2.1 Systematikk
2.2.1 Beskrivelse av artene
A leitura, como processo consciente e transformador, não pode ser ingênua, mas reveladora dos denominados determinantes, para que se percebam as intencionalidades e ideologias, muitas vezes alienantes, presentes nos textos (MARX, 1990). Para compreender a forma como o Materialismo trabalha a leitura, de
modo a desvelar os discursos, faz-se necessário conhecer o método de análise de Marx.
Nota-se que a falta do real entendimento do método corrobora com o uso exclusivo da dialética, sem a síntese que o método propõe. A compreensão reduzida do método pode resultar no esvaziamento das questões dialéticas e no ensino com um fim em si mesmo, como o uso apenas da prática, nos processos de ensino e de aprendizagem. Estes procedimentos de análise foram combatidos por Marx e Engels (2011) ao expor que a análise da sociedade deve se constituir na síntese do que está exposto. Diante deste fato, entende-se que “[...] é o ponto de vista da totalidade e não a predominância das causas econômicas na explicação da história que distingue de forma decisiva o marxismo da ciência burguesa.” (LUKÁCS, 2003, p. 14). Ou seja, enquanto a sociedade burguesa busca demonstrar a efetividade de seus procedimentos no processo produtivo, baseada na apresentação de dados isolados, componentes dispersos de um todo fragmentado, o método dialético busca inter-relacionar as várias categorias que compõem o objeto, analisados em profundidade, para em forma de síntese, condensar o panorama real de determinado objeto, fato, fenômeno.
O método dialético possibilita compreender a forma como ocorreu o surgimento, a consolidação e a crise da produção capitalista na sociedade burguesa. Entender como funciona esta nova constituição de sociedade, a sociedade burguesa, foi o trabalho de Marx por um período de 40 anos. O conceito de teoria de Marx considera que “[...] conhecimento teórico é o conhecimento do objeto [...] a reprodução ideal do movimento real do objeto pelo sujeito que pesquisa [...]”. (NETTO, 2011, p. 21). Assim, a teoria não está distante da prática, mas a explica e promove a compreensão do objeto. No caso de Marx (1990), o objeto é a sociedade burguesa que existe independente do pesquisador, assim, precisa ser entendida a partir de sua essência (estrutura e dinâmica).
Neste contexto, a posição do sujeito na sociedade capitalista não pode ser neutra, pois o homem está dentro do objeto e se constitui mediante as relações sociais, históricas, dialéticas e nas objetivações que realiza. A análise no método dialético deve ser concreta, deve partir do objeto real, de “[...] indivíduos reais, sua ação e suas condições materiais de vida, tanto aquelas por eles já encontradas como as produzidas por sua própria ação”, como é o estudo da produção na sociedade burguesa. Portanto, o método se pauta na busca pelo aprofundamento do
conhecimento, que por ser social, histórico e dialético, nunca é acabado, ele se perfaz nas contradições, no movimento dialético de conhecer o objeto (MARX; ENGELS, 2011, p. 86-87).
O caráter transitório do conhecimento advém das relações sociais que estão diretamente relacionadas com as forças produtivas. Ao estabelecer relações sociais para a produção do trabalho, o homem, troca ideias, que são transitórias. Assim, ele modifica e é modificado nas relações estabelecidas, sendo as mudanças relacionadas ao contexto histórico a qual pertencem (MARX; ENGELS, 2011).
A explicação do método de Marx (1990) não é explícita em suas obras, porque a natureza de sua análise é ontológica, mas pode ser entendida a partir da própria explicação de Marx ao analisar um país. Neste exemplo, o filósofo adverte sobre o risco da análise superficial do objeto, das aparências imediatistas. Para o estudioso, o conhecimento do real e do concreto é realizado quando se parte do concreto simples, para a abstração e se chega ao concreto pensado, ou seja, na síntese do conhecimento. Este exemplo pode ser utilizado em outros contextos, e na escola, para o trabalho docente com os conteúdos.
Nesta análise, o concreto simples representa o pensamento caótico, momento também denominado de síncrese, no qual os conhecimentos se encontram dispersos e sem sentido. A abstração pode ser entendida como “[...] a capacidade intelectiva que permite extrair da contextualidade determinada (de uma totalidade) um elemento, isolá-lo, examiná-lo; é um procedimento intelectual sem o qual a análise se torna inviável.” (NETTO, 2011, p. 44). Como representação de finalização do processo de compreensão, o concreto pensado cumpre a função de pensamento síntese, momento de apropriação real do conhecimento que é dinâmico, pois é histórico e social. Assim, cada concreto pensado se constitui como ponto de partida para novos conhecimentos. No método dialético, “[...] começa-se pelo real e pelo concreto, que aparecem como dados; pela análise, uns e outros elementos abstraídos e, progressivamente, com o avanço da análise, chega-se a conceitos, a abstrações que remetem a determinações mais simples.” (NETTO, 2011, p. 42-45). Desta forma, percebe-se a importância do concreto para a análise no método dialético.
Este movimento de análise de Marx (1990), exposto por Netto (2011), em seguida é exercido de forma inversa, no qual parte-se das determinações mais simples, para entender o todo. Observa-se que Marx (1990) considerou a dialética
de Hegel, quando buscou o entendimento do objeto pela totalidade, no entanto, enquanto Hegel considerava apenas o abstrato para análise, Marx, parte do concreto, vai para a abstração e retorna ao concreto, na busca por envolver todas as categorias que compõem o objeto, fato ou fenômeno, que participam da realidade dos homens. Em suma, Hegel era idealista, tinha na razão o determinante da realidade. No entanto, Marx, como materialista, considerava o material como fonte para a compreensão do mundo.
Por ser dialético, o método requer o refletir do homem acerca da realidade concreta. Por isso, Marx (1990), distancia-se da concepção hegeliana (advindas do filósofo Hegel), na qual a reflexão fica condicionada ao pensamento, ao abstrato. Na concepção de Marx (1990) o termo possui o sentido de dinâmica entre a formulação da tese (contradições em que estão expostas as coisas reais), a antítese (que seria a análise baseada no conhecimento sobre algo), e a síntese (conhecimento pleno de algo concreto). Neste movimento, ocorre a transformação do homem, que passa a atuar mediante conhecimentos científicos.
A metáfora de Marx, “a anatomia do homem é a chave para a anatomia do macaco”, exprime o empenho do filósofo em entender o funcionamento da sociedade burguesa, considerada por ele, como a forma mais elaborada de produção. Por isso, a compreensão de sua estrutura e dinâmica pode revelar o funcionamento das sociedades anteriores, assim como, o papel desempenhado pelo homem nesta sociedade, ou seja, quanto mais se conhece de um organismo superior, mais fácil é entender o organismo inferior.
No método dialético, as determinações são representadas pelas denominadas categorias. O conhecimento das diferentes categorias da sociedade capitalista, tais como: trabalho, valor, capital, moeda, podem demonstrar, após análises, o modo como atuam os seres humanos, assim como, as diferentes formas de existência e adaptações do homem ao meio em que vive (BOTTOMORE, 2001). Desta forma, conhecer os diferentes componentes de uma sociedade, possibilita conhecer o seu funcionamento, que se revela histórico, e por isso transitório.
Neste contexto, a categoria trabalho é considerada como a atividade primária, necessária e natural, a própria essência do ser humano. Portanto, o trabalho demonstra como o homem vive, produz, reproduz, e suas diferenças diante de outros animais.
No posfácio da segunda edição da obra O Capital: Crítica da Economia Política, Marx (1990) expõe o método dialético em diferentes traduções. Na obra citada, o filósofo expõe o método ao leitor, como percepção da dinâmica que envolve o processo de análise dialética. Nas últimas páginas da obra, o filósofo esclarece que a síntese do método deve contemplar historicamente, a “[...] mutabilidade do seu desenvolvimento, isto é, da passagem de uma forma à outra, de uma ordem de conexões à outra [...].” Basear o aprofundamento dos conhecimentos nesse método, consiste em questionar as contradições presentes na sociedade atual. Para o filósofo, “[...] Uma vez que descobriu esta lei, encara mais em pormenor as consequências nas quais a lei se manifesta na vida social.” (MARX, 1990, p. 7).
Na formulação da tese, Marx (1990, p. 8) considera o material, o concreto, o real como ponto de partida, ou seja, a realidade precisa ser investigada e “[...] não é a ideia, mas apenas o fenômeno exterior que lhe pode servir de ponto de partida [...].” Este posicionamento, difere-se de outras correntes de pensamento, que observam o abstrato, algo fora da realidade social, no qual observam a realidade, porém destituídos das relações objetivas. Portanto, o método consiste “[...] no esclarecimento das leis particulares a que estão submetidos o surgimento, existência, desenvolvimento e morte de um dado organismo social e a sua substituição por outro, superior”. Assim, após a análise do pesquisador, chega-se a outro ponto de partida, a outro nível de conhecimento, que será superado com mais investigação. O movimento de superação do homem, realizado pela apropriação dos conhecimentos científicos, pode ser o caminho para a revolução. Segundo Marx (1990) a mudança é condição necessária na sociedade capitalista em prol de melhores condições sociais ao homem.