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Beretning om selfangsten 1929

O velho alemão contratou os serviços do moço para fazer a desratização na sua própria casa. A dona da casa recebeu o moço, pesadona como o marido, salpicada de sarnas, os tornozelos grossos

(vestia bermuda[s]). O moço desfez o pacote com apetrechos na cozinha, onde duas panelas ferviam Supressão por riscado, a lápis.

a fogo brando no fogão a gás. A alemã, no seu português arrevezado, dizia do seu horror àqueles

5 animais nojentos:

– Gordos, gordos – repetia-se.

Acrescentava que ainda não se tinha mudado d[e] /a\, porque o aluguel desta era pago pela Substituição por sobreposição, a lápis.

administração do porto. Mas não tolerava os bichos. As baratas nem tanto [.] /,\ [mas] [o] /O\s ratos a Supressão por riscado e substituição à frente, a lápis. Supressão por riscado e substituição à frente, a lápis.

deixavam arrepiada. Mostrava o braço ao moço, [onde] os pêlos <↑Pedia-lhe que experimentasse> Supressão por riscado, a lápis. Acréscimo na entrelinha superior, a lápis.

10 ruivo[i]./s\ se eriçavam <↓eriçados>. O moço garantia que depois quea empresa [em que trabalhava] Substituição por sobreposição, a lápis. Substituição na entrelinha inferior, a lápis. que a. Supressão por riscado e substituição na entrelinha superior, a lápis.

<↑onde era empregado [il]> fizera idêntico serviço nas ,d./D\ocas ([onde trabalhava] [<← onde era Empregado>] <↑local de trabalho d> o marido) nos armazéns do porto<,> a situação iria melhorar muito,

Palavra ilegível. Substituição por sobreposição, datiloscrita. Supressão por riscado e substituição na margem esquerda, em tinta azul. Supressão e substituição na entrelinha superior, a lápis. Acréscimo a lápis.

porque a casa era próximo, era caminho natural <de les> /deles\: Supressão por riscado e substituição à

frente.

– Por um tempom vai [se liv] /ficar livre\ tempo. Supressão por sobreposição

datiloscrita de X e substituição datiloscrita à frente.

15 – Espero, espero – repetia-se.

O moço preparou iscas, que distribuiu por vários pontos, principalmente [p]edras Supressão por riscado, a lápis.

<↑caminho de> <←pelo>. Chamou a atenção para a despensa, porque ratos envenenados poderiam ali peneta/r\ar ali, roer sacos e pacotes.

Acréscimo datiloscrito na entrelinha superior. Acréscimo, em tinta azul, na margem esquerda.

Substituição por sobreposição, datiloscrita.

– Ó<,> sei,ó <,> sei. Acréscimo, a tinta azul.

20 O moço p[i]/u\nha inseticida no ra[ç]/l\o do corredor, para matar as baratas. Ao ergue-se, ela, Substituição por sobreposição,

datiloscrita. Substituição por sobreposição, datiloscrita.

a alemã, comprimiu-se entre [a Ω1parede] entre ele e Ω2 parede, esfregando-lhe nas costas os grandes seios. Sorriu[-lhe] e pisco-lhe o olho[s]. O moço <↑ voltava a[encarando-a] <encará-la>>[encarava-a], risonho. Depois foi a vez da garrafa de cachaça, que ela tirou do guarda-louça. Serviu-se de uma dose

Supressão por sobreposição datiloscrita de X e deslocamento. Supressão por riscado, a lápis. Supressão por riscado, a lápis. Acréscimo na entrelinha superior. Supressão e substituição, tinta azul.

<↓,><↑estalou a língua> e chamou o outro. Estropiava-se nas palavras: Acréscimo na entrelinha inferior e

superior, a lápis.

25 – É boa, coisa boa. [Coisa] [e]/E\special. Supressão por riscado. Substituição

por sobreposição, a lápis.

O moço voltou à cozinha, para lavar as mãos, [a toalha de] <↑que enxugou na> flanela pendurada no cós das calças (as duas panelas ferviam no fogão a gás). Sentou-se à me[x]/s\a serviu-se de sua dose. A alemã repetiu a sua em [dose menor] <↑ menor quantidade, apenas dois dedos.> [Estalou].<[↓falar a]> a língua:

Supressão datiloscrita de X e substituição na entrelinha superior datiloscrita. Substituição por sobreposição, datiloscrita.

Supressão por datiloscrito de X e substituição na entrelinha superior, datiloscrita.

30 – Hans (era o marido) não passa sem ela.

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[O moço] /E\ ia de surpresa em surpresa, quando sentiu o pé desca[k]/l\ço dela procurava-lhe a boca da calça sob a mesa. Encaravam-se<↑em repentino> [em] grosso, pejado silêncio. Não houve mais palavras, apenas o pé da alemã que lhe subia pela perna. Não mais palavras, só atitudes. Ela se levantou, passou a chave na porta da casa, foi à cozinha [onde] deu volta aos dois botões do gás. Levou o moço até o longo divã, onde se livr[i]/o\u da bermuda. Ele a penetrou profundamente, ao começo seca, lgo depois úmida. (X) Conversavam. Ela quis saber a idade do moço.

Substituição por sobreposição, a lápis. Substituição por Acréscimo na entrelinha superior, a lápis. Supressão por riscado, a lápis. sobreposição, datiloscrito.

Supressão por riscado, a lápis.

Substituição por sobreposição, datiloscrito

Acréscimo de X, a lápis

.

– Vinte e sete anos. – Ó, ó, um broto!

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para imitar-lhe os músculos. O moço ria.

A alemã urrava; chamando-o a si: – Broto, broto, broto!

45 – Urrava e sacudia muito a cabeça mal apoiada à almofada. Foi quando <,><↑presa a um Acréscimo, a lápis. Acréscimo na entrelinha superior, a lápis.

grampo> se prendeu a mecha de cabelo cor de mel <,>[presa a um granpa] <↑que> e ficou bailando, Supressão e substituição na entrelinha superior, a lápis. grampo

dançando ddiante dos olhos do moço, o que[ele]<↓este> jamais esqueceu. Supressão e Substituição na

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3.5.2.2 Testemunho 2 de A mecha de cabelos

A MECHA DE CABELOS

Moreira Campos

Os empregados do Departamento de Desratização faziam a matança de ratos nos armazéns do porto, quando o velho alemão, despachante, contratou um deles para idêntica limpeza na sua casa, também infestada desses animais e de baratas. Subiu ao alto da calçada e, no seu português sempre arrevezado, indicou-lhe a residência a uma certa distância, deu-lhe o seu nome e endereço

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num pedaço de papel. Terminando o serviço, voltasse ali à repartição para acertarem contas.

– Sim, senhor.

O moço apareceu dois dias depois. Abriu-lhe a porta a mulher do alemão, brasileira, gente da gente. Mais moça que o marido, mas também cabelos grisalhos. Simpática, comunicativa, talvez excessivamente simpática (os vizinhos sabiam que ela enganava o marido, o indivíduo entrava pelo

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portão do quintal, esgueirando-se). Disse ao moço que ficasse à vontade, a casa era sua. Falou-lhe

também do horror que tinha a tais animais e baratas. Aqueles, gordos, nojentos, repelentes. Ficava arrepiada quando os via. Só ainda morava na casa porque o aluguel desta era pago pela própria administração do porto. Senão, já teria mudado. Mostrou-lhe o braço:

– Veja como fico, só de pensar neles.

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O moço experimentou-lhe o braço, passando a mão de leve, sem nada constatar. Riu-lhe com os seus olhos jovens e claros. Desfez o seu pacote com apetrechos, iniciou o trabalho. Correu quartos, sala e cozinha, onde o conteúdo de suas panelas fervia no fogão a gás. Demorou-se na despensa. Fez ali limpeza rigorosa, lembrando à dona da casa que vigiasse, tivesse muita cutela, pelo menos por alguns dias, porque era perigosíssimo. Acreditava que parte deles não apareceria

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tão cedo, pela desratização que haviam feito nos armazéns e pedras do cais.

O moço continuava a olhá-la com surpresa, sobretudo quando se acocorou no corredor, para despejar no ralo o pó de inseticida. Ao erguer-se, ela, de passagem, se comprimiu entre ele e a parede, esfregando-lhe nas costas os seios. Riu-lhe e de repente quis saber a idade dele.

– Vinte e três anos!

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– Um broto, e bonito!

Merecia emprego melhor, num escritório ou repartição. O moço continuava a rir, apanhando no chão e folha que caíra do jarro. Ela se lembrou de oferecer-lhe o copo de refrigerante. Ele voltou à cozinha para lavar as mãos (as panelas ferviam no fogão), enxugando-as na própria flanela.

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que trazia metida no cós das calças. Sentaram-se à mesa da copa para um descanso.

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Conversavam. Ela repetiu as palavras, com certo brilho nos olhos, um ar de malícia:

– Um broto, e bonito!

Sentiu que o seu pé livre da chinela procurava-lhe a boca da calça. Entreolharam- se, sérios, e entre os dois caiu repentinamente o silêncio, pejados, decididos. Ela acabou de fechar a porta, deu volta aos dois botões do fogão, apanhou-o pelo pulso e se dirigiram

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ao quarto. Serviram-se da cama do casal como foi possível, ela com os cabelos grisalhos

Apoiada ao travesseiro. Penetrou-a profundamente com aquela mocidade que era sua. E Foi como se possuísse uma jovem havia muito intocada, sem filhos, seca de início, logo depois úmida. Apertava-o com força entre as coxas grossas. Gemia e sacudia a cabeça no travesseiro, quando se despendeu dos grampos a mecha de cabelos, que ficou

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As intervenções manuscritas são substituições, supressões e acréscimos. De forma

geral, os acréscimos e substituições ocorreram para detalhar a descrição de gestos dos

personagens e as supressões para corrigir os erros de datilografia e evitar repetições.

As modificações autógrafas nos mostram que as substituições ocorreram para evitar as

repetições de palavras e ajustar o uso da maiúscula após a mudança de pontuação. As

supressões, de forma geral, apareceram para retirar do texto palavras ou fragmentos com erros

de grafia, repetições e o “s” indicativo de plural em termos que deveriam estar no singular. Os

acréscimos trazem maior precisão na descrição de ações que irão compor a atmosfera de

sedução entre as personagens, como destacaremos ao longo do estudo desse conto.