sobrepostos, remetem às mesmas qualidades, contudo com um ar mais pesado: eles fazem referência direta à morte por meio da ideia de estorricamento.
Se lembrarmos a reflexão de Edmund Burke (1993 [1757]), poderemos sugerir que os infinitos galhos são capazes de provocar a sensação do sublime em sua dimensão terrível (ver item 3.2.2), em que a imaginação, por vagar pela imagem sem encontrar diferenças fornecedoras de identidade, mas uma disposição repetida e homogênea de elementos individuais, cria as imagens do indeterminado e do infinito.
Os escritos em preto e branco corroboram a iconicidade da imagem ao fundo, ao manter sua frieza.
Figura 3 – imagem 3. A imagem é capa da revista
A dimensão da morte é alcançada, nesta imagem, muito mais pela via da frieza, da horrorosa brancura, do perigoso, do que pela via da plenitude. A paz da imagem é perigosa. Embora a frieza e a esterilidade da imagem remetam à inércia e daí á morte, a monstruosidade do preto e do branco, assim como dos infinitos tracinhos, falam da morte horrorosa, dolorida (e isso mesmo que a imagem possa dar a impressão de ser bela).
2. Ponto de vista singular-indicativo
A referência ao desértico é bastante explícita. Trata-se de um lugar em que a vida se esvaiu. As árvores sem folhas e o chão sem vegetação apontam para um ambiente cuja vida foi assassinada.
3. Conclusão
É quase desnecessário dizer que a mensagem escrita reforça a ideia de desastre, de morte e, sobretudo, daquilo que surpreende porque foge ao nosso controle, deixando a imaginação livre para fantasiar. Contudo, é possível sentir e perceber o quão próxima da ideia de morte a imagem se encontra mesmo sem a mensagem verbal. Diferentemente das duas imagens acima, a capa desta revista aproxima-se da morte sem entrar em tensão com elementos de vida. Aqui a morte é absoluta: o ambiente foi completamente privado de vida, restam apenas o chão desolado e “esqueletos” de árvores. Nada na imagem chama para a vida.
Possivelmente, o interpretante desse signo icônico (e mesmo indicial) seja o de uma impotência radical frente ao cenário ambiental cuja alteração demanda forças sobre- humanas.
4.1.4 Imagem 4
1
1. Ponto de vista qualitativo-icônico
Nesta imagem, uma das primeiras qualidades perceptíveis é o embaçamento que a recobre quase por completo, conferindo a ela uma tonalidade esbranquiçada, mesmo sobre as regiões em preto. A sensação é de que uma nuvem de fumaça recobre o ambiente. As cores, principalmente preto, cinza e amarelo-alaranjado, embora estejam “por baixo” da nuvem esbranquiçada, podem produzir um efeito que oscila entre o quente e o frio. A luz que emana do canto direito penetra a nuvem e espalha amarelo por algumas regiões, principalmente na parte superior. Os troncos em preto aparecem tanto na vertical quanto na horizontal como linhas mais ou menos organizadas. Embora os troncos ao fundo estejam eretos, a sensação é de imobilidade quase absoluta. Apenas a fumaça se movimenta.
A principal sensação se aproxima de “paz pós-devastação”, ou de “silêncio pós- devastação”. Contudo, por causa da coloração amarela ao fundo, ainda se tem a lembrança do fogo. A morte é explícita no caráter icônico desta imagem, seja ela calma e silenciosa ou agressiva e imponente.
2. Ponto de vista singular-indicativo
Figura 4 – imagem 4 . A imagem é proveniente do site da revista Isto é:
A imagem indica uma floresta recém-queimada, talvez com pontos que ainda estão ardendo e, por isso, liberando tanta fumaça. O sol no canto direito parece colaborar para aumentar o calor infernal do ambiente. Se no chão aparecem galhos caídos e cinza, no horizonte ainda é possível observar alguns sobreviventes que, contudo, já não compõem uma floresta. Embora a imagem fale de um acontecimento do passado prenhe de intensidade de movimento e de sons – a queimada –, o que ela retrata, ao menos em primeiro plano, é um ambiente quieto, resignado, assassinado, que já não oferece resistência ao fogo.
3. Conclusão
Diferentemente da imagem anterior, esta imagem apresenta alguma coloração quente que, apesar de poder ser associada à afeição e ao aconchego, neste caso remete principalmente a perigo, fogo e queimada, corroborando o caráter indicial da imagem. Se na imagem anterior a sensação de um ambiente inóspito era transmitida sobretudo pela frieza, pela completa ausência de acontecimentos, a presente imagem constrói a aspereza do ambiente tanto pela esterilidade das cinzas quanto por meio do calor que ameaça. A queimada que já se alastrou pela floresta deixa uma sensação de que ainda é possível encontrar fogo em algum lugar.
A ideia de morte e de natureza apresentam-se numa antítese, pois a mata natural lembrava a vida. A morte aparece onde a “natureza” deixa de existir. Apesar disso, o mundo continua presente, como testemunham o céu e o sol, ao fundo, impassíveis.
Thanatos faz sua encenação aqui de maneira um tanto ruidosa, embora sua fúria esteja presente principalmente nas marcas deixadas, e agora silenciadas, na esterilidade inerte do ambiente como resultado da queimada.
4. Outras informações
A revista Istoé lançou este ano, em fascículos, uma “Enciclopédia Ilustrada Terra” cujo site é: http://terra.istoe.com.br/. Nele podem ser encontradas inúmeras outras imagens que se utilizam da estética da pulsão de morte.
Imagens de queimadas são quase diariamente expostas pelos media. Algumas trazem o fogo ainda queimando a vegetação, outras retratam o ambiente após a combustão. As primeiras falam de uma morte em atividade, as segundas retratam, como as primeiras, a morte, mas nelas a luta entre vida e morte já desapareceu. Se nas primeiras o sujeito pode ver-se como impotente diante daquela força demoníaca que tudo queima, cegamente, nas segundas a estagnação dos sujeitos pode advir como satisfação pela grande paz, calmaria e silêncio que surgem no ambiente devastado.
4.1.5 Imagem 5
1. Ponto de vista qualitativo-icônico
O caráter icônico desta imagem é relativamente simples: é composto de cinza, preto e verde. As formas cinza têm superfícies uniformes e ortogonais. O que é verde é pequeno, quase pontual, embora seja central na imagem. O cinza lembra concreto; o verde, vegetação. A sensação é, por um lado, de frieza, aspereza e dureza; por outro, de leveza, delicadeza e efemeridade. Há, portanto, uma dualidade estampada na imagem nos diversos pares de características e sensações que ela produz.
2. Ponto de vista singular-indicativo
Corroborando o nível icônico, a imagem indica a existência de uma plantinha recém- nascida numa fissura de concreto. É curioso notar que, apesar da fragilidade da plantinha, ela aponta para uma persistência que, como veremos, será aproveitada pelo nível simbólico. Essa insistência relaciona-se ao fato de, apesar de sua efemeridade, ser capaz de brotar num ambiente inusitado, inóspito, estéril. Daí a força que emana do verde e da vida.
3. Conclusão
Figura 5 – imagem 5. A imagem pode ser encontrada no site: http://farm1.static.flickr.com/128/390726875_40f0dc10c2.jpg?v=0
No nível simbólico, a imagem traz a célebre ideia de que aquilo que persiste (e