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A bi-Hamiltonian system

Na classe 1, encontram-se unidades de contexto elementares (UCE’s) que descrevem situações-problemas vivenciadas dentro do ambiente escolar, porém, fora do contexto da sala de aula. Nas narrativas dos educadores, há a descrição de situações de uso de drogas ocorridas no banheiro ou no próprio pátio, por exemplo. As drogas mais referidas são a maconha e o álcool e a identificação se dá, muitas vezes, pelos próprios funcionários da escola (faxineira, inspetor, vigia) ou mesmo por outros alunos. Alguns exemplos representativos desta classe são:

Relato de outros alunos sobre o fato de estar usando maconha na escola. Após denúncia de alunos, o aluno foi convocado pela direção e, conversando com o mesmo ele admitiu o uso da droga.

A faxineira observou um movimento incomum nos banheiros dos alunos e foi verificar o que estava acontecendo. Ao chegar ao local os alunos se dispersaram. Ao fazer a limpeza do banheiro, a faxineira encontrou um cigarro de maconha, que levou para a direção.

Também são relatadas situações de tráfico de drogas no interior da escola, muitas vezes, realizado pelos próprios alunos:

Ao perceberem a aproximação dos policiais, um deles jogou uma trouxinha na raiz da árvore. Os policiais os abordaram, fizeram a revista, encontraram uma porção da droga, liberaram os indivíduos desconhecidos e os três alunos foram levados para o interior da escola.

Foi registrado no serviço de orientação educacional o ocorrido e posteriormente chamados os responsáveis. A escola identificou alunos fumando maconha e bebendo no pátio da escola durante o recreio. Todos os professores da escola achavam estranho um dos alunos viver nos intervalos, recreios, (mesmo em festas da escola na porta do banheiro masculino e na maioria das vezes sem desgrudar da mochila. Tivemos uma reunião com Direção e Orientação Educacional ao final do primeiro trimestre, onde tivemos a confirmação de que o menino oferecia drogas aos demais

alunos da escola. Alguns alunos relataram o fato à diretora, alertando o perigo do fato, mas com medo de que seus nomes fossem expostos.

No relato dos educadores, aparecem diversas abordagens e encaminhamentos frente à situação apresentada. Merece destaque o encaminhamento à direção da escola e advertência aos alunos, além de aviso do ocorrido aos pais. Porém, aparecem também soluções mais drásticas, tais como o acionamento da polícia e o encaminhamento dos alunos à Delegacia da Criança e do Adolescente ou ao Conselho Tutelar:

O caso foi parar ao conhecimento da gestão que tomou as devidas providências. Os alunos levaram meio tablete de maconha para a escola e a esconderam no pátio, outros avisaram a direção que acionou a patrulha escolar que encontrou a droga, os pais foram avisados, e os envolvidos foram levados à delegacia do menor.

Os alunos foram pegos no pátio fumando e bebendo. Os responsáveis foram chamados na escola, e foi assinado uma ata indisciplinar. Os fatos são diversos, as drogas também. Vão desde o cigarro e o álcool até drogas inalantes e maconha.

Os alunos chegaram na escola com uma garrafa pet sem rótulo que aparentemente continha refrigerante. Durante o recreio, a garrafa passou de mão em mão em um grupo de 4 alunos. A ação foi relatada pelo vigia à direção e já havia sido observada pelos professores e relatada à orientadora educacional. Os alunos foram chamados pela orientadora e seus responsáveis foram chamados. Os alunos foram ouvidos e após uma longa conversa assinaram uma advertência. Caso o fato se repetisse o Conselho Tutelar seria comunicado.

A direção foi avisada que um aluno portava maconha, chamamos a polícia e foi feita a revista e a droga foi recolhida. A escola em que trabalho na parte da manhã atende alunos da quinta série até oitava série.

A direção da escola após constatar o fato comunicou os pais e esses foram buscar os filhos na escola. Foi conversado com as famílias na presença da patrulha escolar.

O acionamento da rede de saúde também se faz presente, mas em menor frequência nas UCE’s:

Fiz uma intervenção com muito cuidado, dialogando com eles e os convencendo a se dirigirem à sala da direção. Em seguida entramos em contato com os responsáveis e relatamos o ocorrido e pedimos que levassem os dois ao médico.

A garota entrou em coma e um dos colegas comunicou a direção. A comunidade escolar avisou os pais e foi feito o encaminhamento da mesma para o pronto socorro.

Foram chamados a atenção. Negaram o fato, mas depois resolveram falar a verdade e prometeram não mais fazer o fato e foram levados para um orientação educacional com parceria com os alunos de psicologia da universidade.

As diversas abordagens relatadas sobre o fato ocorrido apontam para encaminhamentos que oscilam entre uma postura de proteção, na qual a rede familiar é acionada e há a busca por proteger este adolescente que está em situação de risco pelo uso de drogas, e uma postura mais repressiva, “policialesca”, onde a segurança pública é acionada e são tomadas providências de incriminar os alunos por porte de substâncias ilícitas.

Foi possível identificar também duas atitudes opostas da direção, sendo uma de aproximação, onde a escola chama os pais, comunica o ocorrido e realiza a mediação sobre como proceder frente à situação:

Com a descoberta feita pelo funcionário a direção investigou, chamou os alunos suspeitos, conversou e os mesmos assumiram o ato e prometeram não repetir o ato. Dando crédito de confiança e sem nenhuma punição severa, os alunos compreenderam a posição da escola e concordaram em ajudar no bom funcionamento e nome da escola.

A outra postura remete a uma atitude de afastamento, em que o aluno que estava fazendo uso de drogas no ambiente escolar é “convidado a se retirar da escola”, ficando excluído de seu meio educacional:

O banheiro da escola apresentava pichações nas paredes. Enquanto a vice-diretora tentava descobrir o autor do ocorrido, sem querer se deparou com um grupo de estudantes dentro do banheiro, cheirando cocaína. A reação da vice-diretora foi levar os estudantes para a direção e chamar os pais para comunicar o que estava acontecendo e sugeriu aos pais que procurassem outra escola para os filhos estudarem.

Vemos aqui o choque da constatação da existência do problema dentro dos muros da escola, que emerge a partir do olhar de diversos atores: educadores, funcionários, outros alunos. Fica evidente que soluções propostas envolvem, além de encaminhamento para a

direção da escola, a articulação com algumas redes externas da escola, com destaque para a polícia, a família e ainda a rede de saúde, na busca de uma solução que seja imediata.

3.1.1.2 –Análise da Classe 5 da questão 20 – consumo específico de bebidas