Finanspolitikk og finanskrise – hvilken effekt har egentlig finanspolitikken?
Ramme 2.1 Omdiskutert effekt av American Recovery and Reinvestment Act
5. Betydningen av forventninger og troverdig kommunikasjon
A argamassa com 5% de resíduo apresenta uma boa e melhor interface gel/agregado se comparado com a amostra de mesma granulometria, porém com maior concentração de resíduo cinza preta. Pode-se observar que ocorreu o crescimento dos cristais anidritos e a presença de porosidade foi menor (Figuras 5.21 e 5.22).
Nas amostras com 15 e 20% de resíduo, Figuras 4.23, 4.24, 4.25 e 4.26, houve uma pequena degradação na interface gel/agregado. Houve também um pequeno aumento na porosidade e inibição de crescimento de cristais anidritos, maior do que as amostras com menor concentração de resíduo.
Figura 4.21. Micrografia da argamassa com 5% de resíduo com granulometria
inferior a 0,15 mm destacando a boa interação gel/abregado.
Figura 4.22. Micrografia da argamassa com 5% de resíduo de granulometria
inferior a 0,15 mm mostrando os cristais anidritos.
Figura 4.23. Micrografia da argamassa com 15% de resíduo com granulometria
inferior a 0,15 mm ilustrando a distribuição do mesmo.
Figura 4.24. Micrografia da argamassa com 15% de resíduo com granulometria inferior a 0,15 mm em maior aumento.
10 µm 50 µm
Figura 4.25. Micrografia da argamassa com 20% de resíduo com granulometria
inferior a 0,15 mm mostrando maior concentração de cinza.
Figura 4.26. Micrografia da argamassa com 20% de resíduo com granulometria
inferior a 0,15 mm mostrando os cristais anidritos.
4.5. Ensaio de Lixiviação
As análises químicas dos lixiviados estão apresentadas na Tabela 4.3. Observou- se que em todos os extratos de lixiviação todos os parâmetros analisados estavam presentes em teores abaixo dos limites máximos propostos de acordo com a NBR10004.
Os ensaios complementares de solubilização não foram realizados até o presente momento porque o nosso objetivo não é de classificar os materiais, mas sim verificar em uma primeira etapa se certos elementos químicos do resíduo podem ficar retidos dentro da pasta de cimento. Os elementos químicos escolhidos para análise de lixiviação foram aqueles que apresentaram maior risco ao meio ambiente e aos seres vivos. Eles são, de modo geral, os elementos químicos responsáveis pela classificação do resíduo como classe II.
Analisando os resultados da lixiviação da tabela 4.3 observa-se que os elementos químicos dos extratos lixiviados quando comparados entre a argamassa sem resíduo e com 20% de resíduo apresentam concentrações próximas. Fazendo um cálculo aproximado considerando que se os 20% de resíduo incorporado na argamassa em
substituição ao cimento apresentasse lixiviação proporcional ao da amostra com 100% de cinza preta, os valores encontrados para a argamassa com 20% de resíduo deveriam, de modo geral, ser maiores quando comparados com a argamassa sem resíduo. Com isso conclui-se que pelo menos a grande maioria dos elementos químicos analisados ficam parcialmente estabilizados e/ou encapsulados dentro da pasta de cimento. No entanto para se chegar a um resultado mais conclusivo deve-se fazer novas análises, principalmente de solubilização, e sobre todos os elementos químicos estipulados por norma.
Tabela 4.3. Análise química dos lixiviados.
Elemento Cinza Preta
(mg/L) Argamassa com 20% de cinza (mg/L) Argamassa sem resíduo (mg/L) Limite Máximo NBR 10004 (mg/L)
Cromo Não detectado 0.0874 0.162 5.0
Arsênio 0.00803 0.00082 0.00062 5.0
Chumbo 0.00120 0.00083 0.00072 5.0
Selênio Não detectado Não detectado 0.00145 1.0
Prata 0.00074 0.000384 0.00028 5.0 Cádmio 0.000198 0.000366 0.00043 0.5 Bário 0.392 0.634 0.660 100.0 Mercúrio 0.00158 0.00074 0.00040 0.1 Cloretos 0.0000178 0.00000890 0.00000890 - Fluoretos 0.00000026 0.00000165 0.00000158 150.0
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O propósito deste trabalho foi de estudar a influência do resíduo cinza preta no comportamento mecânico, microestrutural e ambiental de uma argamassa obtida com matéria-prima selecionada. Esta matéria-prima apresenta algumas características específicas conhecidas que foram verificadas neste trabalho antes da elaboração das argamassas. Pôde-se constatar que a areia é de boa qualidade apresentando baixa concentração de impurezas e que seus grãos não são redondos como se poderia imaginar (Figura 4.5). Essa característica dos grãos de areia pode diminuir a trabalhabilidade da argamassa, mas por outro lado a pasta de cimento adere mais facilmente na superfície dos grãos de areia (Tabela 1.2). Pôde-se verificar também por análise EDS que os dois principais óxidos do resíduo cinza preta, ou seja, óxido de cálcio e o óxido de silício também são os dois principais componentes do cimento. Isso mostra que o resíduo apresenta uma certa afinidade química com o cimento. Esta similaridade química pode ser vista mais precisamente comparando-se as análises químicas do resíduo e do cimento (Tabelas 3.1 e 3.4). Observa-se que o óxido de magnésio é outro composto químico encontrado nos dois materiais, no entanto, o resíduo apresenta uma grande concentrações de “cinzas inertes”, em torno de 47% e uma pequena concentração de enxofre. A própria norma NBR 10004 classifica o resíduo como não-inerte. Isso significa que pelo menos alguns componentes da cinza preta podem reagir e/ou se hidratar durante a hidratação da pasta de cimento. Isso poderia reforçar a idéia de se usar o resíduo como substituto parcial do cimento. No entanto deve-se observar que a grande quantidade de cinza supostamente inerte, presente no resíduo pode inibir ou contrabalancear um eventual efeito positivo de certos elementos do resíduo, podendo mesmo apresentar no balanço geral um efeito negativo no processo de hidratação do aglomerante. Sendo assim não é possível afirmar com certeza se a diminuição da resistência mecânica dos corpos de prova contendo resíduo é também devido a diminuição da quantidade de cimento, uma vez que parte dele foi substituído pelo resíduo. Neste caso estaria-se supondo que o resíduo não teria nenhum efeito positivo no processo de hidratação da pasta de aglomerante. Por outro lado é possível afirmar que a resistência mecânica depende da dispersão do resíduo na argamassa. Foi possível observar que os aglomerados de resíduos, ou seja, os grânulos podem ser vistos como
defeitos dentro da matriz cerâmica. Quanto maior os grânulos, maior os defeitos e, portanto, menor a resistência mecânica. Este efeito dos grânulos pode ser visto no gráfico de resistência mecânica da Figura 4.1. Já na Figura 4.2 onde o resíduo apresenta uma boa dispersão, a resistência mecânica é maior mesmo para concentrações maiores de resíduos mas com granulometrias menores quando comparado à Figura 4.1. Na análise metalográfica realizada no MEV é possível observar que nos pontos de acúmulo de resíduo a “cinza inerte” contida no resíduo inibe a formação e o crescimento dos cristais anidritos. No resíduo também tem enxofre que poderia reagir com o cálcio para formar cristais anidritos, porém estes elementos químicos encontram condições desfavoráveis quando em contato com quantidades não desprezíveis de cinza inerte. O efeito da cinza inerte sobre a resistência mecânica já foi mostrado em trabalhos anteriores [BRESCANSIN, 2000; GEMELLI e col., 2001] onde foram usados dois cimentos Portland comerciais – o CPII-Z-32 e o CPI-S-32. O primeiro deles, CPII-Z-32, contendo uma grande quantidade de impurezas, principalmente cinzas inertes, apresentou baixa resistência mecânica, da ordem de 5 MPa após 28 dias de cura em meio saturado. A argamassa obtida com o mesmo traço, mas com o cimento CPI-S-32 apresentou resistência mecânica bem superior, em torno de 21 MPa após 28 dias de cura em meio úmido saturado. Essa última argamassa apresenta resistência próxima da argamassa sem resíduo obtida neste trabalho (22 MPa). Porém deve-se levar em consideração que o tamanho de grãos da areia usada no presente trabalho é menor do que aquela usada nos trabalhos dos autores citados acima e, em conseqüência, pode-se ter influência nos valores da resistência mecânica das argamassas/concretos. Certos cimentos estão sendo comercializados com grandes quantidades de cinzas como é o caso do cimento CPII-Z-32. Essas cinzas podem ser observadas na Figura 2.1. As “cinzas inertes” encontradas no cimento são provenientes de incineradores ou de centrais termelétricas, como apresentado no item 2.2, muitas vezes com o objetivo de reduzir o custo do cimento.
No que concerne o resíduo cinza preta estudado neste trabalho, seria economicamente inviável processá-lo separadamente para depois adicioná-lo na argamassa, em substituição ao cimento, como foi feito aqui, ou como material de enchimento, em substituição ao agregado. Tendo em vista que o resíduo “in natura“ apresenta-se sobre a forma de aglomerados de alguns centímetros, ele poderia ser processado junto com a argila usada na fabricação de cimento. Para a indústria de papel
e celulose seria uma grande vantagem utilizar o resíduo na fabricação de cimento em termos de custo e responsabilidade ambiental com o resíduo. Ela poderia fornecer o resíduo para a indústria de cimento, livre de qualquer custo, inclusive transporte, pois é mais barato do que depositar em aterro industrial como está sendo feito atualmente. Além disso, quando um resíduo se transforma em matéria-prima a empresa geradora do resíduo fica livre da responsabilidade ambiental desde que o resíduo fique descaracterizado. Os sistemas de co-processamento, como por exemplo os das cimenteiras, permitem a descaracterização do resíduo de forma a isentar o gerador original (após completado o processo) de responsabilidade quanto ao produto processado. Por outro lado, o uso de resíduo como matéria-prima depende de seu comportamento com relação ao meio ambiente. Esta avaliação é bastante complicada porque, por um lado, a normalização atual se limita a nomear e a classificar subprodutos da indústria como resíduo classe I, II ou III, e não avalia a finalidade e as condições de uso de materiais que poderiam ser fabricados com resíduos. Por outro lado, existem muitos materiais e matérias-primas que, se testados por ensaios de lixiviação e solubilização seriam classificados como resíduos. O cimento que está sendo fabricado e comercializado é um deles. Por isso nesse trabalho fica difícil chegar a uma conclusão a respeito do uso comercial da cinza preta através de ensaios de lixiviação e solubilização. Tudo o que se pode dizer é que a concentração dos elementos químicos analisados na argamassa com resíduo e sem resíduo são bastante próximos e inferiores ao limite máximo permitido pela NBR10004 e que é bem provável que pelo menos certos elementos químicos do resíduo ficam parcialmente encapsulados, quimicamente e/ou mecanicamente, dentro da pasta de cimento. É importante também salientar que certos países desenvolvidos da Europa tratam de maneira diferente a questão dos resíduos. Atualmente na França, uma lei federal exige das empresas uma redução da quantidade de resíduos destinados a aterros industriais. Certos resíduos industriais não podem mais ser depositados em aterros industriais e devem ser usados como matéria-prima, principalmente em obras públicas, ou para geração de energia. Hoje em dia a utilização de resíduos em materiais depende muito dos custos. No entanto, para o desenvolvimento sustentável terá que se levar em consideração outros parâmetros, que passam pela criação de leis federais e por uma nova concepção e política de utilização de materiais.
CONCLUSÃO GERAL
O estudo realizado no presente trabalho mostrou que é possível utilizar o resíduo da queima da biomassa (cinza preta) da Klabin Celucat para a fabricação de argamassas. Foi estudado a influência da granulometria e da concentração do resíduo no comportamento mecânico, microestrutural e ambiental da argamassa.
O resíduo foi processado e incorporado na argamassa em substituição ao cimento em diferentes granulometrias e em diferente concentrações. Os resultados dos ensaios mecânicos de compressão mostraram que a resistência da argamassa depende do tamanho dos grânulos, da concentração e da dispersão do resíduo na microestrutura da argamassa. Os corpos de prova elaborados com 10% de resíduo e em diferentes granulometrias apresentaram uma queda marcante de resistência mecânica com o aumento do tamanho dos grânulos de resíduo. Para granulometria do resíduo inferir a 0.15 mm a resistência mecânica é de 20 MPa, bem próxima da resistência da argamassa sem resíduo (22 MPa). Para uma granulometria entre 0.30 e 0.57 mm a resistência mecânica caiu para 13 MPa e depois para 9 MPa para a argamassa com resíduo de granulometria entre 1 e 2 mm.
Para os corpos de prova elaborados com diferentes concentrações de resíduo com granulometria inferior a 0.15 mm a diminuição da resistência mecânica é pequena e linear, cerca de 0,16 MPa para cada 1% de resíduo adicionado na argamassa. Portanto, para 20% de resíduo a diminuição da tensão média de ruptura é de 3,21 MPa, ou seja, passa-se de 22 MPa para a argamassa sem resíduo para 18,8 MPa para a argamassa com 20% de resíduo. Com isso constata-se que é mais interessante utilizar 20% de resíduo com granulometria inferior a 0.15 mm do que qualquer uma das outras granulometrias ensaiadas com 10% de resíduo.
A análise microestrutural permitiu concluir que a resistência mecânica dos corpos de prova está relacionada com a concentração de cinzas inertes presentes no resíduo e com a dispersão do resíduo na argamassa. Isso fica evidente observando-se os corpos de prova com granulometrias maiores de resíduo. Os grânulos do resíduo se apresentam na estrutura da argamassa como pontos de concentração de cinzas inertes devido à grande quantidade desse material no resíduo. Esses pontos de concentração de
cinzas inertes fragilizam a argamassa pois eles inibem a formação e crescimento dos cristais anidritos e formam pontos de descontinuidade da pasta de cimento (defeitos). Quanto maior a dispersão do resíduo e quanto menor a sua granulometria menor a quantidade e o tamanho das descontinuidades da pasta de cimento (menor os defeitos, em número e tamanho) e também menor é a interferência do resíduo no processo de hidratação e cristalização dos compostos da pasta de cimento. A diminuição da resistência mecânica também pode ser parcialmente devido à diminuição da quantidade de cimento nos traços contendo resíduo.
Com relação aos ensaios de lixiviação verificou-se que a concentração dos elementos químicos analisados nos extratos lixiviados da argamassa com 20% de resíduo e sem resíduo são próximos sendo que a argamassa com resíduo apresenta, de modo geral, valores levemente superiores. Todas as substâncias analisadas apresentam concentrações inferiores ao limite máximo permitido pela norma NBR10004 e é bem provável que muitos dos elementos químicos do resíduo que podem ser nocivos aos seres vivos e ao meio ambiente ficam parcialmente estabilizados (ligados) quimicamente ou solidificados dentro da pasta de cimento.
Por último, este trabalho nos permitiu concluir que atualmente fica inviável, por questões de custo, o processamento do resíduo para depois adicioná-lo na argamassa em substituição ao cimento. No entanto, o resíduo poderia ser usado pela indústria do cimento. O resíduo seria neste caso processado junto com a argila usada na fabricação do cimento. Seria uma matéria-prima fornecida sem custo pela empresa geradora do resíduo e poderia diminuir o preço do cimento comercializado como acontece atualmente com o uso de cinzas de incineração ou de centrais termelétricas. Portanto, o resíduo poderia ser adicionado em argamassas ou concretos indiretamente através do cimento.
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