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Berit Baes. (2004). «Dialoger mellom førskolelærer og barn –en beskrivende og fortolkende

2. Teoretisk utgangspunkt

2.2 Relevant forskning

2.2.4 Berit Baes. (2004). «Dialoger mellom førskolelærer og barn –en beskrivende og fortolkende

O general José Pinto Sombra, juntamente com Pedro Almino, reuniram-se para acertar a criação dos setores do Ceará, que ficariam então subordinados àquele representante federal. Tudo visava à progressiva descentralização do atendimento da CNAE, partindo para áreas carentes do interior.

Seria uma "marcha para o sertão", e pretendia contar com o apoio dos poderes públicos e da comunidade em geral. Os setores criados pretendiam contar principalmente com a colaboração dos prefeitos, dos vigários, das professoras e dos pais e mães dos alunos, para que se pudesse alcançar sucesso no atendimento. (Cf. JORNAL UNITÁRIO, 16/12/1965)

O primeiro setor criado foi o da cidade de Sobral, que passaria a atender 34 municípios daquela zona do estado, ficando responsável pelo abastecimento dos gêneros. O prefeito de Sobral à época, Cesário Barreto, prometeu apoio incondicional à CNAE. Para dirigir aquele setor foi designada a Sra. Raimunda Aragão Carneiro, uma das que realizaram o curso de Supervisora. O setor entrou em em ação no começo do ano letivo de 1966, com pessoal administrativo, depósito e viatura ficando a cargo da prefeitura. (IBIDEM)

Sobre a criação desse setores, Pedro Almino nos confidenciou que

[...]os Setores Regionais, com escritórios, ficavam nas regiões mais importantes

da época, que eram: Quixadá, Iguatu, Crato, Sobral e Crateús. Em todas essas

cidades nós fizemos reuniões com a comunidade, explicávamos a finalidade da Campanha e a própria comunidade indicava, sugeria um nome para dirigir

aquele escritório (+) Todas elas passaram por esse crivo, não era uma indicação política, era uma indicação da comunidade, geralmente um professor, etc... teve até um promotor que assumiu esse encargo, o Dr. Glauco Magalhães, lá em

Quixadá.

[...] Ah, bom isso aí foi para melhor desenvolver o programa em nível local, porque cada prefeitura recebia aqueles alimentos através de um convênio e os levavam para as escolas (+) agora, se a prefeitura fosse mais organizada (as maiores por exemplo), que tivesse sua Secretaria de Educação, muitas criavam um

setor para melhor desenvolver o programa, isso já era o começo da

descentralização administrativa da Campanha. E uma das melhores coisas que eu

fiz aqui no Ceará foi a criação dos Setores Regionais, para um melhor

desenvolvimento do Programa ((e que também era uma espécie de descentralização local)) [...]. (In: SOUSA, Op Cit., p. 171- 178) (grifo nosso)

A Campanha havia realizado um curso sobre relações humanas para seus funcionários, no CETRECE, para melhorar a eficiência dos seus serviços administrativos; bem como um Curso de Supervisoras, para os fins de intensificação e fiscalização dos grupos escolares públicos e particulares beneficiários.

Algumas dessas supervisoras, nas palavras de Pedro almino, em sua entrevista recente, acima, dirigiriam os escritórios dos setores e seriam escolhidas pela comunidade local, sem ingerência política. Também não precisaria ser professora, como aponta o gestor para o caso de Quixadá. No entanto, o fato é que as prefeituras é quem designavam suas candidatas para os treinamentos, bem como quem quissessem para dirigirem os escritórios municipais, de preferência professoras diplomadas e com experiência. (IDEM, p. 171- 178).

O caso de Quixadá é uma exceção, tendo em vista tratar-se de um Promotor de Justiça influente, também envolvido com o Lions Club. Tal sistemática, no entanto, tentaria evitar, doravante, os desvios de gêneros alimentícios da Campanha.

Uma das maiores dificuldades encontradas naquele momento, pela CNAE, foi a inexistência de merendeiras em número suficiente para preparar os alimentos. Isso aconteceu primordialmente nas escolas particulares gratuitas atendidas, onde, para não haver descontinuidade, as mães faziam a função das serventes, preparando os pratos, num sistema de rodízio. (IBIDEM)

Também a Secretaria de Educação do Estado designou 4 funcionárias para prestarem trabalhos no setor de fiscalização. A Campanha passaria a realizar regularmente diversos cursos por meio da Escola de Nutrição Agnes June Leith, que fazia parte do acervo do SAPS (Serviço de Alimentação da Previdência Social), e que foi repassada à CNAE quando da extinção daquele órgão.

Na fala de Pedro Almino notamos a significância do repasse infra-estrutural do SAPS à CNAE:

[...] em determinada época essa Campanha recebeu um acervo

que pertencia ao antigo SAPS- Serviço de Alimentação da Previdência Social, que também tinha a Escola Agnes June Leith, cuja diretora era a Maria Semírames de Oliveira, depois

passou a ser diretora a Maria José Queiroz, que é minha irmã. Esta escola passou todo o acervo, toda a parte física e

estrutural, assim como os funcionários, tudo passou para a Campanha Nacional de Alimentação Escolar, sob a minha coordenação, subordinados à minha pessoa [...](In: SOUSA,

Op Cit., p. 171- 178) (grifo nosso)

Tal acervo englobava o Restaurante Popular de Jacarecanga, postos, serviços, auto-serviços e agências. Boa parte dos servidores do SAPS ficaram lotados junto à CNAE, inclusive as sua 11 visitadoras, que foram inicialmente transferidas para a COBAL, porém por falta de trabalho foram devolvidas à CNAE, onde evidentemente foram aceitas.

Começava a crescer significativamente o número de colaboradores da Campanha. O repasse do SAPS foi realizado em 03 de abril de 1967, na presença de representantes do MEC- Ministério da Educação e Cultura (Aprígio Pagnez), da coordenação nacional da CNAE (Clóvis Mascarenhas), bem como do coordenador da Campanha no Ceará (Pedro Almino) e do delegado do SAPS (Campos Leiros). (Cf. JORNAL UNITÁRIO, p. 8, 05/04/1967).

Fig. 12 - CNAE recebe acervo da Escola de

Nutrição do extinto SAPS. Fonte: Jornal

A aquisição mais importante nesse contexto foi, sem dúvida a Escola de Nutrição, pois proporcionou toda uma geração mais qualificada de pessoal atuante na Alimentação Escolar. Cidrack (2010, p. 101), em sua ensinança, diz que a Escola de Nutrição Agnes June Leith foi criada no Ceará em 17 de agosto de 1944, com o intuito de preparar jovens mulheres com formação normalista para atuarem na educação e mudança de hábitos alimentares dos trabalhadores, escolares e suas famílias.

Posteriormente foi denominada de Escola de Visitadoras de Alimentação – EVA. Nessa época, a Escola recebia alunas de todo o Brasil e mesmo de outros países da América do Sul, pois era a única escola de visitadoras do País.

Em 1952, foi criada a Escola de Nutrição Firmina San‟Ana, em Belo Horizonte,

dirigida pelo médico Pedro Escudero. Esta escola passou então a receber alunas dos estados do Sul, Sudeste e Centro–Oeste, ficando a Escola de Fortaleza responsável pela preparação das alunas do Norte e Nordeste brasileiros. (IDEM, p. 64).

Tão logo recebeu o acervo da Escola de Nutrição, Pedro Almino disse que a partir do dia 17 daquele mesmo abril de 1967, a CNAE realizaria ali seu primeiro curso sobre Educação Alimentar. Também os cursos que antes vinham se realizando nos setores do interior (Crato, Sobral, Crateús), exigindo a mobilização do pessoal discente e material, passariam agora a se realizar naquela Escola.

As professoras das escolas primárias fariam, doravante, seus cursos na capital. Ainda em 1967, a CNAE partiria para um amplo programa de atividades na Escola, após realizar um estudo sobre os meios meios econômicos e práticos para um programa de formação de pessoal de nível médio no campo da nutrição. (JORNAL TRIBUNA DO CEARÁ, p.7, 05/04/1967)

Sobre o desenvolvimento do plano da distribuição dos setores, a CNAE pretendia dividir o estado em 10 zonas, onde os alimentos seriam distribuídos com a orientação das Visitadoras de Alimentação, encarregadas de instruir o povo sobre o uso da alimentação. Pedro Almino afirmou que uma equipe de professoras havia sido designada para ministrar aulas a alunos e mestres sobre alimentação escolar. (JORNAL CORREIO DO CEARÁ, 09/08/1967).

Fig 13 - CNAE sempre correndo atrás de pessoal.

MERENDA quer ociosos da Assembléia. Fonte:

Por todo o conjunto dos fatos analisados sobre esse período de expansão administrativa, notamos que muitas notícias foram seguidamente emitidas falando do excelente trabalho de assistência alimentar da CNAE junto ao estudante cearense. O Programa da CNAE cearense seria proclamado, várias vezes, como o melhor do Nordeste.

A CNAE, em Fortaleza, localizava-se na Rua Pedro I, 584, 2o andar. No Brasil, a Campanha mantinha convênios com o Programa "Alimentos Para a Paz" (responsável por 50% dos gêneros) e com o "Programa Mundial de Alimentos" da ONU. A CNAE mantinha, desde o início da gestão de Sombra (1964), na administração de seu Programa, as seguintes Assessorias e Assessores: REGIÃO AMAZÔNICA OCIDENTAL (Magnólia Pessoa Figueiredo); REGIÃO AMAZÔNICA ORIENTAL (Graziela Natalina de Oliveira); REGIÃO NORTE (Pedro Almino de Queiroz e Souza); REGIÃO NORDESTE (Rosemiro Rodrigues de Barros); REGIÃO LESTE SETENTRIONAL (Antônio Caldas Rolim); REGIÃO CENTRO (Roberto Kafuri); REGIÃO CENTRO-OESTE (Gal. Ênio Gratidiano Dorileo); REGIÃO LESTE MERIDIONAL (Gen. Severo Barbosa) e; REGIÃO SUL (Gen. José Liberato Souto Maior).

A tarefa da CNAE, conforme fora amplamente noticiado nos periódicos jornalísticos, era dificílima, pois as condições fisico-demográficas eram as mais variadas, a infra-estrutura muito diversificada, a população distribuída de maneira irregular, os hábitos alimentares diferindo muito de região a região, com valores nutritivos muito díspares.

Havia uma grande variedade dos meios de transportes empregados, pois as dificuldades de comunicação eram tremendas, desde as sedes para os vários setores, e destes para os municípios; também

dos supervisores municipais com as diretoras dos grupos escolares situados nos interiores, dentre outras dificuldades relatadas, como falta de pessoal habilitado para o preparo das refeições, controle de serviços, combate às pragas, confecção de mapas e relatórios. (In: JORNAL DIÁRIO DE NOTÍCIAS, RJ, 07, 08/1969).

Foi, portanto, nessa linha dinâmica de ação, sempre tentando buscar os recursos humanos necessários ao seu funcionamento, ao tempo em que se tentava formar, qualificar essa mão-de-obra, que a Campanha seguia sua rotina administrato-operacional. À medida que

Fig. 14 - Pedro Almino e sua equipe.

ALIMENTAÇÃO ESCOLAR. Fonte:

seguia sua expansão geográfica, implantando-se mais e mais setores, novos problemas surgiam.

Nesse ínterim, novas idéias, novos métodos criativos adaptavam-se para driblar os mais diversos problemas operacionais, sendo implantados como pré-teste, como laboratório pela CNAE no Ceará (leia-se Pedro Almino), tanto para ajudar e facilitar o trabalho diário de distribuição da alimentação, como para ajudar as escolas a adaptarem suas instalações físicas e de equipamentos. É o que vamos ver agora.

3.1.6 Cantinas escolares, cozinhas centrais, merenda nas férias: novas idéias, utopias ou