Os Sistemas de Informação Geográfica podem ser aplicados nas mais diversas áreas tais como, na geografia, no planeamento e ordenamento do território, na meteorologia, nos transportes ou na agricultura, e também em setores de atividade económica como no turismo.
Os SIG constituem um conjunto de ferramentas de atualização, recolha, armazenamento, análise, gestão e de informação e representação de dados espaciais que, no caso da presente investigação, servirão para indicar a localização dos recursos endógenos de valor acrescentado, procurando-se potencializar o turismo nos municípios escolhidos para investigação na presente dissertação.
A incorporação desta tecnologia pode contribuir para a melhoria dos serviços oferecidos no turismo, pois assenta na capacidade de fazer chegar informação a vários e
diferentes agentes, incluindo a população. Uma grande parte desta informação é espacial, ou seja, indica a localização dos recursos turísticos, demostrando-se, por isso, que os SIG podem constituir uma ferramenta bastante útil e eficaz no planeamento
turístico (Colak e Aydinoglu, 2006, citados por Sousa e Fernandes, 2007, p. 109).
As mudanças que ocorrem no turismo decorrente da competição entre produtos e destinos turísticos e as alterações nos comportamentos dos turistas são fatores que terão de ser reflectidos, analisados e geridos do ponto de vista do planeamento, estratégia e
desenvolvimento de espaços turísticos (Colak e Aydinoglu, 2006, citados por Sousa e
Fernandes, 2007, p. 109).
Quando um visitante pretende visitar e descobrir os recantos e paisagens mais emblemáticos, saborear a gastronomia local (restaurantes), praticar atividades lúdicas, conhecer a história e a cultura do local do município e conhecer as áreas de lazer, se tiver um acesso fácil a este tipo de informação a partir da internet (e.g., Websig), à televisão no seu quarto de hotel ou de um sistema instalado no automóvel ou no telemóvel, o leque de possibilidades torna-se convidativo a interagir mais de perto com
a realidade da região que escolheu para o seu lazer (Sousa e Fernandes, 2007, p. 109).
Um sistema de informação orientado para esta interacção múltipla e auxiliado pela dimensão de referenciação geográfica torna-se importante pela inovação e competitividade que suscita. Uma competitividade pela cooperação favorecerá (…) o
enriquecimento das relações entre os vários agentes socioeconómicos envolvidos no sector turístico e destes com os utilizadores, mostrando os produtos e serviços que oferecem em cada região (Chen, 2007, citado por Sousa e Fernandes, 2007, p. 109).
Para isso, o sistema deve permitir a junção de vários serviços de informação, acessíveis através das várias plataformas tecnológicas, para que os agentes possam estabelecer relações formais e informais entre eles usando as tecnologias de
comunicação ao seu alcance (Sousa e Fernandes, 2007, p. 109).
O acesso a dados georeferenciados veio incrementar valor aos produtos e aos serviços, assumindo as Tecnologias de Informação Geográfica um papel importante na utilização do Sistema de Informação. A geo-referenciação dos locais é integrada com informação adicional específica, de modo a permitir uma maior percepção dos recursos existentes no local (Haines-Young et al., 1994, citados por Sousa e Fernandes, 2007).
De referir que ao ser enriquecido com conteúdos multimédia e de caráter geográfico, histórico, cultural, etnográfico, entre outros, o sistema tende a reforçar a sua
sustentabilidade junto do público-alvo, designadamente nos visitantes (Sousa e Fernandes, 2007).
Uma das principais dificuldades da atividade turística é a manutenção, a gestão e atualização rápida de todos os dados dos recursos turísticos, e.g., eventos culturais, hotéis, parques de entretenimento, exposições, festivais, feiras, restaurantes e cafés, quando estão compilados pelas autoridades locais. Normalmente, os processos de publicação destes dados não respondem às necessidades de seleção, integração ou utilização imediata dos mesmos e, frequentemente, são mais veiculados através de
canais convencionais como panfletos, revistas, brochuras e afins (Sousa e Fernandes,
2007, p. 109).
A multimédia e os Sistemas de Informação Geográfica constituem uma ferramenta essencial para o mercado de aplicações no âmbito dos sistemas de gestão turística, os quais tornam possível o acesso aos dados em formato digital. Os custos envolvidos numa distribuição deste tipo podem ser evitados pela operacionalização de
uma base de dados multimédia, gerida localmente e disponível através da Internet aos analistas e programadores de aplicações (Benabdallah e Soltane, 1996, citados por
Sousa e Fernandes, 2007, p. 109).
Deste modo, a combinação destas tecnologias com o suporte sistémico geográfico permite dispôr de novas funcionalidades baseadas em dados vetoriais (e.g., otimização de percursos e cálculo de proximidades), (…) gerar automaticamente um
largo espectro de novas aplicações turísticas baseadas nestas tecnologias e desenvolver uma base de dados geográfica distribuída (Sousa e Fernandes, 2007, pp. 109-110).
Assim, a sua integração permitirá às autoridades locais atualizar os dados de uma maneira fácil, eficiente e a baixo custo (Sousa e Fernandes, 2007).
O Quadro VI mostra as potencialidades dos SIG no planeamento turístico e como eles podem resolver problemas relacionados com o setor do turismo.
Ao longo dos anos foram publicados vários estudos sobre aplicação dos SIG no setor turístico e neles foi observado um aumento considerável da utilização dos
Sistemas de Informação Geográfica no planeamento turístico e na identificação dos melhores locais para o desenvolvimento turístico, tendo sido utilisados por Gunn
(1994), para identificar as áreas com maior potencial turístico, dando primazia aos seus recursos naturais e culturais (Sousa e Fernandes, 2007, p. 110).
Também para Holm-Pedersen, 1994, e Chen, 2007, citados por Sousa e Fernandes, 2007, os Sistemas de Informação Geográfica constituem uma ferramenta eficaz na representação e na monitorização do desenvolvimento turístico.
A demarcação determinação de regras de acesso e a estruturação de conteúdos, incluindo a importância de critérios de qualidade e de aspetos comportamentais ao longo do tempo, são elementos enriquecedores para o sistema de informação (SI) (Sousa e Fernandes, 2007, p. 111).
Quadro VI – Potencialidades dos Sistemas de Informação Geográfica no apoio ao planeamento do turismo
Natureza do problema Aplicação dos SIG
Os agentes envolvidos nem sempre dispõem de todo o tipo de informação necessária a uma visão harmonizada e consensual.
Os SIG podem ser utilizados para uma inventariação dos recursos turísticos e uma análise dos mesmos.
Dificuldade em determinar níveis de
desenvolvimento sustentado do turismo devido à complexidade da definição deste conceito.
Os SIG podem ser utilziados para acompanhar e controlar as atividades turísticas. Conseguem fazer o controlo devido à presença dos dados turísticos, ambientais, culturais e socioeconómicos.
Controlar e gerir o desenvolvimento tendo em conta as capacidades, usos e competências.
Os SIG podem ser utilizados para identificar localizações mais apropriadas e convenientes e áreas de conflito e de complementaridade.
O setor turístico apresenta impactos, os quais, não podem ser revertidos.
Pode ser utilizado para simular resultados espaciais dos desenvolvimentos propostos e sensibilizar os agentes para as externalidades de suas ações.
O turismo é uma atividade bastante dinâmica e provoca mudanças que podem produzir conflitos intra e inter-setoriais que podem afetar os seus recursos.
Os SIG permitem a junção de dados
representativos do capital socioeconómico e ambiental num dado contexto espacial. Assumem um papel importante e dominante no planeamento estratégico espacial.
Excesso de níveis de direção e controlo no desenvolvimento do turismo, o que conduz a desacordos.
As funções dos SIG de apoio à decisão permitem dar mais informação e aumentar o compromisso e a resolução. Isto pressupõe uma abordagem coerente de planeamento e controlo.
Fonte: Adaptado de Bahaire e Elliot-White (1999), citados por Sousa e Fernandes (2007).
São aspetos importantes a explorar para o planeamento do setor porque podem orientar estratégias de ocupação do território, por um lado, e criar novos serviços online mais seguros, por outro, quando concebidos de acordo com os padrões definidos no Sistema de Informação. Estes aspetos devem ser adaptados às políticas e às estratégias do setor turístico a nível nacional e regional, pois o público-alvo procura encontrar
informações relevantes sobre as várias regiões turísticas para tomar a decisão mais adquada (Sousa e Fernandes, 2007, p. 111).
De acordo com Sousa e Fernandes, 2007, p. 111, o sistema por eles proposto abrange diversos serviços de informação acessíveis através de plataformas tecnológicas
e interligados num sistema de informação para o turismo. Tais serviços são orientados
para o setor turístico, o qual assume um importante peso na economia portuguesa em geral.
Os serviços podem ser originários dos operadores turísticos, da indústria
hoteleira, restauração, agências de viagens, rent-a-car’s, etc. Estes agentes criam
relações económicas formais e informais entre si, usando da melhor forma os canais de comunicação ao seu alcance (Sousa e Fernandes, 2007, p. 111).
O sistema de informação (SI) permite pesquisar diversas informações e conteúdos, as quais são da responsabilidade dos respetivos agentes e permite criar um
meio de comunicação entre dois ou mais agentes, em tempo real, de modo a simplificar os seus contactos e potenciar as suas relações, que se poderão traduzir no crescimento económico de ambos (Sousa e Fernandes, 2007, p. 111).
Estas pesquisas podem ser de caráter geral ou especificar determinado produto ou serviço, agentes ou grupo de agentes que organizam estratégias entre si. O sistema apresenta diversas capacidades, tais como pesquisa individual de um serviço ou
produto, publicação de produtos e serviços prestados pelos agentes e acesso a informação através da Internet, de postos fixos em locais com grande interesse turístico, de telemóveis entre outros (Sousa e Fernandes, 2007, pp. 111-112).
Em termos de requisitos tecnológicos, o Sistema de Informação é formado por um conjunto de bases de dados e procedimentos sistémicos, formados para gerir de modo eficiente a informação e os conteúdos multimédia associados. A informação atualizada sobre a oferta de serviços e produtos destinados ao turismo no território português deve estar atualizada. Estes são fornecidos por uns agentes a outros, envolvidos no negócio turístico e aos consumidores finais, turistas, visitantes e até residentes que desejam informação sobre diversos eventos e onde se localizam (Sousa e Fernandes, 2007, p. 112).
Quanto à componente SIG, esta tem a capacidade de fornecer informação diversificada, de geri-la e classificá-la da melhor forma possível determina a escolha
das plataformas tecnológicas a implementar. Para esse efeito, é necessário elaborar
soluções eficazes recorrendo aos SIG, e estes têm como objetivo a produção de
informação georreferenciada, a execução de mapas e saídas gráficas, análises espaciais, entre outras funções. Também têm um papel fulcral na determinação dos conteúdos a exibir, orientados para a localização do emissor do pedido de informação
A Figura 7 mostra as relações entre as entidades que podem usar o sistema de informação. O objetivo é criar e manter os dados atualizados sobre as várias atividades
turísticas e recursos turísticos (e.g. alojamentos, património, restaurantes, cafés e
pastelarias e centros comercias, etc.) e permitir que os interessados criem relações entre si e explica-se, a seguir, cada componente neste sistema (Sousa e Fernandes 2007, p.112).
Figura 7 – Componentes do sistema e tecnologias de suporte
Fonte: Sousa e Fernandes, 2007, p. 114.
Um Sistema de Informação Geográfica (SIG) pode ser utilizado para criar mapas com os percursos em estradas, circuitos de caminhada ou de BTT, passeios, percursos ótimos, localização e informações genéricas dos recursos turísticos (e.g., património, alojamento, restaurantes, parques urbanos, praias fluviais, cafés, pastelarias, centros comerciais) (Sousa e Fernandes, 2007, p. 112).
A utilização de mapas digitais apresenta diversas vantagens tais como a poupança do espaço de armazenamento de dados, não danificação dos mesmos e menores custos de atualização (Sousa e Fernandes, 2012).
Através de um operador de internet, o agente também poderá estar em contacto
com os seus clientes, fornecedores e outros agentes em tempo real, o que lhe permite coordenar de uma forma eficaz os seus negócios. O sistema possibilita-lhe configurar
cada produto ou serviço do seu portfólio de acordo com as regras criadas para cada tipo de cliente e este terá acesso a uma área reservada para si pelo agente, onde pode
encontrar informação sobre as caraterísticas do serviço, catálogo, preços, descontos e outras condições (Sousa e Fernandes, 2007, p. 113).
A localização dos postos fixos é especificada em função de alguns parâmetros e
têm por objetivo disponibilizar informações (de caráter histórico, cultural, social, etc.) sobre a área turística onde estão implantados, bem como sobre os bens e serviços dos agentes da mesma. Por exemplo, as lojas interativas, os quiosques multimédia e os
multibancos são bons exemplos de postos fixos (Sousa e Fernandes, 2007, p. 113). Os PDA/telemóvel têm por referência a sua localização geográfica e
disponibilizam o mesmo tipo de conteúdos, tratados e adaptados para o devido efeito. O
turista pode adquirir informação do sistema através de um computador portátil ou telemóvel com que acede à internet em qualquer local utilizando um serviço específico
fornecido pelo operador que disponibilize dados contidos no sistema (Sousa e
Fernandes, 2007, p. 113).
O público poderá consultar através da internet conteúdos disponíveis não classificados. Os conteúdos classificados de cada agente estarão contidos numa área
reservada (intranet) acessível aos seus clientes e fornecedores através de uma entrada e
de uma password facultadas para esse efeito. Deste modo existirá a possibilidade de fazer dentro dessa área algumas operações como transações comerciais e reservas (Sousa e Fernandes, 2007, p. 113).
Um dos fatores críticos na aplicação dos SIG no turismo consiste em determinar quem controla o modo como são utilizados e quais os interesses. A forma como os SIG são aplicados no processo de planeamento turístico pode transmitir a cultura de gestão
e as relações de poder associadas (Sousa e Fernandes, 2007, p. 113).
O alcance e a flexibilidade dos SIG poderão ser utilizados para incentivar e sensibilizar a participação da população no planeamento turístico e isso dependerá das perceções e objetivos dos vários agentes das políticas de planeamento, os quais devem
perceber que a perspetiva de representar e partilhar aspetos importantes do conhecimento local é fulcral na elaboração de políticas de desenvolvimento local
(Sousa e Fernandes, 2007, p. 116).
Os Sistemas de Informação Geográfica podem constituir uma ferramenta eficaz e poderosa no envolvimento criativo dos cidadãos, possibilitando um melhor
conhecimento das reais necessidades de residentes e dos visitantes (Sousa e Fernandes,
2007, p. 116).
Schmidt et al. (2007) também consideram que o Sistema de Informação Geográfica (SIG) é uma ferramenta muito importante no planeamento e desenvolvimento do turismo, sendo também uma forma de lhe dar maior competitividade turística, visto que esse sistema é uma excelente ferramenta na agilidade na tomada de decisão e aplicação de marketing (Santos et al., 2006, citados por Pereira et al., 2011).