2 Teori, forskning og praksis
2.3 Beslutning om offshoring
3.3.1 Associação Terramar – Projeto Conexão Felipe Camarão
A Associação Terramar foi fundada por Vera Santana, que até hoje permanece como coordenadora. Esta Associação desenvolve o Projeto Conexão Felipe Camarão desde o ano de 2002. Os principais parceiros e patrocinadores são: COSERN, Petrobras, Banco do Nordeste – BNB, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, Ministério da Cultura - MinC, Ministério da Educação, Fundo das Nações Unidas para a Infância - UNICEF e escolas municipais situadas em Felipe Camarão.
O Projeto Conexão funciona desde 2002. Esta organização objetiva o desenvolvimento sócio-cultural-educativo de crianças, adolescentes e jovens que morem no bairro. O fundamento básico é a cultura local representada pelo Mestre Manoel Marinheiro (in memoriam), que realizou suas obras culturais nesse mesmo bairro onde permaneceu até a sua morte.
Manoel Lopes Galvão nasceu em Goianinha/RN, sendo mais conhecido como Mestre Manuel Marinheiro. Foi cantor, compositor e viveu boa parte da sua vida em Felipe Camarão. Dedicou-se quase 60 anos às danças e tradições culturais, este ainda pequeno aprendeu com seu pai as danças do boi de reis, trata-se na verdade de uma tradição familiar onde seu pai aprendeu com avó do Mestre citado. Manoel Marinheiro ensinou sua arte para a filha e outras pessoas da comunidade que demonstraram o interesse e curiosidade em aprender. Foi Mestre aos 16 anos, recebeu este título do seu irmão mais velho. Os ensinamentos perduraram durante anos e quando o seu boi de reis começou a ter visibilidade, ele veio a falecer.
A obra de Manuel Marinheiro foi reconhecida como patrimônio imaterial pelo MinC, através do Projeto Canta Meu Boi, patrocinado pelo Programa - Petrobrás de Música.
Destaca-se também o valor cultural desenvolvido por Chico de Daniel (in memoriam) e o Cícero da Rabeca, ícones da cultura do bairro. O projeto tornou-se conhecido pelas atividades de incentivo à cultura local que resgata o patrimônio de danças folclóricas dos mestres citados acima, os maiores representantes e influenciadores, que são homenageados nas atividades.
O público alvo são crianças, adolescentes e jovens, na faixa etária entre 3 e 24 anos. A organização afirma que atende cerca de 400 pessoas. São desenvolvidas na sede da
organização oficinas culturais e artísticas que buscam valorizar a cultura local e preservar o patrimônio deixado pelos mestres. O eixo das oficinas é o da educação, arte e cultura.
A equipe desta organização inclui profissionais de diversas formações: cientista social, historiador, contador, pedagogo, músico, arte educador, advogado, assistente social, capoeirista, técnico em comunicação, entre outros. No entanto, cabe ressaltar que muitos profissionais já estão trabalhando em outras organizações e não mais fazem parte do projeto. A administração e coordenação permanecem com Vera Santana desde sua formação, sendo esta a idealizadora do projeto e principal representante.
Das organizações pesquisadas o Projeto Conexão Felipe Camarão se destaca na mídia local e nacional. No RNTV, jornal local transmitido pela INTERTV Cabugi6, as atividades já foram apresentadas em diversas ocasiões, especialmente no encerramento das atividades anuais do projeto, quando ocorre uma programação cultural que conta com a participação de artistas populares de diferentes locais do país. Além disso, não se pode deixar de retratar a capacidade de articulação da coordenadora com a mídia nacional, o Projeto já foi apresentado no Jornal da Record. Além da sua participação na Rede Globo nos programas Jornal Hoje, Ação e no Encontro com Fátima Bernardes.
Como foi descrito, a coordenadora do Projeto sabe como apresentar as atividades e com isso consegue notoriedade no bairro. Contudo, como será no terceiro capítulo apresentado, o Conexão Felipe Camarão é uma das organizações que menos dialoga com outras organizações do “Terceiro Setor” que atuam no bairro, permanece desenvolvendo um trabalho de forma individual, ao menos busca estabelecer parcerias ou participar de atividades com o conselho comunitário. Imagine se a articulação da coordenadora fosse usada também para o estabelecimento de ações coletivas em Felipe Camarão, certamente a realidade seria outra.
3.3.2 Fundação Fé e Alegria
A Fundação Fé e Alegria (FyA) atua em Natal desde o ano de 1995 e em Felipe Camarão desde 2000, desenvolve atividades educativas e de leitura para crianças e adolescentes, se caracteriza e atua como uma fundação, mantida com recursos da Companhia de Jesus e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS. É a única
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organização pesquisada que possui sede própria, recém construída no bairro. A organização é coordenada por Raimunda Cadó, bem como por Emanoel.
Inicialmente foi realizado um mapeamento na cidade para identificar quais as regiões e os bairros mais carentes. Assim, a Fundação foi instalada em Felipe Camarão e, posteriormente no Loteamento Boa Esperança, na Zona Norte de Natal. Esses bairros apresentam características socioeconômicas semelhantes, por isso foram escolhidos pela Fundação.
As atividades desenvolvidas pela Fé e Alegria são educacionais e culturais, a sede é organizada e estruturada para receber os participantes. Essa organização consegue estabelecer parcerias e diálogos com outras instituições, especialmente com a ONG Visão Mundial, já existem atividades planejadas conjuntamente, o que representa um avanço.
3.3.3 ONG Visão Mundial – Projeto de Desenvolvimento de Área – Caminhos do Sol
A Visão Mundial é uma Organização Não Governamental Cristã – humanitária, tendo como objetivo primordial o desenvolvimento. Foi criada em 1950 e hoje encontra-se presente em aproximadamente 100 países. No Brasil, sua história se inicia em 1975, tendo as suas ações voltadas para o enfrentamento da pobreza e da exclusão social.
Esta organização iniciou suas atividades em Felipe Camarão em agosto de 2005. Previamente foi realizado um diagnóstico no local, em 2004, e verificou-se a necessidade de atuação de uma organização social. Já antes disto, discutia-se em um seminário no bairro de Mãe Luiza sobre as condições e a realidade deste bairro. Devido a isso o projeto foi destinado para os habitantes.
O estudo procurou conhecer os fatores que influenciavam o local e como estava organizada a comunidade, para entender os problemas sociais que incomodam os habitantes e criavam, já na época, uma repercussão negativa dos que ali vivem, sendo alvo fácil da discriminação. A ONG prioriza em seus programas o atendimento às crianças e aos adolescentes, com idade entre 0 a 14 anos, que vivem em comunidades pobres e em situação de vulnerabilidade. O intuito desta organização, segundo seus dirigentes, seria o de promover o bem-estar das pessoas e que não se consagre o assistencialismo, comum nas obras sociais.
No ano de 2014 houve uma redução do número crianças e adolescentes inscritas no projeto, que antes do anúncio do encerramento das atividades, possuía o cadastro de cerca de 2 mil inscrições. A ONG já teve aproximadamente 5.486 cadastros, os cortes nos recursos
recebidos e ainda a rotatividade dos participantes, podem ter sido fatores que contribuíram para a redução dos participantes do projeto.
Os inscritos podem se envolver em diversas oficinas e em outras atividades formativas, tais como as oficinas de dança, de teatro, de capoeira, baú de leitura, artes (pintura e desenho em tela), além das aulas de futebol e a brinquedoteca7. Na realidade, uma pequena parcela dos inscritos participa assiduamente das atividades, pois o número de inscritos não necessariamente representa a participação efetiva das crianças e adolescentes.
Para atingir a proposta, esse projeto desenvolve as ações supracitadas, bem como procura estabelecer parcerias com lideranças locais e entidades públicas e/ou privadas de modo a viabilizar a continuidade do trabalho de promoção e de desenvolvimento dessa comunidade.
A ONG é composta por uma equipe de educadores formados em: ciências sociais, pedagogia, licenciado em letras, além dos educadores populares e de um instrutor de capoeira. A coordenação dessa organização, desde o início desta pesquisa, já foi substituída três vezes. Alguns profissionais que formavam o quadro da ONG não mais fazem parte dela, pois foram demitidos ou não tiveram os contratos renovados. No ano de 2014, foram contabilizados cerca de 2 mil inscritos, já que o projeto encerrará as atividades em setembro de 2015. Atualmente os educadores sociais estão trabalhando para “desligar” os participantes inscritos. As atividades somente são desenvolvidas com outras organizações parceiras, especialmente com as igrejas evangélicas, em um processo de direcionamento do público atendido para outras organizações.
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