4. Open Source GIS
4.4. Betraktninger av OS GIS
Neste item abordaremos a construção da tradição bandeirante e de empreendedores em torno da família Ellis. Um dos principais artífices dessa tradição foi o filho de Alfredo Ellis, Alfredo Ellis Júnior, catedrático de História da Civilização Brasileira da Universidade de São Paulo e cujo principal tema de estudos e livros eram os bandeirantes e a formação de São Paulo. Continuando a tradição da família, a filha de Ellis Júnior, Miryam Ellis Austregésilo, estudou história e tornou-se titular da cadeira que tinha sido ocupada pelo pai. Dedicou seus estudos ao Brasil Colônia e ao café e cafeicultores em São Paulo. Em homenagem ao avô, Alfredo Ellis Júnior proferiu um discurso que foi depois publicado na forma de artigo pela revista de história da USP. Tomamos a descrição da trajetória da família Cunha Bueno e Ellis das biografias, discursos e livros de Ellis Júnior e Miryam
Ellis Austregésilo15, que elaboraram e reproduziram a tradição da família como a de destemidos bandeirantes modernos.
Alfredo Ellis era filho do médico inglês William Ellis, radicado no Brasil desde 1832. Durante 25 anos Willian Ellis exerceu a prática médica no hospital da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, dedicando-se ao atendimento da população pobre. A mãe de Alfredo Ellis, Maria do Carmo da Cunha Bueno, pertencente a uma família tradicionalmente considerada como um dos antigos troncos da nobiliarquia paulista16(ELLIS AUSTREGÉSILO, 1950).
O irmão de sua mãe era um importante fazendeiro da região de Rio Claro, Francisco da Cunha Bueno, barão de Cunha Bueno. Cunha Bueno era originalmente um fazendeiro de café em Rio Claro17e casado com Eudóxia Henriqueta Nogueira Teixeira de Oliveira, que falecera por ter sido supostamente envenenada por uma escrava. Após a morte da esposa, Cunha Bueno dedicou-se a expansão de suas propriedades, procurando estabelecer fazendas em regiões ainda não cultivadas. Adquiriu em 1874 a sesmaria do Quilombo18, junto ao corrego Itararé, proxíma à região conhecida como Campos de Aracoara. Cunha Bueno criou na propriedade a fazenda Santa Eudóxia19, em homenagem à esposa falecida. Com seus 331 km2 de terra roxa, a propriedade era fartamente irrigada pelas águas dos rios Mogi Guaçu, Quilombo, Araras, Pântanos, Itararé e mais dezenas de mananciais e sua terra roxa possibilitou a implantação de um importante pólo produtor de café (ELLIS JUNIOR, 1960).
De acordo com Ellis Austregésilo (1950), seu avô, Alfredo Ellis iniciou os estudos em São Paulo e graduou-se em medicina nos Estados Unidos20, na Universidade da Pennsylvania. em 186921.
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Conferência pronunciada no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, no dia 18 de março de 1950, por ocasião do centenário de nascimento do Senador Alfredo Ellis, no dia 79 de março de 1950. Publicado na revista de história da USP – disponível em: www.revistas.usp.br/revhistoria/article/download/34849/37587 , acesso 12/03/2014.
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As informações aqui apresentadas têm origem no artigo de Ellis filho, O Senador Alfredo Ellis, de 1950 e de seu livro Tenente Coronel Francisco da Cunha Bueno, Editora São Paulo, 1960.
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Na época Itaqueri da Serra, atual Itirapina. 18
Acredita-se que na região teria existido um Quilombo que teria contado com mais de dois mil escravos foragidos entre o rio chamado Quilombo e o rio Mogi-Guaçu. A existência desses quilombos foi confirmada pelas descrições de viajantes:Hercule Florence (1804- 1879), segundo desenhista da expedição do Barão de Langsdorff (1774-1852 em "Diário de Uma Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas (1825-1829); por Francisco de Almeida e Lacerda (1750-1798) em "Diário de Viagem Pelas Capitanias do Pará, Rio Negro, Mato- Grosso, Cuiabá e São Paulo nos Anos de 1780 a 1790"; por José Bonifácio em “Viagem Mineralógica na Província de São Paulo”. Fonte: Marco Antonio Leite Brandão Coordenador do Núcleo de História da ONG-Ramudá (São Carlos) e pesquisador da Fundação Pró- Memória de São Carlos, disponível em:http://www.lpp-buenosaires.net/olped/acoesafirmativas/exibir_opiniao.asp?codnoticias=25640 19
Santa Eudóxia é hoje um distrito do município de São Carlos localizado a 28 km do centro da cidade. O distrito foi fundado em 22 de novembro de 1912, antes, portanto do município São Carlos do Pinhal e denominava-se São Sebastião do Quilombo. Localizada no setor zero do município, iniciando na antiga estação da Babilônia, seguindo as margens da Bacia do rio Mogi Guaçu, faz divisa territorial com as seguintes cidades: Ibaté; Araraquara; Santa Lucia; Américo Brasilense; Rincão; Santa Rita do Passa Quatro; Descalvado e Luiz Antonio. O distrito de Santa Eudóxia pertenceu ao Sertão de Araraquara, até 1857; foi levado a Distrito de Paz em 25 de Dezembro de 1892; Distrito Policial em 1899 e, no dia 22 de Novembro de 1912, através da lei municipal 1.331, foi levado a Distrito de Santa Eudóxia, pertencendo ao município de São Carlos. Fonte: http://acervosantaeudoxia.blogspot.com.br/ acesso 21 de fevereiro de 2014. 20
De acordo com Ellis (1950), na época não era comum que se encaminhassem os filhos para estudo nos Estado Unidos. A Europa e particularmente a França era o destino de quase todos aqueles que completavam seus estudos fora do país. No caso de Ellis, segundo seu filho e biógrafo, teria sido o seu pai, um inglês liberal, o responsável pelo destino dos estudos de Alfredo Ellis. (ELLIS, 1950, p. 276) 21
Quando vivia nos Estados Unidos, acompanhou o desenvolvimento da guerra civil e da política norte americana, que resultaram em um profundo respeito e admiração pelo ideário liberal e pelos políticos daquele país como Washington, Lincoln22, e pelo desenvolvimento da ciência e das técnicas ali desenvolvidas.
Nessa ocasião, os Estados Unidos chegavam ao fim de uma de suas crises político-sociais: a Guerra de Secessão, cujo ambiente psicológico agiu grandemente na formação do jovem paulista que, durante toda a sua vida, evidenciou a influência do liberalismo "yankee". Lincoln foi para ele, um ídolo que cristalizou todo o idealismo-utópico originado com os peregrinos do May Flower. E a memória do imortal herói da Independência norte-americana, George Washington, sempre esteve presente na imaginação do jovem estudante de Medicina que, mais de uma vez, foi a Mount Vernon em visita ao seu túmulo, onde, em profundas meditações, assimilou o espírito republicano e liberal-democrático que saturava o ambiente norte-americano. (ELLIS AUSTREGÉSILO,1950, p.276)
Ellis Austregésilo observa que a mentalidade liberal tinha sido incorporada de tal forma no espírito de Alfredo Ellis, que norteou sua concepção como político e homem de negócios.
Essa mentalidade moldada no norte dos Estados Unidos, tornou-se tão arraigada no espírito do nosso homenageado que, embora a organização social então reinante na Província de S. Paulo, fosse diferente da conhecida na República vizinha e, apesar de, ligado pelo parentesco à aristocracia do café, o jovem médico não alterou aquela dose de particularismo liberal-democrático republicano, recebido em Filadélfia, dirigindo sempre o seu caminho para a meta da Abolição e da República, da qual foi um dos pregoeiros componentes da falange inicial. (ELLIS AUSTREGÉSILO. 1950, p.277)
Quando terminou o curso seguiu para a Inglaterra, onde encontrou seu pai, agora viúvo, e juntos viajaram pela Europa, principalmente França e Alemanha, para ampliar sua experiência cultural. Em 1870 voltaram filho e pai para Brasil: “Estava completa a sua formação e, elaborada a sua mentalidade de espírito empreendedor e independente. (ELLIS AUSTREGÉSILO 1950, p.277).
Segundo Ellis (1950), após defesa de tese no Rio de Janeiro, Alfredo Ellis voltou a São Paulo, passando a exercer medicina no consultório com seu pai situado à rua Direita23. Em 1874 casou-se com sua prima, filha do barão de Cunha Bueno, Sebastiana Eudóxia da Cunha Bueno, seguindo os arranjos familiares negociados desde o nascimento da noiva. Após a morte de seu pai em 1876, Ellis deixou a clínica, que ficou aos cuidados de seu irmão Guilherme Ellis, recém formado, como ele, na
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Segundo Ellis Júnior, “vários anos passados nesse ambiente psicológico, endurecido pelo amor à sagrada memória de Washington e apaixonado ao rubro pela sombra de Lincoln, foi cunhada em Alfredo Ellis uma tal influência, que nele se manteria indelevelmente até o túmulo”. In ELLIS Jr.Um Parlamentar Paulista da República. São Paulo: João Bentivegna, 1949, p. 45.
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Segundo Ellis Austregésilo o consultório tinha caráter de atendimento popular: “As visitas médicas eram remuneradas com apenas 2 cruzeiros e as consultas, com 320 centavos”. (ELLIS Jr. 1950, p.277)
Universidade da Pennsylvania e associou-se ao sogro criando a Cia. Cunha Bueno & Ellis, que se tornou a maior exportadora de café entre os anos de 1881 e 1918.
Ellis Austregésilo (1950) narra a viagem de sobrinho e sogro para a conquista de terras no interior paulista aos moldes dos desbravadores do oeste norte americano. Até o nome que passou a ser usado para o processo de interiorização da economia paulista era chamada de “marcha para o oeste”.
Resolveu seguir o tio e sogro, grande agricultor pioneiro, nessa ocasião em que o café se estendia pelo oeste paulista, invadindo o sertão e vencendo a mata virgem. Iniciava-se uma fase nova de sua vida: o "bandeirismo do café", a marcha para oeste.
Foi nessa ocasião que pôde por em ação, as qualidades de homem de largos horizontes, dotado de elevado espírito aventuroso e de dinamismo remarcado, que se revelou como pioneiro da onda verde do café. Ninguém, além dele, estava tão indicado para acompanhar o sogro sertanista. (ELLIS AUSTREGÉSILO, 1950, p.278)
Myriam Ellis Austregésilo (1950) procura colocar em destaque o árduo trabalho e a dedicação ao labor de seus avós na lavoura de café.
Em pleno coração da mata, em torno do rancho erguido um ano antes, abriram-se as lavouras e, mais um latifúndio cafeeiro se ergueu, nos moldes do núcleo da nobreza rural que o Estado do Rio dera ao Brasil. Recebeu o nome de "Sta. Eudóxia", em homenagem à sogra e à esposa do Dr. Ellis. A labuta, entretanto, seria ainda muito árdua; somente cinco anos mais tarde, em 1880, o café iria produzir os primeiros resultados dos grandes esforços empreendidos. Nesse' ano de 1880, o jovem médico paulista tinha somente 30 anos e sua esposa, 21. (ELLIS AUSTREGÉSILO, 1950, p.279)
O barão Cunha Bueno tinha desenvolvido uma técnica de colher, despolpar e secar o café a frio. Além disso, a terra roxa da região demonstrou-se propicia às grandes produções e à constituição de um tipo de café com aroma distinto. Ellis, tendo presenciado a guerra civil americana e inspirado pelo espírito liberal, defendia a libertação dos escravos e libertou incondicionalmente todos aqueles escravos que estavam sob sua propriedade. De acordo com Ellis Júnior (1960), em 1881 quando começou a primeira colheita do café Santa Eudóxia, Cunha Bueno construiu um porto fluvial no rio Mogi Guaçu e transportava toda a colheita de café, através de embarcação a vapor até Porto Ferreira, cidade, por onde passava a estrada de ferro vinda de Jundiaí.
As primeiras colheitas chegaram a mais de um milhão de arrobas de café e possuía dezenas de repartições com terreiro de beneficiar café, sede e centenas de colônias para trabalhadores. A produção era moderna com mecanização a vapor das grandes tulhas de café; serraria que aproveitava toda a madeira derrubada; olaria; usina que fabricava açúcar, rapadura e aguardente e plantadores de café, algodão, arroz, milho e outros produtos. Quando os cafeeiros atingiram a idade de produção, a
fazenda Santa Eudóxia alcançou marcas recordes de produção de café para a época: em 1897 e 1899 a fazenda produziu 60.000 arrobas. Em 1905 a fazenda possuía um milhão de cafeeiros chegando em 1916, 1.271.000 pés de café. (ELLIS, JÚNIOR, 1960)
Segundo Ellis Júnior (1960) em 1891, quando estava em planejamento a construção da ferrovia Rio Claro – Araraquara, foi firmado um acordo entre Cunha Bueno e a Cia “Irmãos Pinto”24, donos da concessão25, que estabelecia a extensão da ferrovia Rio Claro até a fazenda Santa Eudóxia, facilitando o escoamento e transporte da produção para o porto de Santos. Em 1892, depois de uma negociação, os irmãos Pinto transferiram a concessão da construção da estrada de ferro para o Barão do Pinhal (depois Conde) Antônio Carlos de Arruda Botelho.
A compra da concessão pelo fazendeiro rival, com quem tinha forte desavença, levou Cunha Bueno a se recusar a transportar o café através de São Carlos.26 A desavença durou até 1889, quando o Conde do Pinhal vendeu a concessão da ferrovia para os ingleses da C.R.C.R. Cia Rio Claro Railway que em 1893 passou para o controle da norte-americana B.R.C. Brazilian Railways Company.27
De acordo com Alfredo Ellis Junior (1960), teria sido a Fazenda Santa Eudóxia a responsável pelo desenvolvimento de São Carlos e por tornar seu café conhecido. Para Ellis Júnior, foi à produção de mais de um milhão de arrobas do café de Santa Eudóxia que motivou a criação de um ramal ferroviário em São Carlos, além do sucesso internacional do café produzido na fazenda, teria contribuído também para a expansão urbana do interior do estado de São Paulo, desenvolvendo cidades onde a família Cunha Bueno & Ellis, possuía fazendas de café e açúcar como: Guarulhos, Sorocaba, Tietê, Indaiatuba, Campinas, Limeira, Rio Claro e Itirapina e incentivando a produção de café.
O sucesso do café da Fazenda Santa Eudóxia, resultado das técnicas de plantio e secagem desenvolvidos por seus produtores, seria devido ao aroma e sabor tão diferenciados que tornara-se o café preferido da Rainha Victória da Inglaterra, que o recomendava aos países amigos como França,
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O Decreto estadual 7.828 de 04 de Outubro de 1880, outorgou aos engenheiros Luiz Pinto e Adolfo Augusto Pinto, donos da Irmãos Pinto Co., a concessão para a construção da linha férrea Rio Claro – Araraquara, passando por Itaquirí, São Carlos e Santa Eudóxia. (ELIIS JÚNIO, 1960)
25Em contrapartida pelas obras ferroviárias a concessões envolviam também a posse extensas glebas de terras.. 26
A recusa de Cunha Bueno tinha claramente caráter de retaliação política, uma vez que o decreto 8.638 de 12 de Agosto de 1882, garantiu que a ferrovia teria a autorização para funcionar, apenas se obedecesse a obrigação, firmada em contrato, de estender a ferrovia até a fazenda Santa Eudóxia. Assim a transferência da concessão não impediria legalmente a criação do acesso à fazenda Santa Eudóxia, ainda que tenha sido esse o motivo da aquisição por Antônio Carlos Arruda Botelho.
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O ramal ferroviário que havia sido projetado pelos ingleses da Rio Claro Railway, partia da estação de São Carlos, até Água Vermelha, com 63 quilômetros prolongando-se até a fazenda Santa Eudóxia onde foi criada a estação Alfredo Ellis.
Itália, Alemanha, Rússia e Espanha a experimentar o produto. Os contratos com comerciantes e governo ingleses levaram ao aumento da produção que chegou a exportar para a Inglaterra dois milhões de arroba de café por safra. (ELLIS, JÚNIOR, 1960)
Em homenagem ao café Santa Eudoxia e aos seus produtores a Cia. Cunha Bueno & Ellis ou Land Lords of Brazil , como eram conhecidos na Inglaterra, foi organizada uma exposição no Victoria and Albert Museum, em Londres, denominada "Saint Eudóxia Coffee and Room" – salão do Café Santa Eudóxia, como reconhecimento e homenagem do império britânico, aos Land Lords of Brazil como os produtores do café da mais excelente qualidade. Na Bolsa de Café de Londres entre 1885 e 1918, o café Santa Eudóxia, apresentou a cotação mais alta de preço do produto em todo o mundo. Até hoje no Museu do Café de Londres, existe uma grande sala com o nome do “Café Santa Eudóxia”, com fotos da Fazenda Santa Eudóxia, do navio inglês Victoria, carregando o produto no porto de Santos e da família Cunha Bueno & Ellis.
O sucesso internacional do Café Santa Eudóxia era tal que levou o nome do café brasileiro a ser reconhecido em todo o mundo. A riqueza gerada pelo café produzido por Cunha Bueno e Ellis para o Império, motivou a vinda do Imperador Dom Pedro II à cidade para visita a Fazenda Santa Eudóxia em 1887, tendo se hospedando com a imperatriz Dona Teresa Cristina e sua corte no palácio de Cunha Bueno, a primeira construção do gênero em São Carlos28.
Segundo Ellis Júnior, Dom Pedro II surpreso com lavoura de café na região e no estado de São Paulo, teria proferido um discurso homenageando os pioneiros da cafeicultura paulista onde afirmava com orgulho: "Custa crer que os paulistas tenham erguido esse monumento agrícola, como não há outro. Isso é extraordinário". E Cunha Bueno retrucava com ênfase: "- Aliás, é bom que Vossa Majestade saiba, e tenha sempre em mente, que tudo na evolução histórica paulista é fruto da pura iniciativa privada". (ELLIS JÚNIOR, 1960, p. 75).
Na ocasião o Tenente Coronel Cunha Bueno, que já tinha sido agraciado com o título de Barão de Itaquirí, recebeu do Imperador, o título de “Visconde da Cunha Bueno”29. A fazenda Santa Eudóxia passou a ser conhecida como Rainha do Quilombo e do Café.
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O palácio Cunha Bueno, como era conhecido, situa-se à rua 13 de maio esquina com a rua Dom Pedro II. Foi a primeira construção desse porte na cidade de São Carlos. Hoje abriga a Sociedade São Vicente de Paula.
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Impressonado com a personalidade do Coronel Francisco da Cunha Bueno, Pedro II teria informadoa Rodrigo Silva, personalidade do Partido Conservador e parente de Cunha Bueno que pretendia nomeá-lo Visconde de Tietê. Rodrigo Silva, pediu-lhe que reservasse esse título para um outro familiar, razão pela qual o Imperador assinou, a 7 de maio de 1887, decreto nomeando o Coronel Cunha Bueno para o Baronato de Itaquary (Barão de Itaqueri). Em 6 de junho do mesmo ano de 1887, ele passou a denominar-se Barão de Cunha Bueno e a 2 de janeiro de 1889 era elevado para Visconde de Cunha Bueno. (ELLIS JÚNIOR, 1960)
Ellis Austrégesilo (1950) aponta um desentendimento entre seu avô, Alfredo Ellis e seu bisavô Cunha Bueno como a causa da venda de parte de Ellis da fazenda. Ellis era republicano e abolucionista e Cunha Bueno líder do partido conservador, defensor da concepção monárquica mais ortodoxa, centralizadora e escravagista.
O desentendimento, segundo Ellis Astrégesilo, foi de tal magnitude que tendo ocorrido em pleno cafezal, levou Ellis a não mais retornar à casa da fazenda, partindo dalí com apenas os 82 réis que teria no bolso. Acompanhado pelo esposa, foi à Rio Claro montar sua própria fazenda.
A narrativa do episódio é feita em tom dramático e épico, ressaltando o empenho e o duro trabalho dos avós, sua humildade e capacidade de reagir à adversidade. É notável com que frequencia, é trazida a tona, na narrativa, a falta de recursos financeiros e a tenacidade e capacidade de superação dos Ellis. Mais interessante ainda é a aproximação que Austrégesilo faz entre Ellis e o caboclo paulista. Não são as caracteristicas do agricultor que são ressaltadas, mas o caráter de um homem único, um indivíduo excepcional, representante de uma raça paulista bandeirante.
Da desavença em pleno cafezal, o Dr. Ellis não mais retornou à casa central da Fazenda, onde se encontrava sua esposa, com três filhas e um filho, ainda na primeira infância. Enviou-lhe um bilhete perguntando se preferia ficar com o pai ou se seguiria o marido nessa ocasião difícil de sua vida. Caso resolvesse pela última hipótese, estivesse com os filhos e a mudança pronta, às 5 horas da manhã, num ponto determinado da estrada, que ele por lá passaria de "troly" em direção à nova fazenda adquirida a prazo, no município de Rio Claro. Chamava-se a fazenda, "Oliveiras", em homenagem á grande e patriarcal família colonizadora da região rio clarense. Sem hesitação e com grande estoicismo, sua esposa, optou pela segunda solução e seguiu o marido que na ocasião, dispunha somente de 82 mil réis no bolso. Dois dias depois, o grupo dos novos bandeirantes chegava à recém adquirida fazenda de Oliveiras. Entretanto, era péssimo o estado desse centro rural cafeicultor: casas caindo, escravos doentes, aparelhagem emperrada, e lavoura abandonada e invadida pelo mato. A casa principal era bastante humilde, sem forro, com chão de terra socada, sem água encanada e com paredes esburacadas. Estava escrito mais um capítulo na epopéia de pioneiro do jovem médico paulista e, mais uma fase de luta se antepunha ante os recém chegados. Aos poucos, grande parte da mata foi derrubada, novas lavouras alinharam-se às antigas benfeitorias e instalações adequadas foram se erguendo, rodeando a casa principal reconstruída e, Oliveiras, de simples tapera, foi se transformando em verdadeiro paraíso, tendo como capital único, o esforço do jovem casal, pois somente em 1883, o Dr. Ellis recebia o dinheiro