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2 Is globalization and multiculturalism challenging the concept of Self and Other?

2.2 Mirroring the Other in Establishing Identity: Conceptualizing Difference as Means of

2.2.2 Bhabha and the Third Space

Seguindo os parâmetros dados pela avaliação iluminadora, adotamos como instrumentos principais da coleta de dados a observação, a entrevista, a seleção documental e, secundariamente, um questionário, conforme a explicitação que se segue:

a) Observação

O EV, cuja frequência acompanha o ano legislativo, foi observado na edição de 22 a 26 de agosto de 2011, sendo que voltamos a fazer uma nova observação na edição de 27 a 31 de agosto de 2012, para confirmar os dados observados anteriormente e, caso fosse necessário, enriquecer o estudo com um maior detalhamento das atividades. A edição de agosto foi escolhida por ocupar uma posição medial tanto para organizadores, quanto para os participantes, uma vez que é o quarto ou quinto evento anual do programa, assim como se localiza no início do segundo semestre nas faculdades e no retorno do recesso parlamentar de julho. A fim de não gerar duplicidade de dados, decidimos que a descrição e a análise deste estudo seriam referentes à edição de 2011, com as informações referentes à edição de 2012 servindo apenas de complemento em casos específicos, indicados por nota de rodapé quando necessário.

Os locais de execução do EV foram as dependências do Congresso Nacional (plenários, restaurantes e gabinetes de parlamentares) e do Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento da Câmara dos Deputados (Auditório do Cefor). Como preparação da observação do EV, realizamos previamente uma visita-guiada ao Congresso Nacional para verificar como eram recebidos os visitantes, além de observações esporádicas de outras atividades de letramento político do Cefor. Também entrevistamos a coordenadora do evento, lemos a pequena bibliografia que se referia diretamente ao EV, verificamos as informações constantes no Portal da CD e o material preparado pela coordenação para ser distribuído aos alunos.

Nossa observação do EV foi não participante, ou seja, nossa posição de observador formal foi revelada aos participantes e, embora tenhamos atuado como audiência das palestras, não assumimos a posição de aluno-participante. A decisão de não participar diretamente do evento se deveu à necessidade de investigar da maneira mais ampla possível o ambiente de aprendizagem, uma vez que uma participação direta impediria que vários dos aspectos fossem observados para além da posição assumida, além do tempo que seria necessário para a realização das atividades e tarefas previstas

para os verdadeiros participantes. Ainda assim, conforme veremos na narrativa dos acontecimentos, em momentos de atividades simultâneas, foi necessário decidir que grupo acompanhar para fazer a observação. Acreditamos, porém, que essa parcialidade foi compensada nas entrevistas e na análise documental.

Os dados coletados foram registrados em um diário de campo, com entradas diárias no período de duração do evento. As observações foram registradas durante as atividades do evento, conforme a disponibilidade, e, de maneira mais organizada, após o encerramento das atividades do dia. Tendo em vista que as atividades foram desenvolvidas de acordo com a agenda, os registros cobriram o detalhamento das atividades, algumas falas e impressões variadas. Posteriormente, a fim de facilitar o trabalho de análise, os dados da observação foram organizados sistematicamente segundo a programação e distribuídos em colunas, como se pode observar no exemplo abaixo:

Quadro 4 – Fragmento de Ficha de Registro de Observação

ESTÁGIO VISITA Dia 2 – 23/8/2011 (3ª feira) Manhã Observação Impressão ... ... ... 9h Foto oficial do grupo – os alunos fazem

pose em frente à rampa do Congresso. Eles estão bem animados e se vestiram especialmente para a ocasião. Apesar de ser cedo da manhã, as mulheres estão bastante maquiadas e todos, homens e mulheres, parecem prontos para uma festa.

A coordenação tem certa dificuldade para mantê-los na pose recomendada pelo fotógrafo oficial, pois todos querem tirar fotos individuais ou em pequenos grupos aproveitando o cenário.

Talvez porque tenham se vestido com apuro, os alunos tratam a

fotografia como a abertura de um evento festivo do qual são as estrelas. Esse

comportamento se repete na visitação que virá a seguir.

9h15 às 10h45 Visita Institucional – a visita é a mesma que faz qualquer visitante nas dependências do Congresso. Roteiro: túnel do tempo, Plenarinho (Senado antigo), maquete do Congresso, salão verde, salão negro, plenário Senado, plenário Câmara. O guia dá destaque a aspectos arquitetônicos dos prédios e o design do jardim. Os alunos parecem inicialmente atentos às explicações dadas pelo guia, mas não perguntam nada – alguns até mesmo parecem excitados pela visita. Quando chegam no túnel do tempo, no SF, os alunos se espalham. Alguns deles reclamam dos colegas que não obedecem à

Me surpreende que os alunos não perguntem nada, não tenham dúvidas, tudo o que querem é ver e tirar fotografias.

Também é evidente que o guia não consegue controlar a visita conforme o roteiro tradicional. O interessante é que os visitantes comuns costumam ser mais

ESTÁGIO VISITA Dia 2 –

23/8/2011 (3ª feira) Manhã

Observação Impressão

regra de andar pela esquerda e não tirar fotografia antes da hora. Alguns tiram fotografias do ambiente, outros posam para fotografias no ambiente. Na apresentação da maquete, alguns alunos se

desinteressam, querem apenas fotografar. Para chamar a atenção, o guia verifica informações básicas (número de senadores e deputados). Eles respondem em uníssono, como alunos de primário, e não têm dúvidas de nada.

...

atentos às explicações. Talvez porque sejam, normalmente, um grupo menor.

... ... ... Fonte: Elaboração do Autor.

Além das observações mais diretamente ligadas às atividades do cronograma oficial estabelecido, também registramos nossas impressões do contato que tivemos com os participantes em vários ambientes e momentos de socialização. Dessa forma, anotamos o que vimos e ouvimos nos almoços no restaurante da Câmara dos Deputados e nos traslados de ônibus entre o Palácio do Congresso Nacional e o prédio do Cefor, assim como nos intervalos para lanche. Foram, em geral, registros breves, pois aproveitamos igualmente esses momentos para entrevistar os participantes. Os dados obtidos foram anexados às entrevistas como contexto e também inseridos na Ficha de Registro de Observação na coluna das impressões, com destaque para o ambiente e/ou horário quando relevante.

b) Entrevista

No planejamento inicial da pesquisa, consideramos que os informantes constituiriam dois grupos: os organizadores e participantes, sendo que todos seriam entrevistados antes e depois do evento. Os organizadores, como indica o termo, são as pessoas que se envolveram no planejamento e execução do programa. Os participantes, por sua vez, são os alunos que se inscreveram e foram selecionados para a edição observada do EV. Ao iniciarmos a coleta de dados, entretanto, verificamos que, mesmo constituindo uma população relativamente restrita de indivíduos, tal procedimento universalista, por um lado, simplificava e, por outro, demandaria tempo e logística

complexa para resultados pouco significativos frente ao objetivo de compreender o funcionamento do programa enquanto representativo do letramento político proposto pelo legislativo. Em primeiro lugar, nem o grupo dos organizadores, nem dos participantes eram suficientemente homogêneos como suposto a priori, havendo diferenças que deveriam ser contempladas conforme a posição ocupada. Depois, os tipos de entrevistas precisavam variar conforme essas posições, uma vez que elas respondiam pela qualidade e quantidade de informações dos informantes sobre o programa. Por fim, havia a limitação do tempo de contato com os participantes que provinham de diferentes localidades do País (todas as entrevistas deste estudo foram feitas presencialmente), além da alta probabilidade de redundância em boa parte das informações a serem obtidos, tendo em vista que os participantes haviam passado por um processo de seleção ou adesão ao programa seguindo um perfil predeterminado. Por força dessas razões e o escopo da pesquisa, decidimos selecionar os informantes e organizar os tipos de entrevista seguindo critérios diversificados.

Em relação aos informantes, mantivemos a divisão inicial entre promotores e participantes, mas estabelecemos três subgrupos para os promotores e dois subgrupos para o segundo. Temos, assim, no grupo dos promotores os subgrupos dos Organizadores, que são os responsáveis institucionais pelo programa, a exemplo da diretora da Coordenação de Educação para a Democracia; dos Executores, que respondem pelo andamento das atividades, como acontece com os responsáveis pela Oficina Juventude e Democracia; e dos Colaboradores, que são os palestrantes e demais convidados. Essas divisões se deveram, obviamente, às funções exercidas pelos promotores dentro de cada programa. No grupo dos participantes, entendemos que seria relevante distinguir entre os alunos que tivessem formação e atuação mais diretamente ligada ao legislativo, como alunos de Direito, e alunos de outras áreas ou disciplinas afins. O entendimento que sustentou essa divisão foi de que aqueles que possuíam formação e atuação direta possivelmente apresentariam uma relação diferenciada com o programa.

A quantidade de informantes para cada categoria não foi decidida previamente, antes deveu-se, por um lado, às características da categoria e, por outro, ao grau de informatividade a ser oferecida pelo entrevistado em um procedimento inspirado na amostragem e saturação teóricas da pesquisa de Teoria Fundamentada dos Dados (Grounded Theory), ou seja, deixamos de conduzir aquele tipo de entrevista no subgrupo quando percebíamos que os novos dados apenas enfatizavam o que já estava

estabelecido por outros informantes73. Dessa maneira, o subgrupo dos organizadores,

por exemplo, teve todos os seus elementos entrevistados, até mais de uma vez, como aconteceu com os gerentes responsáveis pelo programa. Já o subgrupo dos alunos- participantes recebeu apenas cobertura parcial dos elementos, uma vez que as informações dadas tenderam a se sobrepor ao longo das entrevistas.

Seguindo o reconhecimento das idiossincrasias dos informantes e os princípios da avaliação iluminadora, adotamos dois tipos de entrevista: a aberta e a semiaberta, compreendendo que “a diferença entre abertas e semiabertas é que as primeiras são realizadas a partir de um tema central, uma entrevista sem itinerário, enquanto as semiabertas partem de um roteiro-base” (Duarte, 2005, p. 64, destaques do original). No caso das entrevistas abertas, ela foi empregada prioritariamente com os organizadores e executores do grupo dos promotores e alunos participantes, tendo como ponto de partida, para os informantes do primeiro grupo, como localizavam o programa em termos institucionais e letramento político, ou seja, como justificavam a existência e necessidade do programa, assim como avaliavam a sua função dentro do programa; e para os do segundo grupo, como avaliavam a oferta do programa tanto em termos gerais quanto específicos. As entrevistas semiabertas, por sua vez, foram utilizadas basicamente com os colaboradores e os alunos participantes com objetivo de identificar o quanto conheciam do programa, o envolvimento e as razões de atuar ou participar dele. Por exemplo, para os alunos-participantes do EV, o roteiro-guia previa perguntas como: “1. Como foi que ficou sabendo do programa?; 2. Por que decidiu se inscrever?; 3. Por que acha que foi selecionado?; 4. Como avalia o programa até agora (as entrevistas foram realizadas em diversos momentos durante a semana de atividades do programa)?; 5. O que manteria, acrescentaria ou mudaria no programa”. Já aos colaboradores, o roteiro-guia previa que se indagasse: “1. Conhecia o programa antes do convite?; 2. Por que aceitou o convite de participação?; 3. Considera a sua participação necessária?; 4. 5. O que manteria, acrescentaria ou mudaria no programa?”. As entrevistas semiabertas também foram usadas com os organizadores após a realização do evento, neste caso o roteiro-guia teve como base a avaliação do programa em geral e daquela edição em particular, e as perguntas foram elaboradas para esclarecer dúvidas e

73 Dizemos que é um procedimento inspirado na Grounded Theory porque embora próximos em termos de pressupostos, não seguimos, a rigor, os procedimentos da amostragem e saturação teórica tal como definidos nessa estratégia de pesquisa, ainda que essa seja uma discussão em aberto em várias áreas, como pode verificar na relação entre saturação teórica e psicanálise em estudos da Saúde (Cf. Fontanella e Magdaleno Jr., 2012).

questões levantadas durante a observação e as entrevistas realizadas com outros informantes.

Também o período em que as entrevistas foram realizadas seguiu as características dos informantes. Dessa forma, alguns dos organizadores por serem institucionalmente responsáveis pelo programa foram entrevistados antes do evento com o objetivo de esclarecer aspectos que os documentos deixavam em aberto assim como identificar a percepção deles em relação ao evento em termos de letramento político; e após a edição para esclarecer aspectos da realização do evento e a avaliação que faziam daquela edição em particular. Os colaboradores, por sua vez, por participarem episódica ou perifericamente do programa foram entrevistados apenas uma vez e logo após a palestra ou atividade que atuaram, com exceção de alguns colaboradores que foram entrevistados durante a atividade. Já os alunos participantes foram todos entrevistados apenas uma vez, embora com tipos de entrevista diferentes, durante todo o evento.

No quadro abaixo, procuramos sintetizar os procedimentos de coleta de dados ligados às entrevistas:

Quadro 5 - Entrevistas Estágio-Visita

Informantes Entrevistas

Grupo Subgrupo Atributo N. % Tipo N

. Período

1 Coorde

nação

Organizador

Coordenador 1 100 Aberta/Semi 2 Antes/Depois Membro Equipe 2 100 Aberta 1 Depois

Equipe 3 100 Aberta 1 Depois

Executor Instrutor 2 50 Aberta 1 Depois

Colaborador Palestrante/outro* 5 50 Semi 1 Depois

2 Partici pantes

Aluno-PX Curso de Direito 18 66 Aberta/Semi 1 Durante

Aluno-DT Outros cursos 13 68 Aberta/Semi 1 Durante

Fonte: Elaboração do autor

Total de alunos participantes: 46 geral - 27 alunos do curso de direito

*Secretario parlamentar, servidores que fizeram a assessoria na simulação e acompanhante no Plenário.

Na transcrição das entrevistas, o nome dos informantes foi substituído pelo seu subgrupo seguido de um número e assim eles serão identificados nos capítulos

seguintes. O mesmo procedimento de nomeação foi adotado para todos os textos citados aqui cuja autoria está restrita ao programa, tal como questionários e palestras. Essa medida visa manter o anonimato e a confidencialidade assegurados pelo Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), conforme determinado na Resolução nº 196/96 – CNS. Esse TCLE, que se encontra em anexo, foi aprovado, assim como a realização da pesquisa, pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), por meio Comitê de Ética em Pesquisa (Coep) da UFMG.

c) Seleção documental

Os documentos para a descrição e análise do sistema instrucional foram coletados basicamente nos sítios eletrônicos da Câmara dos Deputados, e junto aos organizadores do programa. Paralelamente, também buscamos bibliografia a respeito do programa e atividades similares promovidas pela Câmara dos Deputados.

Uma vez coletados, os documentos foram organizados em três grupos, segundo a proximidade e a função deles em relação ao EV. Um primeiro grupo, mais distante, foi constituído pelos textos que trazem dados gerais sobre a casa legislativa e o sistema político, entre outras informações necessárias ao entendimento do contexto do programa. Em um segundo grupo, reunimos os documentos que se referem diretamente ao programa em termos de organização e funcionamento, tais como os projetos executivos, a legislação interna, fichas de inscrição, artigos publicados em periódicos e todo o material de divulgação do evento. O terceiro grupo corresponde ao material instrucional do programa, isto é, os textos que foram preparados e distribuídos aos participantes ao longo do evento como material de ensino e aprendizagem. Neste caso, como esse material pode também ser identificado como fonte primária, consideramos não apenas os documentos constituídos pelos textos escritos, mas também as palestras, os painéis, os debates realizados pelos colaboradores, assim como as instruções para atividades práticas e os textos que lhes acompanham como auxiliares ou produzidos pelos participantes como resultado das atividades. O quadro abaixo apresenta e sintetiza a organização dos documentos:

Quadro 6 – Organização dos documentos

Doc. Tipo/local Utilização Exemplos

Doc. Tipo/local Utilização Exemplos eletrônico,  material de divulgação  artigos e livros visitantes,  páginas na web,  textos sobre o sistema

político do país, etc.

Grupo 2  legislação  planejamento

explicitar a organização e funcionamento do programa  artigos em periódicos científicos,  resoluções e portarias,  projetos executivos, etc.

Grupo 3 material instrucional ensino e aprendizagem

 biografias dos palestrantes,  cadernos com instruções,  programação,  slides de palestras,  textos produzidos pelos

participantes,

 cadernos de registro de impressões, etc.

Fonte: Elaboração do autor.

d) Questionário

Tal como preconiza a estratégia da avaliação iluminadora, utilizamos o questionário para suplementar os dados já obtidos na observação, entrevista e análise documental. Selecionamos como respondentes os alunos participantes e aplicamos o questionário, via e-mail e também via Messenger do Facebook, no mês de agosto de 2015. O objetivo não era verificar o impacto do programa em longo prazo74, mas sim

compreender como o programa era percebido pelos participantes passados quatro anos de sua realização. O questionário consistiu de cinco perguntas abertas que buscavam

74 A avaliação de impacto, propriamente dita, é, por definição, uma avaliação de longo prazo (Bauer, 2013). No nosso caso, porém, ao buscar a posição dos alunos sobre o programa não temos o objetivo de fazer uma avaliação de impacto, mas sim iluminar, com um terceiro instrumento, a análise do letramento político que por meio dele se efetiva.

identificar qual a atividade que havia sido mais significativa, qual atividade ou informação havia sido mais útil em sua vida pessoal ou profissional, como definiam o legislativo, se haviam efetivado o projeto desenhado na Oficina Juventude e Democracia e se desenvolviam alguma atividade específica de cunho social ou político.