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Bevisst risikotaking eller spenningssøking?

Como anteriormente referido, a técnica sob a qual se vai consolidar e materializar a terra será sempre definida pelas características morfológicas e distribuição granulométrica do composto, estabilizado ou não, em determinado estado físico. Esta metodologia é a real responsável pela configuração que finalmente a terra irá assumir em construção. Deste modo, a tecnologia de aplicação deste material, funciona como o “elo de ligação” entre a matéria e a forma. À luz do conceito de estereomorfologia, cada método de construção com terra irá definir, tridimensionalmente, as formas e volumes, de acordo com o comportamento funcional e mecânico mais eficiente, consoante as propriedades específicas do solo a aplicar, seja enquanto sistema construtivo de suporte ou auxiliar.

A partir das inúmeras metodologias de construção com terra conhecidas, definem-se, essencialmente, doze modelos-tipo distintos que sintetizam as demais variações possíveis, entre tradicionais e modernas. O grupo Auroville categoriza essas técnicas de referência, de acordo com o estado físico com que o solo é trabalhado, indo desde o estado seco ou sólido, húmido, plástico até ao líquido (Figura 50). Considera-se que esta caracterização é mais conveniente enquanto representativa de uma visão estereomorfológica sob a qual se pode formalizar o material, uma vez que, como previamente mencionado, a hidratação da terra é uma condicionante fundamental para a consolidação da terra e suas capacidades construtivas. De igual modo se mostra pertinente analisar o diagrama elaborado pelo núcleo CRATerre (Figura 51), onde é possível entender a classificação de cada metodologia, de acordo com o sistema construtivo que a mesma é capaz de materializar, quer se represente como material primário sob a forma portante – monolítica ou de alvenaria –, ou como material secundário de recobrimento ou enchimento de uma estrutura de suporte (GONZÁLEZ, 2006, pp. 79-82).

Cada uma destas técnicas-tipo retratam um padrão, próprio do modo de trabalhar a terra, transversal a todas as variantes associadas, podendo, no entanto, definir-se em construção de modo individual ou por combinação entre si – e.g. sistema combinado de paredes monolíticas de taipa e coberturas em abóbadas e/ou cúpulas de adobe, ambos de suporte, muito comuns nas regiões do Próximo-Oriente (PRUSSIN, 1998, p. 210). Deste modo, nas circunstâncias em que se considere vantajoso, é possível assumir o mesmo modelo construtivo com terra segundo diferentes sistemas classificativos, ao invés do especificado pelo grupo CRATerre. Quer isto dizer que, por exemplo, no caso da terra vertida, dada a sua qualidade enquanto volante térmico (ao contrário da terra-palha, que comporta melhor a função de isolante), esta família de técnicas construtivas, pode ser aplicada como enchimento de uma estrutura de suporte, sem capacidades portantes; do mesmo modo que, o tabique, definido enquanto técnica de recobrimento de uma estrutura principal, se pode materializar enquanto elemento portante e vital para a capacidade estrutural do volume que compõe (ARESTA, 2014, pp. 154-157); ou como o superadobe ou o hiperadobe que, embora contenha a terra enquanto material de enchimento de uma subestrutura permanente, é esta que carrega a função de suporte das cargas compressivas, de forma análoga à metodologia de terra empilhada (GONZÁLEZ, 2006, pp. 104-105).

Estado Físico

Classificação de Sistemas Construtivos

Monolítica Alvenaria Combinado

Seco ou Sólido

Terra Escavada* Terra Cortada* Terra Cortada* Terra de Enchimento* Húmido Terra Comprimida* Terra Comprimida* Terra de Cobertura

Terra Modelada*

Plástico

Terra Empilhada* Terra Moldada* Terra Moldada* Terra Extrudida*

Terra Vertida* Terra Vertida

Líquido Terra-Palha Terra-Palha Terra-Palha

Terra de Recobrimento* * - Pode-se assumir como portante. Quadro 3 – Resultado do confronto entre os diagramas de Auroville e CRATerre.

Contudo, segundo esta lógica, embora alguns modelos da forma com que a terra é manuseada em construção possam assumir, formalmente, mais do que um sistema de classificação, finalmente, os mesmos fazem-se sempre representar em obra sob a forma de monólito, de alvenaria ou de combinação com outro material, desempenhando uma função portante, ou não. Estes últimos, os sistemas compostos, são representados pelas situações em que a terra seja aplicada em conjunto com outra materialidade, seja ela de origem vegetal ou industrial, que, usualmente, se faz assumir enquanto elemento estrutural primário (ARESTA, 2014, pp. 148-150). Embora, tendencialmente, a terra é aplicada de modo a preencher ou a revestir uma ossatura portante, a mesma pode-se também figurar enquanto elemento principal de suporte, mantendo a sua qualidade enquanto matéria de recobrimento, mas, à semelhança de um betão, armado por um outro material. Já no caso dos que se classificam como monolíticos, estes fazem-se definir através da unidade, como o próprio nome indica, aparente entre os volumes de todos os elementos que o compõe, ainda que o seu processo construtivo se figure pela adição de matéria por camadas ou fiadas (GONZÁLEZ, 2006, pp. 96-124).

Quanto aos sistemas de alvenaria, sejam estes de suporte ou adjuvantes de outra estrutura, estes funcionam à semelhança de qualquer aparelho com tijolos. Embora estes elementos sejam por si condicionados na sua forma, seja rigidamente, através de moldes, ou por padrão de semelhança, modelados manualmente, são os que representam maior liberdade

construtiva, podendo assumir quase qualquer forma compressiva por emparelhamento. O maior potencial deste tipo de técnicas, figura-se pela facilidade com que as suas peças são manuseadas, garantindo em cada uma das mesmas, a aptidão técnica para comportar mecanicamente todas as funções estruturais que se destinam a desempenhar (GONZÁLEZ, 2006, p. 168). Na sua experiência no Egito rural, Hassan Fathy explicou que, […] o tijolo normalizado de Gurna tinha de ter um determinado tamanho e uma determinada consistência para ser uma unidade segura que pudéssemos utilizar no nosso projecto (FATHY, 2009, p. 101). Ainda que as dimensões, as formas e, até, a materialidade de cada uma destas peças possam variar, as lógicas da relação tijolo-massa e de travamento, mantêm-se transversalmente a todas. É essencial que a quantidade de argamassa seja a mínima (de modo a evitar retrações desfavoráveis, dado o seu estado plástico), mas suficiente para garantir uma boa fixação e a anulação das irregularidades possíveis, mantendo o equilíbrio na transmissão das forças verticais. É também fundamental que os panos de alvenaria se emparelhem com as juntas verticalmente desencontradas, de modo a aumentar a resistência das paredes à ação das cargas compressivas, gerando obstáculos ao percurso de propagação das mesmas, repartindo-as (TEIXEIRA, 1998, pp. 88-90).