4 AVGJØRELSEN SOM ENDRET RETTSKILDEBILDET
4.3 Betydningen av EMDs tidligere avgjørelser
Os conceitos de alegoria e aura são fundamentais para a compreensão das manifestações do Remix em todos os cenários, uma vez que suas complexas imbricações é que podem validar o Remix enquanto prática intertextual legítima, e não meras atividades de plágio.
Em seu texto “O Impulso Alegórico”, Craig Owens (2004) afirma que para compreendermos a alegoria no contexto contemporâneo, precisamos primeiramente ter ideia do que ela representa, uma vez que a alegoria pode ser tanto uma atitude quanto urna técnica, uma percepção quanto um procedimento. Desta forma, o autor afirma que “na estrutura alegórica, portanto, um texto é lido através de outro, embora fragmentária, intermitente ou caótica possa ser sua relação” (OWENS, 2004, p. 114).
Segundo Ceia (1998, p. 1) “etimologicamente, o grego allegoría significa ‘dizer o outro’, dizer alguma coisa diferente do sentido literal” (grifo do autor). Em termos de representação, podemos pensar a alegoria como uma forma textual ou imagética que pretende dar a ideia de outra coisa, através da indicialização do sentido. Diferente da metáfora, a alegoria reúne diversos elementos que juntos significam algum conceito indicial. A alegoria pode confundir-se com o símbolo, mas diferencia-se dele no sentido que não aponta um sentido imediato, mas precisa ser decifrada.
Para Benjamin (apud BÜRGER, 1993) o conceito de alegoria está imbricado ao conceito de montagem, uma vez que o autor os considera sob a perspectiva da arte. Benjamin aponta para o caráter alegórico das obras de arte nos movimentos de vanguarda, ressaltando seus aspectos heterogêneos e fragmentados, presentes nas colagens e fotomontagens. Para o autor, as vanguardas artísticas romperam com o processo artístico orgânico, próprio da arte até então, quando o artista “maneja o material como se fosse algo de vivo, respeitando o seu significado conforme a forma que tomou em cada situação concreta da vida” (BÜRGER, 1993, p. 119).
O conceito de alegoria em Benjamin está relacionado a um processo de melancolia: ao deparar-se com a fragmentação e a ruína do mundo, na impossibilidade de produzir objetos e textos que possuam uma unidade, o homem procura outras formas de organizar a si e ao mundo. Disto surgem os movimentos disruptivos de vanguarda, onde o material é simples fragmento, signo vazio, que precisa ser ressignificado através do processo de alegorização, que consiste na apropriação, composição e reatribuição de sentido.
Para explicar a alegoria no contexto do Remix, Navas baseia-se no conceito de Owens (2004), que também analisou os aspectos da alegoria no campo da arte:
[...] no pós-modernismo uma desconstrução – uma consciência transparente da história e da política por trás do objeto de arte – sempre se faz presente como uma ‘preocupação com a leitura’. O objeto de contemplação, no nosso caso o Remix, depende do reconhecimento (leitura) de um texto pré-existente (ou código cultural). (NAVAS, 2012, p. 67, tradução nossa34).
Segundo Navas (2012), o Remix é alegórico, quando sua estrutura contempla camadas referenciais que são geralmente reconhecíveis pelo púbico. No caso do Remix, o que se espera é que, independente do material remixado, suas camadas possam ser identificadas, caso contrário, poderia ser interpretado como um plágio. No entanto, esta linha é bastante tênue no que diz respeito à Cultura Remix, e é o que geralmente promove as discussões acerca da legitimidade e da autoria. A facilidade em mixar diferentes conteúdos através das mídias digitais muitas vezes fomenta uma prática pouco ponderativa das questões legais envolvidas.
No Remix, o DJ (VJ, montador, artista de colagem) atua como um alegorista, reunindo elementos que carregam autorias e significados separadamente. Ao construir novos arranjos para estes fragmentos, o alegorista tem o poder de apagar ou não os indícios de significado que estas frações de músicas, fotografias ou textos carregam autonomamente. Este momento de afastamento da obra original é a encruzilhada com a qual o Remix frequentemente se depara: o apagamento dos indícios históricos que refletem o original ameaçariam a sua aura espetacular, abalando a sua legitimidade.
Em seu texto “A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica”, Walter Benjamin reflete sobre como as transformações causadas pela reprodução mecânica, e atravessadas pelos adventos da fotografia e do cinema, abalaram o status da obra de arte com relação à sua autenticidade e unicidade. Neste sentido, Benjamin afirma que toda obra de arte possui uma aura, que ele define como “uma trama singular de espaço e tempo: a aparição única do longínquo por mais próximo que esteja” (1985, p. 10135).
Através desta aura, as obras de arte conservariam seu caráter singular, sua permanência em um “aqui e agora”, impossível de ser reproduzido ou transposto para outro lugar. Desta maneira, com o aperfeiçoamento das técnicas de reprodução, inicia-se o que
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Texto original: “[...] in postmodernism a deconstruction — a transparent awareness of the history and politics behind the object of art — is always made present as a ‘preoccupation with reading’. The object of contemplation, in our case Remix, depends on recognition (reading) of a pre-existing text (or cultural code)”.
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Benjamin (1985) define como o declínio da aura, ou seja, a superação do caráter aurático da obra de arte, quando deixa de ser objeto de culto, para tornar-se objeto de exposição. Neste sentido, a reprodutibilidade técnica supria a necessidade da disponibilidade das obras de arte para fins de exposição.
Pela primeira vez, com a fotografia, a mão liberta-se das mais importantes obrigações artísticas no processo de reprodução de imagens, as quais, a partir de então, passam a caber unicamente ao olho que espreita por uma objetiva. Uma vez que o olho apreende mais depressa do que a mão desenha, o processo de reprodução de imagens foi tão extraordinariamente acelerado que pode colocar-se a par da fala (BENJAMIN, 1985, p. 76).
Como forma de atualizar a aura de Benjamin para o contexto do Remix, Navas (2012) utiliza o termo aura espetacular, relacionando-o ao conceito de espetáculo em Debord (1997). Neste sentido, Navas (2012) propõe que a aura espetacular no Remix também refere- se à sua originalidade, sua historicidade. Entretanto, a aura no Remix reflete um reconhecimento que está justamente ancorado no seu valor de exibição, sua espetacularização no contexto da sociedade de massa (DEBORD, 1997). Baseado no pensamento de Benjamin (1985), Navas (2012) afirma que a reprodutibilidade técnica é máquina motriz para as práticas de Remix, e que este seria uma espécie de efeito colateral da reprodução mecânica.
Neste sentido, Navas (2010, p. 159) defende que a aura espetacular pode ser mantida através do sample, que apesar de atualizado para um novo contexto, pode carregar a historicidade e unicidade da obra original, embora de forma fragmentada.
Sendo assim, a partir desta compreensão dos conceitos de Sampling, Alegoria e Aura, partimos para entender de que maneira estas questões desenham-se nos diferentes tipos de Remix. Para isso, desdobramos a seguir a categorização geral do Remix, proposta por Navas (2012).