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Betydningen av primært Raynauds fenomen for soldater

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HINDRE PRIMÆRT RAYNAUDS FENOMEN (PRF)-ANFALL

5 Betydningen av primært Raynauds fenomen for soldater

O tempo na hipóstase é o lugar da saída da consciência, da remissão a si, do aqui, portanto, é um tempo hipostático que está em relação com o fruir, mas desperta para além da fruição123, desperta para o sujeito da existência,

O presente e o eu, transformados em existentes, podem compor o tempo como existente, um tempo hipostatizado, um tempo que é. O tempo não seria algo interposto entre o existente e o existir, ele seria o evento puro da hipóstase. Assim, o tempo indica uma relação diversa entre o existente e o existir e aparece como evento

123 SAYÃO, Sandro Cozza. Sobre a excelência do humano: questões sobre ética em Totalidade e Infinito e

Humanismo do Outro Homem de Emmanuel Levinas. In SUSIN, Luís Carlos; FABRI, Marcelo; PIVATTO, Pergentino Stefano; SOUZA, Ricardo Timm de (orgs). Éticas em diálogo: Levinas e o pensamento

contemporâneo: questões e interfaces, p. 55: “a ontologia reunida por Levinas aos termos fruitivos, aos termos do mal da necessidade que faz da realidade meros objetos e utensílios, é neste sentido considerada insuficiente na tentativa de determinar a condição humana; segundo ele, esta permanece ainda dentro das mesmas estruturas da animalidade que identificam a individualidade em seu modo original tipicamente egoísta.”

da relação com ‘outros’, permitindo o pluralismo da existência e a superação da hipóstase monista do presente. (MELO, 2003, p. 43)

O tempo é evento onde o “eu” se constitui, é evento da subjetividade. Para Levinas, o tempo não é fatalidade da morte, propriamente, mas um “ainda não” em que se abre uma pluralidade diante da subjetividade, pois o tempo coloca o sujeito frente a outrem.

O tempo não constitui uma condição trágica para o existente, mas uma possibilidade de liberdade e de transcendência. O domínio do eu sobre o há anônimo, que de certo modo caracteriza a subjetividade, não é ainda liberdade [...]. Se o tempo é capaz de renovar o sujeito, não pode simultaneamente livrá-lo de sua existência e de sua sombra. O eu traz em si um desejo de tempo [...], em Levinas, o tempo é constituído de minha relação com outrem. (FABRI, 1997, p. 49)

A compreensão de tempo, dentro da evasão do ser, é a de que a hipóstase coloca o homem na solidão. Ele está só e remetido a si, porque está no seu instante presente. É neste instante que ele tem a posse de ser, como sujeito para si, não há transcendência. Não havendo a transcendência, a saída do ser é um processo ainda incompleto, pois se permaneceria em lógica semelhante à da filosofia transcendental ou como Descartes, onde o sujeito se refere e existe nessa referência a si, no “penso, logo existo”. Levinas pretende romper essa estrutura centrada no sujeito e, por conseguinte, no ser. Para Levinas, o tempo traz além da consciência de ser e de saída de ser, traz a luz de que não é possível evadir-se do ser sozinho, a hipóstase expõe o tempo do outro, apesar de ser um evento solitário, o tempo, na hipóstase, aponta para a hipóstase do outro124.

O caminho para a saída da solidão posta pela hipóstase é a transcendência, o que se dá no tempo, numa percepção do tempo do outro,

Com efeito, como o tempo surgiu num sujeito só? O sujeito só não pode negar-se, ele não tem o nada. A alteridade absoluta do outro instante – se, todavia, o tempo não for a ilusão de marcar passo – não pode encontrar-se no sujeito que é definitivamente ele próprio. Essa alteridade só me vem de outrem. (LEVINAS, 1998, p. 111)

O tempo do outro se dá como alteridade, algo que vem de alhures e que não tenho domínio; rompe a solidão do existente e possibilita a transcendência, que é a saída do ser e da solidão da hipóstase. A saída é estar frente a outro que não sou eu, deste modo, o tempo do

outro, o seu instante, coloca o eu diante de uma alteridade, aquela que me permitirá não estar sozinho após a hipóstase; é também o rosto que se apresenta responsabilizando-me, pois se

124 FABRI, Marcelo. Memória, repetiçãoe ressurgimento de si-mesmo. In: SUSIN, Luís Carlos; FABRI,

Marcelo; PIVATTO, Pergentino Stefano; SOUZA, Ricardo Timm de (orgs). Éticas em diálogo: Levinas e o

pensamento contemporâneo: questões e interfaces. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003, p. 79: “não é por meio de uma retomada permanente de si que o tempo se produz (zeigt sich), mas sim como dilaceramento e inquietude, vale dizer, como vinda a si mesmo sob a forma de exposição ao outro.”

mostra vulnerável, se mostra nu, naquela nudez de exposição à morte. Ele é o pobre, o órfão, a viúva e o estrangeiro.

Na saída do ser, o tempo como instante não só de um sujeito, mais também tempo de

outro, é lugar ético, porque o instante no qual se sai do ser, e se entra na solidão da hipóstase, é o que apresenta o outro, expõe uma alteridade; ele me vem nessa alteridade do tempo,

Outrem, como outrem, não é somente um alter ego. Ele é o que eu não sou: ele é o fraco enquanto sou o forte; ele é o pobre; ele é ‘a viúva e o órfão’. (Não há maior hipocrisia do que aquele que inventou a caridade bem ordenada.). Ou então, ele é o estrangeiro, o inimigo, o poderoso. O essencial é que ele tem esta qualidade em virtude de sua própria alteridade. (LEVINAS, 1998, p. 113)

A sucinta referência à quatríade (pobre, órfão, viúva e estrangeiro) demonstra a contínua influência do judaísmo no pensamento de Levinas, sustentando a relação com outrem como responsabilidade, como ética, de sorte que o judaísmo125 compõe, com outros

elementos, a estrutura de pensamento pela qual Levinas elabora a saída do ser, em vista da acolhida da alteridade. Tal acolhida se dá na temporalidade, como já visto desde antes, mas numa temporalidade que não é só o tempo do eu, é também o tempo do outro, um tempo imemorial, o qual a subjetividade do eu acolhe sem ter sobre ele domínio.

[...] há o tempo que podemos compreender a partir da presença e do presente, e onde o passado não é se não um presente retido e o futuro um presente por-vir. A re- presentação seria a modalidade fundamental da vida mental. Mas, a partir da relação ética a outrem, entrevejo uma temporalidade em que as dimensões do passado e do futuro têm uma significação própria. Na minha responsabilidade por outrem, o passado de outrem, que nunca foi meu presente, ‘me diz respeito’, não é para mim uma representação. O passado de outrem e, de algum modo, a história da humanidade, da qual jamais participei, à qual jamais estive presente, é meu passado. Quanto ao futuro – não é minha antecipação de um presente que me espera já todo pronto e semelhante à ordem imperturbável do ser [...]. O futuro é o tempo da profecia, que também é um imperativo, uma ordem moral, mensagem de uma inspiração. (LEVINAS, 2010, p. 142-143)

Não ter domínio sobre o tempo do outro, sobre o tempo da humanidade, coloca a subjetividade naquilo que Levinas chama de passividade. O eu é eleito responsável pelo outro numa passividade acolhedora. O processo até chegar à responsabilidade por outrem, requereu a saída da impessoalidade, isto é, o ente (homem) ao sair da impessoalidade do há (il y a), realizado pela hipóstase, assume sua existência, descobrindo o “eu”; tal descoberta vem

125 FABRI, Marcelo. Desencantando a ontologia, p. 131: “Levinas insiste no fato que o judaísmo desencantou o

mundo, pois ele transpôs o limiar de uma religiosidade obcecada pelo entusiasmo e pela experiência do sagrado [...]. O judaísmo guia o homem na difícil conquista da liberdade, através do trabalho paciente, do estudo, que se opõe à violência do sagrado. A separação prepara o existente para o impacto que o destitui de seus poderes de sujeito autônomo, mas não abala a força e a capacidade de romper com a violência através da vulnerabilidade e da passividade do esforço.”

acompanhada pela solidão, que é rompida pelo tempo e presença do outro, estabelecendo uma separação entre o tempo do “eu” e o tempo do outro, por meio de histórias separadas, vivências distintas, mas é nessa separação que o “eu” toma parte no tempo do outro, não como domínio, mas como responsabilidade, numa relação ética, que implica acolher o outro em sua alteridade.

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